O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

Ser cristão é ser humano.

 

Eis o que nunca pode ser esquecido. Eis a súmula que jamais pode ser negligenciada.

 

Quando não se é humano, não se é cristão.

 

Não basta ser homem para ser humano.

 

Somos homens (e mulheres, claro), mas tornamo-nos humanos.

 

Quando se esbate o humano, obscurece-se o cristão.

 

Eis o Homem, assim disse Pilatos acerca de Jesus.

 

O défice de humanidade não nos aproxima mais de Cristo.

 

Uma fé que desumaniza não diviniza.

 

Em Jesus, Deus quer ser encontrado no humano.

publicado por Theosfera às 21:18

«A ignorância é audaz; a sabedoria, reservada».

Assim escreveu (magistral e magnificamente) Tucídides.

publicado por Theosfera às 10:53

Um conhecido cronista faz um inventário pormenorizado de promessas não cumpridas.

 

A situação repete-se e, pelo que parece, a indignação é cada vez menor.

 

Dá a impressão de que se trata de uma estratégia.

 

Se, em campanha, os políticos dissessem o que iriam fazer, não ganhavam eleições.

 

Se, após as eleições, fizessem o que antes disseram, ganhavam credibilidade, mas perderiam o sentido da realidade.

 

O problema é que, num caso, o pensamento está voltado para as eleições e, noutro caso, está voltado para a realidade.

 

Pelos vistos, não há condições para se aplicar o que se anuncia.

 

Sendo assim, porque é que tal não é assumido abertamente?

 

Ou será que a verdade tem de estar afogada pela propaganda?

publicado por Theosfera às 10:43

Um estudo que aparece hoje na imprensa dá conta da discrepância que existe na Comissão Europeia.

 

Enquanto a situação de muitos funcionários é deveras precária, os ganhos dos altos quadros são espantosamente volumosos.

 

O argumento é o de sempre: a alta responsabilidade dos cargos.

 

Mas porque é que entre os valores a incutir não pode estar também o desprendimento?

publicado por Theosfera às 10:39

1. Não diria, como Michael Howard, que a paz é «uma invenção moderna». Mas não há dúvida de que os esforços para a implementar de uma forma orgânica não são muito antigos.

 

E, para nosso pesar, a própria teologia cristã legitimou, muitas vezes, a guerra em nome da ordem.

 

Santo Agostinho admitia que, dada a condição decaída do homem, a autoridade tinha o direito de impor as suas condições.

 

A guerra era um dos recursos possíveis para corrigir o mal e para assegurar a ordem aprovada pela Igreja. Como refere Michael Howard, «quem combatia servia os desígnios de Deus de forma em tudo idêntica a quem rezava e trabalhava»!

 

Foi este tipo de lastro que serviu de suporte, por exemplo, às Cruzadas e à Inquisição. Mas não se combatia só por motivos religiosos. Também se combatia por questões de natureza política.

 

O nascimento e a consolidação dos Estados são um processo marcado, quase na totalidade, por rios de sangue. Praticamente não há nação que não tenha surgido de guerras duradouras e com muitas vítimas.

 

É consensual reconhecer que, originalmente, o aparelho estatal nasceu para permitir aos líderes travar as suas guerras.

 

 

2. Não admira, por isso, que a defesa mais articulada da paz mundial tenha emergido em meios desligados da Igreja e da política.

 

Terá sido sobretudo a partir do Iluminismo que uma reflexão consistente sobre a paz começou a ganhar forma. O pensamento começou, finalmente, a deslocar-se da pretensão da ganhar a guerra para o objectivo de conquistar a paz. 

 

O caminho de muitos filósofos foi pondo em causa a autoridade religiosa e política e acentuando a consciência da pessoa como o alicerce mais aceitável da autoridade.

 

A guerra deixou de ser vista como parte integrante da ordem natural e como instrumento do poder estatal para ser apontada como um monstruoso anacronismo.

 

 

3. Immanuel Kant foi quem terá dado, porventura, o contributo mais decisivo, ao alertar não só para a importância da paz, mas também para a necessidade de compromissos para construir a paz.

 

Foi dele a primeira ideia de constituição de uma Liga de Nações que garantisse a segurança que cada uma procurava individualmente. 

 

Cada Estado deveria estar disponível para acolher cidadãos de outros Estados. Isto iria favorecer a percepção de que, além de elementos de um povo, as pessoas são igualmente membros da humanidade.

 

Por tal motivo, Michael Howard outorga a Kant o título de «inventor da paz». Mas ele mesmo tinha noção de que se estava ainda no início de um longo e doloroso processo.

 

Por estranho que pareça, as guerras excitam o sentimento de pertença e alimentam a identidade. Mas se é pela guerra que se desperta para a pertença a uma nação, é apenas pela paz que nos tornamos participantes da comum humanidade.

 

Devemos a Kant o termos percebido que a guerra pode nacionalizar-nos. Mas só a paz nos humaniza.

 

E, no limite, a lealdade para com a humanidade prevalece sobre a obediência aos poderes de cada nação.

 

No tempo da globalização, esta tem de despontar como uma prioridade e o maior dever.

 

 

4. Será, contudo, que aqueles que têm feito a guerra poderão, alguma vez, fazer a paz?

 

A religião e a política, que estão muito comprometidos com a guerra, não podem estar descomprometidos com a paz.

 

Hans Kung tem insistido numa frase que se tornou axiomática: «Não há paz no mundo se não houver paz entre as religiões».

 

Para isso, é fundamental mudar de paradigma. A via propositiva tem de prevalecer sobre a via impositiva.

 

O outro tem de passar a ser visto como irmão e jamais como adversário ou inimigo.

 

A religião e a política têm de se convencer de que só podem mudar, mudando-se a si mesmas.

 

 Um pressuposto tem de estar na base: não é a ordem que produz a paz; a paz é que produz a ordem.

 

A paz não nasce da ordem que se impõe. A paz nasce da paz que se vive.

 

Decididamente, não há caminho para a paz: a paz é o caminho. 

publicado por Theosfera às 06:25

O sonho da paz está aceso como nunca. Mas a realidade da guerra mantém-se activa como sempre.

 

Só mudam os protagonistas. E vai-se alargando o espectro. A guerra, já dizia Henry Heine, é tão velha como o homem, mas o campo a que ela se estende cresce a olhos vistos.

 

A guerra não se faz apenas do modo convencional. Além da guerra militar, temos a guerra política, a guerra económica e a guerra social. 

 

A guerra não ocorre só entre exércitos. Ela acontece também, e cada vez mais, entre culturas e civilizações.

 

Não é preciso sequer um grupo muito numeroso para desencadear um conflito. Basta o acto tresloucado de uma pessoa.

 

Com a entrada em cena da energia nuclear, um enorme potencial destruidor fica à mercê de poucos.

 

Um único assassino pode produzir muitos assassinados. É a passagem, assinalada por Edgar Morin, da era da morte para a época da megamorte.

 

Se repararmos bem, todo o espaço humano está muito belicoso. A violência não se verifica somente nas frentes de combate. Ela salta à vista até naquelas retaguardas que, até há pouco, eram vistas como uma espécie de resguardo da paz.

 

De facto, temos violência nos campos habituais de batalha. Mas ela aparece também nos lugares de trabalho, nos locais de lazer, nas escolas e, cada vez mais, nas próprias famílias.

 

O relacionamento social tornou-se explosivo, o que configura uma situação paradoxal. A sociedade é fundamental para a nossa sobrevivência. Mas pode ser o maior obstáculo à nossa existência. Por outras palavras, é impossível viver sem sociedade, mas, ao mesmo tempo, está a ser cada vez mais difícil viver em sociedade.

 

É aquilo a que já Immanuel Kant denominava «sociabilidade associal» do homem. É o que tanto provoca a cooperação como o conflito.

 

Anders Breivik ilustra esta contradição em grau superlativo. Sendo uma emanação da sociedade, desenvolveu uma personalidade associal que, no limite, o conduziu a um acto cruelmente antissocial

 

 

publicado por Theosfera às 00:01

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