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Sábado, 06 de Agosto de 2011

O país bem precisa de pensar e de reflectir para poder (de uma vez para sempre) inflectir.

 

Mas como pensar se nem sequer conseguimos parar?

 

Como é que se pode pensar devidamente em passo de corrida?

 

A vida dos governantes é similar à dos cidadãos: apressada.

 

Multiplicam-se medidas, mas rapidamente se escoa o seu efeito.

 

Andamos alarmados com a crise, mas, em certos capítulos, continuamos a gastar como se ela não estivesse a acontecer.

 

Nesta altura, poderíamos conviver e celebrar o encontro de uma maneira mais contida.

 

Quem não tem dinheiro não comete excessos.

 

E, no entanto, as festas continuam por toda a parte com gastos que (embora menores) se mantêm vultuosos.

 

Esse dinheiro (público e privado) não poderia ser reencaminhado para o essencial?

 

E não me reporto apenas ao nosso país. Na África, há milhões de crianças a morrer de fome.

 

Seria muito mais cristão prescindir destas festas e dar pão a quem tem fome.

 

Um pouco mais de profecia faria a diferença.

 

Razão tinha o grande D. Manuel Vieira Pinto que, ao regressar a Portugal após longos anos de missão, assim classificou a religiosidade lusa: «Muitas procissões, pouca profecia».

 

Também os crentes precisavam de parar um pouco e de regressor ao interior. Para avaliar o que andam a mostrar no exterior.

 

O nosso contributo, nesta altura, é bastante empobrecedor.

 

Estamos muito solteirizados, muito voltados sobre nós.

 

É preciso olhar para Jesus. E aprender a vê-Lo nos pobres. 

publicado por Theosfera às 14:11

O novo governo está a dar os seus primeiros passos e já se fazem alguns balanços.

 

Estes detêm-se não só nos actos, que ainda não podem ser muitos, mas também nos sinais, que podem ser reveladores.

 

E aqui as comparações são inevitáveis, apesar de odiosas.

 

Nem tudo é igual. Desde logo, porque nada é igual. Tudo muda até dentro do mesmo, quanto mais no diferente.

 

Os ministros aparecem menos e não falam tanto. Há uma certa sobriedade mediática e um comedimento nas palavras.

 

A crispação política é menor, apesar das tensões sociais que se perspectivam.

 

Há uma preocupação com reduzir gastos e acautelar custos.

 

O enfoque nas medidas simbólicas, apesar de excessivo, visa lançar um aviso: temos de nos habituar a fazer mais com menos.

 

O programa de emergência social pretende ajudar aqueles que vão ser mais afectados pelo impacto doloroso das medidas.

 

Mas também é justo referir o que, neste aspecto, já vinha de trás. O anterior executivo manteve o rendimento social de inserção e introduziu o complemento solidário do idoso.

 

Quem esperava, entretanto, que tudo fosse diferente com a mudança de governo, ficou com uma impressão de desalento.

 

Um novo imposto já foi criado. Os aumentos dos preços nos transportes já foram introduzidos e outros mais anunciados.

 

Porventura, não era possível outra coisa. Mas outras coisa era o que estava nas expectativas do povo.

 

Há, entretanto, matérias em que a vontade de fazer diferente depressa esbarrou com hábitos secularmente instalados.

 

É meritório o esforço de transparência nas nomeações de assessores, especialistas, motoristas e secretários.

 

Terá havido uma redução no número. Mas o cidadão continua a ter dificuldade em entender para que são precisos tantos.

 

Depois, também não é facilmente digerível a diferença nos vencimentos entre eles. Terá que ver com as actividades anteriormente ocupadas. Mas se todos temos de fazer um esforço, talvez o esforço de quem nos governa pudesse ser um pouco maior.

 

Foi ainda dito que ninguém na função pública deveria ganhar mais que o chefe de estado. No entanto, o que tem sem sido divulgado contraria essa intenção.

 

O nosso estado continua bastante obeso nos custos.

 

Por outro lado, ao despedir e ao anunciar mais despedimentos, há muitas pessoas que são atiradas para o desemprego.

 

De uma maneira geral, a população compreende a necessidade de sacrifícios. Mas já deu para ver que não há entusiasmo. E, aqui e ali, começa a obscurecer o clima de confiança.

publicado por Theosfera às 11:27

Muito se tem discutido sobre a identidade europeia. Muitos argumentos têm sido invocados na sua defesa. E não falta até quem, pelos ínvios caminhos do extremismo, recorra à violência para a impor.

 

Labora-se, entretanto, num equívoco, que aliás tem similitude no passado com resultados sangrentos. Presume-se que a identidade da Europa é fechada, monolítica, homogénea.

 

Nada concorre para suportar tal visão.

 

A identidade europeia é aberta, plural e bastante heterogénea.

 

Ela foi forjada no convívio (nem sempre pacífico, é certo) com outras culturas e civilizações.

 

Ela assimilou e foi assimilada.

 

A sua grandeza esteve sempre na sua capacidade de acolher e de integrar.

 

É por isso que determinadas demonstrações de força redundam, quase sempre, em penosos certificados de fraqueza.

 

A Europa precisa de se reencontrar consigo. Com a diversidade cromática que a constitui e embeleza.

publicado por Theosfera às 11:20

«Aqueles que exigem cortes na despesa hoje são como os médicos medievais que sangravam os doentes para os tratar, deixando-os ainda mais doentes».

Assim escreveu (oportuna e magnificamente) Paul Krugman.

publicado por Theosfera às 11:16

Só falta um seis para ser o número da besta.

 

Completam-se, hoje, 66 anos do lançamento da primeira bomba atómica.

 

A segunda guerra caminhava para o fim, mas a paz estava longe de ser garantida.

 

Ficou demonstrado que o potencial destruidor do Homem é brutalmente forte.

publicado por Theosfera às 11:11

Eduardo Lourenço será entrevistado, às 22h, na SIC-Notícias.

 

Certamente, vai valer a pena.

 

É um dos nossos sábios, mas não faz gala do seu saber. Pelo contrário, o que mais admiro neste senhor é uma espécie de pudor que adorna sempre as suas aparições públicas.

 

A humildade é o maior crédito da sabedoria.

publicado por Theosfera às 11:06

«A banalidade é uma obra terrível dos nossos olhos».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Teixeira de Pascoaes.

publicado por Theosfera às 11:04

Nunca é tarde para ser jovem.

Nunca é tarde para dizer sim.

Nunca é tarde para responder.

Nunca é tarde para recomeçar.

Nunca é tarde para recuperar.

Nunca é tarde para trabalhar na vinha do Senhor!

publicado por Theosfera às 00:11

1. Deve ser difícil haver um país com tantos programas de comentário como Portugal. Só que o espectro dos comentadores reduz-se praticamente a três áreas: políticos, jornalistas e economistas.

 

Quase não se vêem intelectuais a falar na televisão ou a escrever na imprensa generalista. As excepções serão Eduardo Lourenço, José Gil e Boaventura Sousa Santos.

 

Há quem alegue dificuldades na comunicação com o grande público. E não escasseia quem alvitre falta de apetência do cidadão comum pela linguagem mais elaborada dos intelectuais.

 

Dir-se-ia que o intelectual tem dificuldade em descer da cátedra. E que o homem comum não consegue sair da conversa da rua.

 

Este desencontro faz com que o nível do debate seja muito primário e pouco criativo.

 

 

2. Não é, porém, o que sucede lá fora. Há países onde os intelectuais estão na moda. Filósofos, sociólogos e antropólogos são requistados não só para palestrar nas universidades, mas também para intervir em conversas de café.

 

Alguns nomes, apesar de habituados à complexidade do raciocínio, tornaram-se mesmo fenómenos de popularidade.

 

É o caso de Gilles Lipovetsky, Zygmunt Bauman, Peter Singer, Alain Badiou, Bernard Henry-Lévy, Umberto Eco, Fernando Savater, Mário Vargas Llosa ou Luc Férry.

 

Mas, actualmente, o caso mais célebre é, sem dúvida, o de Slavoj Zizek.

 

Tudo nele é atípico, a começar pela proveniência. Não nasceu num dos países com tradição na Filosofia. É esloveno e não é nada convencional: nem no discurso nem sequer na forma de trajar.

 

Assume como tarefa prioritária não tanto afirmar como questionar, pôr em dúvida.

 

Ao contrário do que sucede em Portugal, onde as especialidades parecem triunfar, Zizek está cônscio de que «o leque de opções profissionais para os filósofos nunca foi tão grande. Podem fazer tudo, até dirigir bancos».

 

Hoje, é cada vez mais necessário não só conhecer, mas sobretudo saber e cruzar saberes.

 

Zizek faz nos cafés, nos jornais e nas ruas o que Sócrates fazia no seu tempo: conviver com as pessoas e debatendo com elas. É por isso que os interesses dos intelectuais têm de confinar com os dos outros: a política, a ciência, o desporto, a fé, a arte, etc.

 

As ideias têm de ser discutidas abertamente e não apenas dissecadas em circuitos fechados.

 

 

3. Portugal não é muito propenso a este debate aberto porque, como assinala o Prof. António Pita, «temos receio do desacordo, confundimos o formular de uma crítica com magoar ou ser magoado pelo outro».

 

Zizek atribui à crescente despolitização a tendência para que as acções governativas sejam vistas como meros actos administrativos. Os tecnocratas prevalecem. O discurso amolece.

 

A distância entre o possível e o impossível propende a aumentar. Hoje em dia, «qualquer pessoa pode viajar até ao espaço, todos os meses são anunciadas novas descobertas contra o cancro e fala-se até em novos avanços para alcançar a imortalidade. Ao mesmo tempo, em todos os telejornais, vemos políticos e economistas a explicarem que não há dinheiro para a segurança social».

 

Estamos mais perto do impossível sonhado do que do possível urgente?

 

O sistema capitalista, que Zizek não verbera de todo, está a aproximar-se do seu grau zero. Há sinais preocupantes: a crise ecológica, os desequilíbrios do sistema económico, a revolução biogenética e as divisões sociais explosivas.

 

 

4. Na sua última obra (Viver no fim dos tempos), propõe «um espaço utópico potencial», que pode passar por uma refundação de uma parte da palavra comunismo: o que é comum.

 

É que a humanidade perdeu o foco. A religião continua a ser pretexto de guerra. O mundo ideal, o americano, revelou-se inadequado e o rival, o mundo oriental, tornou-se o nosso melhor aliado. Isto apesar de o poderio económico chinês esconder a democracia.

 

Para Zizek, o mundo está mais perigoso. Mas não deixa de se manter promissor. Importa não descrer. Nem desistir.  

publicado por Theosfera às 00:01

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