O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Se não puderes fazer mais nada, se estiveres abatido e perturbado, fecha os olhos.

 

Não penses em dizer nada. Não penses no tempo, não penses nas actividades. Fica. Serena. Deixa fluir o silêncio. Os olhos do rosto estão fechados, os olhos do coração mantêm-se abertos.

 

Então, verás que alguém te habita. Que alguém povoa o teu pranto, a tua dor, a tua mágoa, o teu medo.

 

Deus nunca te abandona. Não Lhe digas nada. Nada. Ele sabe tudo. Chora nos Seus ombros. Ele sorri na tua alma. Ele ama-te como és. Como és.

publicado por Theosfera às 16:23

Tempo de exames era o mesmo que tempo de recolhimento.

 

Tempos houve em que, numa altura como esta, nenhum ruído se desprendia das casas.

 

Eram tempos em que das janelas nada saía. Eram tempos em que às janelas quase nada chegava. Apenas uma ou outra brisa mais pausada se fazia ouvir. E até o rio mais distante depositava na alma o seu eco pacificante.

 

Tudo o mais era silêncio. Só silêncio. Sempre silêncio. Silêncio para estudar. Silêncio para dormir. E até as refeições eram quase em silêncio. Enquanto se deglutiam os alimentos, a mente ia digerindo os conteúdos assimilados. A cadência era semelhante.

 

Mas tudo muda. Uma aluna diz a um jornal deste dia que «fica mais motivada com muita gente a estudar». Outra aluna garante, no mesmo matutino, preferir «a confusão, pois em casa há demasiado silêncio»! 

 

Confesso que pasmo e admiro. Só uma mente privilegiada consegue abstrair-se, no meio da sobredita confusão, e assimilar matérias, exercitando a concatenação entre elas.

 

Eu pensava que o silêncio, bem tão raro, era algo procurado sobretudo numa época como esta. Sempre achei que, para estudar ou meditar, o silêncio é sempre pouco.

 

Pelos vistos, já nem para estudar o silêncio é requisitado.

 

Já me tinha apercebido de que até nas igrejas é preciso pôr música para ajudar a fazer silêncio. No fundo, é necessário ruído para abafar ruído: o ruído de muitos dos que lá estão.

 

Será que cada um é uma presença incómoda para si mesmo?

 

Sinal dos tempos. Andamos perto de tanta coisa, mas longe do centro de quase tudo. A começar por nós.

publicado por Theosfera às 11:24

Podemos ver, muitas vezes, a mesma coisa, mas, de cada vez que a vemos, surge-nos com uma configuração diferente.

 

Assim se passará, creio eu, com os textos.

 

Ao lermos um livro, retemos determinadas frases. Mas tais frases destacadas em jornais ou blogs parecem assumir uma feição singular e uma pertinência diferente.

 

Li o livro de Timothy Radcliffe Ser cristão para quê? com grande interesse. Mas esta frase que vi, hoje, destacada no Tribo de Jacob forçou-me a uma prolongada meditação. 

 

Ei-la:

 

«Se a Igreja quer ser testemunha da alegria da Ressurreição, nós temos de permanecer libertos do medo. Há demasiado medo na Igreja - medo da modernidade, da complexidade da experiência humana, de dizer o que realmente acreditamos, medo uns dos outros, medo de nos enganarmos, de não alcançar aprovação. É este medo que pode, por vezes, apagar aquela alegria que deveria intrigar as pessoas e levá-las a interrogar-se sobre o segredo das nossas vidas».

publicado por Theosfera às 10:31

Creio que vale a pena estacionar um pouco nas transições de palavras e atitudes que pautam a vida contemporânea.

 

O pretexto são as transferências no futebol, de que tanto se fala. Mas a verdadeira razão é o que se passa na existência. Da qual o futebol acaba por ser um ícone revelador.

 

Quem acompanha as notícias do desporto verifica, sobretudo nesta época chamada do defeso, que há uma dialéctica entre o amor e o dinheiro.

 

Apesar do que se passa, ainda há quem considere o amor como algo eterno. E é assim que quando um interveniente proclama o seu amor a um clube, a ideia que sobressai é que está disposto a continuar lá toda a vida.

 

E não falta até quem o assuma: «Por mim, ficarei neste clube para sempre».

 

Basta, entretanto, que surja um contrato vantajoso e o amor, que se diz manter, não impede que se saia.

 

Consta que os adeptos do F.C.Porto estão magoados com o seu treinador. Do que ele dizia podia inferir-se que a sua vontade era permanecer no clube para sempre.

 

E mesmo que tal fosse dificilmente realizável, o que ninguém suspeitaria é que saísse logo um ano depois de ter entrado.

 

Mas a vida é mesmo assim. O amor pode ficar. Mas o dinheiro fala mais alto.

 

Não é edificante, mas é o que temos.

publicado por Theosfera às 09:52

Na madrugada da nossa vida, o exemplo de honradez era o de alguém que, não podendo honrar a sua palavra (a sua execução nem sequer dependia dele), foi à presença da autoridade de corda ao pescoço.

 

Egas Moniz tornava-se, assim, a figura do homem de palavra. À mais leve tentação de faltar à promessa, este era um nome que levava a pensar duas vezes.

 

Albert Schweitzer tem razão: «O exemplo não é a melhor maneira de convencer os outros; é a única». 

 

A experiência mostra que é bom ter alguma cautela quando fazemos proclamações definitivas. Somos donos do calamos, mas devemos ser escravos do que dizemos.

 

Há circunstâncias que podem conduzir a mudanças. Mas quando estas se verificam em tão pouco tempo e quando elas surgem logo após declarações em sentido contrário, dá que pensar.

 

Ainda nos lembramos do candidato à presidência que garantia nunca se ligar a nenhum partido. Volvidas umas curtas semanas, ei-lo numa lista.

 

Temos o jogador que disse ser do Sporting desde pequenino. A seguir, assinou pelo Benfica. Há dias, disse que se apresentava no início da próxima época. Logo após, pedia desculpa, mas o mais certo seria assinar pelo Real Madrid. De quem atestava ser simpatizante desde criança. Ontem, mais uma reviravolta. Vai apresentar-se no Estádio da Luz. Ficará por aqui?

 

Agora, é o caso do treinador que dizia estar na cadeira dos sonhos, no seu clube de sempre. Por ele nunca sairia. Mas há quem diga que, a esta hora, já está em Londres, a negociar com o Chelsea.

 

As coisas parecem ser definitivas apenas enquanto duram. Será a lei da vida. Mas parece ser também um sinal dos tempos.

 

Como acreditar numa situação destas?

publicado por Theosfera às 05:15

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