O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

A natureza também ensina.

 

Quando a velocidade é muita (diz a experiência mais elementar), o equlíbrio é menor.

 

Os corpos vacilam, abanam, tropceçam e podem cair.

 

Eis uma realidade que encerra um apelo. Que urge encarar como um alerta.

 

O ritmo apressado em que vivemos dá-nos poucas possibilidades de equilíbrio.

 

Nem nas férias se pára. Até nas férias se corre, ainda que noutras direcções.

 

Não deixa, aliás, de ser curioso como as notícias falam dos chamados desportos de Verão. Muitos deles são de velocidade: de velocidade na estrada, de velocidade nas pistas, de velocidade na água.

 

Não admira que o número de pessoas desequilibradas aumente.

 

Há seguramente, na tipificação destes casos, factores orgânicos. Mas haverá também questões ambientais.

 

A circunstância influencia a pessoa. O superego determina a identidade do ego.

 

São coisas que fomos aprendendo. São coisas cujo efeito vamos, entretanto, sentindo cada vez mais.

 

O facto de nunca ter havido tantas situações de ruptura (pessoal e relacional) é um despertador que nos devia fazer acordar.

 

O estilo de vida que levamos faz-nos aceder a muitos bens. Mas nem por isso a nossa saúde espiritual é maior.

 

As psicopatias surpreendem os próprios e perturbam os outros.

 

O tempo devora-nos. Não nos deixa espaço para saborear.

 

A pressa em que vivemos torna-nos ainda mais vazios. Não nos deixa investir na alma. Só apostamos na aparência, na carreira. Não há tempo para os outros. Nem para os próprios. Ou seja, há um desequilíbrio.

 

No limite, o desquilíbrio conduz a taras, a atitudes radicais, a gestos intempestivos, a comportamentos inopinados.

 

O equilíbrio carece de tempo, de reflexão, de pausa, de serenidade.

 

As pessoas serenas também podem ficar tristes, também são sensíveis. Mas estão em condições de resistir melhor.

 

Um carro, se for a velocidade moderada, acautela-se mais diante de um imprevisto.

 

Precisamos de parar para reequilibrar a cadência.

 

Paremos enquanto é tempo. Antes que o tempo nos faça parar de vez.

 

publicado por Theosfera às 14:10

Javier Aranguren alertou que a pressa é, juntamente com o ruído e o êxito, uma das doenças do nosso tempo.

 

Mesmo em tempo de abrandamento de actividades, tudo continua a ser apressado.

 

A pressa encastoou-se no nosso fundo e não já não conseguimos viver sem ela.

 

As pessoas andam nas férias ao mesmo ritmo que andam no trabalho: apressadas.

 

O destino da pressa é outro, mas a cadência é a mesma: acelerada.

 

Queremos tudo à pressa.

 

Até os poderes decidem à pressa. Dá-se inclusive o caso da célebre agência Moody's ter atirado Portugal para o lixo porque não acredita nas medidas anunciadas pelo Governo.

 

Repare-se. Ainda não foram aplicadas e já se antecipa o seu resultado.

 

Tudo está com pressa. Fala-se com pressa. Escuta-se com pressa. Reza-se com pressa. Vive-se com pressa e morre-se com pressa.

 

Não nos apercebemos, mas vamo-nos tornando máquinas. O coração é visto como um motor.

 

Uma máquina anda, não sente.

 

É impossível humanizar as máquinas. É doloroso maquinizar os homens. 

 

Acabámos de saber que somos dos países que pior tratam os idosos. A nossa pressa não se compadece com a o seu ritmo, mais pausado.

 

A pressa obscurece a inteligência e anula a paciência.

 

Os últimos dias voltaram a ser dominados pela tragédia.

 

É duro ver a facilidade com que se avança para a solução final, para a solução fatal.

 

Há quem mate. Há quem se mate.

 

Também aqui a pressa aparece. Todos têm um juízo a fazer, uma explicação a dar.

 

É tempo de desacelerar. É tempo de repensar.

 

O sol brilha. Mas não aquece os corações.

 

Um novo amanhecer está à nossa espera?

publicado por Theosfera às 10:12

«A pureza da vida é a arte mais elevada e a mais sincera».

Assim escreveu (iluminada e magnificamente) Mahatma Gandhi.

publicado por Theosfera às 10:10

«Antes ficar no fundo para ajudar outros do que chegar ao alto à custa dos outros».

Assim escreveu (ardente e magnificamente) Winston Park.

publicado por Theosfera às 00:00

Domingo, 10 de Julho de 2011

«Um povo sem alma não se levanta!».

Assim escreveu (luminosa e magnificamente) Marta M. 

publicado por Theosfera às 13:00

No passado Domingo, Jesus falava dos pequenos. Neste Domingo, fala do pequeno.

 

Holderlin estava certo. Divino não é o o grande caber no grande. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.

 

Aos mais pequenos é oferecida a verdade que os que se presumem sábios não conseguem captar. Como, por exemplo, aquela que compara o reino de Deus a uma semente, algo imperceptível nos seus começos.

 

A inteligência de extracção metafísica extrapola a divindade a partir do grande. Quanto maior, quanto mais aparatoso, mais próximo de Deus.

 

Achamos que Deus está no alto. Ora, Jesus ensina-nos que, para encontrar Deus, o primeiro passo não é olhar para cima. É olhar para dentro, para o fundo.

 

O reino de Deus é como a semente lançada à terra. Para Deus, como avisava Agostinho, sobe-se descendo.

 

É preciso ser pequeno para reparar no pequeno. Por isso é que o crente tem de aliar a complexidade da inteligência à simplicidade do coração.

 

É fundamental não pretender determinar a ontologia do divino. As comparações a que Jesus recorre apelam para uma obscuridade iluminadora a que, por hábito, não prestamos atenção.

 

Jesus deixa muito em aberto. Não define. Não conceptualiza. Insinua. Alvitra. Aponta. Remete. Confia. Põe nas nossas mãos a possibilidade da descoberta e a surpresa do encontro.

 

Não decide tudo à partida. É por isso que nem tudo é claro ao nosso entendimento. Deus só Se esclarece na bondade do coração, na rectidão da consciência.

 

Deus não está apenas na doutrina revelada. Está também no segredo escondido. Não Se encontra somente na palavra do pastor. Encontra-Se igualmente no silêncio da consciência. 

 

O terreno onde a semente é lançada é a nossa vida. Deus quis-Se antropomorfo e quer que o homem se torne teomorfo.

 

Não é com um discurso contra o mundo que se chega a Deus.

 

Como poderia sê-lo quando o mesmo Deus Se encontra no mundo?

 

Arnold Toynbee alerta que o mundo é uma província do Reino de Deus.

 

Humanizar o mundo, fraternizando-o, é entretecer o maior hino de louvor ao Criador e Plenitudinizador da história.

 

Deus não Se apaga quando se participa na (re)construção da humanidade.

 

A Teologia primeva percebeu belamente esta presença de Deus na alma humana. S. Justino falava das sementes do Verbo em todos os homens. 

 

Deus quer dizer-Se humanamente. Para que o homem se realize divinamente!

 

 

publicado por Theosfera às 06:34

Sábado, 09 de Julho de 2011

No ano em que morreu, este, José Augusto Mourão deixa-nos a recolha das homilias que foi proferindo.

 

São textos que mais parecem quadros tecidos pela alma.

 

Não se exige a ninguém este brilho. Mas espera-se de todos a mesma seriedade.

 

A recusa da vulgaridade é, talvez, o preceito mais pertinente da ascese.

 

A palavra está no sítio certo. O texto não é um arrazoado disperso nem um amontoado de frases, atropeladas a esmo.

 

A fé precisa de revalorizar a sua expressão.

 

A homilia não é um exercício de retórica. Só pode ser uma ressonância da Palavra escrita no livro e inscrita na vida.

 

É preciso que essa Palavra se aloje na alma para poder ressoar nos lábios.

publicado por Theosfera às 21:48

Se quisermos escutar as vozes mais respeitadas da vida pública, facilmente daremos conta de que três delas já ultrapassaram os 80 anos e a quarta dos 80 se aproxima.

 

Este é um sinal de pujança dos próprios e um sintoma de decadência da sociedade.

 

Mário Soares, Eduardo Lourenço, Adriano Moreira e António Barreto despontam como os últimos abencerragens de um perfil superior de análise, de lucidez e de brilho.

 

É claro que haverá mais, mas não em número muito elevado. A principal razão para esta rarefacção da qualidade está na falta de cultura humanista, que se vai notando.

 

Diz-se (e, factualmente, é verdade) que esta é a geração mais preparada de sempre. No que toca às especialidades, nada a obstar a este dado. Só que a sabedoria é, por natureza, o espaço da complexidade. 

 

Saber é ligar. O pensamento é cada vez mais imediato, repentista.

 

O debate no parlamento e na comunicação é de uma pobreza confrangedora.

 

A reacção à decisão de uma agência de notação financeira foi demasiado pálida.

 

A intervenção de Mário Soares, já retirado da política activa, foi muito mais consistente que a dos políticos em actividade.

 

As humanidades não deviam pertencer a nenhuma especialidade. Deviam ser transversais a todos os cursos e a todos os graus de ensino.

 

Hoje, mal se consegue sair do domínio da formação de cada um.

 

O discurso é imaturo e básico, muito refém de preconceitos e lugares-comuns.

 

Os grandes homens compreendem a realidade. Os homens de excepção são capazes de a transformar.

 

Ver que a sua maioria já ultrapassou os 80 anos não é muito alentador. Que, ao menos, seja o sinal para trabalharmos melhor o futuro.

 

Precisamos de pessoas com alma. Não é só com gestores que a crise será vencida.

publicado por Theosfera às 20:29

A União Europeia não será a maior realização da história, como disse ontem o Dr. Mário Soares. Mas é, seguramente, uma das maiores conquistas do espírito humano.

 

É um espaço onde não há guerras e onde existe cooperação a vários níveis.

 

Com os seus defeitos (que os tem e não são poucos), ela constitui uma bela criação. Começou pela Comunidade do Carvão e do Aço, passou pela CEE de poucos países e já vai numa união de quase trinta nações.

 

É natural que, como tudo o que é bom, esta entidade suscite hostilidade.

 

A União Europeia vai-se consolidando no plano político, mas está a ser posta à prova no âmbito económico.

 

A tese pode ser um pouco especulativa, mas faz algum sentido e o Dr. Mário Soares expô-la ontem com o brilho da sua inteligência intuitiva.

 

O que se passa com as agências de notação financeira pode ser a ponta do iceberg de um ataque do dólar contra o euro e, mais vastamente, contra a União Europeia.

 

De facto, mais do que Portugal, desta vez é a União que está em causa. Porque o Governo limitou-se a transpor o programa que a troika impôs.

 

Os mercados não estavam tranquilos antes do programa de austeridade. Os mercados continuam a não estar tranquilos com o anúncio desta austeridade.

 

Se o objectivo era acalmar os mercados, parece que o desiderato não está a ser conseguido.

 

Há uma arbitrariedade em todo este universo. A economia norte-americana está com uma dívida colossal e as sobreditas agências de notação atribuem-lhe a cotação máxima.

 

Lipovetsky já tinha avisado. O mercado está a regular a política quando devia ser a política a regular o mercado.

 

A Europa tem de acordar e de ser fiel ao espírito dos seus pais fundadores. O objectivo da política é servir as pessoas. E não asfixiá-las.

publicado por Theosfera às 19:23

Quinta-feira, 07 de Julho de 2011

Foi o teólogo Andrés Torres Queiruga que disse, pensando em Cristo, que a morte é a última cátedra. Dela vem a maior (e também a mais dura) lição.

 

A insistente pertinácia de Maria José Nogueira Pinto é, de facto, um enorme ensinamento.

 

Há quem desista cedo. E há quem resista até (muito) tarde.

 

Há quem tenha medo da vida. E há quem não tenha receio nem da própria morte.

 

Confesso que é preciso ter uma força muito grande e uma fé muito intensa para escrever um texto como aquele que ela escreveu à beira da morte.

 

Faz uma síntese do seu percurso pela vida. O Senhor foi «sempre o seu pastor e por isso nada lhe faltou, mesmo quando tudo faltava».

 

Num momento em que, apesar de confiar no melhor, esperava o pior, consegue mostrar uma nobreza de sentimentos que não está ao alcance de qualquer um.

 

Tinha um temperamento combativo. Mas, coisa estranha, conseguiu ser consensual na morte quem nunca quis ser consensual durante a vida.

publicado por Theosfera às 20:54

António Loureiro Emídio, José Soares Leitão, Isaura Sequeira, Paulo VI, João Paulo I, Luís Sá, João Paulo II, Eduardo Russo, meu Pai, José Pereira Monteiro, Manuel Pedro de Almeida, Manuel Vital, Gonçalves da Costa, Acácio Branco, António Xavier Monteiro, Agostinho de Almeida Alves, Mendes Guerra, António Montenegro e um enorme etc.

 

Vou dando conta de que a história da nossa vida é também (e bastante) a história das mortes a que vamos assistindo.

 

É sempre muito o que se aprende quando se morre.

 

Olhamos para as coisas e para as pessoas de modo diferente.

 

Apesar de escura, a morte empresta uma nova luz às palavras, aos actos e aos acontecimentos.

 

Só não entendo por que razão é preciso morrer para ser respeitado, estimado e, finalmente, compreendido.

 

Leis da vida que só a morte acrisola? Porquê?

publicado por Theosfera às 19:30

Vale a pena ler. E meditar.

 

Aqui.

publicado por Theosfera às 16:14

A procura está ínsita no humano porque é conatural à condição de vivente.

 

Ainda que idoso, diz Herman Hesse, o homem «não desiste de procurar. Nunca desistirei de procurar».

 

É que «procurar significa ter um objectivo» e não ficar dependente das descobertas dos outros. Tanto mais que «a sabedoria não pode ser partilhada. A sabedoria que um sábio tenta partilhar soa sempre a loucura».

 

É certo que «podemos partilhar conhecimentos, mas não a sabedoria. Podemos encontrá-la, podemos vivê-la, podemos ganhar importância com ela, podemos fazer maravilhas com ela, mas não podemos comunicá-la e ensiná-la. Foi isso que me afastou dos mestres».

 

Porquê?

 

Porque há muitos mestres e muitas palavras para expressar o que eles pensam. «Por cada verdade, o contrário é igualmente verdade. Mais concretamente: uma verdade apenas se deixa exprimir e envolver em palavras quando é parcial. Tudo o que pode ser pensado com o pensamento ou dito com palavras é parcial. Tudo é parcial, tudo é metade, a tudo falta totalidade, integralidade, unidade».

 

É por isso que «uma pessoa nunca é completamente santa ou completamente pecadora».

 

O mundo «é perfeito em todos os instantes, a misericórdia já contém em si todos os pecados, todas as criancinhas têm já dentro de si a velhice, todas as crianças de peito têm a morte, todos os moribundos têm a vida eterna».

 

É a esta luz que «tudo o que existe me parece bom, a morte e a vida, o pecado e a santidade, a sensatez e a loucura, tudo é necessário dessa maneira, tudo necessita apenas do meu acordo, da minha boa vontade, da minha afectuosa compreensão».

 

As palavras, por vezes, ofuscam o sentido profundo da realidade: «Tudo o que é igual torna-se sempre um pouco diferente quando é dito em voz alta, um pouco falseado, um pouco louco».

 

Por isso a atenção está voltada para a realidade, para as coisas. «Eu considero mais importante amar o mundo, não o desprezar, não o odiar nem me odiar, observá-lo, a mim e a todos os seres, com amor, admiração e respeito».

 

Neste sentido, «a acção e a vida são mais importantes que o discurso, os gestos das mãos mais importantes que as ideias. Não vejo a grandeza no falar ou no pensar, apenas no agir, no viver».

publicado por Theosfera às 10:44

Para o cidadão comum, não houve o menor sinal de que estava doente.

 

Maria José Nogueira Pinto surpreendeu muita gente com a sua morte.

 

Manteve-se em pleno até ao fim.

publicado por Theosfera às 10:23

Na Europa, discute-se a dívida.

 

Na África, sofre-se a fome.

 

Além da guerra, a seca está a atirar milhões de seres humanos para a morte.

 

Por cá e apesar de todas as crises, ainda há dinheiro para lotar residenciais caríssimas e para assistir a concertos dispendiosos.

 

Nem a realidade nos faz acordar?

 

Mas também é verdade que estamos no ápice de um dilema: se consumimos, aumenta a dívida; se não consumimos, fenece a economia.

 

Subjugados pela dívida, subsiste a dúvida.

publicado por Theosfera às 10:18

Quarta-feira, 06 de Julho de 2011

A relação com Deus não desestrutura o humano.

 

Deus, porque é Deus, nunca desumaniza. Ele é, como afirmava Edward Schilebeekx, o futuro e a plenitude do homem.

 

É, enquanto homem, que o homem chega a Deus.

 

Daí a pertinência da observação de Maria Filoménica Mónica O seu afastamento da religião deve-se ao facto de não conseguir aceitar que alguém pense por si mesma, em vez de si mesma.

 

Isto trouxe-me à lembrança uma conhecida parábola de Lessing. Dizia, mais ou menos, o seguinte.

 

Se Deus me ofecerer, na Sua mão direita, a verdade e, na Sua mão esquerda, a vontade de descobrir a verdade, eu agarrar-me-ia à Sua mão esquerda.

 

Ainda que errasse e errasse constantemente, ainda que me perdesse no caminho, não hesitaria em agarrar-me à mão esquerda de Deus para Lhe dizer: «A verdade, a verdade pura, és Tu, só Tu».

 

No fundo, na procura já existe encontro. É na procura que nos sentimos pessoas. E na procura dificilmente fugimos à verdade do encontro e ao encontro da verdade.

 

É quando nos recusam a condição de pessoas, é quando decidem por nós, que mais facilmente podemos fugir.

 

No limite, é preferível um equívoco na procura a uma verdade na imposição. Uma verdade imposta nem sequer respeita o estatuto de verdade.

 

A verdade é um evento da liberdade. Da liberdade de quem procura. Da liberdade de quem se deixa procurar. 

publicado por Theosfera às 21:27

O engenheiro, agnóstico, pergunta ao prior do mosteiro da Cartuxa:

- E se Deus não existe? Imagine que não há outra vida; o senhor, aqui fechado, perde a única que tem. Eu, ao menos, estou a aproveitar esta.

Resposta humilde do prior:

- Nós os dois vamos morrer um dia. Se, como diz, nada houver depois da morte, eu não terei nem um segundo para me desiludir e o senhor não terá nem um segundo para me considerar estúpido.

Réplica, espantada, do engenheiro:

- Mas o senhor desperdiçou esta vida e eu aproveitei.

Tréplica, serena e convincente, do prior:

- Não. Eu acreditei em Deus e esse pensamento fez-me profundamente feliz. Muitas vezes acontece que a promessa de uma prenda encanta mais que a própria prenda. A véspera de uma festa, por vezes, é mais alegre que a própria festa!

publicado por Theosfera às 11:14

A Cartuxa é apreciada porque o seu maior objectivo é que não se fale dela.

 

Não faz campanhas vocacionais nem cultiva acções promocionais.

 

É, aliás, com custo que abre as suas portas a visitantes.

 

Quando Eusébio veio para o Benfica, veio também um jogador para o Sporting.

 

Já ninguém se lembra dele. Foi para a Cartuxa. Parece que está em Nápoles. Creio que mais nada se sabe dele.

 

Na Cartuxa, importante é ser santo e não que se seja chamado santo. Tudo está centrado no essencial, em Deus. Tudo se apaga para que Ele brilhe. Tudo se silencia para que Ele fale. Na brisa, no ruah.

 

Não se fazem ensaios. Quem vem de novo integra-se na oração com os outros.

 

Os cartuxos são inflexíveis em muitos aspectos. No despojamento, por exemplo. Não aceitam dignidades, distinções ou condecorações por parte da Igreja.

 

Um dos seus lemas é «non sanctos patefacere sed multos sanctos facere», que pode ser traduzido assim: «Fazer santos, não fazer propaganda deles».

 

Não tomam, por isso, iniciativa para conseguir a canonização dos seus membros. Nem sequer possuem um catálogo dos seus santos.

 

Quando morre alguém com uma vida excepcionalmente santa, ninguém lhe escreve a biografia. Habitualmente, sobra apenas um comentário: «Laudabiliter vixit».

 

Os princípios por que se norteia o monge são a quietude, a solidão, o silêncio e a procura do sobrenatural.

 

A Cartuxa não quer a fama. Se ela existe, são outros que a propagam. 

 

Quando um cartuxo passa por outro não diz nada. Ou talvez diga sem dizer. O silêncio é capaz de captar o essencial. E o essencial vem do fundo. Se houver atenção, somos capazes de lá chegar.

 

Certas palavras, muitas palavras só ofuscam.

publicado por Theosfera às 10:42

Cada época tem as suas próprias necessidades.

 

Hoje em dia, sentimos uma enorme carência de silêncio.

 

Quanto menos o praticamos, mais o admiramos.

 

É por isso que andamos à procura de ouvidos que nos escutem, de almas que nos acolham, de vidas que nos confortem.

 

A certa altura, nem nós mesmos conseguimos ser confidentes de nós próprios. Parece que estamos cheios de tanto vazio, de tanto ruído, de tanta agitação.

 

Neste afã de tudo publicitar, até os segredos são objecto de discussão pública. Há dias, um canal televisivo debatia o chamado sigilo profissional.

 

Como não podia deixar de ser, lá estava o padre. O seu sigilo chama-se sacramental e não admite excepção em caso algum.

 

É um certificado que pretende assegurar a confiança.

 

É por isso com lástima que se verifica que, mesmo sem mencionar nomes, se aludem a casos reportados.

 

A jornalista perguntava: «Já lhe aconteceu alguém contar-lhe isto ou aquilo?» E o sacerdote confirmava.

 

Com todo o respeito não me parece correcto.

 

Se alguém nos confia a sua intimidade é para ficar na nossa intimidade.

 

Guardar um segredo é o maior selo da lealdade e o mais excelso garante da amizade.

publicado por Theosfera às 10:06

Se o povo consome, endivida-se. Se não consome, faz estagnar a economia.

 

Se o país não aplica planos de austeridade, ninguém lhe empresta dinheiro.

 

Se o país aplica planos de austeridade, ninguém parece acreditar que esteja em condições de cumprir as condições do empréstimo.

 

É um beco aquele em que nos encontramos.

 

Os próprios peritos em economia só se concentram nas finanças. Não surge um golpe de asa, nem uma chama de esperança.

 

O medicamento parece ser tão nocivo como a doença.

publicado por Theosfera às 10:01

Terça-feira, 05 de Julho de 2011

A linguagem dos mercados assemelha-se a uma cabalística, praticamente inacessível ao cidadão comum.

 

Agora, que as medidas de austeridade começaram a ser aplicadas, era de prever que o seu efeito se viesse a sentir.

 

Acontece que para uma agência de rating Portugal não vai conseguir cumprir. Baixou o nível de Portugal em quatro graus e atirou-nos para uma categoria que recebe o (estranho) nome de lixo.

 

O Governo já respondeu, alegando que a sobredita agência não teve em conta o consenso político alcançado em Portugal nem o anúncio das medidas.

 

A imprensa internacional dá como adquirida a necessidade de um novo resgaste. Mais sacrifícios em vista?

publicado por Theosfera às 21:56

O ar parece amargurado, embora o tom se mantenha sereno.

 

Mikhail Gorbachev, numa entrevista que tem passado na RTP, confessa-se realizado, mas deixa no ar alguma tristeza.

 

Chegou ao topo com um propósito de mudança, mas quando em jogo estava sobretudo o poder.

 

Não fugiu à lei da história. Uma ditadura, quando se reforma, deforma-se. Deixa de ser o que é. Implode. Ou fazem-na explodir.

 

Gorbachev foi alguém conduzido pelos acontecimentos que, como ninguém, ajudou a desencadear.

 

É irónico que tenha sido um hiperconservador (como Andrei Gromyko) a incentivar a ascensão de Gorbachev.

 

Recordo a esperança que atravessou o mundo com a aurora daqueles tempos. Mas nem o mais optimista achava que 1989 seria o ano de todas as quedas. Como veio a dizer Edgar Morin, foi a omnifragilidade da omnipotência.

 

A hora da história pode mais que a força das armas. Em 1968, o socialismo de rosto humano, de Dubchek, foi esmagado. Vinte anos depois, a semente deu os seus frutos.

 

Gorbachev dava sinais de ser demasiado heterodoxo para assegurar a ortodoxia do regime que liderava.

 

Não espanta que (é a parte mais comovente da entrevista) que tenha assumido que a maior felicidade foi quando conheceu a sua esposa, Raissa. Trata-se de algo impensável para um sistema daqueles.

 

O amor entre os dois extravasou para a história.

 

No final, o amor vence sempre. Pena que seja apenas no final.

 

Só que em cada fim emerge sempre um novo começo.

publicado por Theosfera às 11:51

Fernando Nobre poderá ter cometido vários deslizes nesta sua (pelos vistos, curta) incursão pela política.

 

Mas era escusada toda esta facúndia objurgatória que atravessa a imprensa e a blogosfera e que mais se assemelha a um julgamento sumário. Sem clemência nem remissão.

 

Num tempo em que a coerência é um valor cada vez mais líquido (no sentido de menos sólido), quem tem autoridade para denunciar as incoerências verbais de Nobre?

 

Quem não hesitou na vida? Só que, com a pressão mediática em cima das pessoas, as hesitações ocorrem cada vez mais na praça pública, à vista de toda a gente.

 

Apavora-me esta intolerância perante aqueles que (supostamente) estão em baixo.

 

Só deixo uma pergunta: quantas pessoas haverá, no nosso país, com uma folha tão extensa ao serviço dos mais desfavorecidos?

 

Nobre regressa ao seu ethos. No fundo, os sofredores são os que têm o coração mais magnânimo.

 

Parte desencantado. E, apesar dos percalços, continuo persuadido de que era muito o que Nobre tinha para dar na política.

 

Mas há quem mine todos os caminhos aos que vêm de fora.

 

Uma alma nobre fica bem em qualquer lado. No trabalho solidário, obterá o reconhecimento merecido.

publicado por Theosfera às 11:29

Nem todo o dinheiro do mundo vale a vida de uma só pessoa.

 

Mas esta é uma convicção cada vez mais fluida.

 

Há dias degolaram uma senhora, para lhe extorquirem...cinco euros!

publicado por Theosfera às 11:10

Segunda-feira, 04 de Julho de 2011

«Não obedecer a ordens vindas do exterior, mas apenas à voz interior do coração é a única coisa necessária».

 

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«Que a tua amizade seja o meu pagamento».

 

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«Escrever é bom, pensar é melhor. Inteligência é bom, paciência é melhor».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Herman Hesse.

publicado por Theosfera às 23:26

Maria Filomena Mónica escreveu uma ensaio brilhante sobre a morte.

 

A Fundação Francisco Manuel dos Santos assegurou a publicação.

 

Reporta experiências e levanta questões.

 

Aliás, a morte é, em si mesma, o maior questionamento de tudo.

 

De caminho, a autora filia o seu ateísmo (que talvez seja mais agnosticismo) na necessidade que tem de que ninguém pense pela sua cabeça.

 

Às vezes, assume uma certa frieza.

 

A morte é universal, mas a reacção perante ela é plural.

 

Este livro devia ser meditado por toda a gente.

 

Merece ser lido.

publicado por Theosfera às 23:14

A crise não começou com a escassez do dinheiro, embora da crise só nos tenhamos apercebido quando o dinheiro começou a faltar.

 

A crise já começara antes, mas quase ninguém quis prestar atenção a quem a tinha diagnosticado.

 

Thomas Moore, por exemplo, alertara, na década de 90, para «a perda da alma» como sendo a maior doença do nosso tempo.

 

É que, com a perda da alma, ficámos sem alternativa quando o dinheiro começou a faltar.

 

O vazio da alma torna ainda mais dolorosa a escassez de dinheiro.

 

Fomos alicerçando um estilo de vida para épocas de prosperidade.

 

Consciente ou inconscientemente, não nos imaginamos num padrão diferente.

 

E é por isso que, para espanto de muitos analistas, as instâncias de veraneio mais caras continuam lotadas, apesar do anúncio de medidas muito duras.

 

No fundo, o drama não é só que falte o dinheiro para o essencial. É que ele também não chegue para o acessório que se foi incorporando no nosso ser.

 

Uma coisa que surpreenderá é que o nosso perfil nas férias não difere muito do nosso perfil no resto do ano. As filas apenas mudam de direcção. As pessoas continuam a aglomerar-se nas praias, nos locais de diversão.

 

E o mais curioso é que muitos se mostram tão exaustos no fim das férias como no início das férias.

 

Nem nas férias se pára. Tudo decorre a enorme velocidade. É tudo rápido e muito ruidoso.

 

No trabalho ou no lazer, há uma enorme dificuldade em entrar na profundidade da pessoa.

 

Ora, a alma é essa profundidade de que nos fomos desabituando.

 

Se o padrão da nossa realização fosse outro, não estaríamos, a esta hora, tão deprimidos. Até porque daríamos conta de que, enquanto muitos estão ansiosos por não poderem manter o supérfluo, outros há que não vão assegurar o essencial.

 

A perda da alma levou-nos a apostar em força na fruição, na cultura do divertimento, descuidando o preceito da solidariedade e da partilha.

 

A presente crise está a destapar o engodo existencial em que nos deixámos enredar. Vemo-nos vazios, deslaçados.

 

Apostamos (quase) tudo no dinheiro. Ingrato, o dinheiro está a evaporar-se.

 

Eis uma realidade. Eis também uma possibilidade. O regresso à alma oferecer-nos-á surpresas inesperadas. Com menos, até seremos capazes de mais e melhor. Em nós. E (sobretudo) entre nós.

publicado por Theosfera às 16:44

Ficou sempre retida na minha lembrança uma frase de Herman Hesse: «Todos os homens são crianças».

 

É na infância, com efeito, que se encontra a chave do mistério do humano.

 

A psicologia garante, pelo menos desde Piaget, que a personalidade se estrutura a partir da infância mais remota.

 

O grande problema do crescimento está, porventura, na perda do encanto e da bondade da infância.

 

Achamos que a criança só tem que aprender, quando ela tem tanto para ensinar.

 

Manuel António Pina alerta que só descobrimos o valor da infância quando a perdemos.

 

Não espanta, pois, que, convidado a participar numa homenagem ao Papa, o poeta Tolentino de Mendonça tenha escolhido esta temática. O resultado é brilhante, a lição é sublime e imperecível.

 

E, por fim, Deus regressa
carregado de intimidade e de imprevisto
já olhado de cima pelos séculos
humilde medida de um oral silêncio
que pensámos destinado a perder

Eis que Deus sobe a escada íngreme
mil vezes por nós repetida
e se detém à espera sem nenhuma impaciência
com a brandura de um cordeiro doente

Qual de nós dois é a sombra do outro?
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore

O mistério está todo na infância:
é preciso que o homem siga
o que há de mais luminoso
à maneira da criança futura

  

publicado por Theosfera às 11:44

Há 8 238 idosos abandonados nos hospitais.

Precariedade económica, isolamento, incapacidade psicológica e indisponibilidade da família levam mais pessoas a procurar apoio nos hospitais.

 

Eis o que vem nos jornais. Eis o que está a acontecer no nosso país.

 

Andamos abatidos porque o dinheiro escasseia. Devíamos estar preocupados porque a alma se esvazia.

publicado por Theosfera às 10:15

Domingo, 03 de Julho de 2011

O seguimento de Jesus não se faz pelos conteúdos. Faz-se pelas atitudes.

 

O seguimento de Jesus opera-se pela mansidão e pela humildade.

 

Num mundo onde escasseiam as referências, Jesus é o modelo prototípico de uma humanidade renovada, pautada pela bondade e pela paz.

 

Amar é imitar, como dizia Charles de Foucauld.

 

Imitar Jesus é algo que só pode acontecer pela reprodução incessante da Sua existência.

 

O Seu jugo é suave e a Sua carga é leve.

 

Impor cargas pesadas não rende homenagem à memória de Jesus.

 

Jesus é a medicação plena para a doença total de que sofremos, hoje.

 

Experimente Jesus e tenha uma excelente semana.

publicado por Theosfera às 23:07

Sábado, 02 de Julho de 2011

Os sociólogos parecem estar a tomar a dianteira do pessimismo. Tornaram-se leitores atentos da realidade e, mais, arriscam verbalizar o que vêem e o que sentem.

 

O que, talvez, mais se tem distinguido, entre nós, é António Barreto. As pessoas ouvem-no e lêem-no como um oráculo porque dá voz, com expressivo brilho, ao que nem sempre se quer ver.

 

Lipovetsty tem sido uma espécie de cicerone das mudanças em curso no nosso interior. Mas há mais. É justo que se mencione, por exemplo, Zygmunt Bauman.

 

Segundo ele, a nossa sociedade tornou-se um albergue de «turistas consumidores», onde a prioridade é fazer experiências e realizar todos os desejos de modo narcisista.

 

Trata-se de uma sociedade sem horizonte comum, sem grande preocupação pela solidariedade e pela valorização do outro. Tudo começa com surpresa. Tudo parece terminar com rapidez.

 

Já nem os relacionamentos entre as pessoas são sólidos. São até cada vez mais líquidos. Este é o tempo da «modernidade líquida».

 

Anselmo Borges faz-se eco, neste dia, do alerta de Baumam.

 

«Quando se instalou como valor primeiro o ter em vez do ser, começou a caminhada para o abismo. Por um lado, o ter; por outro, o individualismo.
 
O famoso sociólogo polaco Zygmunt Bauman, professor emérito da Universidade de Leeds (Reino Unido), chamou a esta situação "modernidade líquida". As nossas sociedades são individualistas, e nelas são precários os laços tanto íntimos como sociais. Diz ele: "Ao contrário dos corpos sólidos, os líquidos não podem conservar a sua forma, quando pressionados por uma força exterior, por mínima que seja. Os laços entre as suas partículas são demasiado fracos para resistir. Ora, este é precisamente o traço mais marcante do tipo de coabitação humana característico da 'modernidade líquida'. Daí, a metáfora que proponho."
 
Neste quadro, percebe-se a dificuldade de hoje para assumir compromissos de longo termo, pois não se quer restringir a futura liberdade de escolha. Daí a tendência para que "todos os laços que se dão sejam fáceis de desfazer, que todos os compromissos sejam temporários, válidos apenas até 'nova ordem'".
 
Cá está a dificuldade para manter o amor e a moralidade. Por um lado, quer-se um "parceiro leal e dedicado", mas, por outro, "ninguém se quer comprometer". E o cumprimento dos deveres morais "é custoso, não é uma receita para uma vida fácil e sem preocupações, segundo as promessas da publicidade para os bens de consumo"».
 
O diagnóstico é de uma clareza diáfana. Será que há coragem para adoptar a necessária terapia?
 
Não há decretos que valham. Só uma revolução no interior pode tornar tudo diferente, tudo melhor, tudo mais humano, mais fraterno, mais respirável.
publicado por Theosfera às 19:31

Conseguiu combater a fome no Brasil. Agora, pretende erradicar a fome no mundo.

 

José Graziano da Silva é o novo director-geral da FAO.

 

Há 925 milhões de pessoas com fome no mundo. Num mundo em que o esbanjamento é assustador.

 

Graziano da Silva precisa de muito trabalho. E merece a colaboração de todos.

 

Matar a fome é a única morte que (além das saudades) nos deve mobilizar. Até porque se a humanidade não acabar com a fome, a fome pode ir acabando com a humanidade.

publicado por Theosfera às 11:44

O princípo da subsidiariedade é a matriz sensata do funcionamento de uma sociedade.

 

Preceitua tal princípio que uma instância superior só intervém quando as outras não conseguem fazê-lo.

 

Percebe-se, a esta luz, que o Estado avançasse com actividade televisiva quando mais ninguém o fazia.

 

Mas, numa altura em que há mais dois operadores, tal não se justifica.

 

Acresce que a crise é um tópico que está a impor restrições aos cidadãos.

 

Para obter mais 800 milhões de euros, as pessoas vão ficar sem uma parte substancial do subsídio de Natal.

 

Ora, sucede que, em cada ano, a RTP recebe do Estado 300 milhões de euros. Em seis anos, foram dois mil milhões de euros.

 

Porquê toda esta hesitação?

 

A marca neoliberal do novo Governo e a consciência social que assume ter não deviam deixar margem para o mais leve compasso de espera.

 

O dinheiro, apesar de pouco, faz falta a muita gente. E a RTP?

 

 

publicado por Theosfera às 11:28

Sexta-feira, 01 de Julho de 2011
Paul Knitter é cristão e é teólogo. Acaba de escrever uma obra (ainda não traduzida em portugês) onde assume que é ao budismo que deve o continuar a ser cristão.
 
Sem Buda não poderia ser cristão é o título da obra do teólogo norte-americano Paul Knitter.
 
No início as perguntas: «O meu diálogo com o budismo tornou-me um cristão budista? Ou um budista cristão? Sou um cristão que compreendeu mais profundamente a sua própria identidade com a ajuda do budismo? Ou tornei-me um budista que ainda conserva vestígios cristãos?»
 
Foi o budismo que constituiu um dos recursos mais úteis que lhe permitiram continuar a desenvolver a sua tarefa pessoal de cristão e de teólogo, permitindo-lhe rever, reinterpretar e reafirmar as doutrinas cristãs sobre Deus (capítulos 1-3), sobre a vida depois da morte (capítulo 4), sobre Cristo como Filho único de Deus e Salvador (capítulo 5), sobre a oração e o culto (capítulo 6) e sobre o compromisso para conduzir o mundo rumo à paz e à justiça do Reino de Deus (capítulo 7), na consciência de que, como admite o teólogo na conclusão, «no final da jornada, a casa para onde eu volto é Jesus».
publicado por Theosfera às 10:51

O fundamentalismo é, ao contrário do que possa parecer, um sintoma da perda da alma.

 

O fundamentalismo insiste no fundamental (e não é isso que está em causa), mas esquece a harmonia, que também lhe dá extensão e profundidade.

 

Thomas Moore descreve o fundamentalismo «como uma defesa contra os sons harmónicos da vida, a riqueza e o politeísmo da imaginação».

 

A alma anseia pela profundidade, pela multiplicidade, por muitos níveis de sentido.

 

Quando se insiste sempre (e apenas) no mesmo, a alma fica asfixiada.

 

Para respirar, a alma suspira pelo múltiplo, pelo intenso, pelo imenso.

publicado por Theosfera às 10:34

A única coisa que sabemos. Desde que nascemos.

publicado por Theosfera às 10:23

«A justiça é a saúde do Estado».

Assim escreveu (magistral e magnificamente) Platão.

publicado por Theosfera às 10:22

A clivagem hoje não é de natureza ideológica. É cada vez mais geracional.

 

Pode haver mudanças de ciclos, mas o que mais se verifica é que os valores decaem e a ética fenece.

 

É certo que ninguém pode fugir à realidade. Mas hoje quase ninguém pode dizer que a realidade é desconhecida.

 

Só que os compromissos tendem a ser vaporosos, sem espessura nem densidade.

 

Ninguém se espante, pois, que a promessa de ontem seja desmentida hoje e contraditada amanhã.

 

Haverá uns ninhos de honradez neste mundo esmagado pelos interesses. Mas isso não chega a ser destaque informativo.

 

E como a realidade é cada vez mais aferida pela comunicação, as pessoas propendem a nivelar o que são pelo que vêem.

 

Até um dia.

publicado por Theosfera às 10:16

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