O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 09 de Agosto de 2011

O pretexto foi uma intervenção da polícia. O alvo é a política do Governo. Mas as vítimas são os cidadãos comuns, os que têm uma vida honesta, os que trabalham, os que pagam impostos.

 

O que está acontecer em Londres é um significante com um enorme significado.

 

Não sei se isto vai alastrar a outros países. Mas há que acautelar enquanto é tempo.

 

Há, nesta Europa cansada, gerações perdidas na vida. As redes sociais são como combustível que acendem o rastilho de emoções descontroladas.

 

Há quem não veja futuro. E por isso não hesita em estragar o que resta do presente. 

publicado por Theosfera às 21:00

A relação é, sem dúvida, a grande maravilha da existência. Mas é também o maior risco.

 

A relação permite a realização, mas acaba igualmente por criar dependências.

 

Quanto mais convivemos uns com os outros, mais nos condicionamos uns aos outros.

 

Será por isso que as pessoas mais desassombradamente livres optaram por uma vida inteira (ou por momentos prolongados) de solidão?

 

Jesus preparou a Sua intervenção pública de três anos com muitos anos de quase reclusão. E, mesmo no decurso da missão entre as multidões, não prescindia de extensas horas de recolhimento.

 

Muitas vezes, o colectivo constrange. Acabamos por dizer o que a maioria aplaude e o que as lideranças aprovam.

 

Todos assumem que falar e agir segundo a consciência traz custos.

 

Por isso é que o grande Torga (faz sexta-feira 104 anos que nasceu) proclamava que «a liberdade é uma penosa conquista da solidão».

 

E Fernando Pessoa, no mesmo registo, acreditava estar a essência da liberdade na «possibilidade do isolamento».

 

E reforçava: «És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa sim, é a tua tragédia, e a que trazes contigo.Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela».

 

Palavras fortes, talvez duras, porventura insensatas, estas. E que sinalizam um forte paradoxo. É no contacto com os outros que afirmamos a nossa liberdade. E é, quiçá, por causa desse contacto e em nome dessa liberdade que sentimos necessidade de nos retirar. Para sermos livres. Para sermos nós.

 

Se não formos nós, poderemos abrir-nos aos outros?

 

A existência convida à relação. Mas não exclui, de todo, a necessidade da solidão. Em nome da liberdade!

publicado por Theosfera às 16:12

É bom ter presente os mártires lembrados. Mas não cedamos à tentação de contribuir para haver mártires esquecidos.

 

Há 22 anos, alguns padres e duas outras cristãs foram assassinados em El Salvador. Oito anos antes, o alvo tinha sido o próprio bispo: D. Óscar Romero.

 

Ignacio Ellacuría e seus companheiros foram mortes pelo crime de tomarem partido pelos mais pobres.

 

Os que os mataram entregaram-se, finalmente, às autoridades.

 

Veja aqui.

publicado por Theosfera às 13:24

Da universidade para o convento e do convento para o campo de concentração.

 

Assim pode ser condensado o percurso de uma das mulheres mais brilhantes do último século.

 

Edith Stein, transfigurada em Teresa Benedita da Cruz, investiu tudo na procura da verdade. Ao encontrá-la, mudou a vida, mudou de vida.

 

Deixou de ser discípula de um dos mais brilhantes filósofos do seu tempo para se tornar apóstola do mestre de todos os tempos.

 

De Husserl a Jesus, Edith Stein cresceu na sabedoria e desaguou na santidade.

 

Três anos antes do lançamento da segunda bomba atómica, esta mulher exalava o seu último suspiro.

 

Mas nem a morte apagou o rasto da sua vida.

publicado por Theosfera às 10:53

Todos os gestos de gratidão são louváveis. Mas nem todos os actos de homenagem são sinceros.

 

Muitos deles são tardios. Alguns até são póstumos. E, quase sempre, parecem esconder segundas intenções, propósitos ínvios.

 

Admiro mais a atitude informal, espontânea, genuína. O resto causa-me um desconforto semelhante ao que Régio verteu há décadas:

 

«Almoços de homenagens ou jantares

Fazem-me náuseas como os piqueniques.

E os selectos varões e os donzéis chiques

Dão-me anafilaxias singulares».

publicado por Theosfera às 10:42

Agitação nas bolsas, risco de incumprimento nos Estados Unidos, violência e chamas nas ruas de Londres, assaltos em série nas praias, árbitro agredido à cabeçada, fome na África.

 

A crise não pára. O desemprego cresce. A justiça agoniza. A indiferença alastra.

 

Será que a loucura desceu à terra?

publicado por Theosfera às 10:38

Ignoto Deo

 

Desisti de saber qual é o Teu nome,
Se tens ou não tens nome que Te demos,
Ou que rosto é que toma, se algum tome,
Teu sopro tão além de quanto vemos.

Desisti de Te amar, por mais que a fome
Do Teu amor nos seja o mais que temos,
E empenhei-me em domar, nem que os não dome,
Meus, por Ti, passionais e vãos extremos.

Chamar-Te amante ou pai... grotesco engano
Que por demais tresanda a gosto humano!
Grotesco engano o dar-te forma! E enfim,

Desisti de Te achar no quer que seja,
De Te dar nome, rosto, culto, ou igreja...
– Tu é que não desistirás de mim!

José Régio

 

 

publicado por Theosfera às 10:06

O percurso da existência não é uniforme. É variável. Há tantos percursos quantas pessoas. Entre todas há semelhanças, mas também existem diferenças.

 

Habitualmente, começamos pelas dúvidas e, depois, acedemos às certezas.

 

Mas também há quem comece por ser habitado por certezas e, só mais tarde, se veja alimentado pelas dúvidas.

publicado por Theosfera às 09:55

O antigo reitor de uma universidade, inspirando-se em Karl Marx(!!!), expende onze teses contra os opositores do Acordo Ortográfico.

 

É uma estratégia, sem dúvida, engenhosa, mas pouco convincente.

 

A questão é convencional.

 

Argumento totalmente irrefutável a favor de uma das partes nunca será encontrado.

 

Por cada verdade, dizia Hermann Hesse, é sempre possível congeminar uma verdade contrária.

 

Tudo indica que a aplicação do Acordo é inevitável. Mas não é isso que o torna consensual e, muito menos, bom.

publicado por Theosfera às 09:50

Os Estados Unidos não são Portugal.

 

Mas, na hora de aperto, reagem de modo semelhante.

 

O efeito é que será diferente.

 

Porque na política a justiça conta pouco. O que conta é a geografia.

 

E os Estados Unidos são grandes. Poderosos. E, para muitos, temíveis.

 

Só que o poder esconde sempre alguma fragilidade.

publicado por Theosfera às 09:47

Não é para afastar totalmente os receios, mas pode ajudar a temperar alguns ânimos.

 

Não é de agora a crise na Europa. Em finais do século XIX, mais propriamente a 2 de Abril de 1888, Eça de Queirós publicava um artigo em que se fazia eco do pessimismo reinante.

 

A Europa aparecia como uma «sala de hospital, onde arquejam e se agitam nos seus catres, estreitos ou largos, os grandes enfermos da civilização».

 

Por várias vezes se verte o lamento: «A situação da Europa é medonha. Sob as crises que a sacodem, já a máquina se desconjunta. Nada pode suster o incomparável desastre».

 

As crises acumulavam-se, «mais numerosas que as chagas no corpo clássico de Job».

 

Já naquela altura, a crise chegava à agricultura, à indústria, à religião. Já naquele tempo, a crise atingia todos os países. Por toda a parte, «sempre a dissipação dos estados, sempre a miséria das plebes!».

 

O exemplo da Rússia daquela época não é nada que nos surpreenda: «As despesas do governo subiram, sem que os rendimentos aumentassem».

 

A reacção portuguesa não difere muito da actualidade. E o curioso é que, já naquele tempo, a proximidade com a Grécia era evocada: «É que, enquanto contra as tormentas sociais nas outras naus se trabalha, na nossa rota e rasa caravela tagarela-se».

 

E o problema é que «o desalabado fluxo labial, cuja qualidade, desde 1820, não tem deixado de decair, da eloquência degenerando na loquacidade - da verbosidade descambando na verborreia!».

 

Mas Eça, no fundo, achava que tudo isto era normal. «A "crise" é a condição quase regular da Europa».

 

Aquele final de Novecentos era visto como «o Outubro fusco que anuncia um dos grandes Dezembros do mundo».

 

Curiosamente, o escritor vislumbrava para o século XX, quase a começar, «mais saber espalhado, e mais justiça realizada». Os males daquela altura dariam lugar, «na floresta humana, a uma mais viva e mais rica vegetação de liberdades e de noções».

 

Mas também já se vaticinava o «surgimento de novas dificuldades na sociedade e de incertezas novas no espírito. Outra vez voltará Dezembro».

 

E outra vez há-de regressar Março em que se reconhecerá que «a humanidade deu outro passo decidido para a frente, no caminho da justiça e no caminho do saber. E assim, aos tombos e aos socos, ora destroçado, ora reflorido, o mundo avança irresistivelmente».

 

Assim se esperava há mais de cem anos. Assim não desesperemos hoje.

 

Estamos numa fase de invernia, é certo. Há-de sobrevir uma nova Primavera. Não por inércia. Mas pela cooperação entre todos.

 

A crise não é de agora. A esperança é que tem de ficar para sempre!

publicado por Theosfera às 00:01

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