O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 28 de Junho de 2011

A democracia nasceu na Grécia.

 

A democracia agoniza na Grécia?

publicado por Theosfera às 22:19

1. A qualidade não tem de ser aborrecida e a seriedade não precisa de ser entediante.

 

O problema é que o paradigma do sucesso tem sofrido um deslocamento assinalável. Para ter êxito, o melhor é ser fútil.

 

Ora, isto é uma mensagem preocupante que se está a passar às novas gerações. Desde a mais tenra idade, as pessoas começam a cultivar uma vontade incoercível de serem aplaudidas, de verem o seu nome e a sua foto em jornais e revistas.

 

O sonho que se acalenta já não passa apenas (nem principalmente) por uma profissão estável. Coisa que, aliás, também é cada vez mais rara.

 

A expectativa (ou ilusão, como agora se diz) é vir a ser famoso. E como a fama passa pela visibilidade, tudo é encaminhado para ser cantor, actor, modelo, jogador de futebol.

 

Sucede que o caminho para a fama é deveras apertado. São muitos os que querem. São muito poucos os que conseguem. Daí as frustrações quando não se passa nos castings. Ou as lágrimas convulsas quando não se triunfa nos concursos televisivos.

 

 

2. A informação mais consumida é aquela que anda à volta deste género de pessoas. Parece que há uma grande vontade de conhecer o que se passa com os famosos. E até a sua suposta vida privada passa a ser um assunto público.

 

Por um efeito de contágio, o que mais interessa acerca de outro género de figuras (como os políticos) são aspectos marginais à sua acção. A fonteira entre investigação e devassa é muito ténue.

 

Há, em tudo isto, uma questão de cidadania. O fútil impõe-se, antes de mais, porque é consumido, porque é aplaudido, porque é reproduzido.

 

E o que, no início, nos parece degradante rapidamente passa a ser admitido. Molière já tinha chamado a atenção: «Os vícios, com o tempo, passam a virtudes».

 

O ícone dos nossos tempos já não é o santo, o herói ou o intelectual. É, cada vez mais, o manequim, o artista. São os seus hábitos que se imitam. E é a toda a sua vida, prodigamente dissecada, que se tenta reproduzir.

 

A tendência é para vestir como as estrelas, para usar o penteado das estrelas, etc.

 

Tudo se ressente. Para algo ser notícia, não é preciso que seja importante. Basta que seja fútil. Dir-se-ia até que quanto mais fútil, mais relevante.

 

Ele são os passos dados pelas celebridades. Quantas vezes se casam e divorciam. Os pratos de que gostam mais. Os sítios onde passam férias.

 

É assim que quase ninguém se espanta quando surgem notícias como estas: o concurso para o cão mais feio ou o gato que ladra.

 

 

 

3. O fútil tem uma única preocupação: desfrutar. Nem sequer nos apercebemos do altíssimo preço que pagamos: o vazio.

 

Muitas vezes, as figuras que aplaudimos gerem, com enorme dramatismo, um vazio muito grande.

 

Tudo se aposta na aparência, no êxito imediato. Só que o desgaste é rápido e tão depressa se chega ao topo como se cai no poço.

 

A resiliência nem sempre é a que se espera e o desespero pode visitar.

 

Vivemos (e morremos) a um ritmo excessivo e nem vontade temos para parar. O lazer só difere do trabalho quanto ao local. Quanto ao mais, é o mesmo frenesim, a mesma agitação, o mesmo ruído. Em suma, o mesmo vazio.

 

O próprio intelectual, se não se movimenta dentro da razão fútil, fica sem espaço, sem trabalho.

 

Daí que os homens da cultura só tenham uma de duas vias: ou falam entre si, resistindo, ou tornam-se fúteis, desistindo.

Para Enrique Vila-Matas, «um dos maiores problemas de hoje é que a intelligentsia (palavra russa que designa a classe social formada pelas pessoas melhor preparadas intelectualmente) está fatigada».

Aquilo que os intelectuais ensinam enquanto intelectuais queda-se por uma pequena elite de estudantes e leitores. A opinião pública permanece alheada.

O panorama é tal que até os intelectuais chegam a ceder à tentação da vulgaridade: opinam sobre tudo e nada, dão palpites sobre as coisas mais frívolas. Assim se tornam conhecidos. Mas assim se tornam também...irreconhecíveis. Conhecidos para muitos, irreconhecíveis para si!

Já Erasmo antecipava a chegada de uma época em que, para triunfar, o próprio sábio devia parecer um idiota. Só assim conseguiria sobreviver.

 

4. Descontando alguns exageros, eis um tópico que não podemos descurar, na esperança de que a situação possa ser revertida.

 

Na vida, há lugar para tudo. Não pode haver lugar apenas para a razão fútil, que acaba por impor uma insuportável ditadura da banalidade

 

É certo que a realidade surge-nos em tons bastante cinzentos. Mas não é ignorando o real que o transformamos.

 
Urge um surto de profundidade. É fundamental reentrar na nossa alma perdida. É nessa profundeza que ganharemos novas energias para prosseguir! 


 


 

publicado por Theosfera às 14:10

... o sorriso das pessoas.

 

... a sinceridade das atitudes.

 

... a delicadeza dos gestos.

 

.... a afabilidade das palavras.

 

.... a felicidade dos rostos.

 

... a paz do coração.

 

... a coerência da conduta.

 

... a verdade da vida.

publicado por Theosfera às 10:40

Hoje é dia de Sto. Ireneu, teólogo eminente e mártir do Evangelho de Cristo.

 

Queria, desde já, chamar a atenção para a beleza e para a pertinência do seu nome. Irene, em grego, significa paz. Ireneu é alguém pacífico.

 

Este santo, apesar das controvérsias em que se viu envolvido, nunca se deixou subtrair ao programa ínsito no seu nome.

 

Foi ele que escreveu que «não há Deus sem bondade».

 

Isto é especialmente significativo e interpelante já que a nossa cultura é, por vezes, tributária de uma concepção do divino que sufraga o castigo em nome da justiça.

 

Ainda ontem, a primeira leitura da Missa reportava um diálogo de Abraão com Deus em que este conceito está presente.

 

Abraão pede a Deus que não castigue Sodoma e Gomorra. Já agora, é curioso ressaltar que o argumento maior não é a existência de pessoas competentes ou inteligentes. É a existência de pessoas justas.

 

A grande carência continua a ser a de justiça. Mas a justiça não tem qualquer afinidade com a vingança.

 

Sto. Ireneu percebeu que Deus não é o ápice da nossa conduta nem a radicalização dos nossos instintos. Deus é o apelo à nossa mudança.

 

Só nos assemelhamos a Deus pela bondade. 

publicado por Theosfera às 10:31

«O que mais desespera não é o impossível. É o possível não alcançado».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Robert Mallet.

publicado por Theosfera às 10:12

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