O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

Fazer moralismo é fácil e muito popular. Viver a moral é que se torna difícil e bastante impopular.

 

Há, neste campo, uma duplicidade quase esquizofrénica.

 

Quando somos nós a infringir uma norma, sentimo-nos aliviados e até triunfantes. Já quando tomamos conhecimento de que outros a violam, mostramo-nos indignados.

 

Corre por aí uma forte revolta pelo caso do copianço num exame ocorrido no Centro de Estudos Judiciários.

 

Trata-se, de facto, de algo inqualificável. Como é que aqueles que vão sancionar quem não cumpre as leis se permitem não cumprir uma regra tão elementar? Como é que os garantes da ética atentam, tão flagrantemente, contra a ética?

 

Mas só pergunto: quem pode levantar a mão e apontar o dedo?

 

Confesso a minha (pelos vistos) ingenuidade: nunca copiei e, até certa altura da vida, achava que ninguém copiava.

 

Penso, contudo, que, para lá da responsabilidade pessoal (que jamais se pode declinar), existe uma indesmentível responsabilidade social.

 

No fundo e apesar de apregoar o contrário, a sociedade valoriza mais o êxito do que a seriedade. E nem sequer se dá ao trabalho (que, às vezes, não é fácil) de fazer a triagem acerca dos métodos com que se chega ao êxito.

 

A entrada no mercado de trabalho e a progressão na carreira não dependem da honradez, da humildade nem da bondade. Pior, não raramente, estes valores são vistos como contra-indicações. O que conta é o número que aparece na pauta. Daí que não se olhe a meios para alcançar os números mais elevados.

 

A astúcia continua a ser muito valorizada. A opção por esquemas está muito disseminada. A fraude só é criticada quando é conhecida. De resto, acaba por ser tolerada.

 

Descontando o evidente exagero, Teresa Guilherme não andou muito longe da verdade quando, há muitos anos, sentenciou: «Quem tem ética passa fome»!

 

Nem todos os que têm ética passarão fome. Mas talvez não prosperem muito.

 

Se valorizássemos mais a bondade do que o sucesso, é possível que o modo de proceder fosse diferente.

 

É por isso que, diante de casos como o do copianço, o melhor não é julgar. É reflectir. E inflectir.

publicado por Theosfera às 19:31

«O sono da razão produz monstros».

Assim escreveu (acutilante e magnificamente) Goya.

publicado por Theosfera às 13:37

De certa forma, esta é uma celebração redundante. Intencionalmente redundante, porém.

 

Todos os dias são dias eucarísticos. Hoje, contudo, é um dia eucarístico de modo mais intenso, mais enfático, mais envolvente e interpelativo.

 

O aniversário litúrgico da instituição da Eucaristia é, por antonomásia, a Quinta-Feira Santa. Sucede que, nesse dia, a sombra da Cruz já se projecta sobre a Igreja pelo que os cristãos não conseguem expressar todo o seu júbilo por este dom inefável.

 

Daí que tenha aparecido esta solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Apareceu no século XIII para responder a uma necessidade ínsita no coração dos fiéis.

 

Por conseguinte, hoje a Eucaristia é não só para celebrar (na mesa da Palavra e do Pão), mas também para aclamar (com o cortejo processional pelas ruas das nossas terras) e para adorar (na bênção final).

publicado por Theosfera às 00:00

O objectivo da solenidade do Corpo de Deus é suscitar a expressão pública da fé na Eucaristia. Em causa não está obviamente qualquer intuito exibicionista. Está, sim, um impulso missionário que, de resto, remonta ao próprio Jesus Cristo. Na verdade, foi Ele quem nos enviou a evangelizar pelo mundo (Mt 28, 16-20).
 
É por isso que a Missa gera Missão. É por isso que o «ide em paz» não é uma despedida, mas um envio. E é por isso que, no que toca à Eucaristia, à celebração sacramental tem de suceder — sempre! — a celebração existencial.    
 
Neste sentido, é interessante notar como na génese da solenidade do Corpo de Deus deparamos com uma estreitíssima ligação com a celebração eucarística. Desde cedo que, como nos diz Xabier Basurko, «os fiéis corriam de Igreja para Igreja com a única preocupação de verem o maior número possível de vezes a elevação da Hóstia consagrada».
 
Não espanta, assim, que em 1247 se tenha celebrado a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo. Foi em Liège e por insistência de uma religiosa: a Irmã Juliana de Mont-Cornillon. Mais tarde, em 1264, na sequência de um milagre eucarístico ocorrido em Bolsena, o Papa Urbano IV estende a toda a Igreja esta festa através da bula «Transiturus». Embora não haja ainda qualquer alusão à procissão com o Santíssimo, é sabido que esta depressa se introduziu nos hábitos eclesiais e na alma crente do povo.
 
A fim de facilitar o visionamento do Pão consagrado — informa-nos de novo Xabier Basurko —, «começaram a utilizar-se aqueles objectos que habitualmente serviam para a exposição das relíquias dos santos. Deste modo, através do vidro transparente, as pessoas podiam fixar os olhos no sacramento do Corpo de Cristo».
 
Foi, entretanto, na época do barroco que esta festa atingiu o auge. A controvérsia com os protestantes mobilizou os católicos em torno da presença real de Cristo na Eucaristia. A ocasião ideal foi o Corpo de Deus, cuja festa se concentrava na procissão, «passagem do Senhor pelo meio do povo crente que O aclamava e O aplaudia com todo o esplendor de que a época barroca era capaz: música e coros, foguetes e bandeiras, danças e reverências, coroas e ornamentos de grande brilhantismo».
 
Descontados os circunstancialismos, permanece o essencial: a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja, que, não se limitando à celebração, envolve a adoração e implica o testemunho. Acresce que uma festa eucarística a meio da semana de trabalho significa também que a actividade humana está indelevelmente marcada com o selo de Deus!
publicado por Theosfera às 00:00

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