O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Está visto que a segurança não garante a liberdade e que a liberdade não garante a segurança.

 

Tudo na vida tem um preço e cada valor tem, como custo, o esbatimento de outro valor.

 

O problema é que não há liberdade sem segurança e ninguém está disposto a ter uma segurança sem liberdade.

 

A paz é a arte da conjugação e ela requer a totalidade dos valores essenciais.

 

Sucede que a aposta tem incidido nas leis. É necessário. Mas é insuficiente.

 

Uma segurança sem liberdade ofusca, desde logo, a paz. Mas liberdade sem segurança também não a proporciona. Desde logo, porque fica mais garantida a acção do terrorista do que a integridade das suas vítimas.

 

A educação é prioritária. Só no coração de cada um pode emergir a cultura da paz.

 

Uma vez mais, a paz está em risco. Uma vez mais, a paz tem de estar na linha da frente. De tudo.

 

Não há caminho para a paz. Como dizia Gandhi, «a paz é o caminho».

publicado por Theosfera às 22:00

O poder das ideias é grande. Mas o que acaba por prevalecer são as ideias do poder.

 

Por muito que Isaiah Berlin exalte o poder das ideias, o diagnóstico de Karl Marx, na obra Ideologia Alemã, mantém-se pertinente: «As ideias dominantes não são outra coisa que a expressão ideal das relações materiais dominantes».

 

No fundo, as ideias dominantes são as ideias das classes dominantes.

 

Há ideias que se transformam em poder, mas o poder não se transforma em ideias. Enquista-se nas suas e tende a asfixiar as restantes.

 

O que triunfa não é a pertinência dos argumentos, mas simplesmente a força do poder.

 

Muitas foram as ideias que, ao longo da história, geraram sistemas de poder. Mas, nesse momento, foram degeneradas. Nessa altura, até as ideias libertadoras apareceram sob a forma de ideias opressoras.

 

As ideias passam a ser instrumentalizadas. Destinam-se a exercer uma função legitimadora do poder.

 

É claro que nunca haverá uma convivência totalmente pacífica entre poder e ideias.

 

Uma coisa, porém, é certa. Sem liberdade para a expressão das ideias, nenhuma sociedade se desenvolve.

 

As ideias não são abafadas apenas em ditadura. Podem ser condicionadas mesmo em democracia. Porque, até em democracia, as classes dominantes impõem a sua lei e determinam as regras.

 

Daí que muitos elejam como prioridade conquistar o poder e não defender ideias. Mas antes ficar com a força da ideias, ainda que sem poder, do que ascender ao poder com a pretensão de eliminar todas as ideias. Excepto as dominantes.

publicado por Theosfera às 16:15

Habitualmente, é no uso das palavras que mais suspiramos pelo silêncio.

 

O silêncio pode não responder, mas as palavras de muitas respostas também não conseguem convencer.

 

Todos nós vamos sentindo que o silêncio é uma aspiração e as palavras uma necessidade. Trata-se de uma necessidade, porém, que gera ansiedade.

 

Quando alguém pretende esclarecer algo, é porque nota que não há clareza. Mas não são, muitas vezes, as palavras que semeiam o equívoco e que adensam a obscuridade?

 

Que levou Obama a dizer que os Estados Unidos não eram Portugal nem a Grécia? Não será a ênfase desse não o melhor certificado de que, afinal, a situação até se mostra muito parecida?

 

Bento Domingues alerta que «a Igreja não é um partido». A necessidade desta ressalva também dá que pensar.

 

Com o máximo respeito que nos merecem os partidos, esta distinção deveria ser notória para todos.

 

Há palavras que pretendem negar a realidade que o silêncio consegue captar.

 

As palavras infirmam, mas o silêncio confirma.

 

As palavras são um instrumento precioso. Mas nem sempre obtêm o que se deseja com elas.

 

Quando o Ministro de Saddam proclamava que o Iraque estava à beira de uma grande vitória, as tropas americanas já cercavam Bagdad.

 

Há palavras que pretendem ofuscar o que o silêncio vê.

 

As palavras são importantes quando se tornam eco do que emerge da profundidade do silêncio.

 

E, às vezes, o próprio silêncio dispensa as palavras. A sua eloquência não deixa de ser suficientemente ruidosa...

publicado por Theosfera às 12:42

O problema do terrorismo é que a prevenção só começa após a ocorrência.

 

Dir-se-á que é inevitável, mas acaba também por ser inglório.

 

Quem ataca fica satisfeito por acertar uma única vez, podendo falhar em todas as outras. Quem se defende não pode falhar nunca. Basta falhar uma vez, para haver danos irreparáveis.

 

É claro que, no meio disto tudo, há situações que são evitadas. Mas, neste campo, o êxito é sempre parcial. Já o fracasso é sempre total. Uma vida que se perca é um prejuízo irrecuperável.

 

Como sair deste dédalo alucinante?

 

Não há uma fórmula infalível. A prevenção tem de ser reforçada. Mas um trabalho que se fique pelo exterior não basta.

 

O drama maior das tragédias é que elas tendem a multiplicar-se. E o pior é que o seu gérmen pode contaminar as próprias vítimas.

 

O contributo das religiões é prestimoso, mas o seu passado retira-lhes alguma credibilidade.

 

Rui Tavares não é crente, mas o texto que assina hoje, nas páginas do Público, vai muito mais além do que se tem ouvido.

 

Quando se transforma uma mensagem em lei, penalizando-se quem não a cumpre, abre-se caminho para a sanção e para todo o tipo de violência.

 

Eu sei que isto arrepia, mas Andres Breivik pretendeu ancorar na legislação canónica uma pretensa licitude para o uso da violência. O que incumpre a lei é infiel e, por isso, deve ser afastado.

 

Quem fizer uma rápida incursão por alguma literatura religiosa, verifica como este género de linguagem está presente.

 

Nem sequer faltam palavras como ódio. Do ódio à alegada heresia facilmente se passa ao ódio ao putativo herege. Mais: para justificar certas atitudes, os dissidentes são acusados de terem ódio. É uma técnica pouco requintada: projectar nos outros o que sentimos.

 

Jesus respeitou a Lei, mas não foi pelo caminho da Lei. Tudo compendiou num Mandamento.

 

Rui Tavares, que não se afirma cristão, apela também para um mandamento: «Não odeies».

 

De facto, a resposta ao terror (está visto) não se consegue «com prisões secretas, com tortura ou com rendições extraordinárias, com discursos securitários, com violação da privacidade a cidadãos não-suspeitos, com interferências à liberdade de expressão», etc.

 

No limite, isto só contribui para amplificar o ambiente que se pretende erradicar.

 

Rui Tavares, com alguma ironia, não se atreve a «propor amar o próximo, amar o irmão de outra religião - seria provavelmente considerado multicultural demais, relativista demais, efeminado demais, politicamente correcto demais - e essas são as grandes vergonhas da nossa época, segundo parece».

 

O cronista começa por menos: «Não odeies».

 

«Não odeies o outro. Não odeies o seu erro se queres amar a tua verdade. Não odeies a sua verdade se queres amar o teu erro. É simples. Não odeies nada. Eu disse que era difícil. Não odeies sequer o ódio. O ódio quer ser odiado. O ódio deseja fervorosamente mais ódio. Tu, em resposta, não odeies. Diz aos outros para não odiarem também. E pode ser que este século corra bem».

publicado por Theosfera às 11:11

«Por vezes, somos tão diferentes de nós mesmos como dos outros».

Assim escreveu (espantosa e magnificamente) François de La Rochefoucauld.

publicado por Theosfera às 09:59

«Quase tudo o que fazemos não tem importância, mas é importante que se faça».

Assim escreveu (magistral e magnificamente) Mahatma Gandhi.

publicado por Theosfera às 09:55

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