O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 25 de Junho de 2011

Vasco Pulido Valente cumpre, entre nós, uma missão que é um misto de Cassandra e Malagrida.

 

Ele é uma espécie de arauto das más notícias. Mas é um pessimista brilhante. E, muitas vezes, acerta.

 

Não creio que a Europa tenha morrido, como anuncia hoje.

 

Só que, descontando o excesso hiperbólico, há uma verdade que sobressai com pertinência. A Europa vai sobrevivendo. E, como já alertava Edgar Morin, sobreviver não é o mesmo que viver.

 

Para Mark Twain, «a profecia é um género muito difícil, sobretudo quando aplicado ao futuro».

 

Não sabemos o que será a Europa ou se haverá Europa.

 

A Europa que é difere muito da Europa que foi. O dinheiro seduziu-a O dinheiro esvaziou-a.

 

Subsiste um nome. Persistirá a alma?

 

publicado por Theosfera às 23:08

Um artigo muito acutilante de Maria Filoménica Mónica sobre a corrupção. No Expresso de hoje.

 

Eis um mal que urge extirpar de vez.

 

Não sei que mais me espante neste submundo putrefacto: se a existência, se a contemporização.

 

Parece que toda a gente sabe do que se passa. Mas quase ninguém se pronuncia. E praticamente ninguém reage.

 

Luís de Sousa produziu um magnífico opúsculo sobre este tema, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos acaba de editar.

 

E há o caso de um imigrante que acha estranho que os portugueses vociferem contra as filas de trânsito e assistam, imperturbáveis, à pandemia da corrupção.

 

O problema começa precisamente aí. Nós já nem estranhamos.

publicado por Theosfera às 21:37

Num mundo globalizado, tudo tende a ser estandardizado.

 

As diferenças esbatem-se. O nivelamento impõe-se.

 

Sucede que este mundo globalizado é visto, acima de tudo, como um mercado.

 

Não espanta que, num mundo assim, domine a gestão e predomine a ideologia neoconservadora.

 

As consequências já se fazem sentir, por vezes, de forma dolorosa.

 

A lógica do mercado não abre grande espaço à alternativa nem fomenta a criatividade.

 

O objectivo supremo do mercado é o lucro. Tudo o mais é sacrificado a este desígnio.

 

Ainda que, inicialmente, a contragosto, a maioria dos cidadãos tende a entrar neste jogo. O problema é que os mesmos cidadãos são as vítimas de todo este processo.

 

As regras da gestão, que são adoptadas nas empresas e na governação, destacam a liquedez e ambicionanm o lucro.

 

Não há alternativa e não se nota criatividade.

 

Enquanto a liquidez não chega e o lucro não vem, aplica-se a mesma receita: austeridade, subida de impostos, corte nos salários, despedimentos.

 

Não há qualquer criatividade. Até os mais notáveis académicos subscrevem esta opção.

 

Para a semana, anunciam-se medidas que, pelo que é dito, vão mais além daquilo que foi preceituado pela troika.  

 

Tal intenção fez, aliás, com que o Primeiro-Ministro fosse muito bem recebido na Cimeira Europeia.

 

Sucede que tais medidas passam, provavelmente, pela queda de mais 70 mil pessoas no desemprego.

 

Outro (preocupante) sinal. O importante é causar boa impressão na Europa.

 

Os votos vêm dos portugueses. O dinheiro, porém, chega da Europa.

 

Governa-se em Portugal. Mas o pensamento está na Europa.

 

Todos parecem aplaudir. Não há, asseguram, outro caminho.

 

Eis, pois, o neoconservadorismo ditado pelas regras da gestão.

 

É importante que os cientistas, de qualquer ramo, leiam os clássicos e cultivem as humanidades.

 

As coisas são mais complexas do que parecem. Não há uma única solução. E é sempre possível deitar mão à criatividade.

 

O impulso pela justiça e pela solidariedade é capaz de fazer os milagres que nem a mais excelsa gestão imagina.

publicado por Theosfera às 16:32

É sabido que um caminho não se faz só em linha recta. São muitas as curvas que aparecem na estrada.

 

Os primeiros passos do Governo de Passos (Coelho) têm incidido sobretudo nos sinais.

 

Dois desses sinais parecem muito claros: reduzir despesas e honrar compromissos.

 

Assim, o Primeiro-Ministro continua a morar na sua casa, viaja em classe económica, não nomeia governadores civis.

 

Os compromissos parece que são para cumprir.

 

Apesar das dificuldades que Fernando Nobre teria na eleição para a presidência da Assembleida da República, Passos Coelho avançou com o seu nome.

 

Disse que o Governo só teria dez ministros e tudo indica que só por insistência do parceiro de coligação (que defendia doze) aceitou ir até aos onze.

 

Mas a primeira curva parece estar a surgir.

 

Era vontade do actual Primeiro-Ministro entregar um canal da RTP à sociedade civil. Numa época de crise e já com tantos operadores nesta área, não se percebe que o Estado insista em deter uma televisão.

 

Foi coisa que nunca percebi. Percebe-se que seja fixado um serviço público a todos os canais. Mas que o dinheiro dos contribuintes sirva para pagar o custo (deveras oneroso) de um canal não dá para entender.

 

Alguns programas que passam no segundo canal devem ser assegurados. Mas alguém me saberá dizer onde está a diferença do canal 1 em relação à SIC e à TVI?

 

Dizem que é o PP que não quer. Uma coligação é feita de cedências. Mas este sinal, confesso, não é muito alentador.

 

Se há domínio onde se devia reduzir despesa é precisamente na televisão.

 

 

publicado por Theosfera às 13:51

Os chineses costumam saudar as pessoas dizendo: «Que vivas tempos interessantes».

 

Interessantes são, sem dúvida, estes tempos, sobretudo se estivermos dispostos a captar a sua espessura, a sua profundidade.

 

O meu receio é que não passemos da epiderme, da superfície.

 

São tempos pós-modernos em que o pós-crise pouco difere da crise.

 

A superação da crise diverge em grau, mas não em natureza, da crise.

 

Tudo tem que ver com a gestão, com o dinheiro.

 

Temos casos emblemáticos à nossa frente.

 

A prioridade, que a governação mundial assume, não é tanto melhorar a vida das pessoas. É, antes, manter as contas em ordem.

 

E, de facto, a globalização entrou, há muito, numa nova fase.

 

O mundo já não é apenas uma aldeia. É sobretudo um mercado.

 

Os cidadãos são vistos como consumidores e tratados como clientes.

 

O novo executivo, a quem desejamos as maiores felicidades, é um retrato fiel dos novos (mas talvez não muito interessantes) tempos.

 

Predomina a opção pela gestão. E até, no plano da teoria, foram seleccionados especialistas nas ciências económicas.

 

O caso mais flagrante e o sinal mais eloquente encontram-se, porventura, na saúde.

 

O ministro até pode ter sensibilidade social, mas a sua formação e a sua trajectória centram-se na gestão.

 

A mensagem que passa é que o importante vai ser a contenção de gastos. Compreendemos a necessidade de poupar. Mas o fundamental não será a saúde das pessoas?

 

O Serviço Nacional de Saúde foi lançado por um jurista. Dizem que tal Serviço Nacional de Saúde é um dos responsáveis pela dívida do país.

 

Agora, que temos um gestor, será que a dívida vai ser atenuada? E a que preço?

 

O país não se afundou com o Serviço Nacional de Saúde. Será que se vai reerguer com a sua progressiva eliminação?

 

Alain de Touraine defende que precisamos, mais do que de gestão, de ideias. Eu acrescentaria que fundamental é reencontrar a alma.

 

O país é muito mais que uma empresa. E as pessoas são infinitamente mais que clientes.

publicado por Theosfera às 11:50

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