O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Os terapeutas da alma (psicólogos, psiquiatras e padres) têm sido presença assídua nos media. Não tanto para propor alternativas, mas para explicar a doença. Não se consegue mais?

 

Parece que, nesta altura do ano, os distúrbios de personalidade, as taras, os recalcamentos e as psicopatias de toda a espécie fazem estragos ainda mais devastadores. Nem a família escapa. Aliás, a família parece um vulcão cada vez mais explosivo.

 

Todos estamos vergados diante da ditadura do real. Ninguém vislumbra um horizonte de esperança?

publicado por Theosfera às 19:00

Uma das personalidades mais marcantes do nosso tempo, Óscar Romero, nasceu em Agosto: a 15 de Agosto de 1917.

 

A sua morte veio cedo. O reconhecimento da sua santidade parece vir tarde.

 

Mas o seu rasto permanece imperecível.

 

Deixo aqui um texto que ele escreveu e que encontrei no Tribo de Jacob:

 

«De vez em quando, dar um passo atrás ajuda-nos
a conseguir ter uma perspectiva melhor
O Reino não só está mais além dos nossos esforços,
mas inclusive mais além da nossa visão.
Durante a nossa vida,
apenas realizamos uma minúscula parte
dessa magnífica empresa que é a obra de Deus.
Nada do que fazemos está acabado,
o que significa que o Reino está sempre ante nós (...)
Isto é o que tentamos fazer:
plantamos sementes que um dia crescerão;
regamos sementes já plantadas,
sabendo que são promessa de futuro.
Assentamos bases que precisarão de um maior
desenvolvimento.
Os efeitos da levedura que proporcionamos
vão mais além das nossas possibilidades.
Não podemos fazer tudo e,
ao dar-nos conta disso, sentimos uma certa liberdade.
Ela capacita-nos a fazer algo, e a fazê-lo muito bem.
Pode ser que seja incompleto, mas é um princípio,
um passo no caminho,
uma ocasião para que entre a graça do Senhor
e faça o resto.
É possível que não vejamos nunca os resultados finais,
mas essa é a diferença entre
o encarregado de obras e o pedreiro.
Somos pedreiros, não encarregados de obra,
ministros, não o Messias.
Somos profetas de um futuro que não é nosso. Ámen».
publicado por Theosfera às 16:04

Toda a gente fala dos deveres da pessoa para com a comunidade. Mas ninguém parece falar dos deveres da comunidade para com a pessoa.

 

Uma pessoa que se afaste da comunidade é facilmente apontada como culpada. A comunidade que consente no afastamento de uma pessoa nem sequer é descrita como (eventualmente) responsável.

 

A uma pessoa que tenha de se afastar da comunidade é feita uma pressão no sentido de se reintegrar. A uma comunidade que consente no afastamento de uma pessoa nenhum apelo parece ser feito para melhor acolher.

 

A pessoa que se afasta é, rapidamente, apodada de individualista e, no limite, de sociopata. Mas à comunidade que não acolhe nenhuma falha parece ser identificada.

 

Porque é que a pessoa que se afasta é marginal e não há-de ser marginal a comunidade que não acolhe?

 

Porque é que só a pessoa é pressionada a mudar? A comunidade também não deve ser compelida a transformar-se?

 

Será só determinada pessoa que tem resistências à comunidade? Não poderá também a comunidade ter alergia em relação a algumas pessoas?

 

Não se tratará, em rigor, de alergia à diferença?

 

O debate, para ser equânime, tem de ser polarizado nos dois sentidos. E não deve ser unilateralmente limitado a um dos lados.

 

A vida não pode ser guiada por preconceitos e lugares-comuns. E, a montante de tudo, terá de prevalecer o respeito pelas opções de cada um sem julgamentos sumários.

 

É claro que o número acaba por ditar as suas (implacáveis) regras. Para muitos, a razão rima apenas com multidão.

 

Mas temos de perceber que, se o carácter tem de ser recto, a existência pode ser, muitas vezes, curvilínea.

 

E nem sempre o isolamento é sinónimo de recusa da comunidade. Pode ser uma necessidade de sobrevivência e, quem sabe, uma reacção a uma recusa prévia da comunidade.

 

Ernst Junger alertou para o perigo de a comunidade também poder ser o lugar da desumanidade. Por um efeito de contágio, nem sempre nos aperceberemos dela.

 

Muitas vezes, temos de reconhecer que é difícil encontrar ressonância para as nossas preocupações ou um simples espaço para manter uma conversa em patamares mínimos de decência.

 

Quando não há identificação, penso que não se deve avançar para o confronto. O melhor é apostar numa alternativa.

 

O silêncio nem sempre é a recusa do outro. Pode ser uma forma de tentar captar melhor a sua profundidade, aquilo que nem sempre (ou quase nunca) assoma à superfície.

 

É claro que a pessoa deve adaptar-se à comunidade. Mas não deverá também a comunidade adaptar-se a cada pessoa?

 

Se tal não for possível, respeitemos as opções de cada um. Na paz.

publicado por Theosfera às 15:43

Espantam-se os estudiosos com o conformismo das pessoas diante da situação actual.

 

E, mais, há quem fique perplexo pelo facto de, para lá do conformismo, ainda haver quem alinhe pela euforia, pelo divertimento. Tratar-se-á de evasão? Já que não se pode transformar a realidade, tentamos esquecê-la por instantes?

 

É, realmente, muito estranho o clima que se vive em Portugal.

 

Não creio que se trate do talante pacífico da população. Creio estarmos perante um deslocamento da revolta. Em vez da denúncia cívica, estamos em vias de ter uma vaga de violência social. Os assaltos e outras formas de criminalidade traduzem um clima de guerra social. E isto é muito preocupante.

 

Entretanto, perguntar-se-á: porque é que não existe uma vaga de manifestações como outrora?

 

Penso que a explicação é simples. Outrora, por exemplo nos anos de 1960, havia um horizonte. Lá fora, a situação era alentadora. Lutava-se aqui para termos algo parecido com o que se tinha no estrangeiro.

 

Neste momento, as pessoas sentem não ter grande futuro à sua frente. Como refere Luís Cília, só «parece haver um grande futuro atrás de nós».

 

É bom lidar com a adversidade pela via do diálogo. Mas há situações em que é preciso, sem abandonar a paz, erguer a voz.

 

Confesso que até eu fiquei surpreendido, mas fez-me pensar uma passagem de um livro de Timothy Radcliffe, onde se defende...a cólera!

 

A cólera «dá-nos a força para confrontar o que está errado». Até o Doutor Angélico assumia ser próprio da cólera «precipitar-se sobre o mal e, assim, colaborar directamente com a coragem».

 

E Bede Jarret vai mais longe: «O mundo não corta com o mal, porque não é suficientemente colérico».

 

Santo Agostinho achava que a cólera era uma das «filhas mais belas da esperança».

 

Timothy Radcliffe entende que os líderes eclesiásticos deviam «encorajar os que estão zangados com eles a ousar exprimi-lo, certos de que isso fortalecerá a comunhão da Igreja».

 

A cólera não é uma quebra de solidariedade nem um sinal de deslealdade. Pode ser mesmo um sintoma de amizade.

 

D. Manuel Martins disse que, no final da Missa, se deveria dizer «ide em guerra pela justiça».

 

É preciso um pouco de arrojo para «denunciar sem medo as injustiças contra a dignidade das pessoas».

 

Este é o momento de, pacificamente, nos encolerizarmos!

 

 

publicado por Theosfera às 13:29

Os Mestres é o título de um livro de Bento XVI que compendia audiências em que ele deu a conhecer pensadores cristãos do primeiro milénio.

 

Trata-se de mestres que nunca deixaram também de exercer a profecia.

 

Explicaram a fé. E interpelaram as pessoas, a começar pelas mais poderosas.

 

É um livro excelente.

publicado por Theosfera às 11:18

«É, sem dúvida, mais fácil enganar uma multidão do que um só homem».

Assim escreveu (lúcida e magnificamente) Heródoto.

publicado por Theosfera às 10:36

O líder está sempre em risco. Mas não pode deixar de estar em risco. A menos que abdique de liderar.

 

O líder é o que supre o medo do cidadão. Não pode ter medo. Se o líder exibe medo desperdiça o capital de confiança que lhe foi dado.

 

Hoje, como explica Philip Stephens, muitos líderes resignam-se a ser mediadores entre posições contrárias. Adiam, até ao limite do impossível, a tomada de decisões.

 

No caso de Obama, está a ser uma desilusão e pode custar-lhe a reeleição.

 

Gorbachev pertencia a outra estirpe. Hoje, post factum, é fácil dizer que perdeu.

 

Sucede que ousou arriscar. E onde reconhece morar o seu fracasso foi na escolha de determinadas pessoas.

 

Confiou. Houve quem não honrasse a confiança.

 

Aprendizes de Maquiavel e seguidores de Iscariotes sempre proliferaram ao longo da história.

 

Há quem veja a vida como uma escada. Não falta, porém, quem esqueça que ela não permite apenas subir.

 

Muitos daqueles que Gorbachev escolheu tornaram-se nos seus maiores adversários.

 

O ex-líder soviético não oculta a mágoa. Mas não exibe arrependimento.

 

Não foi ele que deixou de fazer o que tinha de ser feito.

publicado por Theosfera às 10:23

A natureza assemelha-se ao espírito de algumas pessoas: dá sinais de agressividade.

 

O mais curioso é o facto de ter sido dado a um furacão o nome de irene.

 

Como é sabido, irene significa paz.

 

E paz é a aspiração que late em nós. Mesmo no meio da intempérie.

publicado por Theosfera às 10:20

Uns são apoiados. Até pelo mal que fazem.

 

Outros são repelidos. Até pelo bem que praticam.

 

A uns tudo é permitido. A outros nada é tolerado.

 

A uns tudo é exigido. A outros nada é pedido.

 

A uns tudo se desculpa. A outros nada se perdoa.

 

Tudo parece decidido à partida e assegurado antes da chegada.

 

A lógica de muitas decisões escapa a qualquer lógica, pelo menos à lógica racional e à lógica da justiça.

 

O que predomina é uma lógica alógica e, não raramente, ilógica.

 

Sigamos o escrutínio da consciência. Respeitemos as decisões. E não esperemos nada. O bem e a verdade compensam por si mesmos. Dispensam prebendas adicionais.

publicado por Theosfera às 10:13

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