O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

As palavras que circulam (e que ora animam, ora ferem) não são apenas as vêm dos lábios. São também as que brotam da vida.

 

As palavras são mais que sons.

 

A linguagem não verbal é tão eloquente como a linguagem verbal.

 

Há palavras que não precisam de vir à lingua. Elas são escutadas na nascente, no coração.

publicado por Theosfera às 23:36

Há palavras que o vento leva. Há palavras que atraem tempestades.

 

O problema é que as palavras que o vento leva são as que deviam ser guardadas.

 

As que provocam tempestades são as que mais ficam.

 

Tumultuam constantemente. Vão-nos destroçando.

publicado por Theosfera às 23:04

Palavras.

 

Umas vezes, são asas. Outra vezes, parecem brasas.

 

Há palavras que, assim que se soltam dos lábios, voam pela vida, pairam pelo tempo e alojam-se na alma.

 

Marcam-nos continuamente. E mudam-nos para sempre.

 

Elas são a paz sonhada, a luz acesa, o amanhã antecipado.

 

Mas também há palavras que queimam, que que magoam, que agridem. Que matam?

 

A dor por elas trazida parece que nunca se ausenta. Jamais cicatriza.

 

Gostaríamos de as esquecer. Mas eis que elas, obstinadamente, teimam em permanecer. Em torturar.

 

Uma só palavra pode fazer toda a diferença.

 

Tanto pode abrir-nos um horizonte como tapar-nos um caminho...

publicado por Theosfera às 20:01

A fé diz-nos que a vida não acaba, apenas se transforma.

 

Mas nem a fé retira a nossa humanidade. Ai de uma fé que desumanize, desmundanize ou desfraternize!

 

Como ser humano (dotado, portanto, de sensibilidade), é impossível não sentir pesar ante a morte de José Niza.

 

Quem lidou com ele assinala que era um «homem bom, humilde».

 

De facto, é o maior elogio que se pode fazer a respeito de alguém.

 

Mas Niza, talvez por ser um homem bom, era um artista, alguém que sonhava.

 

Foi ele que compôs «E depois do adeus», a canção que ficou associada ao 25 de Abril.

 

É impossível passar ao lado desta coincidência. Aquele que ficou associado ao início da Primavera nas nossas vidas apagou-se num dia em que o Outono começa.

 

Sinal de que muitas esperanças estão a entrar em pousio?

 

RIP

publicado por Theosfera às 16:13

Martinho Lutero foi muito marcado pelas situações do seu tempo e bastante influenciado por duas figuras intemporais: Sto. Agostinho e S. Paulo.

 

De Sto. Agostinho (referência que, curiosamente, partilha com o actual Papa) colheu a gratuidade da fé e um grande pessimismo antropológico.

 

A humanidade é uma «massa damnata». A degradação é completa. O que vale é a salvação trazida por Cristo. O ser humano está corrompido. Só Cristo o reabilita.

 

Com S. Paulo, Lutero bebeu a importância da dialéctica.

 

A «analogia fidei» prevalece sobre a «analogia entis». Ou seja, não há grande afinidade entre o mundo e Deus. O pecado fez com que o mundo se afastasse de Deus. Só pela fé suprimos este défice estrutural.

 

No mundo, Deus, muitas vezes, está escondido, passa despercebido. E é no supremo ocultamento da Cruz que, por estranho que pareça, ocorre o ápice da revelação.

 

Para Lutero, Deus quanto mais Se esconde mais Se revela e quanto mais Se revela mais Se esconde.

 

É por isso que não perfilha uma «Teologia da Glória», do fausto, do esplendor, tipicamente gótica e barroca.

 

Para Lutero, o caminho passa por uma humilde «Teologia da Cruz», do despojamento.

 

Só Aquele que Se torna um de nós constitui uma oferta de esperança para todos nós!

publicado por Theosfera às 15:58

Acautele-se. E preparemo-nos. Em breve, a gasolina vai voltar a subir.

 

Já estamos habituados ao cenário que, uma vez mais, está a ser montado.

 

O anúncio de pequenas descidas costuma ser o prenúncio de fortes subidas.

 

Para segunda-feira, prevê-se uma descida de 0,007 euros na gasolina.

 

Ou seja, um ligeiro alívio para uma (mais que provável) forte carga.

 

É o que experiência dita...

publicado por Theosfera às 15:46

Cresci (e as imagens da infância nunca se apagam) a ouvir falar de Lutero como sendo quase a encarnação do mal.

 

Recordo um livro de catequese que o figurava à beira de umas chamas incandescentes. E eram reportadas estórias em que ele aparecia a dizer à esposa: «Vês o Céu? Mas não é para nós»!

 

A verdade está sempre condicionada pelo tempo. Vim, mais tarde, a descobrir que Lutero foi um apaixonado por Jesus e que, pesem alguns excessos, quis uma profunda reforma na Igreja.

 

Ao contrário do que se diz, Lutero teve sempre uma grande veneração por Maria.

 

Viveu uma vida atormentada no Convento de Erfurt (que o Papa visitou esta manhã), pensando que Deus o ia condenar.

 

Foi, por isso, com alívio que, em 1513, encontrou «a justificação pela fé»(Rom 3,28).

 

A salvação é, antes de mais, um dom. Não somos nós que a merecemos.

 

Lutero tinha um temperamento sanguíneo, impetuoso. Mas foi um homem de Deus.

 

Depois de tantos desencontros, não terá chegado o momento do reencontro definitivo com a herança de Lutero?

 

Afinal, continuamos todos irmãos. Apesar de (ainda) separados.

publicado por Theosfera às 13:36

Como é que pode ensinar quem nunca soube aprender?

 

Educar não é só transmitir o que se capta fora. É sobretudo partilhar o que se encontra dentro.

 

Se falha a vivência, falha logo a credibilidade da comunicação. E nenhuma estratégia pedagógica conseguirá suprir esta carência primordial, este vácuo estrutural.

 

Edith Stein fazia radicar aqui o (magno) princípio da empatia: ir da profundidade do eu à profundidade do tu.

 

Na educação, o método é alguma coisa, o conhecimento é muito, o exemplo é tudo.

publicado por Theosfera às 10:35

Façamos justiça a Bento XVI.

 

Esteja onde estiver, o Papa não foge aos problemas. Nem aos problemas externos, nem, mais notável, aos problemas internos.

 

Mesmo quando não lhe cabe resolvê-los, pelo menos assume-os, enfrenta-os.

 

E nem sequer se refugia naquele torturante lugar-comum de que não se deve falar mal da Igreja.

 

O mal não vem quando se reconhecem certos actos. O mal está quando eles são cometidos e, pior, repetidamente praticados.

 

Acresce que, pela sua natureza, a verdade nunca é para esconder, mas para revelar.

 

Ainda assim, impressiona como é que uma voz tão suave é capaz de proferir verdades tão fortes, por vezes tão duras.

 

Bento XVI não coloca um manto sobre a verdade. Pelo contrário, retira-lhe o véu.

 

Na viagem que o levou ao seu país natal, o Santo Padre disse perceber as pessoas que abandonam a Igreja por causa de certas atitudes. «Posso compreender que alguém diga: "Esta já não é a minha Igreja. A Igreja era para mim a força da humanização do amor. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, não quero estar mais nesta Igreja"».

 

Não está em causa o erro, a falha. Aí, a misericórdia é o caminho e a tolerância tem de ser a regra.

 

Em causa está a desumanidade, a violação reiterada de direitos humanos.

 

Se a Igreja é o Corpo de Cristo e nela ocorrem, sistematicamente, certas situações, temos de aceitar que alguns pensem que o melhor é sair. Para continuar a estar com Cristo.

 

Por vezes, a obscuridade é tal que as pessoas são impelidas a acorrerem, logo, à fonte da luz.

 

Só a humildade cura. Só a mudança ajuda a recuperar a credibilidade perdida.

publicado por Theosfera às 10:31

Tudo inclui o seu contrário.

 

Não foi em vão, aliás, que a filosofia antiga assinalava que os extremos tocam-se.

 

Mantenhamos a esperança. Mas não deixemos de estar de sobreaviso.

 

A humanidade também inclui o seu contrário: a desumanidade, a monstruosidade!

publicado por Theosfera às 10:13

Quando apareceu, a pós-modernidade, disseram-nos Lyotard e Vattimo, ficou logo marcada pelo fragmento.

 

Estamos a viver mais um episódio nesta espiral da cultura fragmentária.

 

O que se passa na Madeira é grave. Mas não é inédito, nem único.

 

Ocultar dívida é, infelizmente, um procedimento a que nos fomos habituando. Nos últimos anos, o défice das nossas contas teve de ser ajustado mais de uma vez.

 

Isto não justifica o que agora se comenta. Mas explica o que, habitualmente, se faz.

 

Acresce que o problema não é só político. É político porque é cívico.

 

Os cidadãos também gastam muito no acidental. E, depois, exigem apoios para o essencial.

 

A diferença entre política e sociedade está na amplitude. No mais, a política é um espelho. Não gostamos do que vemos? Ou, no fundo, não gostamos de nos vermos?

 

Nesta altura, é necessária a crítica. Mas é ainda mais urgente alguma autocrítica.

 

E cada um pense na máxima de Gandhi: «Sê tu mesmo a mudança que queres para o mundo»!

publicado por Theosfera às 10:07

Logo à noite, o Benfica vai jogar «com» o Porto e o Porto vai jogar «com» o Benfica.

 

Insisto: «com» e não «contra».

 

Que seja um jogo sereno. Podem acreditar que o meu clube é o desportivismo e o «fair-play».

 

Tenho simpatia pelos três grandes e por todos os outros.

 

O futebol motiva-me cada vez mais pelo que se passa à volta dele. Pelos comportamentos que revela.

 

O futebol é um compêndio de antropologia cultural.

 

Que vença a moderação e o equilíbrio.

publicado por Theosfera às 09:54

Espantosa esta descrição de François Varillon: «Deus é humilde. Quando eu rezo, dirijo-me ao mais humilde que eu. Quando eu confesso o meu pecado, é ao mais humilde que eu que peço perdão. Se Deus não fosse humilde, eu hesitaria em dizer-Lhe que o amo infinitamente. É este aspecto do mistério que me convence acerca da verdade da revelação».

publicado por Theosfera às 09:52

Deus deu-me o dom de ser gago.

 

Por isso, habituei-me a nunca chegar a uma palavra — falada ou escrita — sem ser por via de sucessivas tentativas e repetidos balbucios.

 

A gaguez ensinou-me que o melhor texto é o que ainda não foi escrito e que a palavra última é a que ainda está por pronunciar.

 

Temos, pois, que continuar a buscá-la, não estacionando jamais naquilo que já fomos encontrando.

publicado por Theosfera às 09:31

A soberba revolta.

 

A presunção finge.

 

A arrogância repele.

 

A ofensa magoa.

 

A rejeição esmaga.

 

Só a humildade convence, atrai, liberta e faz crescer.

publicado por Theosfera às 09:29

Uma sociedade com idosos não é uma sociedade envelhecida.

 

Envelhecida é a sociedade que não sabe respeitar os seus idosos.

publicado por Theosfera às 00:17

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