O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

1. O respeito pelos outros afere-se também pelo modo como falamos com eles. O amor pela pátria comprova-se pela forma como tratamos a língua.

 

Neste campo, convenhamos que o panorama não é muito animador. Há um vendaval de decadência que ameaça agravar-se ainda mais.

 

 Não estou a referir-me aos pruridos da excelência nem aos cumes da erudição. Reporto-me, tão-somente, aos mínimos das regras gramaticais.

 

 O que se lê e o que se ouve não nos deixa descansados. Há cerca de 60 anos, quando o quadro não era tão desolador, havia quem se sentisse ofendido.

 

 

2. João de Araújo Correia, médico dos corpos que sabia ler as almas, confessava ser a língua portuguesa o seu «sangue materno. Quando ma ofendem, perco a serenidade».

 

 Quem ofendia a língua ofendia-o a ele, exímio cultor da mesma. «A Língua é a minha dama. Se não fosse a Língua, que seria eu?. Se não fosse a Língua, não seria nada».

 

 

3. Era a esta língua pátria que recorria para dizer a vida e para tentar dizer a morte. A vida, por vezes, fazia-o tremer. Já a morte sossegava-o. «Ponho-me a tremer por coisas de nada, mas se a morte se aproxima de mim, sossega-me como droga estupefaciente».

 

 Morrer não é fácil, mas viver é muito espinhoso. O escritor, que não tinha medo da eternidade, sentia pena de não ter morrido novo. É que, «quase sem dar fé, quase de repente, vi-me ensarilhado numa competição de egoísmos».

 

 No início, «ao abrigo do lar paterno, tinha eu pensado ou sentido que viver era sinónimo de sorrir. Enganei-me! O papel de viver, no palco social, é espinhoso. Cada actor, ainda que vista veludo, é mais javali do que príncipe».

 

 

4. Era João de Araújo Correia, além de contista afamado e cronista eminente, um psicólogo atento.

 

 Em prosa vertida há quatro décadas, assinalava: «Vai-se tornando difícil, entre confrades, a confraternidade. Para se manter, exige mais hipocrisia que franqueza».

 

 Quatro décadas depois, há quem não hesite em deixar a franqueza completamente de lado. Será isto viver?

 

 

5. João de Araújo Correia achava que o silêncio e a discrição se perderam para sempre. «É inútil prometer alvíssaras, que ninguém encontra esses objectos».

 

 O mundo transformou-se numa aldeia em que nem o mais solitário dos seus habitantes consegue passar despercebido.

 

 Dir-se-ia que o próprio solitário será quem mais espevita a curiosidade alheia. Já nem será possível a liberdade de estar só?

 

 

6. João de Araújo Correia não se cria crente. Mas, no fundo da sua alma, comportava-se como um crente e, na arte de bem-fazer, ia mais longe que muitos crentes.

 

Aos pobres não levava dinheiro pelas consultas e ainda lhes pagava a conta na farmácia. Deus estará longe de alguém assim?

 

 

7. Falecido em 1985, João de Araújo Correia tinha uma escrita cristalina, de indisfarçável sabor telúrico.

 

Não fica a dever nada a Torga e Torga é Torga. Mas a minha admiração é ainda mais forte porque foi ele que, enquanto médico, salvou a vida à minha Mãe.

 

Aos seis anos foi acometida de escarlatina, doença letal naqueles tempos. Recorde-se que até o irmão de Karol Wojtyla (que era médico) lhe sucumbiu.

 

 

8. O Dr. João de Araújo Correia terá mesmo desenganado o meu Avô. Mas, graças a Deus e à sua perícia, aquela criança sobreviveu. Para ser mulher, para ser esposa, para ser mãe. Minha querida Mãe!

publicado por Theosfera às 16:43

No início, Robert Schumann, Konrad Adenauer e Alcide De Gasperi idealizaram a Europa como uma comunidade ao serviço da paz.

 

Mais tarde, a geração de Helmut Kohl, Mitterand e Jacques Delors apostou em fazer também da Europa uma comunidade ao serviço do desenvolvimento dos povos.

 

Hoje em dia, as lideranças de Merkel, Sarkozy e Berlusconi oferecem-nos uma Europa como uma comunidade ao serviço do lucro de alguns!

publicado por Theosfera às 16:04

Da escola esperamos informação e conhecimentos. Mas devemos esperar também muita sabedoria.

 

Os jovens devem ser habilitados para lidar não só com técnicas, mas, acima de tudo, com pessoas.

É bom aprender a Língua, a Matemática, a História. Mas é fundamental aprender igualmente a urbanidade, o respeito, a bondade, a tolerância, o «amor desegoízador».

 

Não basta formatar cérebros. É decisivo formar pessoas.

A robustez da inteligência muito tem a ganhar com a simplicidade do coração.

publicado por Theosfera às 14:08

Os que têm conhecimento dizem que não se pode consumir. Mais impostos leva as pessoas a não consumir. A dívida reduz-se, mas a economia corre o risco de estagnar.

 

Lula da Silva não tem muitos conhecimentos, mas revela uma enorme sabedoria. Com ele o Brasil cresceu. Diminuiu a fome e aumentou o consumo. «É que sem consumo não há emprego, sem emprego não há comércio, sem comércio a economia não cresce».

 

Parece que só na cabeça dos especialistas não cabe o que salta à vista de toda a gente.

publicado por Theosfera às 10:23

Há o terrorismo violento, que mata. E há o terrorismo lento (mas não menos violento) que vai matando ou destruindo.

 

O alvo deste terrorismo não são apenas os países ricos. São, acima de tudo, as pessoas pobres.

Pensemos na fome, nas epidemias, nas vítimas da injustiça e da opressão.

 

E não deixemos de pensar nas insinuações, nas vilezas, na pressões, no controlo do pensar e do sentir dos outros.

Não subsiste aqui também uma certa tipologia do terror?

publicado por Theosfera às 10:08

Há noites que se prolongam pelos dias. Vivemos num tempo em que uma espessa noite se despejou sobre a civilização.

 

«Noite» é o título de um livro de Ellie Wisel sobre a segunda guerra mundial.

É um livro que põe diante de nós os extremos da violência e os confins da maldade.

 

Nada disto prescreveu. Como diz António Ramos Rosa, «a noite existe e a palavra sabe-o».

Mas é também na noite que se vê a luz. Quando chegará?

 

Na hora que passa, não estamos apenas a perder dinheiro. Estamos também a perder sentimentos, sobretudo a compaixão, a capacidade de sentir o sofrimento dos outros.

 

Só quando percebermos que os outros fazem parte de nós é que terá sentido falar de humanidade.

A indiferença é, decididamente, o oitavo pecado capital. E não é menos nocivo que os outros sete.

 

Mas quem tem consciência dele?

publicado por Theosfera às 10:06

O mistério não é só a ponte para o além.

 

É, acima de tudo, uma tomada de consciência de que nem tudo se decide com o conhecimento, a técnica e a dominação.

 

É uma respiração espiritual que nos faz descer à profundidade de nós próprios e à profundidade do nosso semelhante.

 

Nas igrejas, há muito ruído, muitas palavras, muitas tentativas de amestrar a relação com Deus.

 

Falta espaço para acolher Deus na intimidade do ser. Diria que falta ambiente para tutear mais com Deus.

 

Um pouco mais de silêncio oferecerá aquele suplemento de paz de que estamos tão carentes.

publicado por Theosfera às 09:59

O que, por vezes, mais sobressai na Igreja é o que está mais distante daquele que devia ser o seu centro.

 

O que mais avulta é o rito sem vivência, são as procissões, é a gestão da estrutura.

Será que temos de pedir a quem não se diz crente para nos mostrar em que consiste a fé.

 

Einstein apelava para a experiência do mistério. E Mário Soares, em 1996, assumia ser, talvez, um místico que se desconhece.

 

Não raramente, concentramo-nos apenas na Igreja como estrutura. E não prestamos atenção ao mistério.

 

Esquecemos que a estrutura está ao serviço do mistério. Caso contrário, o mistério é abafado pelo peso da estrutura.

publicado por Theosfera às 09:56

Quando se discute muito o problema da Igreja, há logo qualquer coisa que não bate certo.

 

De facto, a Igreja é um problema quando se concentra no seu problema. O problema da Igreja é concentrar-se em si própria.

Na sua génese, a Igreja não existe por si nem para si. Ela tem, pois, de se descentrar para se recentrar.

 

O centro da Igreja só pode ser o (duplo) centro de Jesus: Deus e o Homem.

O problema da Igreja é esse. Nela, por vezes, há pouco lugar para o mistério e para a solidariedade.

publicado por Theosfera às 09:50

Há muita expectativa sobre a escola. Às vezes, também há pressão.

 

Espera-se muito da escola. É normal.

 

Demos tempo à escola. Confiemos na escola. Deixemos respirar a escola.

 

Um feliz ano lectivo.

publicado por Theosfera às 09:48

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