O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Sempre que uma família começa, acende-se uma esperança. Mas quando uma família termina, parece reacender-se o desespero.

 

Há sempre responsáveis em tudo isto. Acresce que vai havendo também cada vez mais vítimas.

 

A violência doméstica não é de agora. Infelizmente, ela será tão antiga como a instituição familiar.

 

O que é nova é a exposição desabrida dessa violência. Não sei se uma terapia à frente das câmaras televisivas ajuda a minorar a dor ou se, pelo contrário, não contribuirá para o aprofundamento dos dramas.

 

Acresce um dado que se impõe. Outrora, a família parecia resistir à violência. Actualmente, nem o fim das relações familiares parece terminar com o flagelo da violência.

 

Há episódios trágicos que se verificam durante os processos de divórcio. Ainda ontem, uma senhora foi baleada pelo marido, de quem se está a separar.

 

Habituámo-nos a ver a família como o princípio. Agora, ela aloja também o fim.

 

Problemas sempre existiram na família. Só que, em vez de ser a família a vencer os problemas, parece que são os problemas a vencer a família.

 

Mas, no limite, quando não for possível de todo continuar a família, que subsista a serenidade e a urbanidade entre os seus membros.

 

Violência jamais.

publicado por Theosfera às 10:54

Alguém conhece o próximo passo? Ninguém pode antedatar o futuro caminho. As surpresas aparecem e a incerteza condiciona.

 

A única coisa que pode ser antecipada é a continuação do caminho.

 

E o único facto que pode ser garantido é que o caminho terá um fim.

 

Para lá do fim, que se pode postecipar?

 

Evoco, por isso, o génio de Pablo Neruda:

 

«Andar... Andar... Até onde?

E até quando?

Ninguém responde.

E continua-se andando».

 

Há quem pense que andar é fugir. Eu só sei que andar é existir. E nem a eternidade é paragem.

publicado por Theosfera às 10:19

«Antes de comprarmos algo, seria bom pensarmos se não poderíamos passar muito bem sem essa coisa».

Assim escreveu (sapiente e magnificamente) John Lubbock.

publicado por Theosfera às 10:08

«Se o mundo fosse um bom lugar, o seu dono viveria nele».

 

Esta foi uma frase que um investigador terá ouvido, lá longe, numa tribo amazoana.

 

Eis uma máxima de sabedoria amassada em ironia e, talvez, sufocada pela amargura.

 

Sucede, porém, que o dono do mundo está no mundo. Só que não do modo como pensamos.

 

O dono do mundo opta por estar no fundo, de uma forma discreta, quiçá imperceptível.

 

O dono do mundo não é detectável por intervenções esplendorosas. Ele deixa-Se perscrutar pela voz pacificante do silêncio.

 

Porque só o silêncio capta o mistério indegerível nos conceitos.

 

O dono do mundo prefere estar no mundo como servo, como amigo, como alma. Longe do poder.

 

O mundo não é melhor porque aqueles que por ele passam se julgam senhores.

 

O dono do mundo quer que o mundo seja visto como uma casa. E que os seus habitantes se sintam como irmãos.

publicado por Theosfera às 10:04

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Será que estamos a prestar a devida atenção ao que está a ocorrer na Somália?

 

Parece longe, mas é aqui ao lado. É na nossa aldeia. Na aldeia em que se transformou o mundo...

publicado por Theosfera às 21:21

Dizem que os gostos não se discutem. Mas a mesma liberdade que preceitua as escolhas não impedirá que se analisem as mesmas.

 

Este é o tempo das festas e festivais a que nem a crise põe cobro.

 

Muitas dessas festas são dedicadas a Nossa Senhora e aos Santos, mas o que mais avulta são programações onde a qualidade é escassa.

 

Numa altura em que a alma anda descompensada e anela pela paz do silêncio, impressiona que se cultue a estridência da música e o estrépito dos arraiais.

 

Não quero execrar o que dimana da vontade das populações. Desejo apenas fazer justiça a quem ela é devida.

 

Compulsando o programa das diversas festas, o melhor é, sem dúvida, o da Festa do Avante.

 

A 35ª Festa do Avante será marcada pela segunda Gala de Ópera e associa-se à comemoração dos 35 anos de carreira dos Trovante e dos 40 anos de Sérgio Godinho.

 

Gostos não se discutem. O que não impede que os respectivos sabores sejam diferentes.

 

Refira-se que, já em 2000, a Festa do Avante assinalou, devidamente, o centenário de Bach, um autor de marcada vibração espiritual.

 

«Extrema se tangunt»?

publicado por Theosfera às 21:13

Há trinta anos, tinha eu dezasseis anos. Nesse dia 21 de Julho de 1981, eu estava a ajudar o meu Padrinho que era ecónomo e secretário do Seminário. Eram férias grandes.

 

Quando vínhamos para o almoço, ouvimos três estrondos de uma estridência supina. Houve janelas que partiram, suportes das fechaduras que tombaram e uma nuvem hiroshimiana encobriu toda a cidade.

 

Uma pirotecnia explodira. Situava-se mesmo em frente do Seminário. Várias pessoas (já não sei quantas) morreram. Vi pedaços de corpos espalhados pelas vias.

 

Foi um dia horrível. Lamego foi notícia. Por causa de uma tragédia. No dia seguinte, o Primeiro-Ministro, Dr. Pinto Balsemão, vinha à cidade inaugurar o Mercado Municipal.

 

Mas a dor da véspera tudo ensombrou. Pudera!

publicado por Theosfera às 10:30

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

São de respeitar as regras que apuram a santidade dentro da Igreja.

 

Mas existe, no fundo de cada um, uma sensibilidade pelo que é santo a que importa estar atento.

 

Trata-se de uma santidade como integridade, autenticidade, sentido de justiça, rectidão, verdade e bondade.

 

Trata-se de uma santidade que não abandona o humano. Pelo contrário, radicaliza o humano.

 

Trata-se de uma santidade que faz com que encontremos clareiras de Deus no contacto de certas pessoas.

 

Pode ser uma santidade que salta os cânones, sem os ferir ou contestar.

 

É uma santidade cujos milagres são os gestos que tanto apaziguam como interpelam.

 

Não deixa de ser curioso notar como, nestes tempos pós-modernos, alguém como Mandela seja chamado santo. Alguém contesta? Contesta o próprio. Não se considera santo...a não ser na medida em que se sente um pecador que não desiste de tentar.

 

Também no século XIX, refractário a muitas normas eclesiásticas, Eça falava de Antero de Quental como de um santo: «um génio que era um santo».

 

Alguém pode sentir-se transtornado como é que um suicida seja assim qualificado. Só que julgar não é para humanos.

 

Genuinamente humano foi o carácter de Antero, carácter «heroicamente íntegro», como refere Eça.

 

Antero viveu como um monge recluso, mas não indiferente.

 

Tinha um coração dourado, que respirava Deus.

 

Apesar de se sentir abandonado por Ele, muitos O viram nele.

 

E não será um verdadeiro milagre produzir um poema como este?

 

 

Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade
È que eu vi o teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na Natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só de perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!

 

Uma pena destas só pode ter vindo do Céu. Tem inspiração etérea e respiração celestial.

Quantos terão falado tão belamente da Mãe de Deus?

 

publicado por Theosfera às 23:26

Às vezes, sentimo-nos perto de quem está longe e longe de quem está perto.

publicado por Theosfera às 23:09

Não sou dos que dizem que Jesus Cristo terá sido o primeiro comunista.

 

Há, desde logo, uma diferença quanto à mundividência. A mundividência de Jesus é espiritual e a de Marx é materialista.

 

E existe também uma distância no método. Jesus defende o amor ao próximo, incluindo o amor aos inimigos. Marx propugna a luta de classes.

 

Há, porém, uma inspiração semelhante: a igual aposta na transformação da sociedade e a comum opção pelos pobres.

 

Depois, há um dado em que os especialistas convergem. Talvez o movimento comunista não tivesse tido o impacto que teve se a Igreja tivesse chegado mais cedo à questão operária.

 

Quando Leão XIII publicou a Rerum novarum, já o Manifesto comunista circulava há décadas.

 

Isto remete-nos para algo que Chenu sublinhava: a importância do acontecimento.

 

A precipitação não é boa conselheira, mas a lentidão exasperante também não ajuda. Os acontecimentos não esperam por nós.

 

Importa, por outro lado, destacar um aspecto que merece atenção. Os contrários, quase sempre, se apoiam.

 

O êxito do comunismo teve muito que ver com a acção do capitalismo e com alguma inacção do Cristianismo.

 

Curiosamente, hoje volta a falar-se do regresso de Marx por causa da falência do capitalismo.

 

O Prof. Leandro Konder destaca este elemento. Uma sociedade tremendamente desigual gera o desconforto e o desejo de alternativas.

 

É claro que ninguém aspira pelo marxismo sem liberdade. Uma certa nostalgia por Marx funciona sobretudo como desencanto pela situação presente.

 

Tudo isto mostra que a dimensão da utopia não desapareceu completamente. Uma sociedade sem Estado, sem egoísmos exacerbados e com elevado nível de participação de todos é algo que continua a morar no coração das pessoas.

 

O próprio pensamento marxiano não deixará de encetar um processo de reforma. É importante estar atento aos sinais que brotam.

 

O preconceito é que não traz nada de bom. Mas aqui é que está a dificuldade. É que, como já dizia Einstein, «é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito».

 

Difícil. Mas não impossível.

publicado por Theosfera às 23:08

Das más teorias já não se esperarão boas práticas. Sucede que, não raramente, nem as melhores teorias nos livram da hediondez das más práticas.

 

Este é um problema que tem sido estudado, com acuidade, em diversas áreas do saber.

 

A questão costuma dirimir-se entre o nazismo (do qual já não se esperaria nada de bom) e o comunismo (do qual se esperaria a libertação e jamais a opressão).

 

Mas a discussão acaba por envolver o próprio Cristianismo, cuja história não passa ao lado de vis atentados à vida e dignidade das pessoas.

 

Habitualmente, descansamos o ego (pessoal e colectivo), apontando para as luzes que sobrepujam as sombras.

 

Para lá de enormes torcionários, houve, sem dúvida, grandes santos.

 

Mas isso vale para todos os sistemas. Nem todos os comunistas foram (nem são) ditadores ou inimigos da liberdade. Nem todos os maçons são anticlericais.

 

Não deixa de ser perturbador (e os historiadores assinalam isso) verificar que, apesar de reconhecermos a importância das ideias, foi em nome de ideias que mais se matou ao longo da história.

 

Os estudiosos alegam que o problema estriba no facto de se transformar movimentos inspiradores em códigos apertados. A dissidência não é permitida e, muitas vezes, nem a pergunta é tolerada.

 

Por outro lado, também se fala da distância que existe, por exemplo, entre Marx e o Comunismo e Cristo e o Cristianismo.

 

Acresce que, com tudo isto, vai-se notando que há muito de Marx que fica por fazer e muito de Cristo que fica por aplicar.

 

Por alguma razão Gandhi terá dito que amava Cristo, mas não gostava dos cristãos.

 

Só quando houver condições para uma reforma das instituições, os momentos fundadores poderão ter ressonância na vida das pessoas.

 

Uma coisa parece consensual para todos: há mais Marx para lá do comunismo e há muito mais Cristo para lá do Cristianismo.

publicado por Theosfera às 22:18

«A recordação é uma forma de reencontro. O esquecimento é uma forma de liberdade».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Kahil Gibran.

publicado por Theosfera às 16:10

Antes de prosseguir o meu caminho e de lançar o meu olhar para a frente, elevo as minhas mãos na direcção de Quem fujo.

 

Teu sou, embora, até ao presente, me tenha associado aos sacrílegos.

Teu sou, não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servir-Te.

Eu quero conhecer-Te, Desconhecido..

 

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

 

Tu, o Incompreensível, mas meu semelhante, quero conhecer-Te, quero servir-Te.

Só a Ti!

publicado por Theosfera às 00:00

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Kierkegaard levanta uma questão inquietante: quem será mais ouvido por Deus? Será aquele que sabe a doutrina toda, mas tem um coração mau? Ou será aquele que, mesmo não sabendo a doutrina, tem um coração bom?

 

Ninguém tem dúvidas quanto à resposta. Jesus, quando apontou para o essencial, disse para aprendermos com o Seu coração manso e humilde.

 

O fundamental é que apostemos na totalidade. É possível (e, mais que possível, desejável) conhecer a doutrina e praticá-la. Porque a doutrina leva a isso. Não é a doutrina que nos impede de ter bom coração.

 

Às vezes, os ateus dizem não acreditar em Deus. Mas, no fundo, não acreditam é naqueles que falam tanto de Deus, mas não vivem segundo Ele.

 

Em boa verdade, o máximo que um irmão ateu pode dizer é que não crê. Como é que ele pode decretar que Deus não existe?

 

No fundo, o que ele diz é que Deus não existe em tantos que se dizem crentes. Portanto, somos nós que mais argumentos damos, tantas vezes, para o alastramento da descrença.

 

Os problemas da Igreja são, cada vez mais, internos. De fora vêm as interpelações. Mas é de dentro que emergem os obstáculos.

 

Estejamos atentos. E sejamos humildes. Não seremos nós mais ateus do que muitos ateus? 

publicado por Theosfera às 23:30

1. Nunca redarguir mesmo quando somos injustiçados;

 

2. Nunca elevar o tom de voz;

 

3. Nunca querer mal, mesmo a quem provoca o mal;

 

4. Nunca simular os pensamentos ou dissimular os sentimentos;

 

5. Sofrer em silêncio em vez de vociferar em público;

 

6. Manter sempre a urbanidade mesmo (ou sobretudo) em situações difíceis;

 

7. Ser sempre cordial mesmo (ou sobretudo) para com quem é indelicado;

 

8. Ser sempre autêntico e sincero;

 

9. Persistir na defesa das convicções;

 

10. Acreditar que, embora não pareça, a esperança tem sentido e que o bem acabará por vencer.

 

Obrigado, Mãe!

publicado por Theosfera às 23:16

O que mais me ficou, do dia 19 de Julho de 1987, foi o termo de um dos acampamentos de escutas do agrupamento da minha terra natal: S. João de Fontoura (Resende).

 

Tinha começado dois dias antes, em Porto de Rei. Nesse tempo, Porto de Rei não era tão conhecido. Mas era possuído de iguais encantos. Era tudo natural.

 

Não havia piscinas nem mesas de pedra. Havia o rio, árvores e o resto era feito por nós.

 

Antes de cada acampamento, havia sempre um ingrediente que a todos era recomendado: boa disposição para nos acolhermos uns aos outros. E o saldo era sempre (muito) positivo.

 

Foi aí que montámos as tendas. Sucede que, no sábado, se levantou um grande temporal: chuva, vento e trovoada.

 

Para meu espanto, a alegria multiplicou-se. Cada um deitou mãos à obra para segurar as tendas. Tudo correu bem.

 

Rezávamos sempre o santo Terço. O pároco da altura deslocou-se ao local para a Santa Missa.

 

O ambiente era de uma fraternidade muito sentida, muito bela. Não era preciso apelar para a autoridade do chefe.

 

Tudo era dialogado e decidido em comum. Éramos todos um só desde os mais pequeninos, os lobitos.

 

Passados todos estes anos, ainda há quem telefone para oficiar um casamento ou para baptizar os filhos. São daquelas situações em que um não se torna impossível.

 

Sei bem que os saudosismos não resolvem nada. Mas as saudades têm o seu valor. Elas são a presença na ausência. Fazem reviver as coisas (neste caso, as melhores coisas) que nos aconteceram.

 

Recordando momentos felizes, vamo-nos reencontrando (nem que seja por breves instantes) com alguns eflúvios de felicidade.

publicado por Theosfera às 23:14

«Muito difícil é viver com quem nos bajula pela frente e nos jugula pelas costas».

Assim escreveu (perturbante e magnificamente) Winston Park.

publicado por Theosfera às 15:57

A história mais fácil é a que se faz a partir de cima. A história mais justa é que tem de ser feita a partir de baixo. E a história mais bela é a que se refaz a partir de dentro.

 

A história que melhor se conhece é a primeira, a que se faz a partir de cima, dos vencedores, dos dirigentes. Uma obra é conhecida pelo seu arquitecto, raramente pelos seus operários. Mas são estes que trabalham. Um exército é imortalizado pelo seu comandante, quase nunca pelos seus soldados. Mas são estes que combatem.

 

Recentemente, sobretudo com George Rudé e Eric Hobsbawn, começou a haver maior sensibilidade para a história a partir de baixo, da gente inominada. Mas há ainda um longo caminho a percorrer.

 

Até na Igreja e apesar da fundamental igualdade entre os membros do Povo de Deus, a atenção concentra-se em quem está à frente...

 

Acontece que a história a partir de dentro é que corre o risco de ficar na penumbra. Por um lado, percebe-se. Há quem opte por estar longe do palco. Mas, por outro lado, a nossa atenção também anda distraída, focada no palco.

 

Há pessoas que deixam rasto. Mas a sua profundidade colide em demasia com a nossa superficialidade.

 

Acontece que, por vezes, fica uma palavra ou sobram uns papéis. Sempre é uma pista que nos permite aceder a almas de um nível superior.

 

Uma das trajectórias mais interessantes do século XX foi, sem dúvida, a de Etty Hillesum. Viveu poucos anos. E porque nasceu judia, morreu em Auschwitz, antes dos 30 anos.

 

Teve um percurso atormentado em todos os capítulos. O seu encontro com Deus foi inesperado e nem o sofrimento a fez abalar.

 

Os místicos tornam-se sempre surpreendentes.

 

Etty Hillesum gostava de se ajoelhar e, deste modo, sentir a impotência de Deus.

 

Cultuava o silêncio para estar mais atenta ao que chega de fora e ao que brota de dentro.

 

Leitora dos clássicos, como Dostoievksy (que levou para o campo de concentração), costumava repetir uma máxima de Rilke: «A paciência é tudo».

publicado por Theosfera às 11:32

Muitas vezes, passamos ao lado da actuação de Deus no mundo. Olhamos mais para as nossas palavras do que para os Seus silêncios.

 

Imaginamos que Deus é a solução para os nossos problemas, quando Ele, na Cruz, mostra ser a companhia nas nossas dificuldades.

 

O maior contributo para esta presença de Deus veio, no século XX, através de pessoas que experimentaram o sofrimento no seu ápice.

 

Em Auschwitz, Dietrich Bonhoeffer escreveu que «Deus permite que O marginalizem do mundo, empurrando-O para a Cruz». Por isso, Ele «é fraco e impotente». Mas é por essa (única) forma que «Ele está connosco e nos ajuda».

 

Etty Hillesum, também ela condenada ao campo de concentração, não fica amargurada nem abandona a fé. Também para ela, Deus é uma «presença vulnerável» que deve ser cuidada e amada no coração humano.

 

É neste registo que ela se dirige a Deus: «Tu não nos podes ajudar, mas nós temos de Te ajudar a Ti e de defender o lugar da Tua morada dentro de nós até ao fim».

 

O mistério de Deus não está apenas na Sua transcendência. Continua a prolongar-se na Sua imanência. Deus escolheu estar ao nosso lado. Chorar as nossas lágrimas. Sofrer as nossas dores. Andar os nossos passos.

 

É assim que Ele Se mostra como o todo-amoroso. É no amor impotente que se encontra o máximo do Seu poder.

 

Importa, por isso, escutá-Lo na Sua (aparente) ausência e no Seu (deliberado) impoder.

publicado por Theosfera às 10:54

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
Assinala-se hoje o Mandela Day, o dia internacional dedicado ao líder sul-africano que conseguiu, através do diálogo e da integração, mudar o futuro da África do Sul, no dia em que o estadista completa 93 anos. Neste dia, a Fundação Nelson Mandela pede a todos os cidadãos que dêem 67 minutos do seu tempo a ajudar os outros.
Em 1993, Mandela recebeu o Nobel da Paz e tornou-se, em definitivo, um símbolo planetário da reconciliação.

 

Por quê 67 minutos? Porque cada minuto corresponde a um ano de trabalho do líder sul-africano em prol da causa pública. Neste dia em que se celebra o aniversário de Rolihlahla Mandela - nascido a 18 de Julho de 1918 - e em que se assinala o Mandela Day, a Fundação propõe uma série de acções que cada um de nós poderá praticar para tornar o Mundo um melhor lugar. Eis alguns exemplos:

- Faça um novo amigo. Conheça alguém de um contexto cultural diferente do seu. Só através do entendimento mútuo é que as nossas comunidades se livrarão da intolerância e da xenofobia;

- Leia para alguém que o não pode fazer. Visite uma instituição para cegos e abra um novo mundo para outra pessoa;

- Dê uma ajuda no seu canil local. Cães sem dono também precisam de passear e de um pouco de atenção;

- Ajude alguém a arranjar um emprego. Crie-lhe um currículo ou ajude-o na preparação da entrevista;

- Muitas pessoas com doenças terminais não têm ninguém com quem falar. Reserve algum do seu tempo a falar com elas;

- Leve alguém que conhece - e que não tem recursos para o fazer - a uma consulta de oftalmologia ou de medicina dentária;

- Doe uma cadeira de rodas ou um cão-guia a quem precise;

- Compre alguns cobertores, ou dê os que já não precisa a alguém em dificuldades.

Estas são apenas algumas das 67 sugestões propostas pela Fundação Nelson Mandela no seu site. Poderá encontrar mais sugestões aqui: http://www.mandeladay.com67_ways.html/

Detido durante 27 anos por lutar contra o regime de apartheid na África do Sul, Mandela foi libertado em 1990 e mais tarde (1994) eleito para a presidência da África do Sul.

Exerceu apenas um mandato como Presidente, até 1999, e retirou-se depois da actividade política.

Em 1993, Mandela recebeu o Nobel da Paz e tornou-se, em definitivo, um símbolo planetário da reconciliação e da luta anti-segregação racial.

Uma das citações mais famosas de Mandela é esta: «Nós podemos mudar o mundo e transformá-lo num lugar melhor. Está nas tuas mãos fazer a diferença».

publicado por Theosfera às 15:36

O problema do chamado pensamento positivo é o mesmo do torturante pensamento negativo: só presta atenção a uma parte da realidade.

 

É por isso que jornais, sites e blogs que só falem de coisas agradáveis revelam uma atenção meritória, mas mostram um olhar desfocado.

 

Têm, contudo, uma missão profiláctica. Alertam para a insistência doentia no que é negativo.

 

Sucede que isso não é um exclusivo dos operadores da comunicação. Começa por ser um défice da cidadania. As pessoas consomem mais o negativo que o positivo. Bonnes nouvelles, pas de nouvelles, assim reza uma das máximas indiscutidas do jornalismo.

 

Importante é estar atento à realidade no total: ao negativo e ao positivo.

 

O propósito será transformar o negativo (tornando-o positivo) e melhorar o positivo (tornando-o ainda mais positivo).

 

Infelizmente, o real não é unicolor. Temos de olhar para tudo. Não nos podemos alienar.

 

Não é por só olhar para o positivo que o negativo deixa de acontecer.

 

A verdade está sempre na totalidade.

publicado por Theosfera às 10:26

A Europa já passou por muitas dificuldades e conseguiu sempre superá-las.

 

Creio que não vai ser desta vez que ela vai fenecer.

 

Mas impressiona o clima de resignação que se atravessa em alguns espíritos.

 

E, acima de tudo, espanta a falta de solidariedade que sobressai ao mais leve sinal.

 

A Alemanha, que já mereceu a ajuda europeia em diversas ocasiões, passa uma imagem de enfado pelo que ocorre sobretudo no sul.

 

E, no entanto, há quem garanta (como o fez, ontem, o Presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira) que a Alemanha está a ganhar com os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda.

 

Até hoje, disse Klaus Regling, «só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos e a diferença reverte a favor do financiamento alemão».

 

Esta ajuda está a ser, portanto, um grande negócio. Mas nem todos se revêem nesta astúcia.

 

Helmut Kohl, já retirado da vida pública, considera as políticas europeias de Angela Merkel «muito perigosas» e foi ao ponto de confessar que a sua sucessora «está a destruir a minha Europa»!

 

Confirma-se, uma vez mais, que um dos principais factores indutores da perpetuação da crise é a mediocridade das actuais lideranças.

 

Um parceiro da coligação que governa a Alemanha terá confidenciado que a chanceler, antes de decidir, procura apurar o sentir da população. Se o eco for de 50-50, opta por não decidir.

 

Faz lembrar o que se contava acerca de Franco, que tinha, na secretária, duas pilhas de documentos por assinar: não assinava uns porque o tempo tudo resolveria e não assinava os outros porque o tempo nada solucionaria.

 

Só que, a ir por este caminho, a Alemanha continuaria dividida. Kohl pertenceu a uma estirpe de líderes que não estiveram à espera dos acontecimentos. Foram eles que fizeram os acontecimentos...acontecer.

 

Já lembrava Viviane André na célebre composição: «Quem sabe faz a hora, não espera acontecer»...

publicado por Theosfera às 10:19

Nem sempre estou de acordo com Marinho e Pinto.

 

O conteúdo e sobretudo a forma fazem acender em mim algumas resistências.

 

Mas confesso que o tema que, hoje, traz à nossa consideração está cheio de pertinência.

 

O país vai pagar, ao longo da legislatura, 105 milhões de euros aos partidos políticos.

 

Por cada voto está estipulado um valor. No total, atinge-se aquele montante.

 

É claro que os partidos são essenciais para a democracia.

 

Mas é a própria democracia que (estão sempre a dizer-nos) não se esgota no Estado.

 

Tanto se critica a subsidiodependência, tantos sacrifícios estão a ser pedidos aos cidadãos e vemos números desta dimensão a serem encaminhados para os partidos.

 

Acresce que nem está em causa a sobrevivência dos partidos porque a sociedade civil (donde eles emergem) é capaz de gerar os apoios necessários.

 

Antes de falarem de demagogia, seria bom que pensassem na substância do problema.

publicado por Theosfera às 09:56

«Uma gota de amor é mais do que um oceano de inteligência».

Assim escreveu (sublime e magnificamente) Blaise Pascal.

publicado por Theosfera às 09:54

«Quando o capitalismo prospera, a sociedade degrada-se».

Assim escreveu (avisada e magnificamente) Boltanski.

publicado por Theosfera às 09:53

Domingo, 17 de Julho de 2011

Há vidas que prenunciam morte. Há mortes que são corolários imortais de uma vida.

 

No Sudão, um bispo morreu em plena Missa, de doença fulminante, esgotado por trabalho insano em favor dos mais pobres.

 

No México, um bispo está a ser fortemente ameaçado por causa de defender os direitos humanos.

 

Jesus ainda reluz na penumbra dos nossos dias. Mesmo que seja longe, o brilho da luz chega a toda a parte.

publicado por Theosfera às 19:22

Nasceu na Argentina. Estava na Guatemala. Ia para a Nicarágua.

 

Encontrou a morte na estrada. Facundo Cabral era cantor e escritor, mas dizia que o seu ofício era caminhar. «Não consigo parar. Eu respiro na estrada».

 

Sempre se sentiu de passagem. Encontrava Deus em toda a parte. E nunca quis ter nada para cuidar «porque queria ser livre e continuar a andar».

 

Foram precisas vinte balas para o deter. A violência não poupa ninguém. Nem as pessoas de paz.

publicado por Theosfera às 18:30

E se, afinal, a crise até for algo positivo?

 

Não esqueçamos que uma crise é sempre bipolar: encerra tanto de perigo como de oportunidade.

 

É possível que as privações por que vamos passar nos levem a um estilo de vida mais despojado, mais contido, mais partilhado.

 

Não tivemos na devida conta que, nos tempos ditos de prosperidade, houve quem não tivesse acesso ao essencial.

 

Muitos limitaram-se a desfrutar, a consumir.

 

Talvez esta seja uma oportunidade para descobrir que, afinal, há mais vida para lá do ruído, para lá do consumo.

 

Importante é não estiolarmos diante das dificuldades.

 

Já há quem esteja a reagir perante o peso dos exames que o governo se prepara para implantar.

 

O ensino, de resto, comporta-se como um retrato epifânico do país.

 

Quando existe uma dificuldade, não devemos ficar a bradar contra a dificuldade. Todo o nosso esforço deve consistir em ultrapassá-la, em vencê-la.

 

Os exames são um risco. Mas o que é a vida senão um risco. E não será que vale a pena correr esse risco?

 

Sem desdouro para a avaliação contínua, o exame mobiliza a capacidade de fazer uma síntese e de preparar a mente para responder ao inesperado.

 

Não raramente, um exame até acaba por favorecer quem trabalha.

 

Neste momento, a cotação de um exame nem sequer é de 50%.

 

Há que acreditar que os problemas existem para serem vencidos e não para nos vencerem.

 

Os resultados dos exames destapam uma situação que é importante destacar. Eles não revelam ausência de capacidade. Eles patenteiam, sim, falta de atenção.

 

A sabedoria começa (avança e, quiçá, culmina) na atenção, na concentração.

 

É por isso que este tempo (para muitos, de férias) devia favorecer uma cultura alternativa e não uma cultura meramente redundante.

 

A alma humana precisa de silêncio. Cresce no silêncio.

 

As dificuldades não serão invencíveis. Até poderão fortalecer-nos.

publicado por Theosfera às 16:17

Se o tempo está aberto, como é possível dar certas questões como fechadas?

publicado por Theosfera às 16:17

«Os homens só se sentem verdadeiramente irmãos quando se ouvem uns aos outros no silêncio das coisas, através da solidão. Só na solidão nos encontramos e, ao encontrarmo-nos, encontramos, em nós, todos os nossos irmãos. Só na solidão podes conhecer-te a ti mesmo como próximo. Enquanto não te conheceres a ti mesmo como próximo, não poderás chegar a ver, nos teus próximos, outros "eus". Se queres aprender a amar os outros, recolhe-te em ti mesmo».

Assim escreveu (arrebatadora e magnificamente) Miguel de Unamuno.

publicado por Theosfera às 12:59

«Cada criatura é um rascunho a ser retocado sem cessar».

Assim escreveu (interpelante e magnificamente) Ondjaki.

publicado por Theosfera às 12:57

«Não existe autoridade onde não há justiça».

Assim escreveu (luminosa e magnificamente) Jacques Maritain.

publicado por Theosfera às 12:55

«É triste falhar na vida. Mas mais triste é não tentar vencer».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Theodore Roosevelt.

publicado por Theosfera às 12:50

Sábado, 16 de Julho de 2011

Costuma dizer-se que quem não vive para servir não serve para viver. Ficou célebre o dito de Jacques Gaillot, que serve aliás de título a um dos seus livros, segundo o qual «uma Igreja que não serve não serve para nada».

 

Mas, como é óbvio, a Igreja serve e muito. Para quê concretamente? Responde o grande Yves Congar: «A Igreja tem uma missão no mundo e para o mundo: fazer entrar os Homens no Povo de Deus-Corpo de Cristo, ajudar o mundo a crescer para o Reino de Deus promovendo nele e com ele tudo o que constrói o Homem segundo o desígnio de Deus».

publicado por Theosfera às 23:22

Que bom haver lugares onde o olhar não se cansa, onde a vista não é tolhida com horizontes curtos, onde a imaginação se pode espraiar em larguezas infindas.

 

São lugares quentes que refrescam a alma e despoluem a mente. Nem que seja por breves instantes.

publicado por Theosfera às 23:15

Um pequeno gesto. Uma pequena atitude. Um pequeno sinal.

 

Sabemos, por experiência própria, que tudo aquilo que se revela grande começa por ser pequeno, muito pequeno.

 

O meu encontro com Xavier Zubiri começou por uma letra, por um simples e ou, melhor, y.

 

O único livro que dele havia na universidade onde estudei impressionou-me pelo título: El hombre y Dios.

 

Nada mais havia sobre ele naquela altura entre nós.

 

É, pois, com alegria que verifico que, tantos anos depois, três obras do teofilósofo espanhol são vertidas para a nossa língua.

 

Foi uma editora brasileira que tomou a iniciativa, devidamente apoiada pela Fundação Xavier Zubiri.

 

Zubiri em português continuará a não ter uma leitura fácil. Mas trata-se, sem dúvida, de um contacto estimulante.

 

publicado por Theosfera às 13:22

O que se passa com a nossa situação política e económica faz lembrar o que ocorre na vida escolar.

 

Eis, pois, um significante com um significado muito lato.

 

Aumentam as dificuldades, os resultados pioram.

 

E quem lê a imprensa fica com a sensação de que praticamente ninguém sabe o que fazer.

 

A solução passará por aumentar as horas lectivas nas disciplinas nucleares.

 

É um bom indicador, mas insuficiente.

 

O problema está na concentração, na falta de predisposição para lidar com a complexidade.

 

Não são apenas os mais novos que necessitam de se concentrar, de deixar a acção dispersiva e dissolvente a que, desde cedo, se habituaram.

 

O país também precisa de se concentrar no essencial.

 

É por isso que a escola é fundamental.

 

Para já, ela é um retrato do que somos. Conseguirá ser um laboratório do que precisamos de ser?

publicado por Theosfera às 12:02

«O amor é somente uma extrema atenção».

Assim escreveu (pertinenten e magnificamente) Jean-René Huguenin.

publicado por Theosfera às 12:01

A escravatura acabou há séculos. Mas, infelizmente, ainda há escravos.

 

Ao contrário do que dizia Vítor Hugo, a liberdade é uma estrada onde ainda nem todos têm lugar.

publicado por Theosfera às 11:11

Jesus insistiu muito na transparência. A bem dizer, o único pecado é a opacidade, é impedir de ver.

 

Jesus descarregou-nos. Às vezes, na Igreja que se pretende de Jesus, sobrecarrega-se a vida das pessoas.

 

Ele veio aliviar-nos de todas as cargas. Tudo condensou num mandamento: o amor.

 

Impressiona, por isso, que, ao longo dos tempos, haja a tendência para multiplicar tantas cargas que, no limite, podem obscurecer a lei suprema: o amor.

 

É que, quando alguém não cumpre um preceito, uma determinação, uma ordem, já não tem acesso a isto ou àquilo, o acolhimento já parece não ser o mesmo.

 

Entende-se que se chame a atenção de um teólogo quando não se concorda com o que propõe. Mas mover-lhe um processo será compaginável com o espírito de Jesus?

 

Jesus quer as pessoas felizes no tempo (basta olhar para as Bem-Aventuranças) e, não raramente, acenamos às pessoas com penas para a eternidade!

 

Jesus disse que a Sua carga era leve. E, por vezes, impomos cargas tão pesadas.

 

A própria lei (importante, sem dúvida) não era um absoluto. Diante do bem da pessoa, caía a lei para sobressair a pessoa.

 

Curiosamente, Jesus, que Se sacrificou por nós, assumiu não querer os nossos sacrifícios. Ele quer, sim, a nossa misericórdia, a nossa compaixão, a nossa bondade.

 

Há, em tudo isto, um dado muito positivo. Temos tanto a aprender com o Mestre.

 

Habitualmente, apelamos para a doutrina que achamos vir d'Ele. Mas o mais importante é a Sua conduta, as Suas atitudes, a Sua simplicidade, a Sua humildade, a Sua opção pelos pobres.

publicado por Theosfera às 09:00

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

A bem dizer, precisávamos de uma vida sem fazer nada, só para pensar naquilo que fizemos nesta.

 

Como isso não é possível, o melhor é pararmos um pouco, de vez em quando, para tentar corrigir e relançar os passos desta vida.

 

Vivemos a correr e corremos o risco de morrer a correr, sem fazer uma avaliação do que fomos.

 

A eternidade é o corolário do tempo, não um correctivo para o tempo.

 

Abrandemos a velocidade da nossa caminhada. Demos tempo a nós. E, no tempo, ofereçamos vida a quem vive ao pé de nós.

 

Caso contrário, seremos uns estranhos para os outros. E, quem sabe, até para nós.

publicado por Theosfera às 21:53

Hoje, a televisão passou a entrevista com outro senador.

 

Adriano Moreira é um sábio a quem a idade acrescenta vigor.

 

Curiosamente, trata-se de alguém que confia nas novas gerações.

 

Não deixa, porém, de alertar para o primarismo das actuais lideranças europeias.

 

O que, há dias, disse em relação a Mário Soares mantenho, totalmente, relativamente a Adriano Moreira.

 

A qualidade do ensino (de que tanto se fala nesta altura) ver-se-á não só com os especialistas nas diversas ciências, mas com os sábios que consigam ajudar-nos a ler correctamente o grande filme da vida.

publicado por Theosfera às 21:47

É estranho como se muda de critério conforme se muda de conteúdo.

 

Para a vida pessoal de cada um propõe-se a mudança, a conversão. Para a existência da instituição, resiste-se à mudança.

 

É claro que uma tradição não é evanescente. É muito importante. Mas também não é um fóssil, inamovível.

 

Se tudo estivesse feito, não estaríamos aqui.

 

O crente não é apenas um repetidor. É também (e bastante) um construtor.

 

Deus não fala apenas nos livros, nos documentos. Deus fala igualmente nas pessoas, na consciência, nos acontecimentos.

 

A imutabilidade creditada a Deus tem que ver sobretudo com a fidelidade.

 

O eterno de Deus permanece mesmo no efémero de cada suspiro da vida humana.

 

Resistir à mudança pode ser, por isso, resistir a Deus.

publicado por Theosfera às 21:41

A mesma figura é muito conservadora para os progressistas e demasiado progressista para os conservadores.

 

Para uns, determinada posição não defende convenientemente a tradição e, para outros, não se abre devidamente à modernidade.

 

Subjaz a este tipo de análise uma hermenêutica sistémica.

 

Como a Igreja tem um percurso de séculos, há uma panóplia de elementos que matriciam os julgamentos.

 

O que mais impressiona é a hostilidade que pervade este género de comentários.

 

Irmãos na fé são tratados como se de adversários se tratasse.

 

Ainda assim, é preciso reconhecer que é maior a animosidade dos meios conservadores. Não falta até quem ameace com processos. E, o que é mais espantoso, nem o próprio Papa parece escapar uma avaliação severa.

 

Logo Bento XVI que tanto se tem empenhado em restaurar a tradição. Mas só porque vai a Assis para um encontro com outras religiões ou porque se declara em linha com o Vaticano II, chovem todos os pronunciamentos inclementes.

 

Tudo isto pretextaria uma intervenção profunda. Mas quer-me parecer que há pouco Evangelho, pouco Jesus em tudo isto.

 

Mais que sequenciadores de uma tradição (respeitável, sem dúvida), somos seguidores de Jesus de Nazaré.

 

É pela Igreja que vemos Jesus. Mas é sobretudo por Jesus que temos de rever a Igreja. Sem dramas. Mas com lucidez e humildade.

 

O mundo está à espera que lhe levemos um pouco de esperança. E isso só se consegue com a ressonância testemunhal das Bem-Aventuranças.

publicado por Theosfera às 21:28

«Há aquilo que se sabe e há aquilo que se ignora. Entre uma coisa e outra está aquilo que se supõe».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) André Gide.

publicado por Theosfera às 21:26

Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

O mais poderoso é, às vezes, o mais frágil.

 

Para se aferir a popularidade de alguém, invoca-se, amiúde, o argumento das multidões que arrasta.

 

Só que o mais fácil é arregimentar multidões.

 

Em todos os países, os principais partidos não têm dificuldade em mobilizar multidões. As imagens de muita gente reunida dá uma impressão de vitória. Na sociedade do espectáculo, isto tem o seu impacto. Mas no silêncio das urnas, o escrutínio é bem diferente.

 

Se tomarmos em conta unicamente o argumento das multidões, diremos que todo o mundo gosta de futebol (basta ver um estádio cheio) ou que toda a gente gosta de música (é só olhar para um concerto a abarrotar).

 

Por vezes, em Igreja, também se propende a este argumento. Quando o Papa vai a algum lado, as multidões aparecem e com supino entusiasmo.

 

Isso tem o seu valor e merece ser realçado. Só que, por si, não chega.

 

Por um lado, a adesão à mensagem não se afere pelo entusiasmo de um dia, mas pela persistência de todos os dias. E, por outro lado, sempre é mais fácil juntar pessoas numa praça do que congregar vontades nos mais remotos lugares.

 

A vida é feita de tudo e também inclui as grandes concentrações. Só que isso não é o suficiente. O mais importante é o trabalho escondido, que emerge no silêncio. O essencial é, como dizia Saint-Exupéry, invisível aos olhos.

 

Aliás, a falência do argumento das multidões está ínsita na vida de Jesus. Uma multidão O aclamou. Uma multidão exigiu a Sua condenação.

 

Acresce que a multidão pertence ao que há de mais volátil. Depressa se forma e depressa se dissolve.

 

Mas há poderes que estão sempre atentos às multidões. Já os antigos (Políbio e Aristóteles, por exemplo) falavam da oclocracia, uma espécie de governo da multidão.

 

Não falta quem esteja à escuta do eco quer das multidões ruidosas, quer das multidões silenciosas.

 

Há, de facto, a multidão que exige e a multidão que consente.

 

Muitas coisas se obteriam e muitas outras se evitariam se as multidões tomassem posição.

 

O que aconteceu nos países árabes é bem o efeito do impacto das multidões.

 

Às vezes, leva muito tempo. Estou certo de que a manifestação da Praça de Tianamenn terá, na altura própria, o resultado esperado.

 

É pena que, não raramente, as multidões sejam informes. E que tanto dêem para o melhor como para o pior.

 

Não podemos passar ao lado dos sinais das multidões. Mas pode ser deveras perigoso seguir os seus impulsos.

 

As ditaduras também vivem do aplauso das multidões. E dos seus prolongados silêncios.

 

Regra geral, é sempre tarde quando acordam.

 

A multidões também dormem. E o seu ressonar chega a ser perturbador.

publicado por Theosfera às 23:12

Filho deixa pai quase morto depois de o agredir à machadada.

 

Indivíduo degola esposa à frente dos filhos.

 

Pensávamos que os limites já tinham sido atingidos. Afinal, os limites podem sempre ser ultrapassados.

 

É claro que sempre houve situações deste jaez. O que é nova é a sua frequência. O que vai sendo nova é a nossa indiferença.

 

O que ontem era impensável hoje vai-se tornando trivial.

 

Albert Camus limitou-se a anotar o óbvio: «Não há nada a que uma pessoa não se habitue».

 

O problema é que o degradante, o fútil e o trágico também entram no quadro dos hábitos... 

publicado por Theosfera às 11:45

Lembrei-me de Tertuliano (ou, melhor, da reacção a uma frase de Tertuliano) ao ler uma passagem de Pacheco Pereira.

 

Disseram muitos que o «vede como eles (os cristãos) se amam» fez mais pela difusão do Cristianismo do que todos os sermões e tratados.

 

Pacheco Pereira afiança que Maria José Nogueira Pinto «fez mais pela fé em que acreditava do que uma Igreja inteira».

 

Haverá, seguramente, algum exagero. Mas o argumento é irrefutável: «O valor da propaganda pelo exemplo (...) é o mais poderoso de todos».

 

Já dizia Albert Schweitzer que «o exemplo não é a melhor maneira de convencer os outros; é a única».

 

O exemplo é a transmissão em forma de vida.

 

O melhor argumento não é, de facto, aquele que demonstra que o outro está errado ou o que insta, ameaçando, a que outros nos sigam.

 

O melhor argumento é o que, no limite, dispensa qualquer palavra. É o que se contenta em apelar para a vida.

publicado por Theosfera às 10:38

Desenganem-se aqueles que presumem que as grandes decisões são tomadas em função da pura razão.

 

Desde logo, como documentam estudos em diversos campos (destacaria apenas as abordagens de António Damásio e Xavier Zubiri), porque o acto de razão está sempre envolvido por uma grande nuvem emocional.

 

Depois, porque o engenho humano, não sendo infinito, parece ilimtado. É sempre possível convocar uma míriade de razões para defender qualquer posição.

 

Bem podemos apelar para verdades absolutas e situações perenes. A vontade das pessoas e o comportamento dos povos seguem o seu caminho.

 

Nem sempre, pois, é o logos racional a decidir. Muitas vezes, é o logos afectivo, o logos epocal.

 

Há quem lute, por exemplo, contra a implementação do Acordo Ortográfico. Reconheço que os motivos aduzidos são ponderosos. Mas está mais que visto que ele vai ser aplicado.

 

Um novo país surgiu. Há décadas, julgar-se-ia impossível. Desde anos, travava-se um combate. Muitas vidas poderiam ter sido poupadas, se tivesse havido capacidade de discernir os ventos da história.

 

É importante que as convicções se manifestem e que o medo não iniba. Há coisas que, num tempo, parecem absurdas e, noutro tempo, despontam como normais.

 

O ser humano pode (e deve) parar. Mas o tempo nunca pára.

 

Vamos para melhor? Para diferente, com toda a certeza.

 

Os ventos são difíceis de controlar. Os ventos da história são impossíveis de deter.

 

Nem a lógica consegue fazer nada.

publicado por Theosfera às 10:19

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

A Europa tem futuro, mas tem mais passado.

 

É isto que explica que a realidade acabe sempre por se sobrepor ao sonho.

 

É isto que explica, concretamente, que um economista da Alemanha afirme não querer que os alemães sustentem os portugueses e os gregos.

 

Frases como esta sinalizam, supremamente, a fragilidade do projecto europeu.

 

Ainda não foi possível criar uma identidade europeia. As nacionalidades são mais fortes.

 

Seria de esperar que a filosofia de base fosse esta: europeus apoiam europeus, seres humanos ajudam seres humanos.

 

Na América do Norte, foi possível estabelecer uma federação porque, entre outros motivos, havia pouco passado e muito futuro.

 

Apesar da crise que também por lá se sente, as sinergias funcionam e os estados que estão melhor auxiliam aqueles que estão em maior apuro.

 

A Europa tem caído sempre diante do seu passado.

 

O sonho da unidade europeia é uma constante.

 

Começou por ser intentado no plano espiritual sob a égide do Catolicismo. Mas surgiu a Reforma e uma clivagem cultural marca o norte protestante e o sul católico.

 

No século XX, a Europa avançou para a unidade em nome do que não queria: a guerra.

 

Mesmo assim, tal determinação embateu inicialmente na resistência anglo-saxónica. Vencida esta, uma nova frente se abriu: a moeda única. Uma vez mais, a unanimidade não foi conseguida. O Reino Unido não quis aderir ao euro. Outros, como Portugal e a Grécia, mostram não terem grandes condições de permanecer no euro.

 

Como explica Pedro Bidarra, a realidade triunfa sempre sobre a ideia.

 

O futuro acena. Mas o passado continua a condicionar.

 

Conseguirá, alguma vez, a Europa sobreviver a si mesma?

publicado por Theosfera às 22:27

Nada como a solidão para nos conhecermos e para conhecermos os outros.

 

Por muito integrados que estejamos, por muito sociáveis que sejamos, há, em cada um de nós, uma dimensão de solidão.

 

Há zonas da nossa vida em que, por muito que nos esforcemos, ninguém entra.

 

Isto mostra que, além de seres solitários, somos seres únicos. E, por isso, incompreendidos. Ou, pelo menos, nunca totalmente compreendidos.

 

O grande problema dos tempos que correm é a tendência para a formatação, para o estereótipo, para uma espécie de determinismo.

 

As pessoas propendem a valorizar nos outros não o que elas são, mas aquilo que esperamos (exigimos?) que sejam.

 

A solidão certifica que nem tudo está conhecido. Que nem tudo, porventura, é conhecível.

 

Mas é no quadro da solidão que melhor nos conhecemos.

 

O preceito inaugural da filosofia (conhece-te a ti mesmo) só se concretiza quando nos esvaziamos de tanto ruído, de tanta pressa e de tanta pressão.

 

Hoje, aplicamos anestesias para aligeirar esta solidão estrutural. A evasão, a correria, a carreira, a multidão são como que fármacos que nos desfocam do encontro essencial connosco mesmos.

 

A solidão faz-nos amadurecer, desde logo ao confrontar-nos com a nossa própria vulnerabilidade.

 

Ela retira-nos a presunção que tão vastamente se cultiva. Ela subtrai-nos à sede de aplauso, a que poucos conseguem eximir-se.

 

Uma boa relação pressupõe uma boa solidão. Uma solidão consentida, bem entendida.

 

As pessoas mais solitárias acabam por ser mais profundas e, por isso, mais procuradas. Basicamente porque sabem escutar.

 

A solidão, ao despojar-nos de tanta excrescência, abre em nós um espaço para o outro. E não abre apenas a superfície. Abre sobretudo a profundidade.

 

Hoje, pairamos muito na superfície. É por isso que tudo é descartável e dura muito pouco. Só na solidão sabemos quem somos. E podemos aprender a saber quem são os outros.

 

Vivemos em exposição permanente, em visibilidade constante. Há quem não consiga sair do palco.

 

Mas só no deserto interior de uma solidão assumida se consegue decifrar a verdade sobre si mesmo.

 

Atravessar a própria solidão é um livro muito interessante. O seu autor, Carlos Maria Antunes, era padre diocesano. Desde há alguns anos, é monge.

 

O reflexo da sua experiência percorre estas páginas. É o eco epifânico de uma solidão feliz.

publicado por Theosfera às 10:31

As palavras que usamos são, muitas vezes, o eco do que sentimos.

 

Andamos destravados, descompensados, destemperados.

 

Uma análise pode ser séria e deve ser crítica, mas terá de ser excessiva?

 

Lixo é palavra que se use para qualificar a dívida de um país?

publicado por Theosfera às 09:46

A pressa não está só no movimento. Ela alojou-se também nos corações.

 

Fala-se de catástrofe. Ela ainda não aconteceu. E até pode não acontecer. Mas já a incorporamos. Como se já tivesse acontecido.

 

É preciso ir ao fundo, recuperar a alma, redesenhar o sentido.

publicado por Theosfera às 09:41

Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Numa época de viagens, facilmente nos tornamos turistas. Mas dificilmente nos tornamos peregrinos.

 

Peregrinar é mais que viajar. Peregrinar não é só andar, não é apenas ir. É também entrar. É sobretudo permanecer.

 

Estamos num tempo em que praticamente conhecemos todos os lugares. Falta-nos, porém, peregrinar pelo interior da alma humana.

 

Os roteiros turísticos são, regra geral, marcados por um grande frenesim, por uma enorme agitação. De dia não se pára. E de de noite também não se abranda.

 

E nem se sequer nos apercebemos de que talvez nunca estejamos tão sós como no meio da multidão.

 

É importante sentir que a solidão pode ser uma escolha, uma terapia, uma opção.

 

Somos seres que também podem crescer na solidão, na paz do silêncio.

 

Na multidão, tomamos atitudes que nos surpreendem. Que mostram como somos desconhecidos para nós mesmos.

 

É na multidão que verificamos que, como dizia Carl Jung, «o pior inimigo está dentro de nós mesmos».

 

É na solidão que melhor nos podemos abrir aos outros.

 

Tudo o que é importante começa no fundo, parte de dentro.

publicado por Theosfera às 21:04

Enquanto a bola não rola, rolam os milhões da bola.

 

A cada dia que passa, chovem notícias de mais contratações.

 

E o que espanta é que ninguém se espanta e, mais, ninguém se indigna.

 

Numa altura em que o país se contorce com a crise, parece que há um subpaís a viver numa sobrevida.

 

Falta dinheiro para a saúde, para a habitação, para a educação, etc. Só não parece faltar dinheiro para o futebol. Para algumas entidades do futebol, pelo menos.

 

Pelo que nos é dado ver, o volume de dinheiro envolvido nas aquisições até está a aumentar.

 

E o que mais surpreende é que a quase totalidade desse dinheiro não fica por cá. É dinheiro que sai do país.

 

Como é que um país mendiga dinheiro lá fora para sobreviver e investe dinheiro lá fora para o futebol?

 

Há coisas que não se entendem, apesar de não faltar quem elucubre nas mais rebuscadas explicações.

 

De resto, se compulsarmos os elementos todos da informação (locais de férias esgotados por um lado e famílias endividadas por outro lado), chegamos a uma situação inexplicável. Portugal parece alguém a quem não falta dinheiro para o acessório e a quem escasseia dinheiro para o essencial.

 

Eu sei que isto não é bem assim. Também sei que as simplificações são pouco esclarecedoras. Mas que existe algo entre nós que desafia o mais elementar raciocínio lá isso ninguém poderá negar.

publicado por Theosfera às 14:18

«Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões».

Assim escreveu (atenta e magnificamente) Daniel Faria.

publicado por Theosfera às 11:57

Senhor, seja este o tempo

de nos relançarmos em aliança mais pura com o real

convictos daquilo que a hospitalidade

paciente e fraterna do mundo

em nós revela

 

Que saibamos apreciar a imediatez flagrante em que a vida se dá,

mas também as suas camadas profundas, escondidas, quase geológicas.

Que no instante e na duração saibamos escutar,

hoje e sempre,

o vivo, o desperto, o fremente

e o seu esperançoso trabalho.

 

Recebe, de nós,

a aurora e o verde azulado dos bosques.

Recebe o silêncio intacto dos espaços.

Recebe a música oceânica do vento.

Mas recebe igualmente a marcha desencontrada da história,

o desenho inacabado da nossa conversa terrena,

esta espécie de parto que,

entre dor e alegria,

nos une.

 

Sejam os nossos quotidianos gestos

mergulhados na vivacidade da troca,

abertos ao que de todos os pontos

da humanidade e do mundo converge,

impelido pelo teu Espírito.

 

Que a frágil chama de amor hoje acesa

Ilumine tudo por dentro:

desde o coração da menor partícula

à vastidão das leis mais universais.

E tão naturalmente invada

cada elemento, cada mola, cada liame,

florescendo e amadurecendo

toda a vida que em nós vai germinar.

José Tolentino Mendonça

publicado por Theosfera às 11:57

A alma acrescenta anos à vida. A pressa vai retirando vida aos anos e anos à vida.

 

Dizem os especialistas que o estilo de vida que levamos vai levar a que a esperança média de vida possa diminuir entre cinco e dez anos.

 

É curioso e preocupante este dado.

 

A medicina vai prolongando a vida. Mas a pressa e a pressão encurtam-na.

 

A alma permanece e deixa rasto, mesmo para lá da morte.

 

A pressa e a pressão antecipam a morte, mesmo em vida.

 

Muito para meditar.

 

publicado por Theosfera às 11:56

Muitos ensinamentos encerra o Brasil.

 

Apesar de alguma corrupção e das desigualdades, este é um caso de sucesso por todos reconhecido e por muitos invejado.

 

Dir-se-ia que o Brasil é a grande criação de Portugal.

 

Ele hoje é o que é porque se autonomizou cedo e cedo foi seguindo o seu caminho.

 

Apesar da distância e de os dados não serem transponíveis, há coisas em que devíamos meditar.

 

O Brasil é um caso de sucesso, prescindiu do FMI e não tem sido governado à direita.

publicado por Theosfera às 11:51

Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

 

publicado por Theosfera às 14:23

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