O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 09 de Julho de 2011

No ano em que morreu, este, José Augusto Mourão deixa-nos a recolha das homilias que foi proferindo.

 

São textos que mais parecem quadros tecidos pela alma.

 

Não se exige a ninguém este brilho. Mas espera-se de todos a mesma seriedade.

 

A recusa da vulgaridade é, talvez, o preceito mais pertinente da ascese.

 

A palavra está no sítio certo. O texto não é um arrazoado disperso nem um amontoado de frases, atropeladas a esmo.

 

A fé precisa de revalorizar a sua expressão.

 

A homilia não é um exercício de retórica. Só pode ser uma ressonância da Palavra escrita no livro e inscrita na vida.

 

É preciso que essa Palavra se aloje na alma para poder ressoar nos lábios.

publicado por Theosfera às 21:48

Se quisermos escutar as vozes mais respeitadas da vida pública, facilmente daremos conta de que três delas já ultrapassaram os 80 anos e a quarta dos 80 se aproxima.

 

Este é um sinal de pujança dos próprios e um sintoma de decadência da sociedade.

 

Mário Soares, Eduardo Lourenço, Adriano Moreira e António Barreto despontam como os últimos abencerragens de um perfil superior de análise, de lucidez e de brilho.

 

É claro que haverá mais, mas não em número muito elevado. A principal razão para esta rarefacção da qualidade está na falta de cultura humanista, que se vai notando.

 

Diz-se (e, factualmente, é verdade) que esta é a geração mais preparada de sempre. No que toca às especialidades, nada a obstar a este dado. Só que a sabedoria é, por natureza, o espaço da complexidade. 

 

Saber é ligar. O pensamento é cada vez mais imediato, repentista.

 

O debate no parlamento e na comunicação é de uma pobreza confrangedora.

 

A reacção à decisão de uma agência de notação financeira foi demasiado pálida.

 

A intervenção de Mário Soares, já retirado da política activa, foi muito mais consistente que a dos políticos em actividade.

 

As humanidades não deviam pertencer a nenhuma especialidade. Deviam ser transversais a todos os cursos e a todos os graus de ensino.

 

Hoje, mal se consegue sair do domínio da formação de cada um.

 

O discurso é imaturo e básico, muito refém de preconceitos e lugares-comuns.

 

Os grandes homens compreendem a realidade. Os homens de excepção são capazes de a transformar.

 

Ver que a sua maioria já ultrapassou os 80 anos não é muito alentador. Que, ao menos, seja o sinal para trabalharmos melhor o futuro.

 

Precisamos de pessoas com alma. Não é só com gestores que a crise será vencida.

publicado por Theosfera às 20:29

A União Europeia não será a maior realização da história, como disse ontem o Dr. Mário Soares. Mas é, seguramente, uma das maiores conquistas do espírito humano.

 

É um espaço onde não há guerras e onde existe cooperação a vários níveis.

 

Com os seus defeitos (que os tem e não são poucos), ela constitui uma bela criação. Começou pela Comunidade do Carvão e do Aço, passou pela CEE de poucos países e já vai numa união de quase trinta nações.

 

É natural que, como tudo o que é bom, esta entidade suscite hostilidade.

 

A União Europeia vai-se consolidando no plano político, mas está a ser posta à prova no âmbito económico.

 

A tese pode ser um pouco especulativa, mas faz algum sentido e o Dr. Mário Soares expô-la ontem com o brilho da sua inteligência intuitiva.

 

O que se passa com as agências de notação financeira pode ser a ponta do iceberg de um ataque do dólar contra o euro e, mais vastamente, contra a União Europeia.

 

De facto, mais do que Portugal, desta vez é a União que está em causa. Porque o Governo limitou-se a transpor o programa que a troika impôs.

 

Os mercados não estavam tranquilos antes do programa de austeridade. Os mercados continuam a não estar tranquilos com o anúncio desta austeridade.

 

Se o objectivo era acalmar os mercados, parece que o desiderato não está a ser conseguido.

 

Há uma arbitrariedade em todo este universo. A economia norte-americana está com uma dívida colossal e as sobreditas agências de notação atribuem-lhe a cotação máxima.

 

Lipovetsky já tinha avisado. O mercado está a regular a política quando devia ser a política a regular o mercado.

 

A Europa tem de acordar e de ser fiel ao espírito dos seus pais fundadores. O objectivo da política é servir as pessoas. E não asfixiá-las.

publicado por Theosfera às 19:23

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