O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 17 de Setembro de 2011

A serenidade pode não ser um atributo inato do coração. Mas tem de ser uma conquista da alma.

 

A serenidade pode não resolver tudo. Mas, pelo menos, não complica nada. O que já não é coisa pouca.

publicado por Theosfera às 22:15

Fazemos tudo pelo dinheiro e, de repente, damos conta de que o dinheiro já pouco faz por nós. Altura para perceber que a maior riqueza não está na conta mas no coração?

 

A solidariedade será a salvação. Com menos conseguirá fazer mais por todos.

 

O coração tem forças que a própria força desconhece!

publicado por Theosfera às 22:11

«Posso resistir a tudo menos à tentação».

 

O problema é que a tentação é cada vez mais pluritentacular. Aparece de muitas formas, muitas delas aprazíveis. Só quando se cede é que se dá conta do equívoco. Não será demasiado tarde?

 

O certo é que, como dizia Lipovetsky, o princípio da convicção tende a ser substituído pelo mero princípio da sedução. É pouco. Para muitos, será (quase) tudo. 

 

O génio de Oscar Wilde foi sempre provocador. Dá sempre matéria para meditar. Mas nem sempre oferece caminhos para seguir.

 

Se não resistimos à tentação, resistimos a quê?

publicado por Theosfera às 12:07

A Dinamarca mudou. Tem, agora, um governo liderado por uma senhora.

 

Mas não se pense que prometeu facilidades.

 

Helle Thorning-Schmidt anunciou aumento de impostos e acrescentou mais uma hora de trabalho por semana.

 

O populismo não é a via única para o êxito.

 

Falar verdade também compensa. E, mesmo que não compensasse pelo voto, compensaria pela consciência do dever cumprido.

publicado por Theosfera às 12:06

Uma mudança, para ser sólida, precisa de tempo, muito tempo.

 

Mas sou tentado a pensar que há excepções.

 

O Brasil tem mudado muito em pouco tempo.

 

Um «case study»?

 

Fomos nós que inventámos o Brasil. E se, agora, nos deixássemos reiventar pelo Brasil?

 

Aprender com quem sabe é sinal de sensatez. Aprender com quem faz é sintoma de alta inteligência.

 

O Brasil está a conseguir. Nós também seremos capazes!

publicado por Theosfera às 12:02

É a crise que provoca a desesperança ou é a desesperança que provoca a crise?

 

Assim sendo, que importa fazer primeiro: vencer a crise para recuperar a esperança ou recuperar a esperança para vencer a crise?

 

Não esqueçamos o legado de Teillard: «O futuro pertencerá àqueles que derem ao mundo um pouco de esperança».

 

Um pouco que seja já é bom, muito bom.

publicado por Theosfera às 06:49

«Nesta vida, cada um de nós está sozinho, pelo que não é de estranhar que morra sozinho».

 

Estas terão sido as últimas palavras de Xavier Zubiri, antes de morrer a 21 de Setembro de 1983, nas urgências do hospital, acompanhado pelo seu médico.

 

Mesmo com os outros, podemos estar sós. Às vezes, é com os outros que mais nos sentimos sós.

 

Como Zubiri gostava de repetir, há sempre uma solidão sonora, uma solidão que ressoa...

publicado por Theosfera às 06:48

Em épocas de crise, em que a tentação do desnorte é muito intensa, há duas coisas que não devemos perder jamais: a determinação e a serenidade.

 

Não podemos perder a determinação porque é fundamental que se apontem caminhos e alarguem os horizontes.

 

Não podemos perder a serenidade porque de cabeça quente e com ânimos exaltados não vamos a lado nenhum.

publicado por Theosfera às 06:47

«Se vos baterem, não retribuais a pancada. Se vos derem um tiro, não riposteis ao fogo. Se vos injuriarem, não respondais às injúrias. Continuai sempre a andar».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Mahatma Gandhi.

publicado por Theosfera às 06:44

VIA

«Perdoar é sobretudo desligar».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Ignacio Larrañaga.

publicado por Theosfera às 06:41

No tempo em que se escreviam cartas, Vergílio Ferreira endereçou uma ao futuro.

 

É muito longa para uma carta, muito pequena para um livro, muito densa para uma leitura descontraída, mas muito importante para ser desperdiçada.

 

Estão lá as expectativas incumpridas e os sonhos despedaçados.

 

Está lá a beleza do silêncio e o medo da solidão.

 

E não falta Deus como «permanência de uma interrogação para a qual já não nos basta a resposta que nos deram».

publicado por Theosfera às 06:05

Admiro muito a pessoa e a obra de Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI. A sua palavra é penetrante e a sua obra fulgurante.

 

Mas, com todo o respeito, não me revejo quando fala do «eclipse» de Deus na sociedade.

 

Quem pode estar a atravessar um certo eclipse é a Igreja, que nem sempre consegue deixar transparecer Deus-amor, bondade e paz.

 

No íntimo de cada pessoa, continua a haver uma procura, uma sede, um encontro.

 

Creio na presença de Deus no Homem. Não creio no Seu eclipse.

publicado por Theosfera às 06:04

Agrada-me a alegria sincera. É, sem dúvida, a melhor via para enfrentar (e vencer) a crise.

 

Mas aflige-me alguma euforia gastadora, bojuda. É o sinal de que nem sequer nos apercebemos da crise. Ou, então, o sintoma de que não a queremos encarar.

 

E, no entanto, ela está aí...

publicado por Theosfera às 06:02

O Primeiro-Ministro quer a Europa a falar a uma só voz. Sucede que esse é que tem sido o problema.

 

Como é que uma entidade plural pode ter uma intervenção uniforme?

 

Não dão conta de que a voz que predomina é sempre a dos mais fortes?

 

Era bom que a Europa formasse uma polifonia. Mas ela voltou a ser palco para alguns (poucos) «solistas». Os outros limitam-se a repetir.

 

Só que, como tem avisado Adriano Moreira, sempre que a Europa foi comandada por um Directório, as coisas não correram bem.

publicado por Theosfera às 06:01

A aventura da vida é a mais bela em que nos podemos envolver.

 

Nela, há desencontros dolorosos, mas nela existem também reencontros marcantes. E que acabam por perdurar para sempre!

publicado por Theosfera às 06:00

Só na madrugada sobrevive o silêncio?

 

Daqui a pouco, tudo começa a tumultuar no exterior.

 

Mas nunca percamos a paz.

 

Um bom dia para todos!

publicado por Theosfera às 05:58

Há coisas que não se percebem quando são contadas.

 

Há coisas que só se entendem quando são vividas!

publicado por Theosfera às 05:31

1. De há uns tempos para cá, abundam os diagnósticos acerca da Igreja.

 

À força da sua recorrência,  os estudos começam a suscitar o mesmo efeito das questões estudadas: saturação.

 

É que, apesar dos diagnósticos, os problemas não só não são superados como até se alargam. 

 

O desencanto vai-se apoderando, assim, de muitos membros do Povo de Deus.

 

Nesta altura, mais análises estão a ser feitas e outras pesquisas estão a ser preparadas.

 

Os dados podem sofrer alguma variação, mas o registo permanece invariável. As pessoas vão-se afastando. A militância é cada vez mais ocasional. A linguagem continua a ser um ponto frágil. E alguns elementos doutrinais são crescentemente discutidos.

  

 

2. Qual será, então, o verdadeiro problema da Igreja?

 

Por estranho que pareça, o problema começa logo aqui. Começa quando a Igreja se volta para o seu problema.

 

Esse é, de facto, o núcleo do problema: debruçar-se sobre si.

 

Se alguma coisa a Igreja recebe de Jesus (e, a bem dizer, recebe tudo), é, desde logo, a identidade.

 

Como a Igreja - assim referiu Henri Schilier - é Cristo no Seu novo corpo, então é de Cristo que recolhe a sua natureza e a sua missão.

 

Neste sentido, salta à vista que o problema da Igreja (se quisermos inistir nesta expresão) é um problema de transparência. Ou, melhor, de falta de transparência.

 

Jesus Cristo, enquanto modelo fontal da Igreja (para Santos Sabugal, Maria é o seu modelo paradigmático), apresenta-Se como servo.

 

Ora, o servo é aquele que não tem existência própria. Tudo nele é derivado. Tudo nele é remetido.

 

Jesus constitui, como ninguém, a referência suprema do centramento...descentrado. O centro de Jesus não é Jesus. O Seu centro é Deus e o Homem.

 

Ele não é apenas totalmente Deus e totalmente Homem. Ele é também (e bastante) totalmente para Deus e totalmente para o Homem.

 

Quando a Igreja insiste muito nos aspectos institucionais acaba por ofuscar a sua dimensão constitutiva.

 

 

3. O Concílio Vaticano II teve o cuidado de advertir, ao falar da Igreja, que a luz dos povos não é ela, a Igreja. É Cristo.

 

O que há-de, pois, resplandecer na Igreja é o que transpareceu em Cristo: Deus e o Homem.

 

O importante não é o aparato organizativo. É o mistério. É a experiência de Deus.

 

Este dado de sempre desponta, entretanto, como uma prioridade para este início de século.

 

A um tempo que se pensava irremediavelmente «pós-teísta» sucede uma época que se perfila surpreendentemente como «pós-secularista».

 

Até um ateu como André Comte-Sponville assinala ser a espiritualidade o decisivo na nossa era. E um não crente como Albert Einstein tinha noção de que «a mais bela experiência que podemos fazer é a do misterioso».

 

Se foi a experiência do mistério que «deu origem à religião», como compreender que ela seja desvalorizada no interior da Igreja?

 

Karl Rahner percebeu que passava por aqui a sobrevivência do Cristianismo. Neste século XXI, o Cristianismo «será místico ou não será».

 

Ao mesmo tempo e porque Deus está voltado para o Homem (Jesus é, para nós, o Deus-Homem), a Igreja é chamada a envolver-se em tudo quanto é humano. Não apenas apoiando as vítimas da injustiça, mas questionando as causas da injustiça.

 

Trata-se, afinal, de uma reprodução da vivência primordial, da mística. O amor ao próximo configura aquilo que Johannes Baptist Metz chamava «misticismo de olhos abertos».

 

 

4. A Igreja tem, portanto, de se descentrar constantemente para se recentrar permanentemente: em Deus e no Homem.

 

Ela há-de constituir uma comunidade orante e, simultaneamente, uma comunidade fraterna.

 

Tem de ser uma Igreja «intro-vertida» e «extro-vertida»: voltada para Deus na oração e voltada para a Humanidade na acção.

 

Precisamos, com efeito, de uma Igreja que se ajoelhe (diante de Deus) e que caminhe (ao lado dos homens).

 

Para isso, não são necessários especiais recursos organizativos. Até é bom que eles sejam mínimos para não nos desviarem do essencial.

 

Às vezes, uma grande dispersão por legislações e textos consome energias requeridas para o fundamental.

 

 

5. Basta que nos detenhamos num discurso: o Sermão da Montanha. O programa de Jesus está aí.

 

Basta que nos mobilizemos em torno de um mandamento: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei».

 

Basta que não hesitemos acerca de quem é Deus. Jesus mostra tudo com a Sua vida. João resume tudo numa palavra: amor. Deus é amor.

 

É pela solidariedade, pela misericórdia e pela compaixão que a Igreja mostra o acolhimento do amor divino.

 

Jesus ofereceu-nos um Deus que não castiga nem condena. Obsequiou-nos com um Deus que ama entranhadamente o ser humano.

 

Deus só quer uma coisa: que o Homem seja feliz. Não apenas depois. Mas agora. Já.

 

Sebastião da Gama entendeu isto belamente: «Tenho muito que fazer? Não. Tenho muito que amar»!

 

Quanto mais a Igreja se voltar para fora, melhor se reencontrará dentro de si. Quanto mais a Igreja se despojar, melhor se redescobrirá.

 

Não é à Igreja que compete dar a resposta sobre ela mesma. É a Deus. É à Humanidade.

 

A ela cabe estar à escuta. De forma humilde, disponível, serviçal. E nunca de uma maneira impositiva ou senhorial.

 

publicado por Theosfera às 00:05

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