O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

«Entre espaldas de granito, Lamego é uma cidade verde, feita de quietude e de silêncio. Tem milhares de almas. Esse formigueiro porém...nem se vê nem se ouve trabalhar.

 

Dentro de oficinas escusas, os sapateiros batem a sola com marteladas surdas. Dos rossios e das ruas largas, dos becos e calçadas medievais, não sobe um pregão. Sobem torres, ergue-se um castelo que diz: escutai.

 

Então o silêncio desdobra-se na mudez religiosa dos bosques, no fresco mutismo das almuinhas, na discrição dos seres animados (...).

 

Os homens cruzam as sombras uns dos outros como se pisassem tapetes de veludo. Os rebanhos da Beira atravessam Lamego calados.

 

Se um cavalo de cigano tropeia nos lajedos...acorda só ecos lendários. Se um automóvel grasna, é escárnio, é risada de gaio que risca o céu no tempo farto. À noite, Lamego tolera o gemido duma guitarra.

 

Lamego dilui, ioniza os ruídos, convida moradores e forasteiros ao labor recòndito do espírito. Um berro em Lamego é uma blasfémia. O mocinho que vende as folhas não as apregoa. Oferece-as na palma da mão a quem as quiser ler. É distinto de todos os garotos do mundo (...).

 

Lamego! Este nome soa a remoto, sabe a pergaminho e a doce de convento. Cheira a pecado. Diz-se e fica a boca ruda e deliciosa.

 

Lamego é uma cidade verde. É o verde cerrado das matas, o verde buliçoso e translúcido dos álamos, o verde encandeado dos soitos, o verde fosco dos cálices das rosas.

 

Lamego é a cidade em que a terra se casa com a pedra harmoniosamente. Um festão de pâmpanos abraça o cunhal duma morada.

 

Um velho espreita da janela os víridos renovos...

 

Lamego ergue edifícios e cultiva flores com mãos de anéis. Em Maio, os terços de rezar transforma-os em grinaldas. Cingem as árvores cordões mordidos de corolas. É uma cidade em que o Rústico se afidalgou sem repúdio do Primitivo. E como na terra tudo é lento, desde o laborar das leivas ao ascender das seivas, o medir da fita ao balcão lamecense é sossegado como o comer e o benzer do lavrador.

 

Lamego! Terra escura. A sua luminosidade é toda interior. As braseiras do lar nunca se apagam. Brilham os rases no Museu, cintilam os olhos das mulheres na fonte.

 

Dizem que Lamego é avara. Será. O beirão sopesa o valor do graeiro que sementa. Embora. Lamego é gentil com os hóspedes, é carinhosa com os seus doentes. Trata-os num hospital airoso como um ninho, enternecedor com um berço embalado por uma avó.

 

Onde há burgo liberal que faça o mesmo?»

 

 

publicado por Theosfera às 22:03

Não era de Lamego, mas creio pertencer a João de Araújo Correia a melhor descrição da urbe: «Cidade verde, cheia de quietude e de silêncio».

publicado por Theosfera às 18:56

Cada vez mais longe do que muitos consideram central.

 

Cada vez mais perto do que muitos consideram marginal.

publicado por Theosfera às 18:54

O sofrimento da alma não é menor que o restante sofrimento. Mas vai merecendo cada vez menos atenção e solidariedade.

 

A tendência é para não analisar sequer os meandros do sofrimento e a intensidade da dor.

 

Muitos são os que optam ficar com quem provoca o sofrimento em vez de ficar ao lado de quem sofre.

 

Para muitos, o pequeno só tem uma alternativa: submeter-se, anular-se.

 

Ao menos Jesus identificou-Se com eles, com os pequenos.

publicado por Theosfera às 18:47

As imagens que chegam da Líbia têm pouco sabor a liberdade.

 

Para já, são puro eco de violência. Cruel.

publicado por Theosfera às 17:30

João de Araújo Correia não se cria crente.

 

Mas, no fundo da sua alma, comportava-se como um crente e, na arte de bem fazer, ia mais longe que muitos crentes.

 

Aos pobres não levava dinheiro pelas consultas e ainda lhes pagava a conta na famárcia. Deus estará longe de alguém assim?

 

(Nota pessoal: minha Mãe foi salva por este clínico quando, aos seis anos, estava com escarlatina, uma doença muito perigosa e que matou muita gente).

publicado por Theosfera às 13:56

Hoje termina o Ramadão, mês de jejum, que assinala a revelação do Corão a Maomé.

 

Amanhã, assinala-se o Id-al-Fitr, uma das festas mais importantes do calendário islâmico.

 

Eis, pois, mais uma oportunidade para aprofundarmos o diálogo inter-religioso.

 

No fundo, quem pertence a uma religião não deixa de fazer parte de toda e qualquer religião.

 

A abertura tem de ser a regra e a coexistência a prática normal.

 

Uma religião não pode ser uma fortaleza. Tem de ser, cada vez mais, uma janela.

publicado por Theosfera às 13:31

Na Líbia, já não haverá ditadura. Mas é seguro que já haja democracia?

publicado por Theosfera às 10:36

«O valor de um ser humano reside na capacidade de ir além de si próprio, de sair de dentro de si mesmo, de existir dentro de si e para as outras pessoas».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Milan Kundera.

publicado por Theosfera às 10:30

Se até o mudar mudou, como é que o tempo não havia de mudar?

publicado por Theosfera às 10:25

Não se pense que é só «lá fora» que é difícil viver a mensagem de Jesus. «Cá dentro» também não é muito fácil.

 

Apesar de Maria, no seu hino, louvar o Deus que «exalta os humildes», muitas são as vezes em ainda nos submetemos aos poderosos.

 

E até praticamos a acepção de pessoas, denunciada na Bíblia. Os preferidos de Jesus, os pequenos e os pobres, continuam a ser os preteridos de muitos que falam em nome de Jesus.

 

Há um caminho muito grande pela frente. O Sermão da Montanha foi pregado há vinte séculos. Mas já terá encontrado guarida em todos os corações?

 

Acredito que venha a encontrar um acolhimento cada vez maior num futuro não muito distante.

publicado por Theosfera às 10:18

A enorme multidão que se juntou durante dias não deve fazer esquecer a grande multidão dos que se vão afastando ao longo de anos.

 

Os números não esgotam a realidade, mas servem de sinal.

 

Os milhões de jovens que foram a Madrid não nos podem levar a esquecer as centenas de milhar de jovens que vão deixando as aulas de Religião na Espanha.

 

A inversa, claro, também é verdadeira. Os milhares de jovens que se vão afastando das aulas de Religião não nos devem levar a ignorar o efeito que constitui a multidão de jovens que se congregou em Madrid.

 

Conjungando os dois elementos, verificamos que há uma realidade complexa, mas que não é destituída de horizontes de esperança.

 

Mas a grande aposta tem de incidir sobre o dia-a-dia. Isso é o mais importante. É aí que tudo se decide. 

publicado por Theosfera às 10:12

Para que tudo fique na mesma, nada como mudar alguma coisa.

 

As pessoas sempre ficam com a impressão de que há alguma mudança.

 

O mundo, disse o poeta, é feito de mudança. Mas também, podia acrescentar, é feito de resistência à mudança.

 

E, neste particular, todos somos parecidos. No fundo, por muitas loas que teçamos à mudança, passamos a vida a resistir-lhe.

 

Os partidos são mais semelhantes do que parece e menos diferentes do que mostram.

 

O novo ciclo político não é igual. Mas mantém-se a austeridade que vinha de trás. Aumentam os impostos que outros já tinham subido. Persiste a mesma incapacidade de reduzir a despesa. E não diminuem substancialmente as nomeações.

 

Apesar de tudo, temos de manter a calma. A tentação é grande: dos que querem permanecer no poder e dos que desejam (re)conquistá-lo. 

publicado por Theosfera às 10:06

Melhor que ontem. Menos bom que amanhã.

Eis o meu desejo para si. Hoje!

publicado por Theosfera às 10:04

Preste atenção ao que Deus diz na Palavra das Escrituras.

 

Mas não deixe de estar atento ao que Deus lhe segreda no íntimo do seu coração.

 

O seu coração também é um lugar sagrado. Uma feliz noite para todos!

publicado por Theosfera às 00:00

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