O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

Corrijo-me em relação ao que, aqui, verti há dias.

 

Achava eu que a alternativa devia ser não entre esquerda e direita, mas entre tecnocracia e humanismo.

 

À medida que o tempo passa, noto que é pedir muito. Limito-me, pois, a implorar um pouco de decência.

 

O problema é que os que a têm não aparecem. E os que aparecem não parecem tê-la.

 

Até deste mínimo vamos ficar privados?

publicado por Theosfera às 21:07

Nesta altura do ano, o crepúsculo surge mais cedo e a noite vai ganhando terreno.

 

Eis um significante com um poderoso significado.

 

Vivemos, de facto, uma época crepuscular. As esperanças parecem decapitadas pela berraria do discurso e pela dureza cruel da realidade.

 

Mas desponta já o sinal de um novo dia. Um consenso já se conseguiu. Todos estão de acordo num ponto: como estamos não podemos continuar a estar.

 

Outras pessoas e novas atitudes farão surgir a manhã.  Ainda estaremos longe?

 

O pessimismo, hoje, não é uma opção pessoal. É uma imposição da realidade.

 

Quem olha para o que é mostrado tem alternativa?

 

Mário de Carvalho dizia que «o pessimista é um optimista bem informado».

 

Confesso, porém, que nunca estive tão optimista.

 

O que salta à vista é tão aviltante que funciona como um estertor de uma época e como o despertador que prenuncia um novo amanhecer.

 

Ainda estamos na noite. Mas a voz da sentinela não está longe.

 

Ela clama (por enquanto, silenciosamente) na alma das pessoas.

publicado por Theosfera às 21:02

Para quem acredita que um mínimo de decência subsiste à erosão, não deixa de se arrepiar com algumas imagens que lhe são servidas.

 

Há, no país, uma situação de enorme delicadeza e extrema gravidade.

 

Os buracos que se descobrem na Madeira atingem um montante colossal e talvez ainda não tenhamos chegado ao cume.

 

E, no entanto, anda-se em festa. Como se nada acontecesse.

 

É surrealista.

 

Houve também um navio onde se tocava e dançava. E, contudo, ele ia-se afundando...

publicado por Theosfera às 16:10

Na vida, somos sempre aprendizes. Todos nos podem ensinar.

 

Uns mostram-nos o que devemos realizar. Outros dão-nos a conhecer o que nunca podemos fazer.

 

Uns abrem-nos portas. Outros fecham-nos janelas.

 

Há quem nos estimule a progredir na esperança. E quem nos ajude a crescer na paciência.

 

É por isso que aprendemos com os amigos. Mas também é verdade que não desaprendemos com os inimigos.

 

Para o Dalai Lama, «os nossos maiores mestres são os nossos inimigos, pois são eles que mais nos interpelam para a virtude da complacência».

 

Quando se mantém a serenidade no meio da tormenta, é sinal de que se assimila a grande lição da existência. 

 

Quando estamos preparados para a adversidade, estamos preparados para tudo.

publicado por Theosfera às 13:47

Ouvindo Alexandre Soares dos Santos, não vale a pena continuar com análises e recriminações.

 

O que pode correr mal, corre quase sempre pior.

 

A sucessão de buracos na Madeira abriu uma cratera no pouco que restava da confiança. Para o gestor da Jerónimo Martins, Portugal está falido.

 

É, por isso, chegada a hora de recomeçar.

 

O problema é o seguinte. Será com aqueles que nos arrastaram para o abismo que vamos sair dele?

 

A vida mostra que os passos mais difíceis de dar são o primeiro e o último.

 

Às vezes, é um grande serviço saber retirar-se.

 

No que depender de nós, vamos em frente. A vida é uma sucessão de começos. Aprendamos com os erros, mas não falemos muito deles.

 

De novo, Alexandre Soares dos Santos: «A única coisa a fazer, todos em conjunto, é não assistir a este espectáculo triste de nos estarmos sempre a queixar na televisão, mas darmos as mãos e recuperarmos o país a trabalhar».

publicado por Theosfera às 13:13

1. Na hora que passa, a Igreja volta a mostrar algumas dificuldades em redescobrir os horizontes do futuro e em reencontrar a energia dos começos.

 

O Concílio Vaticano II foi uma tentativa de recolocar a Igreja nessa dupla direcção, levando-a a seguir em frente sem deixar de olhar para trás (ante et retro oculata).

 

As duas palavras fortes do Concílio apontavam nesse duplo sentido: aggiornamento (adequação à realidade de cada dia) e refontalização (voltar às fontes da fé).

 

Volvidas quase cinco décadas, pressente-se alguma quebra de vigor, um certo amolecimento e, mais preocupante, uma acentuada desmobilização.

 

É neste contexto que, em determinados sectores, germina a necessidade da convocação de um novo Concílio.

 

A esta sugestão é habitual responder que mais importante que um Concílio Vaticano III será estudar e aplicar o Concílio Vaticano II.

 

Sucede que não falta quem replique que um eventual Concílio Vaticano III teria como principal objectivo relançar as propostas e sobretudo o espírito aberto pelo Vaticano II.

 

 

2. Uma nova assembleia conciliar visaria precisamente conformar as estruturas da Igreja à concepção de Igreja firmada no Vaticano II.

 

Na Lumen Gentium, foi dado não só um passo, mas um verdadeiro salto.

 

Não se trata, porém, de uma qualquer novidade. Trata-se de retomar o que vem do início mas que, às vezes, corre o risco de ficar obscurecido.

 

Nesse documento, a Igreja recentrou-se. A primeira frase diz tudo: «A luz dos povos é Cristo».

 

No centro não está a instituição. Está Jesus Cristo.

 

Era por isso, aliás, que os teólogos primitivos comparavam a Igreja à lua.

 

Tal como a lua, também a Igreja não tem luz própria. Ela é um reflexo da luz.

 

Só que, à semelhança do que sucede com a lua, também na Igreja a opacidade coexiste com a luminosidade.

 

O peso das questões institucionais e organizativas condiciona o essencial: o encontro pessoal e comunitário com Jesus e a vivência da Sua mensagem no tempo.

 

O Vaticano II reabriu um caminho. Mas, como se compreende, não concluiu a caminhada. Que, de resto, só estará concluída no fim da história.

 

Foi até feito mais. Há textos conciliares que apelam à «reforma perene».

 

No fundo, o que é proposto a cada membro da Igreja (conversão) é reclamado com urgência a toda a Igreja (mudança).

 

O percurso passa por transpor para as estruturas o que se afirma na doutrina.

 

 

3. Tudo isto passa não apenas por adaptações, mas por uma efectiva alteração de paradigma.

 

Habitualmente, os Concílios Ecuménicos (já se realizaram 21) incidem sobre a doutrina e sobre a missão. Penso que é chegado o momento de haver um Concílio que se debruce, acima de tudo, sobre o testemunho.

 

É por isso que o local, não sendo obviamente o mais importante, pode ter o seu valor simbólico. Daí que, em vez de um Vaticano III, pudéssemos conjecturar um Jerusalém I.

 

Seria uma forma de revitalizar o presente com a força das origens. O paradigma Jesus, por nós perdido e desperdiçado, está sinalizado na coroa de espinhos e sobretudo na cruz.

 

É o paradigma de uma Igreja que respeita os poderes, mas que está distante do poder e que não se concebe a si mesma como poder.

 

Foi a caminho de Jerusalém que Jesus, exorcizando cerce as veleidades de alguns, tornou bem claro que veio para servir e não para ser servido (cf. Mt 20, 28).

 

O reconhecimento que a Igreja teve para com o imperador levou a que, inevitavelmente, sufragasse muitos dos seus actos. Até a pena de morte chegou a ser justificada.

 

Só que, além de funcionar como suporte do poder, a Igreja também se foi estruturando a si mesma num sistema de poder. 

 

 

4. Na hora difícil que a humanidade atravessa, a Igreja de Jesus não pode ser mais uma carga. Ela só tem sentido se constituir, como Jesus, um alívio de todas as cargas (cf. Mt 11, 28-30).

 

O grande problema não é a culpa que, frequentemente, ajudamos a criar. O grande problema é a dor, é o sofrimento, são os dramas sem fim, é a desesperança.

 

Jesus é o rosto de um Deus que ama apaixonadamente o Homem.

 

É esse amor que o Homem precisa de reencontrar na Igreja.

 

Basta o amor, emoldurado pela verdade e ancorado na justiça, e tudo o resto virá por acréscimo.

 

Só o amor traz a bonança para acalmar as tempestades que se acendem nos corações.

 

É preciso que cada ser humano perceba que Deus só quer uma coisa: que todos sejam felizes!

 

 

 

publicado por Theosfera às 12:56

«Que alegre este sol. Há Deus. Tivera-O negado antes do sol, não O negaria agora».

 

Eis o apuro místico que se evola da poesia de Sebastião da Gama.

publicado por Theosfera às 11:06

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