O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 08 de Agosto de 2011

«Um debate atinge a maturidade quando as posições mais extremas deixam de se opor frontalmente para tentar identificar o que há de convincente na posição contrária».

Assim escreveu (oportuna e magnificamente) Pierre-Henri Tavoillot.

publicado por Theosfera às 19:14

As sirenes parecem voltar a tocar. E, pelos vistos, são movidas por aqueles que, em tempos, nos acenavam com um entusiasmo embevecido.

 

Como todos sabemos, foram economistas e políticos que (apressadamente?) nos introduziram no euro. E estão a ser políticos e economistas que (apressadamente?) nos estão a preparar para a saída iminente do euro.

 

Tudo isto nasce de uma impreparação para a qual devíamos estar advertidos. A Europa tem demasiado passado para um sonho de futuro.

 

Este é um espaço onde, quando não há guerras, há disputas. Eduardo Lourenço explicou isto muito bem no sábado à noite.

 

Os problemas não são novos. Nem novas estão a ser as formas de lidarmos com eles.

 

A solidariedade ainda é bastante frágil. As assimetrias ainda se mantêm muito vincadas.

 

Mas penso que a onda de alarmismo talvez seja exagerada.

 

Às vezes, há coisas que, tendo tudo para correr mal, acabam por correr bem. A Lei de Murphy nem sempre se verifica.

 

Gostaria de, uma vez mais, evocar Einstein.

 

Quem acompanhasse os primeiros passos nos seus estudos facilmente perceberia que estavam reunidas as condições para que nada de especial acontecesse. E que, muio menos, um génio despontasse.

 

Apesar de já se destacar na Matemática, não se destacava por aí além. Houve até um professor que vaticinou que o jovem Albert «nunca seria alguém».

 

Isto faz lembrar Honnecker, que chumbou Karl Rahner em Filosofia, e Michael Schmaus, que implicou bastante com o jovem Joseph Ratzinger, garantindo que ele não passava de um adolescente em Teologia!

 

Voltemos a Einstein.

 

Tendo mudado de cidade e de país para prosseguir os estudos, chumbou no exame de admissão para a nova escola.

 

Era acusado de não interagir com os colegas, de ser muito introspectivo e até um pouco sobranceiro.

 

E foi assim que, de obstáculo em obstáculo, se fez um génio. Um génio sofrido.

 

É por isso que, àqueles que dizem estar a Europa a desmoronar-se, temos de responder com a esperança e com muito trabalho.

 

O futuro ainda está à nossa frente. Por enquanto. 

publicado por Theosfera às 16:08

O contrário de nacionalizar já não é privatizar. Também não é internacionalizar. O contrário de nacionalizar é, cada vez mais, desnacionalizar.

 

Este é um sinal dos nossos tempos.

 

Exemplos?

 

É possível ouvir falar mais português em algumas ruas de Genebra do que em certas artérias do Algarve.

 

Nos principais clubes de futebol, fala-se mais o idioma de Cervantes do que a língua de Camões.

 

Ainda nos lembrámos da famosa campanha de Portugal-Europe's West Coast!

 

Parece que, agora, estão a promover, no país vizinho, a região alentejana de uma forma inopinada: Conquista el Alentejo!

 

Há coisas que não mudam. O snobismo sempre foi uma consequência do nosso secular provincianismo.

 

Portugal estende-se lá fora. E vai-se encolhendo cá dentro...

publicado por Theosfera às 10:02

A transparência é sempre benéfica. Por ela, passámos a saber os números acerca de assessores, secretários e especialistas do Governo.

 

São números de pasmar, como diz Macário Correia.

 

Não tanto o número de pessoas envolvidas. Mas o número de algums vencimentos.

 

A competência explica muito. Mas a crise não deveria explicar mais?

publicado por Theosfera às 09:56

«A descoberta é ver o que toda a gente viu, mas antes de pensar o que ninguém pensou».

Assim escreveu (inteligente e magnificamente) Albert Szent-Gyorgyi.

publicado por Theosfera às 09:52

«Quando olha para Deus percebe que Ele nunca parou de olhar para si».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Zig Ziglair.

publicado por Theosfera às 06:19

Nem tudo é verbalizável. Aliás, há coisas em que dizer apouca a realidade. Há coisas em que as palavras empobrecem.

 

E até pessoas que se debruçaram sobre os assuntos mais complexos ficaram sem palavras diante de algumas situações.

 

A palavra é importante, mas a verborreia pode ser um tormento. Faz-nos desligar. Hoje em dia, há palavras a mais.

 

Precisávamos um pouco mais de silêncio para perceber que, sem palavras, às vezes percebemos melhor.

 

Um caso a ilustrar.

 

Einstein, que não se atemorizou diante da teoria da relatividade, não encontrou palavras quando lhe pediram para falar sobre Bach.

 

(Note-se que o cientista tinha um profundo amor pela música).

 

«O que tenho a dizer sobre a obra de Bach? Ouvir, tocar, amar, venerar e...manter a boca fechada»!

 

Não será este um elogio deveras eloquente?

publicado por Theosfera às 00:06

1. Não é fácil falar de assuntos difíceis. Mas acredito ser possível abordar de forma serena questões delicadas.

 

Em princípio, uma lei é para ser seguida e uma ordem é para ser obedecida.

 

É este o alicerce da convivência pacífica entre as pessoas, populações e povos.

 

Quando, porém, a lei contende com a justiça e quando a ordem conflitua com valores determinantes da consciência pessoal (o santuário secreto), a insubmissão pode ser necessária e a desobediência pode despontar como um imperativo.

 

É claro que aparece sempre o estigma. Umas vezes, a obediência é vista como sintoma de humildade. Outras vezes, é apontada como sinónimo de conformismo. Já a insubmissão tanto é descrita como filha da coragem como é lida como emanação da rebeldia e do orgulho.

 

O problema, neste caso, estriba sempre na tendência para julgar e para aferir as atitudes dos outros pelo preconceito próprio.

 

 

2. Há respeitáveis manuais de espiritualidade que garantem que quem obedece nunca se engana ainda que se engane quem manda.

 

Muitos de nós assimilaram este enunciado e, quase sempre, se dispõem a cumpri-lo. Só que, tendo Deus dotado todo o ser humano de discernimento, é preciso ter presente o que a consciência de cada um dita. Pois é aí que, ultimamente, ecoa a voz de Deus.

 

Ora, se quem manda se engana, quem obedece engana-se nesse mesmo momento. Pode o engano não ser detectado. Mas se houver percepção do engano, não é lícito aderir a uma ordem incorrecta. Sobretudo se esta versa valores tidos como fundamentais.

 

Aliás, Jesus foi bem o paradigma da decisão segundo a Sua consciência. Não foi um contestatário sistemático, mas também não foi um submisso acrítico.

 

Acima de tudo, era livre e, como assinala Paulo, foi para a liberdade que nos conduziu (cf. Gál 5, 1).

 

As grandes mudanças na história foram operadas dentro deste registo: insubmissão sem violência. Nos últimos tempos, o caso de Gandhi é o mais emblemático.

 

 

3. Henry David Thoreau terá sido, porventura, quem mais teorizou sobre o direito e o dever de resistir. A desobediência é um método pacífico de resistência. Trata-se de uma oposição não violenta a uma situação injusta.

 

Nos Estados Unidos, foi assim que se pôs fim à lei de segregação racial numa campanha heroicamente liderada por Martin Luther King.

 

A desobediência é legítima quando estão em causa a vida, a liberdade, a igualdade e a justiça.

 

Tal desobediência não significa desprezo pela lei ou pela ordem. Pelo contrário, trata-se de uma oportunidade para aperfeiçoar a lei e repensar a ordem.

 

Os direitos não podem vir apenas em sentido descendente (de cima para baixo) e os deveres não devem funcionar somente em linha ascendente (de baixo para cima).

 

Os direitos e os deveres terão de ocorrer sempre em interacção constante. O diálogo é o caminho e a escuta mútua surge como o método preferencial.

 

A norma a vigorar é a da confiança e da interferência mínima. Henry David Thoreau ilustrou esta base com um lema: «O melhor governo é o que menos governa».

 

Significa isto que, numa organização madura, há-de prevalecer o respeito pela pluralidade de pontos de vista e de formas de actuação.

 

 

4. O poder tende a nivelar e a impor. É importante que se habitue à diferença e à via propositiva. Na diferença, as pessoas rendem mais até porque não há pessoas iguais.

 

Por vezes, a desobediência pode equivaler a um grito pela identidade.

 

Não se trata de anarquismo. Trata-se de um alerta. Um dos sinais de pertinência da desobediência é o facto de esta se mover não por interesses mas por convicções. Para que ela possa ser eticamente lícita, nunca pode recorrer à violência.

 

De qualquer modo, a desobediência é uma excepção, ditada pela consciência, a instância suprema do ser humano. Como refere o Vaticano II, é sobretudo aí que Deus Se revela.

 

Por estranho que pareça, a insubmissão pode aparecer como um contributo para o melhoramento da autoridade e, desse modo, para o crescimento da comunidade.

 

De resto, a história está cheia de insubmissões que, mais tarde, se tornaram referências da ordem. Mas foi preciso que alguns alertassem para que muitos acordassem... 

publicado por Theosfera às 00:01

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