O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 05 de Setembro de 2011

 1. Do Ocidente vem a técnica. A Oriente parece estar a sabedoria. A sabedoria que, porventura para nosso espanto, chega a questionar as mais avançadas conquistas da técnica.

 

É que, se muitas dessas conquistas nos ligam a todos os lugares, às vezes desligam-nos uns dos outros e da própria natureza.

 

Satish Kumar usa alguns desses meios para denunciar o logro a que nos podem conduzir. É indiano, tem 75 anos e já fez 13 mil quilómetros numa peregrinação pela paz e por um regresso à natureza.

 

Também ele tem uma proposta para sair da crise: mais respeito pela natureza, mais amor e mais confiança.

 

Nos antípodas da ortodoxia dominante, não segue a vulgata dos realistas. Para ele, o problema está precisamente no realismo.

 

«O mundo tem sido governado pelos realistas e hoje temos crise económica, crise ambiental, guerras e pobreza. O nosso realismo não é sustentável. Pusemos um preço em tudo. Tudo se tornou uma mercadoria».

 

É preciso não desistir dos ideais. O idealismo não é o contrário do realismo. Pode ser (deverá ser) a sua inspiração, a sua instância crítica, o seu motor. «Talvez tenha chegado a altura de os idealistas fazer alguma coisa. A sustentabilidade exige um bocadinho de idealismo, de inocência».

 

 

2. Esta crise não é económica. É uma crise de dinheiro, o que é diferente. Os realistas andam preocupados com o dinheiro. Esquecem que «a terra continua a produzir alimentos e os seres humanos não perderam as suas capacidades».

 

Satish Kumar propugna um retorno à natureza: «A natureza tem a solução. Ela dá-nos tudo o que precisamos: alimentos, roupas, casas, sapatos, amor, poesia, arte».

 

Neste sentido, advoga uma aposta na economia local. A globalização da economia é um problema, até porque estriba no petróleo. E quando este se esgotar? «A economia local deveria ser a verdadeira economia; a economia global seria como a fina cobertura de açúcar em cima de um bolo, com entre dez a vinte por cento da economia».

 

Precisaremos, então, de uma conversão económica? Muito mais do que isso. A medida da riqueza há-de deslocar-se, desejavelmente, da conta do banco para o solo. Urge, portanto, mudar a forma de pensar.

 

«Podemos criar dinheiro, mas se poluirmos os nossos rios e envenenarmos as nossas terras, não os podemos substituir».

 

É nesta altura que Satish Kumar propõe um paradigma diferente. «Devemos viver como peregrinos, não como turistas. O turista é egocêntrico, quer algo para si próprio, bons hotéis, restaurantes e lojas. Quer sempre mais e melhor. Já o peregrino é humilde, deixa uma pegada leve na terra, respeita a árvore e agradece-lhe a sombra e os frutos».

 

Sucede que, dada a tecnocracia reinante, somos capazes de conhecer melhor as marcas dos carros do que o nome das árvores. É por isso que «precisamos de trazer a natureza para a cidade, de promover uma literacia ecológica».

 

Aliás, nós, humanos, «também somos natureza». Daí a necessidade de «educar as crianças no amor pela natureza, aprendendo na natureza e não somente sobre a natureza com livros e computadores.

 

E até os adultos deveriam redescobrir a natureza, ficando mais inspirados. «Teriam mais poesia, música e arte. A nossa sociedade está a tornar-se demasiado banal e prosaica».

 

 

3. Esta reconciliação com a natureza traz em si o gérmen da paz. «Se queremos paz, temos de ter confiança nas pessoas, na natureza, no universo. A paz vem da confiança e a raiz da guerra é o medo».

 

Neste momento, «a humanidade está em guerra com a natureza, está a destruí-la. E seremos perdedores se vencermos. Se não fizermos a paz com a natureza, não haverá paz na humanidade».

 

A sociedade vive muito ensimesmada, muito centrada em si própria. É hora de acordar. «Se as pessoas não se sentem bem, de que serve o crescimento económico?»

 

O homem pode aprender muito com a generosidade da natureza. «De uma única semente, lançada à terra centenas de anos antes, obtemos milhões de azeitonas»!

 

Esta aprendizagem implica, porém, um longo caminho. Mas as grandes mudanças são as que levam mais tempo. É assim que vão percorrendo todos os tecidos de um corpo, de uma sociedade.

 

Há pouco mais de quarenta anos, Luther King foi assassinado por lutar pelos direitos dos negros. Hoje, temos um negro na Casa Branca.

 

 

4. A palavra decisiva para Satish Kumar é celebração. «Temos de celebrar a vida, a natureza. As pessoas não são felizes porque não têm tempo para celebrar. Estão sempre ocupadas, vivem demasiado depressa».

 

A filosofia proposta é andar mais devagar para chegar mais longe. É preciso reparar no que temos em vez de alimentar a vertigem de comprar mais.

 

Afinal e como já alertava Gandhi, «o mundo tem o suficiente para as necessidades das pessoas; mas não tem para a sua ganância».

 

O universo, remata Kumar, é bastante generoso. «É um presente para nós todos»!

publicado por Theosfera às 17:27

O discípulo veio de longe à procura de uma frase sábia do mestre. Este respondeu: ATENÇÃO!

O discípulo preparou-se para anotar e, passado algum tempo, ouviu: ATENÇÃO! ATENÇÃO!

Já um pouco irritado, instou o mestre por ter percorrido tão grande distância e nada ouvir de relevante. Foi então que, de novo, a voz já gasta do mestre se fez ouvir outra vez: ATENÇÃO! ATENÇÃO! ATENÇÃO!

Na família, na escola, na vida, eis a única coisa que basta, a que está na base de tudo: atenção.

publicado por Theosfera às 16:32

Muitas são as vezes em que nos deixamos dominar pelo óbvio. Assim, achamos que a felicidade é a riqueza, o poder, a fama ou a diversão. Só que, também aqui, há tantos episódios de infelicidade.

 

E se, afinal, houvesse uma espécie de felicidade oculta? É dela que nos fala Martin Buber. Segundo ele, a verdadeira felicidade é a que não se vê. É aquela que anda em sentido contrário ao que se vê.

 

A verdadeira felicidade não vem de fora para dentro. Vai de dentro para fora.

 

É por isso que se pode ser feliz pobre, perseguido, humilde, chorando.

 

Talvez não faça mal trocar as revistas cor-de-rosa pelo Sermão da Montanha.

publicado por Theosfera às 12:04

A paz não é a mera tranquilidade e é muito mais que o descanso.

 

A paz é uma construção cujo alicerce está na justiça. Descansar diante da injustiça é aceitar ficar muito longe da paz.

 

Maria de Lourdes Pintasilgo captou o essencial: «A fé é a paz da permanente inquietação».

publicado por Theosfera às 11:44

Melhor que ontem e menos bom que amanhã.

É o que lhe desejo para si. Hoje. «Ab imo corde».

publicado por Theosfera às 10:57

Pessoa vem, remotamente, de uma palavra grega («prosopon») que significa máscara. E não será máscara aquilo que mais nos cobre no dia-a-dia?

 

A transparência é um ideal tão elevado que achamos não estar em condições de lá chegar.

 

Só que, ao invés do que se presume, o ideal não é o contrário do real. É a sua inspiração, o seu critério.

 

Importante é trazer o ideal para o real.

 

Caiam, então, todas as máscaras!

publicado por Theosfera às 10:55

Do Ocidente vem a técnica. A Oriente parece estar a sabedoria.

 

Se os outros importam a nossa técnica, não nos importemos nós de recorrer à sua sabedoria.

 

Gandhi alertou para uma verdade de suma pertinência: «O mundo tem o suficiente para as necessidades, mas não para a sua ganância»!

publicado por Theosfera às 10:34

Para manter uma situação insustentável nada melhor que uma mudança apressada.

 

A pressa de uma mudança pode levar facilmente à nostalgia da situação anterior.

 

As grandes mudanças constroem-se lentamente. Vão percorrendo todos os tecidos de um corpo, de uma sociedade.

 

É de suma sabedoria o adágio: «Devagar que tenho pressa»!

publicado por Theosfera às 10:32

Faz, hoje, catorze anos que morreu Madre Teresa de Calcutá.

 

Sofria do coração. O seu coração sofria o sofrimento dos outros.

 

Teve sempre uma percepção muito aguda das prioridades.

 

Cristo aparecia-lhe nos mais pobres de entre os pobres.

 

Era aí que ela O encontrava. Por isso, dizia «não ter muito tempo a perder com visitas a santuários».

 

Aos sacerdotes teve a ousadia de reclamar o essencial. De terço na mão, pediu-lhes para falarem de Cristo. 

 

Percorreu o mundo. Não conheceu fronteiras. O amor, para ela, foi sempre universal, ilimitado.

 

O amor é para todos. É para sempre.

publicado por Theosfera às 10:25

Ralph Waldo Emerson remete-nos para o óbvio: «Adopte o ritmo da natureza. O segredo dela é a paciência».

 

A impaciência pode oferecer-nos muita coisa. Duvido é que ela nos ofereça muita coisa boa, durável.

publicado por Theosfera às 10:24

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