O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 06 de Julho de 2011

A relação com Deus não desestrutura o humano.

 

Deus, porque é Deus, nunca desumaniza. Ele é, como afirmava Edward Schilebeekx, o futuro e a plenitude do homem.

 

É, enquanto homem, que o homem chega a Deus.

 

Daí a pertinência da observação de Maria Filoménica Mónica O seu afastamento da religião deve-se ao facto de não conseguir aceitar que alguém pense por si mesma, em vez de si mesma.

 

Isto trouxe-me à lembrança uma conhecida parábola de Lessing. Dizia, mais ou menos, o seguinte.

 

Se Deus me ofecerer, na Sua mão direita, a verdade e, na Sua mão esquerda, a vontade de descobrir a verdade, eu agarrar-me-ia à Sua mão esquerda.

 

Ainda que errasse e errasse constantemente, ainda que me perdesse no caminho, não hesitaria em agarrar-me à mão esquerda de Deus para Lhe dizer: «A verdade, a verdade pura, és Tu, só Tu».

 

No fundo, na procura já existe encontro. É na procura que nos sentimos pessoas. E na procura dificilmente fugimos à verdade do encontro e ao encontro da verdade.

 

É quando nos recusam a condição de pessoas, é quando decidem por nós, que mais facilmente podemos fugir.

 

No limite, é preferível um equívoco na procura a uma verdade na imposição. Uma verdade imposta nem sequer respeita o estatuto de verdade.

 

A verdade é um evento da liberdade. Da liberdade de quem procura. Da liberdade de quem se deixa procurar. 

publicado por Theosfera às 21:27

O engenheiro, agnóstico, pergunta ao prior do mosteiro da Cartuxa:

- E se Deus não existe? Imagine que não há outra vida; o senhor, aqui fechado, perde a única que tem. Eu, ao menos, estou a aproveitar esta.

Resposta humilde do prior:

- Nós os dois vamos morrer um dia. Se, como diz, nada houver depois da morte, eu não terei nem um segundo para me desiludir e o senhor não terá nem um segundo para me considerar estúpido.

Réplica, espantada, do engenheiro:

- Mas o senhor desperdiçou esta vida e eu aproveitei.

Tréplica, serena e convincente, do prior:

- Não. Eu acreditei em Deus e esse pensamento fez-me profundamente feliz. Muitas vezes acontece que a promessa de uma prenda encanta mais que a própria prenda. A véspera de uma festa, por vezes, é mais alegre que a própria festa!

publicado por Theosfera às 11:14

A Cartuxa é apreciada porque o seu maior objectivo é que não se fale dela.

 

Não faz campanhas vocacionais nem cultiva acções promocionais.

 

É, aliás, com custo que abre as suas portas a visitantes.

 

Quando Eusébio veio para o Benfica, veio também um jogador para o Sporting.

 

Já ninguém se lembra dele. Foi para a Cartuxa. Parece que está em Nápoles. Creio que mais nada se sabe dele.

 

Na Cartuxa, importante é ser santo e não que se seja chamado santo. Tudo está centrado no essencial, em Deus. Tudo se apaga para que Ele brilhe. Tudo se silencia para que Ele fale. Na brisa, no ruah.

 

Não se fazem ensaios. Quem vem de novo integra-se na oração com os outros.

 

Os cartuxos são inflexíveis em muitos aspectos. No despojamento, por exemplo. Não aceitam dignidades, distinções ou condecorações por parte da Igreja.

 

Um dos seus lemas é «non sanctos patefacere sed multos sanctos facere», que pode ser traduzido assim: «Fazer santos, não fazer propaganda deles».

 

Não tomam, por isso, iniciativa para conseguir a canonização dos seus membros. Nem sequer possuem um catálogo dos seus santos.

 

Quando morre alguém com uma vida excepcionalmente santa, ninguém lhe escreve a biografia. Habitualmente, sobra apenas um comentário: «Laudabiliter vixit».

 

Os princípios por que se norteia o monge são a quietude, a solidão, o silêncio e a procura do sobrenatural.

 

A Cartuxa não quer a fama. Se ela existe, são outros que a propagam. 

 

Quando um cartuxo passa por outro não diz nada. Ou talvez diga sem dizer. O silêncio é capaz de captar o essencial. E o essencial vem do fundo. Se houver atenção, somos capazes de lá chegar.

 

Certas palavras, muitas palavras só ofuscam.

publicado por Theosfera às 10:42

Cada época tem as suas próprias necessidades.

 

Hoje em dia, sentimos uma enorme carência de silêncio.

 

Quanto menos o praticamos, mais o admiramos.

 

É por isso que andamos à procura de ouvidos que nos escutem, de almas que nos acolham, de vidas que nos confortem.

 

A certa altura, nem nós mesmos conseguimos ser confidentes de nós próprios. Parece que estamos cheios de tanto vazio, de tanto ruído, de tanta agitação.

 

Neste afã de tudo publicitar, até os segredos são objecto de discussão pública. Há dias, um canal televisivo debatia o chamado sigilo profissional.

 

Como não podia deixar de ser, lá estava o padre. O seu sigilo chama-se sacramental e não admite excepção em caso algum.

 

É um certificado que pretende assegurar a confiança.

 

É por isso com lástima que se verifica que, mesmo sem mencionar nomes, se aludem a casos reportados.

 

A jornalista perguntava: «Já lhe aconteceu alguém contar-lhe isto ou aquilo?» E o sacerdote confirmava.

 

Com todo o respeito não me parece correcto.

 

Se alguém nos confia a sua intimidade é para ficar na nossa intimidade.

 

Guardar um segredo é o maior selo da lealdade e o mais excelso garante da amizade.

publicado por Theosfera às 10:06

Se o povo consome, endivida-se. Se não consome, faz estagnar a economia.

 

Se o país não aplica planos de austeridade, ninguém lhe empresta dinheiro.

 

Se o país aplica planos de austeridade, ninguém parece acreditar que esteja em condições de cumprir as condições do empréstimo.

 

É um beco aquele em que nos encontramos.

 

Os próprios peritos em economia só se concentram nas finanças. Não surge um golpe de asa, nem uma chama de esperança.

 

O medicamento parece ser tão nocivo como a doença.

publicado por Theosfera às 10:01

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