O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 05 de Agosto de 2011

No país vizinho, uma senhora de 85 anos indigna-se publicamente pelas mensagens anónimas que, em tom ameaçador, tem recebido.

 

De facto, o anonimato é doloroso. E é mais que um paradoxo. É uma sofredora contradição. Ao longo da minha vida, tenho encontrado muita gente a sofrer injustamente por causa dele, do anonimato.

 

Quem lê um texto anónimo fica com esta estranha sensação. O conteúdo é veemente, contundente, sem adornos nem rodeios. Só não se percebe uma coisa: se o conteúdo revela tanta coragem, porque é que não há coragem em assumir a identidade, em pôr o nome? 

 

Nunca se é totalmente anónimo. Tal como um rio corre sempre para a foz, também o que se faz (o que diz ou o que se escreve) vai sempre ao encontro de quem o faz. Res clamant dominumNunca há anonimato pleno.

 

 O anónimo quer agredir mas sem mostrar o rosto. Quer bater mas sem mostrar a mão.

 

O anónimo não diz quem é, mas mostra o que é.

 

 A única resposta ao anonimato é prosseguir. É continuar. Com toda a mansidão. 

 

A consciência tranquila sempre foi a melhor almofada para repousar e o melhor estímulo para trabalhar. Quem nada esconde nada teme. Já quanto ao anónimo, pode não temer, mas esconde sempre algo. Quanto mais não seja, o nome!

 

 Por conseguinte, en avant! In pace Domini!

publicado por Theosfera às 16:29

«Uma pessoa que quisesse, por todos os meios, empenhar-se no bem, morreria no meio de tantos homens maus. Por isso, um príncipe que quiser manter-se no poder deve aprender a não ser bom e assim agir de acordo com a necessidade».

Assim escreveu (cínica e magnificamente) Nicolau Maquiavel.

publicado por Theosfera às 14:05

«Sou uma espécie de paranóico às avessas. Suspeito que as pessoas conspiram para me fazer feliz».

Assim escreveu (desconcertante e magnificamente) J.D. Salinger.

publicado por Theosfera às 10:50

«A religião é uma força muito poderosa e, se não a ajudamos a contribuir intencionalmente para a paz, ela irá agir contra a paz».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Yehuda Solov.

publicado por Theosfera às 10:27

Hoje em dia, o pensamento tende a ser cada vez mais descritivo e cada vez menos criativo.

 

As soluções quase reproduzem (para não dizer que alastram) os problemas.

 

Para aumentar impostos e promover despedimentos, não é preciso grande ciência.

 

O sistema educativo tem um papel preponderante. A cultura humanista deve caldear a totalidade do ensino.

 

As especialidades são importantes, mas precisam de ser animadas por uma abertura ao geral.

 

Não basta ler bem a realidade. É fundamental procurar transformá-la.

 

E, além de soluções, carecemos de horizontes. São eles que nos farão (re)viver.

publicado por Theosfera às 10:21

Os génios são capazes de afirmações tão superlativamente sábias que, às vezes, podem passar por loucos.

 

Óscar Wilde será, talvez, um dos mais sérios candidatos a uma avaliação desse jaez.

 

Defendia que as melhores escolas eram as que não tinham alunos.

 

Para ele, o melhor lugar de aprendizagem não era a vida, mas a arte.

 

Uma coisa, porém, não custa perceber. Para ele, nunca pode ensinar quem nunca soube aprender.

 

Como falar de ensino sem apostar na aprendizagem?

 

Há gente que se julga depositária de tantos saberes. Só lhe falta o mais elementar: o saber do não saber.

 

É por aí que tudo deve começar... 

publicado por Theosfera às 09:44

Não esqueçamos a fome.

 

Não esqueçamos as vítimas da fome.

 

Foram 30 mil as crianças (com menos de 5 anos) que a fome matou em três meses. Isto só na Somália.

 

Não é possível fazer frente a essa assassina inclemente?

publicado por Theosfera às 06:36

1. Foi o presidente eleito com a menor percentagem (o único que teve de disputar uma segunda volta), mas isso não obsta a que se tenha tornado a figura mais consensual do nosso regime.

 

A poucos meses de completar 88 anos, Mário Soares conseguiu ultrapassar as fronteiras do seu espaço político, sendo admirado praticamente por toda a gente.

 

O que é mais notável é que a idade não lhe subtraiu capacidades. Pelo contrário, a ancianidade parece que lhe acrescentou subtileza, intuição, acutilância.

 

Mário Soares deixou de ser um simples político. Ele posiciona-se como um sábio, uma espécie de oráculo.

 

Mais que a profundidade no tratamento dos temas, a sua arte preferida sempre foi a intuição.

 

Viu muita coisa antes de toda a gente e, em alguns casos, em sentido contrário ao de toda a gente.

 

Quando Henry Kissinger quis retê-lo nos Estados Unidos, advertindo-o de que poderia ser preso ou morto, ele veio combater pela liberdade.

 

Alguns viam-no como o Kerenski português, depreendendo que o nosso país se iria tornar uma nova Rússia. Até os intelectuais se espantaram com o desfecho. André Malraux escreveu que, afinal, «os mencheviques podem vencer os bolcheviques».

 

Quando, em 1985, anunciou a candidatura à presidência, as sondagens davam-lhe oito por cento e prenunciavam uma estrondosa derrota. Parecia que só ele acreditava. Acabou por levar muitos a acreditar nele.

 

 

2. Bastante hábil na gestão das emoções, impôs-se na esquerda e colheu simpatias à direita.

 

Foi sempre um destruidor de muros e um construtor de pontes.

 

O facto de ser agnóstico nunca o impediu de mostrar um especial interesse pela fé. Numa célebre entrevista publicada a 23 de Dezembro de 1996, confessou ser «talvez um místico que se desconhece». Não admira que se tenha tornado presidente da Comissão de Liberdade Religiosa.

 

 É, sem dúvida, um dos últimos representantes de uma escola que vai tendo cada vez menos cultores.

 

É um humanista. Tem um conhecimento amplo da história e da literatura. Tempera a análise dos assuntos mais concretos, como os da economia, com evocações dos clássicos.

 

Mostra-se pessimista sobre alguns aspectos da actualidade. Mas permanece, incorrigivelmente, optimista sobre o futuro.

 

Não é seguidista de nenhum líder. Mas tem referências. Willy Brandt parece ter sido uma inspiração. Já Tony Blair aparenta despontar como um antimodelo.

 

 

3. Num tempo marcado por uma certa iconoclastia, Mário Soares é um ícone. Sendo republicano, é tratado como um príncipe. Enfim, estamos perante um aristocrata na época da vulgaridade global.

 

 À Europa deixa um aviso: «Ou muda de modelo económico e consegue regulamentar a globalização e os mercados especulativos, ou caminhamos para a destruição da Europa e o fim do euro, com as consequência que resultam dessa tragédia».

 

As lideranças provocam-lhe suma apreensão: «A Europa perdeu o rumo e está a ser dirigida por líderes que são medíocres e que só se interessam por poder e dinheiro».

 

O esbatimento das definições ideológicas desiludem-no. Não se revê na «terceira via» de Blair, que afecta o socialismo, nem no «no esquecimento da doutrina social da Igreja», que transformou os partidos democratas-cristãos em partidos populares.

 

 

4. De forma um pouco visionária, insiste na defesa do federalismo: «Ou a Europa consegue estabelecer um governo económico e político para dirigir a moeda única ou acaba».

 

Defensor do Estado social, propugna um «mercado com regras éticas». Não se declara anticapitalista. Apenas se mostra contrário ao chamado «capitalismo de casino».

 

Sendo o político um agregador de vontades, às vezes corre o risco de se transfigurar num detonador de sentimentos contrastantes.

 

Mário Soares, tão próximo de quem lhe era politicamente distante, foi-se distanciando de alguns de quem era politicamente próximo. Os casos mais conhecidos são as rupturas com Salgado Zenha e Manuel Alegre.

 

Neste campo, confessa duas coisas. Por um lado, assegura que nem estes desencontros lhe instalaram qualquer ressentimento. Isso não impede que siga, como regra de vida, o princípio de que «se tenho confiança numa pessoa e se ela me falha, não me falha segunda vez; só me falha uma».

 

 Confiança em Portugal é o que não lhe falta. Acredita nas novas gerações e nas suas ideias.

 

Numa hora tão propensa à depressão, é salutar ouvir alguém tão convictamente optimista: «Sou um português que adora Portugal»!

publicado por Theosfera às 00:21

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