O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Kierkegaard levanta uma questão inquietante: quem será mais ouvido por Deus? Será aquele que sabe a doutrina toda, mas tem um coração mau? Ou será aquele que, mesmo não sabendo a doutrina, tem um coração bom?

 

Ninguém tem dúvidas quanto à resposta. Jesus, quando apontou para o essencial, disse para aprendermos com o Seu coração manso e humilde.

 

O fundamental é que apostemos na totalidade. É possível (e, mais que possível, desejável) conhecer a doutrina e praticá-la. Porque a doutrina leva a isso. Não é a doutrina que nos impede de ter bom coração.

 

Às vezes, os ateus dizem não acreditar em Deus. Mas, no fundo, não acreditam é naqueles que falam tanto de Deus, mas não vivem segundo Ele.

 

Em boa verdade, o máximo que um irmão ateu pode dizer é que não crê. Como é que ele pode decretar que Deus não existe?

 

No fundo, o que ele diz é que Deus não existe em tantos que se dizem crentes. Portanto, somos nós que mais argumentos damos, tantas vezes, para o alastramento da descrença.

 

Os problemas da Igreja são, cada vez mais, internos. De fora vêm as interpelações. Mas é de dentro que emergem os obstáculos.

 

Estejamos atentos. E sejamos humildes. Não seremos nós mais ateus do que muitos ateus? 

publicado por Theosfera às 23:30

1. Nunca redarguir mesmo quando somos injustiçados;

 

2. Nunca elevar o tom de voz;

 

3. Nunca querer mal, mesmo a quem provoca o mal;

 

4. Nunca simular os pensamentos ou dissimular os sentimentos;

 

5. Sofrer em silêncio em vez de vociferar em público;

 

6. Manter sempre a urbanidade mesmo (ou sobretudo) em situações difíceis;

 

7. Ser sempre cordial mesmo (ou sobretudo) para com quem é indelicado;

 

8. Ser sempre autêntico e sincero;

 

9. Persistir na defesa das convicções;

 

10. Acreditar que, embora não pareça, a esperança tem sentido e que o bem acabará por vencer.

 

Obrigado, Mãe!

publicado por Theosfera às 23:16

O que mais me ficou, do dia 19 de Julho de 1987, foi o termo de um dos acampamentos de escutas do agrupamento da minha terra natal: S. João de Fontoura (Resende).

 

Tinha começado dois dias antes, em Porto de Rei. Nesse tempo, Porto de Rei não era tão conhecido. Mas era possuído de iguais encantos. Era tudo natural.

 

Não havia piscinas nem mesas de pedra. Havia o rio, árvores e o resto era feito por nós.

 

Antes de cada acampamento, havia sempre um ingrediente que a todos era recomendado: boa disposição para nos acolhermos uns aos outros. E o saldo era sempre (muito) positivo.

 

Foi aí que montámos as tendas. Sucede que, no sábado, se levantou um grande temporal: chuva, vento e trovoada.

 

Para meu espanto, a alegria multiplicou-se. Cada um deitou mãos à obra para segurar as tendas. Tudo correu bem.

 

Rezávamos sempre o santo Terço. O pároco da altura deslocou-se ao local para a Santa Missa.

 

O ambiente era de uma fraternidade muito sentida, muito bela. Não era preciso apelar para a autoridade do chefe.

 

Tudo era dialogado e decidido em comum. Éramos todos um só desde os mais pequeninos, os lobitos.

 

Passados todos estes anos, ainda há quem telefone para oficiar um casamento ou para baptizar os filhos. São daquelas situações em que um não se torna impossível.

 

Sei bem que os saudosismos não resolvem nada. Mas as saudades têm o seu valor. Elas são a presença na ausência. Fazem reviver as coisas (neste caso, as melhores coisas) que nos aconteceram.

 

Recordando momentos felizes, vamo-nos reencontrando (nem que seja por breves instantes) com alguns eflúvios de felicidade.

publicado por Theosfera às 23:14

«Muito difícil é viver com quem nos bajula pela frente e nos jugula pelas costas».

Assim escreveu (perturbante e magnificamente) Winston Park.

publicado por Theosfera às 15:57

A história mais fácil é a que se faz a partir de cima. A história mais justa é que tem de ser feita a partir de baixo. E a história mais bela é a que se refaz a partir de dentro.

 

A história que melhor se conhece é a primeira, a que se faz a partir de cima, dos vencedores, dos dirigentes. Uma obra é conhecida pelo seu arquitecto, raramente pelos seus operários. Mas são estes que trabalham. Um exército é imortalizado pelo seu comandante, quase nunca pelos seus soldados. Mas são estes que combatem.

 

Recentemente, sobretudo com George Rudé e Eric Hobsbawn, começou a haver maior sensibilidade para a história a partir de baixo, da gente inominada. Mas há ainda um longo caminho a percorrer.

 

Até na Igreja e apesar da fundamental igualdade entre os membros do Povo de Deus, a atenção concentra-se em quem está à frente...

 

Acontece que a história a partir de dentro é que corre o risco de ficar na penumbra. Por um lado, percebe-se. Há quem opte por estar longe do palco. Mas, por outro lado, a nossa atenção também anda distraída, focada no palco.

 

Há pessoas que deixam rasto. Mas a sua profundidade colide em demasia com a nossa superficialidade.

 

Acontece que, por vezes, fica uma palavra ou sobram uns papéis. Sempre é uma pista que nos permite aceder a almas de um nível superior.

 

Uma das trajectórias mais interessantes do século XX foi, sem dúvida, a de Etty Hillesum. Viveu poucos anos. E porque nasceu judia, morreu em Auschwitz, antes dos 30 anos.

 

Teve um percurso atormentado em todos os capítulos. O seu encontro com Deus foi inesperado e nem o sofrimento a fez abalar.

 

Os místicos tornam-se sempre surpreendentes.

 

Etty Hillesum gostava de se ajoelhar e, deste modo, sentir a impotência de Deus.

 

Cultuava o silêncio para estar mais atenta ao que chega de fora e ao que brota de dentro.

 

Leitora dos clássicos, como Dostoievksy (que levou para o campo de concentração), costumava repetir uma máxima de Rilke: «A paciência é tudo».

publicado por Theosfera às 11:32

Muitas vezes, passamos ao lado da actuação de Deus no mundo. Olhamos mais para as nossas palavras do que para os Seus silêncios.

 

Imaginamos que Deus é a solução para os nossos problemas, quando Ele, na Cruz, mostra ser a companhia nas nossas dificuldades.

 

O maior contributo para esta presença de Deus veio, no século XX, através de pessoas que experimentaram o sofrimento no seu ápice.

 

Em Auschwitz, Dietrich Bonhoeffer escreveu que «Deus permite que O marginalizem do mundo, empurrando-O para a Cruz». Por isso, Ele «é fraco e impotente». Mas é por essa (única) forma que «Ele está connosco e nos ajuda».

 

Etty Hillesum, também ela condenada ao campo de concentração, não fica amargurada nem abandona a fé. Também para ela, Deus é uma «presença vulnerável» que deve ser cuidada e amada no coração humano.

 

É neste registo que ela se dirige a Deus: «Tu não nos podes ajudar, mas nós temos de Te ajudar a Ti e de defender o lugar da Tua morada dentro de nós até ao fim».

 

O mistério de Deus não está apenas na Sua transcendência. Continua a prolongar-se na Sua imanência. Deus escolheu estar ao nosso lado. Chorar as nossas lágrimas. Sofrer as nossas dores. Andar os nossos passos.

 

É assim que Ele Se mostra como o todo-amoroso. É no amor impotente que se encontra o máximo do Seu poder.

 

Importa, por isso, escutá-Lo na Sua (aparente) ausência e no Seu (deliberado) impoder.

publicado por Theosfera às 10:54

mais sobre mim
pesquisar
 
Julho 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9






Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro