O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 01 de Agosto de 2011

O mestre nunca pode ser um mero técnico. E tem de ser mais que um especialista.

 

Acima de tudo, um mestre é um sábio, um artista, uma espécie de um parteiro, alguém que faz dar à luz o que está semeado na alma humana.

 

É por isso que o mestre é o que simplifica o que é complexo, o que clariifica o que se mostra obscuro e o que condensa o que está disperso.

 

O nosso sistema educativo não tem ido por este caminho. Às vezes, parece até enveredar pelo (des)caminho contrário. Há quem queira fazer do professor alguém que complexifica o que é simples, que obscurece o que se mostra claro e o que dispersa o que surge condensado.

 

Desde logo, há uma questão de linguagem. A educação deve ser pensada, no nosso caso, em português; não em eduquês.

 

Ao professor tem de ser dada confiança e tem de ser exigida competência. Estas credenciais são aferidas no âmbito da sua missão.

 

O professor tem de estar concentrado na aprendizagem dos alunos e não na sua própria avaliação. Estudioso do sistema da Finlândia, Guilherme Valente informa que, naquele país, «os professores estão motivados e têm autonomia para trabalharem com eficácia».

 

Muitas vezes, coloca-se uma ênfase desmesurada em estratégias ditadas por correntes supostamente pedagógicas de vanguarda. O professor é apreciado pelo recurso a esses sistemas quando uma só coisa é necessária: «dominar a matéria que se deve ensinar».

 

O resto vem por acréscimo, por osmose. Na Finlândia, «os docentes estão libertos das inutilidades e da burocracia com que, nas nossas escolas, inundadas por labiríntica legislação, se condiciona a função inestimável que deve ser a deles».

 

Já agora, convirá anotar outra heresia que o sistema finlandês patenteia: os alunos passam pouco tempo na escola. O objectivo é que a escola seja vista segundo o seu objectivo central e não segundo objectivos laterais: «Quando se está na escola, está-se concentrado na escola».

 

A sala de aula não pode ser vista como o prolongamento do recreio. Aprender não é uma actividade lúdica. Tem de haver exigência desde o princípio. Quando, no início do ensino básico, se opera com base em jogos, está a iniciar-se um percurso que, mais tarde, é difícil abandonar e corrigir.

 

Na Finlândia, a maior parte das reprovações ocorre na primária. A mensagem é logo apreendida. Trata-se de um sinal «a dizer aos alunos que vêm para trabalhar e aprender».

 

Entre nós, «passa-se o oposto: os alunos aprendem rapidamente que pouco lhes é realmente exigido». A criança percebe a realidade: «permissiva, desresponsabilizadora, facilitista, sem desafios, violenta, imbecilizante».

 

Guilherme Valente ilustra o seu diagnóstico com um episódio. No Conselho Nacional de Educação, propôs que «nenhuma criança terminasse o ensino básico sem dominar a leitura, a escrita e as operações matemáticas elementares. Resposta dos eduqueses: "Queremos muito mais, queremos fazer cidadãos"».

 

Seria caso para perguntar em que este (meritório) desígnio é contraditado por aqueles requisitos. Em que medida é que saber ler, escrever e contar impede os alunos de serem bons cidadãos?

 

O autor, contundente, conclui com factos: «Trinta por cento das crianças saem do ensino básico sem saber ler, nem escrever, nem contar. Cidadãos...analfabetos?»

publicado por Theosfera às 21:16

É sabido como os portugueses de desenvencilham escorreitamente em qualquer língua.

 

Nesta altura do ano, temos bem a prova disso. Os emigrantes articulam palavras no mais improvável idioma.

 

Até o russo vamos incorporando. Troika é uma palavra que vai estando nos lábios de todos.

 

Para qualquer assunto, esta é a segunda palavra que mais pronunciamos. Depois de crise.

 

Já agora, não faria mal que impotássemos outra, que o tempo fez cair em desuso: perestroika.

 

É de uma profunda reestruturação que precisamos: nos conteúdos e nas formas, no topo e nas bases.

 

Só pode haver mudança em alguma coisa, se todos estivermos dispostos a mudar tudo.

publicado por Theosfera às 20:28

Se fosse vivo, Gonçalves da Costa faria hoje 98 anos.

 

Ele, que trouxe tantos factos e tanta gente à lembrança, vai sendo atirado para o esquecimento.

 

A justiça nem sempre é feita aos melhores.

 

Foi das pessoas mais brilhantes que conheci. Um mestre. E um grande amigo. 

publicado por Theosfera às 16:37

Há 97 anos começava a chamada primeira guerra mundial.

 

Tivemos uma segunda e não ficámos por aqui.

 

Passamos a uma terceira que teve o nome de guerra fria e que acelerou a corrida ao armamento.

 

E eis-nos na quarta guerra, uma guerra económica sem tréguas, com uma legião de vítimas que não morrem. Vão morrendo!

publicado por Theosfera às 14:03

O ruído é cada vez mais invasivo. E o silêncio encontra-se cada vez mais apertado.

 

É mais fácil transportar o ruído das praças para as igrejas do que transportar o silêncio das igrejas para as praças.

publicado por Theosfera às 14:02

Há crimes que, além de infundirem um sentimento de horror, despertam igualmente uma sensação de espanto.

 

Dizem que nunca ali tinha acontecido nada assim. Que aquele sempre foi um lugar seguro.

 

O problema é que deixou de haver lugares seguros.

 

O lugar até pode ser seguro, mas as pessoas que provocam insegurança deslocam-se por toda a parte.

 

Não foi Anders Berivik cometer um crime a uma ilha que não só se presumia segura como era apontada como paradisíaca?

 

Quanto a nós, Torga dizia que somos um povo pacífico com gente revoltada.

 

Sucede que, com o passar do tempo, até as afirmações brilhantes podem constituir erros sonantes.

 

A revolta das pessoas está a explodir. Ao menor pretexto, há uma palavra que se grita, um murro que se dá, um tiro que se dispara.

 

O autodomínio também está em crise. E paz adiada.

 

O interior não está bem. E o exterior vai ficando cada vez pior.

publicado por Theosfera às 12:48

O mês ainda está a começar e já há quem decrete que, nele, irão morrer entre 70 a 79 pessoas nas estradas.

 

É o império da estatística, apsentada como se um determinismo se tratasse.

 

Razão tem, por isso, Gideon Rachman quando afirma que estamos em plena «era da ansiedade».

 

Mesmo antes de as coisas acontecer, já incorporamos o seu efeito como se já tivessem acontecido.

 

Tudo se desgasta depressa. O poder já é tingido por ele ainda antes do seu início. É cada vez mais difícil, como anota Jonathan Powell, «criar uma narrativa» que assegure o poder para lá do horizonte de oito anos.

 

Tudo começa rápido, tudo acaba depressa. É a correr que se pensa. É a correr que se decide. É a correr que se age. Depressa e bem haverá quem?

 

Um novo paradigma de existência impõe-se. Seremos capazes de andar em sentido contrário ao da (caudalosa) corrente?

publicado por Theosfera às 10:20

O tema era a crise e a maioria dos intervenientes era composta por gestores e especialistas em negócios.

 

Mas a sexta conferência do semanário Expresso contou também com a presença de um padre.

 

Frei Fernando Ventura, fazendo uso de um grande desassombro e driblando a teia de lugares-comuns, foi lesto a reconhecer que a crise fora-lhe sempre familiar: «A Igreja esteve sempre em crise».

 

Reportando-se a Portugal, estabelece um paralelismo entre a relação com a fé e a relação com a cidadania: «Portugal é um país de católicos não-praticantes, mas também de cidadãos não-praticantes».

 

Tocando no punctum saliens, sustenta que, hoje em dia, «há muito eu; o eu foi-se solteirizando». Também as religiões «precisam de dar o salto da sua tribalização».

 

Nota, certamente como um dos factores para esta situação, «uma certa destruição da formação das novas gerações», designadamente com o quase desaparecimento das disciplinas de Artes, Filosofia, História e Música. Isto «pode afectar a capacidade de pensar, que de repente quase desaparece».

 

A nossa vida decorre «entre o real , o possível e o ideal. Este é o tempo da luta entre real e o possível, mas nós queremos passar do real para o ideal».

 

Voltando à ideia inicial, assevera que «este é um tempo de crise religiosa e das religiões. É preciso que se perceba definitivamente que Deus não tem religião».

 

De facto, a religião é uma instituição humana (se possível, humanizante) que visa aproximar de Deus, fazendo crescer os seus membros na humanidade.

 

O problema, acrescento eu, é se a religião não tem Deus. Ou seja, se a religião não faz transparecer Deus.

 

Há uma espécie de apropriação de Deus que, por contraste, O ofusca. Por uma questão elementar: ninguém se pode apropriar de Deus e, já agora, ninguém se devia apropriar do Homem.

 

Deus e o Homem são para servir; não para amestrar.

 

Quando se perde a prioridade do mistério, quando não se faz eco da aspiração espiritual, quando não se promove a fraternidade, quando se enfatiza o poder, a presença de Deus fica obscurecida.

 

O que vale é que, como advertia Lutero, Deus quando mais Se esconde mais Se revela.

 

Os tempos de obscuridade não são insentos de alguma luz.

 

Viktor Frankl é um dos que fala da presença soterrada de Deus na vida humana.

publicado por Theosfera às 10:02

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