O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

«A alma não tem segredo que o comportamento não revele».

Assim escreveu (pulcra e magnificamente) Lao-Tsé.

publicado por Theosfera às 13:37

A China é um gigante que está a acordar. Timidamente, é certo, porque a mordaça ainda é forte. Mas creio que tal crescimento se está a processiar de forma sustentada e irreversível.

 

Economicamente, há um grande avanço. Só que tal avanço ainda não se está a repercutir na vida das pessoas.

 

O descontentamento alastra. Apesar da repressão.

 

E é assim que o contraste com a Europa se mostra.

 

Os chineses lutam por ter o que os europeus estão na iminência de perder: o Estado social.

publicado por Theosfera às 11:57

«Viajar é nascer e morrer a todo o instante».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Vítor Hugo.

publicado por Theosfera às 11:26

A romaria nasceu como um acto de fé, que expande em gestos de alegria e acolhimento.

 

O que vemos, entretanto?

 

Desfiles de imagens e de figuras ostentando notas e carregando ouro.

 

Tudo isto é símbolo não do que as imagens significam, mas do orgulho pessoal e do poder das localidades.

 

No fundo, é pela ostentação que, mesmo em tempos de crise, as populações se afirmam.

 

E a fé passa ao lado. E fica dentro. Quiçá imperceptível.

 

Porquê tanto medo de mudar as nossas festas?

publicado por Theosfera às 11:15

Ouvir certas pessoas falar de espiritualidade é como escutar um terrorista a falar de paz.

 

Não cola.

publicado por Theosfera às 11:12

Nos alvores da democracia, a participação das pessoas era fundamental e muito frequente.

 

A instituição determinante era a assembleia dos cidadãos.

 

Tal assembleia tinha o nome de ecclesia, donde veio a palavra igreja.

 

No tempo de Péricles, tal assembleia podia chegar a ter vinte mil membros e reunir-se, no mínimo, quarenta vezes por ano.

 

A ecclesia é que designava um conselho com poderes executivos. Tal conselho, por sua vez, delegava funções em comissões especializadas: justiça, finanças, educação, religião, etc.

 

Por aqui se vê como ecclesia é uma realidade que veicula a ideia de descentralização, embora, como é óbvio, o prestígio das pessoas ilustres viesse ao de cima. O caso do próprio Péricles é o mais relevante.

publicado por Theosfera às 10:38

A Igreja, na sua missão, tem dois instrumentos essenciais: a acção e a palavra.

 

Não deve renunciar a nenhum deles por muito que aposte no outro.

 

A situação de emergência social, que atravessamos, convoca, uma vez mais, a participação das instituições eclesiais.

 

E, sobretudo através da generosidade de muitos leigos, tal participação tem sido assegurada.

 

Só que a Igreja de Jesus não pode limitar-se à acção junto das vítimas de um sistema desumano.

 

Ela tem de questionar, em nome de Jesus, esse mesmo sistema.

 

Tem de usar, portanto, a palavra para que o poder seja inquietado e, se possível, transformado.

 

É, por isso, surpreendente que uma ou outra voz se levante não a interpelar o poder, mas a criticar quem interpela o poder.

 

Até Bento XVI, logo na primeira encíclica, deixou bem claro que a insistência na caridade não impede que se lute pela justiça.

 

É preciso dar o pão e é urgente perguntar por que razão continua a faltar o pão na casa de muita gente.

 

Pensar-se-á que, numa hora de crise, tal questionamento não deve ser feito. Responderei que, nesta hora de crise, é que tal questionamento tem de ser formulado e intensificado.

 

Caso contrário e como explicam dois sociólogos de renome, até parece que a emergência social é uma oportunidade caída do céu para alguns manifestarem o seu pendor caritativo. O mais perturbador é que se transforme em ajuda aquilo que deve ser tido como direito.

 

E tenho de assumir que causa alguma espécie ver tantos apoios serem distribuídos à frente das câmaras de televisão. Eu sei que, hoje em dia, tudo é mediatizado. Mas será correcto usar a pobreza das pessoas para pronover a nossa imagem caritativa? Não será uma instrumentalização abusiva? Não deveria ser tudo feito no mais absoluto recato?

 

Por outro lado, se o Governo se mostra sensível e cria um programa de assistência, porque é que não actua a montante, evitando que se agrave a vida de muitas pessoas?

 

O mais impressionante é que, além da pobreza, há três milhões de pessoas em Portugal que parecem atirados para o conformismo. Já não há protestos em público. E também não há muitas vozes que se façam eco dos protestos calados que jazem na alma de tantos.

 

Eis uma missão que não pode ser esquecida. Os membros da Igreja, nomeadamente os seus pastores, não hão-de esquecer que são representantes de alguém que, além de mestre, era um profeta.

 

E um profeta existe não para explicar os acontecimentos, mas para ajudar a transformar a realidade.

 

Dói um pouco, confesso, ver este entusiasmo todo com as romarias e, ao mesmo tempo, um conformismo tão grande com a persistente fome de tanta gente.

 

O mais que fazemos é dar do que nos sobeja. Já não é pouco. Mas é preciso (muito) mais. Só que perguntar por que as coisas estão assim parece não ser connosco.

 

Incomodar o poder é, de facto, muito incómodo.

publicado por Theosfera às 10:12

«É muito fácil viver com pouco desde que a pessoa não gaste muito para ocultar que tem pouco».

Assim escreveu (perspicaz e magnificamente) Millôr Fernandes.

publicado por Theosfera às 10:10

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