O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Uma homilia não é só para compreender a Palavra no tempo em que foi escrita. É sobretudo para transportar, vivencialmente, essa Palavra para o nosso tempo.

 

Poucos conseguiram operar tal transporte, com extremos de veemência, como Luther King: «Durante quanto tempo teremos de sofrer injustiças? Não muito, porque o arco moral do universo curva-se em direcção à justiça. Durante quanto tempo a justiça será crucificada e a verdade enterrada? Não parem agora. Continuem a andar»!

publicado por Theosfera às 23:22

Primeiro, o tempo está. Depois, o tempo passa. A seguir, o tempo corre. Finalmente, o tempo voa.

 

As nossas sensações, diante do tempo, também vão oscilando.

 

Inicialmente, temos muito tempo. Depois, temos algum tempo. A seguir, temos pouco tempo. Finalmente, não temos tempo.

 

Nós gastamo-nos no tempo. O tempo desgasta-nos a nós!

publicado por Theosfera às 22:47

Fazemos tudo para prolongar a vida, mas vamos a caminho da morte.

 

Ainda que vivamos mais cem anos, estamos mais perto da nossa morte do que estávamos ontem.

 

Ansiamos por uns momentos de paragem e nem nas férias deixamos de andar.

 

Sentimos necessidade de poupar, mas não conseguimos deixar de consumir.

 

Zygmut Baumann diz que somos «turistas consumidores». Gilles Lipovetsky, num registo semelhante, assinala que nos tornamos «consumidores viajantes».

 

O paradoxo habita-nos. Devora-nos?

publicado por Theosfera às 22:42

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

 

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam. 

  

 

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

 

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

 Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

 

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem!

publicado por Theosfera às 20:45

1. Ainda hoje muitos se interrogam como é que um profeta incómodo foi sendo transformado num chefe poderoso. E, concomitantemente, como é que uma mensagem centrada no serviço deu lugar a uma instituição fortemente organizada e a um sistema de poder.

 

Como é sabido, o momento determinante é o século IV, com o fim das perseguições e a progressiva integração da Igreja no Império. Assistimos, a um tempo, à cristianização de Roma e à romanização do Cristianismo.

 

A Igreja passa não apenas a legitimar as decisões do poder político (mesmo as mais controversas, como a guerra e a pena de morte), mas organiza-se também internamente num sistema similar.

 

Quando o Império Romano se extingue, a Igreja faz subsistir, nos seus traços gerais, a sua estrutura orgânica. Também nela existe poder legislativo, poder executivo e poder judicial.

 

Mas, anteriormente, já tinha havido um esforço de institucionalização, embora não tão estruturado. Foi logo no século II. Dele fala-nos um livro acabado de surgir.

 

 

2. «Assim começou o Cristianismo» é o título de uma obra colectiva, que agrega nomes conhecidos como Fernando Rivas, Esther Miquel, David Álvarez, Carlos Gil, Santiago Guijarro, Carmen Bernabé, Elisa Estevez e Rafael Aguirre, que coordenou.

 

A institucionalização do Cristianismo arranca com força no século II. Até então, notava-se uma confluência geral no meio de importantes diferenças entre comunidades de diferente tipo: judeocristãs e helenocristãs.

 

Quando nos aproximamos dessa época, destaca-se, antes de mais, o grande impacto que a figura de Jesus de Nazaré provocou nos Seus seguidores.

 

A forma de vida daquelas comunidades, a sua organização, a aceitação do diferente (universalismo), a sua capacidade de resistência (criaram-se comunidades que sabiam fazer a leitura da realidade) e as relacões estavam marcadas pelo espírito daquele que foi o seu líder. Daí que não haja tanto a preocupação de dar catequese ou de fazer religião, mas de recuperar a dimensão profética de Jesus.

 

 

3. O Cristianismo foi o resultado de um processo complexo.

 

A origem foi Jesus, mas não foi fácil a articulação entre as diferentes tendências.

 

O encontro entre Pedro e Paulo foi a chave. Dele decorre um processo de convergência que vai desembocar na grande Igreja.

 

Com isto ocorre igualmente a aceitação do valor das Sagradas Escrituras.

 

Houve intentos de ficar apenas com um Evangelho, mas, no final, viu-se que era melhor entender tudo aquilo a partir de diferentes dimensões.

 

Foi aí que se procedeu à determinação de ritos própios acolhidos por tradições distintas: a Eucaristía e a criação de ministérios.

 

A organização foi-se, assim, consolidando até se chegar, mais tarde, à adopção de um sistema de poder.

 

 

4. A memória viva (e vivificante) de Jesus há-de ser sempre a pedra angular e a instância crítica a que tudo há-de estar submetido.

 

É pela Igreja que vemos Jesus. É por Jesus que urge, cada vez mais, rever a Igreja. Para que se seja outra. Para que seja ela. Igreja de Jesus. Para toda a humanidade.

publicado por Theosfera às 16:13

Começámos por saber que há muito para saber e acabaremos por saber que, afinal, fica muito por saber.

 

A aprendizagem é um caminho que nos vai oferecendo vislumbres de um saber que, quanto mais se multiplica, mais nos capacita de que nunca abarcaremos a totalidade do saber.

 

Aliás, o segredo do saber não é dominar nem fechar. É abrir. É estar aberto.

 

Haverá sempre saber para entrar. Haverá sempre muito mais saber por entrar do que aquele que já entrou.

 

Quanto mais se avança na sabedoria, mais se cresce na interrogação.

 

É por isso que fico abismado com algumas certezas. Como se tudo estivesse descoberto. Como se a realidade já não nos surpreendesse.

 

George Steiner, um mestre do saber, põe de sobreaviso um certo ateísmo dogmático.

 

O homem não é dono do mundo, nem senhor da história. «Somos hóspedes da criação. E devemos ao nosso "hospedeiro" a cortesia da interrogação».

 

O mínimo é nunca deixar de perguntar. O máximo é continuar à escuta. A última resposta já soou?

publicado por Theosfera às 15:19

Vergílio Ferreira, na sua famosa «Carta ao Futuro», assumia que o sentimento estético não é um exclusivo das obras da arte.

 

Mas são precisamente as obras de arte que patenteiam o sentimento que está disseminado pela vida.

 

A arte é o ápice da existência em forma de belo e em tons de sublime.

 

Júlio Resende conseguiu dar corpo a todo este sentimento estético que flutua pelas avenidas da existência.

 

A sua morte não configura, pois, o seu desaparecimento. O belo é imortal.

publicado por Theosfera às 15:17

Há um país com um défice grande e uma dívida colossal, maior que a portuguesa.

 

Apesar disso, os mercados mostram-se tranquilos.

 

E nem sequer consta que as «agências de rating», sempre tão pressurosas a desclassificar outras economias, tenham feito qualquer advertência.

 

Esse país é o que mais tem crescido na zona euro, sete vez mais que a poderosa Alemanha.

 

Não há cortes em perspectiva. O défice vai diminuir e a dívida será paga.

 

Tudo isto apesar desse país não ter governo. Tudo isto por causa desse país não ter governo?

 

O governo de gestão, que sobrevive com o orçamento de há dois anos, está impedido de aplicar medidas de fundo.

 

Mesmo que o quisesse, não pode aplicar planos de austeridade.

 

Os cidadãos agradecem.

 

Trabalham, vêem os resultados do seu trabalho e a economia cresce de forma saudável.

 

Produzem. Conseguem dinheiro para si. Contribuem, com os impostos, para o bem comum. Em suma, fazem circular a riqueza.

 

A Bélgica é um país cheio de sorte.

publicado por Theosfera às 12:51

Tantas vezes por causa da verdade, que presumimos possuir, ferimos a integridade de quem a procura e de quem a encontra por outros caminhos.

 

Quando, pelo contrário, apostamos na paz interior e na paz com o próximo, descobrimos o suporte de toda a verdade: surpresa constante, revelação do que está escondido.

 

Zubiri dizia que o importante «não é possuir a verdade, mas deixar-se possuir pela verdade».

 

A paz está na verdade. Mas só há verdade na paz!

publicado por Theosfera às 09:46

Só entrei verdadeiramente em contacto com Xavier Zubiri após a sua morte, ocorrida faz hoje 28 anos.

 

Foi o título de um dos seus livros que me aproximou dele. Sobretudo aquele «y» de «El hombre y Dios».

 

Para ele, acerca de Deus, «o mais difícil não é descobri-Lo; é encobri-Lo».

 

Tudo fala de Deus. Até a Sua alegada ausência. Porque Deus, quanto mais Se esconde, mais Se revela.

 

Uma das frases que Zubiri mais citava era um pensamento de Sto. Agostinho: «Procuremos. Procuremos como quem há-de encontrar e encontremos como quem há-de voltar a procurar. Pois é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa».

publicado por Theosfera às 07:51

É noite. Mas já falta pouco para a manhã.

 

Algumas lágrimas podem estar a tumultuar no seu descanso.

 

Saiba que o sol da manhã devolver-lhe-á o seu sorriso.

 

Fique bem. Com Deus.

publicado por Theosfera às 00:05

1. Vemos, ouvimos e lemos. E, como poetava Sophia, «não podemos ignorar».

 

Tudo está diferente, hoje, mas não necessariamente melhor.

 

A alternativa já não é entre esquerda e direita. É, cada vez mais, entre humanismo e tecnocracia.

 

Há, por toda a parte, uma crise de substância, de horizontes, de discurso. No reino das especialidades, quem se abre ao todo?

 

 Há muitos conhecimentos dispersos. Falta uma sabedoria omni-abarcante e motivadora.

 

Não basta, com efeito, aplicar os conhecimentos apreendidos. É fundamental pôr em marcha uma sabedoria que responda às dificuldades com oportunidades.

 

 

2. A criatividade não se limita a debitar o que se recebeu na escola. Ela abre-se ao que vai palpitando na vida, a maior escola.

 

O conhecimento permite acolher a realidade. Mas só uma grande sabedoria conseguirá transformá-la.

 

É preciso tratar das contas, sem dúvida. Mas é muito mais necessário revitalizar a esperança.

 

Se forem cerceadas oportunidades de realização, como é que as pessoas vão poder tratar das suas contas e das contas do Estado?

 

O povo anda deprimido. Está saturado de quem semeia ilusões. E mostra-se agastado com quem só sabe sacrificar os que já estão deveras sacrificados.

 

Um líder tem de ser mais que um contabilista. Tem de mostrar rasgo. Tem de apontar um rumo. Tem de remar na direcção certa. Tem de mobilizar recursos.

 

Não lhe basta cumprir. Tem de surpreender. Não pode limitar-se a reconhecer o que todos vêem. Tem de ser o primeiro a acreditar e o último a desistir.

 

Não pode estar esmagado pela realidade. De um líder não se pode ouvir expressões como «não é possível»; «não estamos em condições de assegurar»…

 

O líder há-de ser o que descobre uma janela aberta no meio de tantas portas fechadas.

 

 

3. O pessimismo, muitas vezes, não é uma opção pessoal. É uma imposição da realidade.

 

Estamos numa altura em que o crepúsculo surge mais cedo e a noite vai ganhando terreno.

 

E, de facto, vivemos uma época crepuscular. As esperanças parecem decapitadas pela berraria do discurso e pela dureza cruel da realidade.

 

Mas desponta já o sinal de um novo dia. Todos estão de acordo num ponto: como estamos não podemos continuar a estar.

 

É por isso que nunca terei estado tão optimista.

 

 O que salta à vista é tão aviltante que funciona como estertor de uma época e como despertador que prenuncia um novo amanhecer.

 

 Ainda estaremos na noite. Mas as vozes da sentinela não estão longe.

 

Enquanto o sol não desponta, não nos privem de uns vislumbres de luz.

 

A tecnocracia dominante sufoca. A cultura humanista está longe dos círculos do poder. Limito-me, pois, a implorar um pouco de decência.

 

O problema é que os que a têm não aparecem muito. E os que aparecem não parecem tê-la.

 

É natural que um cidadão com um mínimo de decência se sinta exilado no tempo que lhe é dado viver.

 

Nos tempos que correm, a obra conta muito e a imagem parece contar tudo. Será suficiente?

 

 

4. Não é por inércia que o melhor virá. Para que tudo piore, não é preciso fazer nada.

 

As maiorias tanto se fazem eco dos oprimidos como se resignam a ser ressonância dos opressores.

 

Há vitórias que não são oferecidas pelos votos.

 

No fundo, falta perceber que todos perdemos quando alguns ganham.

 

Carecemos, urgentemente, de homens bons à frente da coisa pública.

 

A obra não é tudo.

 

publicado por Theosfera às 00:03

mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3

4
5
6
7
8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro