O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Quando revisito palavras e gestos de pessoas como João XXIII, quando releio os textos do Concílio Vaticano II, fico com a estranha sensação de que a clareira de sol daquele amanhecer deu lugar a um entardecer cinzento.

 

Urge replantar a esperança nos corações.

 

Importa perceber que a história tem a sua própria cadência. Avança do passado para o futuro. Não regride do futuro para o passado. E nem sequer estaciona no presente. O presente é transcorrência.

 

O tempo do Espírito não está longe do espírito do tempo.

 

Entender o tempo é o primeiro passo para acolher o Espírito que nele flui.

publicado por Theosfera às 23:02

Em Dia de Portugal, sabemos, com maior facilidade, o nome dos primeiros-ministros de Espanha do que de Portugal. Desde a instauração da democracia (aqui em 74, lá em 75), a Espanha conta cinco. E Portugal?

 

Em Dia de Camões, quase não se falou no nosso maior poeta.

 

Em Dia das Comunidades, ficamos a saber, uma vez mais, que os nossos emigrantes pensam, cada vez mais, em não voltar.

publicado por Theosfera às 16:26

Perder oportunidades é desolador. Mas perder pessoas é um desperdício sem remissão.

 

Ao ouvir António Barreto, o pensamento inquieta-se. Como é possível que o país não aproveite melhor uma pessoa desta envergadura?

 

Num tom pausado, o saber escorre e as verdades soltam-se. Não há palavras de circunstância. Tudo ressuma profundidade e pertinência.

 

A mensagem flui, escorreita.

 

É preciso que as pessoas se entendam. É fundamental ouvir os que se manifestam e escutar os que se abstêm.

 

Há ânsias reveladas e sonhos escondidos.

 

É necessário redescobrir a grandeza do nosso desígnio.

 

António Barreto é uma voz que não podemos sufocar.

 

Dizer que é um senador é dizer pouco. Ele vai muito à frente dos que se julgam estar na frente.

 

Não são assim tantos os sábios. Não desperdicemos os que restam.

publicado por Theosfera às 13:04

Há muitos que estão à espera que a religião não abafe o espírito da surpresa e da esperança. Que cesse a desconfiança em relação ao mundo e às novidades que nele fervilham. Que o discurso arrastado e sem chama possa dar lugar à palavra libertadora e com alma. E que se transmita sempre o que vem do fundo. A sinceridade é o eco epifânico da verdade. Deixemos a encenação para outros palcos. Nunca percamos a autenticidade.

publicado por Theosfera às 12:56

1. O 10 de Junho não é só um feriado para nós. É também um feriado sobre nós, sobre Portugal.

 

Tirando as cerimónias e discursos oficiais, além de mais um estendal de condecorações, que vestígios há de uma paragem para reflectir?

 

No limite, cada um vai meditando sobre si e sobre os seus. Os problemas de cada um já são suficientemente aflitivos. Pouco — ou nenhum — espaço sobra, assim, para a comunidade.

 

 

2. Somos um país pequeno, mas que, mesmo assim, não cabe em si.

 

 Conseguimos dar novos mundos ao mundo e, apesar disso, não resolvemos os problemas que asfixiam o nosso viver colectivo.

 

Temos passado, mas parece que não temos memória. Guardamos a história, mas não aparentamos ter muita vontade de continuar a fazer história.

 

 A síntese angustiada de Pessoa mantém-se pertinente: «Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez. Falta cumprir-se Portugal».

 

Hoje, voltam a dizer-nos que somos um país adiado, mas, nesse caso, já o somos há muitos séculos.

 

 

3. Não somos perfeitos. Às vezes, até nos mostramos contrafeitos.

 

Temos defeitos. Eis o nosso drama, eis também a nossa sorte. Se não fossem os nossos defeitos, o que nos motivaria? Se tudo já estivesse feito (e bem feito), que futuro nos restaria?

 

Houve algum momento em que Portugal não esteve em crise? Em que altura não se disse que vinham aí tempos difíceis?

 

 A tudo temos sobrevivido. Temos sobrevivido à realidade, cruel. E temos sobrevivido aos diagnósticos, nada estimulantes.

 

 Somos, enfim e como afirmava o Padre Manuel Antunes, uma excepção.

 

 Constituímos um paradoxo vivo. Somos «um povo místico mas pouco metafísico; povo lírico mas pouco gregário; povo activo mas pouco organizado; povo empírico mas pouco pragmático; povo de surpresas mas que suporta mal as continuidades, principalmente quando duras; povo tradicional mas extraordinariamente poroso às influências alheias».

 

 

4. Seja como for, continuamos a sentir Portugal, a fazer Portugal e, não raramente, a chorar Portugal.

 

 Tantas vezes, são essas lágrimas que nos identificam e pacificam. Aquilo que soa a desespero acaba por saber a esperança.

 

 Apesar das tardes sofridas, acreditamos sempre que uma manhã radiosa voltará a sorrir.

 

É por isso que nunca desistimos de nós. É por isso que, não obstante as nuvens, há sempre um Portugal a brilhar em milhões de corações espalhados pelo mundo!

publicado por Theosfera às 10:53

Quem é mais ateu? Quem mais nega Deus? O descrente que se assume? Ou o crente que se presume?

 

Não será que o ateísmo dos ateus, no fundo, é mais uma denúncia de muitos crentes em Deus do que uma negação do Deus dos crentes?

 

Quando se contesta a presença pública da fé será que há um incómodo perante Deus ou um desencanto diante do contra-testemunho dos crentes?

 

E, desse modo, não poderá ser o ateísmo uma busca de autenticidade? Não poderão estar, portanto, muitos ateus mais próximos de Deus?

 

Não serão as suas perguntas mais consistentes que as nossas respostas?

 

Quantos serão os crentes que se alojam no coração de quem se diz ateu?

 

E quantos serão os ateus que se escondem no íntimo de quem se diz crente?

 

Admiro os primeiros. Temo os segundos.

publicado por Theosfera às 10:52

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