O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 07 de Maio de 2011
O grande poeta e romancista indiano Rabindranath Tagore, Nobel de Literatura em 1913, nasceu no dia 7 de Maio de 1861, há precisamente 150 anos. E morreu há 70 anos, no dia 7 de Agosto de 1941.
 
Foi Tagore que deu a Gandhi o título de Mahatma, «grande alma».
 
(via Tribo de Jacob)
publicado por Theosfera às 06:29

Não te esqueças de pedir ao silêncio que te autorize a usar a palavra.

 

Fala apenas quando o silêncio te deixar.

 

A palavra guardada é tua. A palavra proferida é de todos.

publicado por Theosfera às 06:26

Não te deslumbres no êxito.

 

Não te deixes abater na adversidade.

publicado por Theosfera às 06:26

De Paul Ricoeur retive que todo o significante encerra um significado. E com Xavier Zubiri aprendi que cada coisa-realidade contém uma coisa-sentido.

 

O Sp. de Braga é uma demonstração cabal da capacidade do grupo e da importância do seu líder. Este caso deve ser estudado, mormente na fase que o país está a viver.

 

Em dois anos, um clube apenas médio conseguiu disputar um título nacional (no ano passado) e um título europeu (este ano).

 

Foi capaz de se transcender e de superar os melhores.

 

Os factores do êxito serão vários, mas o segredo só pode estar na liderança.

 

Há jogadores que, ali, parecem fenomenais quando, noutros clubes, eram somente razoáveis.

 

O bom líder é o que acrescenta ao grupo. É o que tira partido das capacidades de cada um. É o que leva a acreditar que o resultado até pode compensar a dedicação. É o que motiva. É o que vê antes e decide cedo, fazendo as alterações no momento próprio. É o que sabe aliar o talento ao esforço. 

 

O bom líder nunca deprime. Conta-se que determinado treinador dizia ao guarda-redes suplente que ele era o melhor da Europa. «Então - perguntava - porque é que não me põe a jogar?» Resposta: «Simplesmente porque o guarda-redes titular é o melhor do mundo!».

 

Domingos tem a paciência que ostenta no nome, conseguindo fazer uma equipa melhor que a soma dos seus elementos.

 

O técnico bracarense tem sido capaz de inverter a tendência da realidade. Sim, porque a realidade atestava que o Benfica, o Sevilha, o Liverpool ou o Dínamo de Kiev eram superiores. Mas o Braga acreditou que podia ser melhor.

 

O bom líder é o que consegue que o seu grupo seja melhor que ele mesmo.

 

E, pormenor nada despiciendo, o bom líder certifica que o dinheiro, sendo importante, não é o factor decisivo. O Braga ultrapassou clubes com orçamentos maiores.

 

O bom líder prova que não é o dinheiro que traz as vitórias. São as vitórias que trazem dinheiro.

 

Meditem no exemplo do Braga e vejam se não é de um timoneiro como Domingos (ainda por cima com) Paciência que o país precisa.

 

Portugal tem tudo o que o Braga mostra. Apareça alguém que saiba motivar as pessoas, gerir os recursos, apontar um rumo e não defraudar as expectativas.

 

Não se trata de revivalismos sebastiânicos. Um líder não é tudo. Mas é muito importante. 

publicado por Theosfera às 00:53

Este é o momento em que as palavras operam a transumância da culpa.

 

Esta passeia-se da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, empurrada pelo turbilhão discursivo dos líderes (já) em campanha.

 

E a atenção não pode fixar-se apenas nas palavras ditas ou escritas. Há que não esquecer as palavras insinuadas. As entrelinhas são tão importantes como as linhas.

 

Quando se diz que vivemos acima das nossas possibilidades, parece que o país é uma entidade homogénea.

 

Esquece-se que há quem trabalhe muito e receba pouco. Vive-se acima do que se pode ou sobrevive-se abaixo do que se deve?

 

O problema está nas políticas, sem dúvida. O capital engole o trabalho e quase esmaga as pessoas.

 

Manuela Silva acertou no ponto quando notou que a troika, parecendo querer mudar tudo, se esqueceu de pôr fim às desigualdades.

 

A erradicação da pobreza não deveria ser uma prioridade?

 

Não será que os pobres se vão multiplicar?

 

A culpa, entretanto, passeia-se. Ninguém a assume.

 

O mais fácil é dizer que ela é de todos. O mais aviltante é insinuar que é de quem, gastando tudo, não consegue poupar nada. Pela simples e elementar razão de que esse tudo que se ganha (e e logo se gasta) afinal é muito pouco. 

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 06 de Maio de 2011

Eis um tempo, o nosso, em que o poder parece já não estar nas ideias, mas na imagem.

 

Não estará na hora de dar algum poder à esperança?

 

Se ela está ausente de nós, não nos ausentemos nós dela.

 

«Quando a situação é mais dura — notava Vergílio Ferreira —, a esperança tem de ser mais forte».

publicado por Theosfera às 11:47

O mundo novo já não é só admirável, como pensava Aldous Huxley. É também preocupante e muito perigoso.

 

Qualquer acontecimento é transformado num espectáculo.

 

Um espectáculo tem espectadores. Estes tanto podem estar no local como à frente de um televisor.

 

A comunicação social apresenta qualquer acontecimento sob a forma de espectáculo.

 

Espectáculo tanto pode ser o casamento real, como a beatificação de João Paulo II, como a morte de Osama Ben Laden.

 

Os inídicios, aliás, já vinham de algum tempo a esta parte. O desembarque das tropas americanas na Somália, nos inícios dos anos de 1990, foi preparado para a hora dos telejornais.

 

As comunicações políticas ocorrem, geralmente, às oito da noite. E, esta semana, a intervenção do primeiro-ministro foi às oito e meia por causa do jogo de futebol que passava no canal público da televisão.

 

Já não é a televisão que vai atrás da realidade. É, cada vez mais, a realidade que vai atrás da televisão.

 

As pessoas sentem o peso da realidade, mas as suas decisões são cada vez mais condicionadas pelo desempenho televisivo dos políticos.

 

É tudo muito plastificado e pobre, mas é um sinal dos tempos.

 

Quem está melhor frente às câmaras acaba por estar em melhores condições de vencer.

 

Os eleitores assemelham-se cada vez mais a espectadores. O que importa não é a obra, nem a ideia, nem o programa. É a imagem. 

publicado por Theosfera às 10:49

Pedimos-Te, ó Senhor, e Te suplicamos,
nós pobres pecadores que,
por meio do teu Espírito,
conduzas à unidade
o que está fragmentado,
que unas o que está separado,
convertendo-o numa só coisa.
Faz que busquemos a tua única e eterna verdade,
deixando de lado todas as divisões,
de tal modo que, num só pensamento
e num só sentimento,
caminhemos para Ti, Senhor Jesus Cristo.
 
(via Tribo de Jacob)
 
publicado por Theosfera às 10:48

A nossa época pode ser entendida se olharmos para quatro livros célebres. E talvez nem seja preciso passar do título, embora o respectivo conteúdo mereça a melhor atenção.

 

São eles: A era do vazio, de Gilles Lipovetsky, A era dos extremos, de Eric Hobswan, A era da mentira, de Muhamed El Baradei e A era da incerteza, de John Kenneth Galbraith.

 

Quando o vazio (de valores e de referências) se apodera de nós, o campo fica aberto aos extremismos e até a mentira pode ser um trunfo.

 

E o pior é que já quase ninguém fica corado. Nem o menor rubor se nota.

 

A verdade começa a ser um valor cada vez mais precioso até porque cada vez mais raro.

 

Sem escrutínio seguro entre a verdade e a mentira, a incerteza prospera. A incerteza é a coisa mais certa.

publicado por Theosfera às 10:08

José Augusto Mourão tinha a arte de ser discreto sem passar por ausente.

 

Fazia da subtileza um adorno da competência e uma espécie de amortecimento da profundidade.

 

É por isso que os seus textos se destacam por uma atmosfera inabitual. Transpiravam erudição e exalavam competência sem afectação.

 

O seu brilho não era ofuscante. As palavras pareciam fluir e colocar-se no sítio certo, sem grande esforço.

 

É sempre assim quando as coisas vêm do fundo, da alma.

 

Homem de enormes recursos, foi padre (dominicano), professor, poeta, ensaísta.

 

Aos 64 anos, ainda tinha muito tempo à sua frente. Mas a eternidade, pelos vistos, tinha pressa.

 

José Augusto Mourão tem um lugar na história da cultura contemporânea.

  

Não quis deixar restos (optou por ser cremado). Mas deixou rasto. Deixou marcas. Deixou-nos hoje.

 

Num tempo de clichés, a singularidade do seu olhar fica a fazer-nos muita falta.

 

Mas a sua obra é fruto que nunca deixará de ser semente.

 

publicado por Theosfera às 00:10

Deus nas fronteiras deste mundo,
Deus que cruzamos como as sombras,
dá-nos um corpo de desejo
e um ouvido de começo,
fica connosco Deus que passas
e nossas mãos te larguem,
Deus confundido com a sede,
e as palavras que dizemos,
vem alterar o nossos corpo,
vem confundir a nossa fome,
Deus da palavra,
flor do vento,
manhã que vem em Jesus Cristo.

 

Dê-te prazer o nosso canto,
Deus das manhãs azuis e rosa,
que o nosso corpo te anuncie qual fonte,
rio ou chaga aberta,
que nossas mãos persigam o teu passar escondido.

 

Deus invisível para os olhos,
palavra solta, luz que passa,
é neste tempo que dizemos o claro escuro do teu nome,
onde é secreta a tua face e o teu passar adivinhado.

publicado por Theosfera às 00:08

Quinta-feira, 05 de Maio de 2011

Não estamos na cauda da Europa em tudo.

 

No futebol, estamos na frente.

 

A Liga Europa virá para Portugal. E ainda nem foi disputada a final. É obra!

publicado por Theosfera às 22:42

Dois foram os temas que dominaram a informação entre nós: o abate e o resgate.

 

Ambos devem ser devidamente meditados e atentamente digeridos.

 

Cada um a seu modo, representam aquilo que não deve voltar a acontecer.

 

O abate de Osama ben Laden é o corolário de uma cultura assente na vingança.

 

O resgate de Portugal pressupõe uma cultura focada na prioridade do dinheiro sobre as pessoas.

 

Sucede que a experiência demonstra que a vingança não extingue a violência. Pelo contrário, prolonga-a.

 

E a mesma experiência documenta que a submissão das pessoas aos desígnios do capital subverte a vida da sociedade.

 

As pessoas vão viver pior por causa dos compromissos com entidades, nacionais e internacionais, que fazem do lucro um objectivo supremo.

 

Acresce alguma irresponsabilidade por parte de quem nos foi encobrindo a realidade e adiando a tomada de decisões.

 

Tudo isto configura uma necessidade imperiosa de mudança.

 

O mundo novo demorará muito a chegar?

 

Eu acredito que a utopia não é eternamente irreal.

publicado por Theosfera às 21:09

Não basta gerir as expectativas. Agora, é fundamental olhar para a realidade.

 

Não dá para iludir.

 

Se, dentro, ainda há quem tente, de fora, acabaram-nos com as ilusões.

 

A doença está a custar. Mas a cura também irá doer.

 

Se isto estivesse bem, não era preciso recorrer à ajuda.

 

Mas tudo pode ficar melhor.

 

A esperança ainda nos pode espantar.

publicado por Theosfera às 20:57

Agora, que tudo está revelado, cabe-nos olhar em frente sem descurar as lições que o passado mais recente nos oferece.

 

Até porque o delegado do FMI já foi dizendo que, provavelmente, será a última vez que Portugal recebe um apoio deste género.

 

Enfim, vêm aí novos tempos em que precisamos de nova energia, de novas ideias, de novos comportamentos e, já agora, de novos protagonistas.

 

Não me revejo num elitismo snob e pretensioso, mas penso que faz falta ao país uma elite que se norteie por elevados padrões éticos: verdade nas intervenções, justiça nas decisões, seriedade nos comportamentos.

 

É natural que todos se apresentem. Mas que haja condições de os melhores poderem ser escolhidos.

 

A democraticidade não pode degenerar no império da vulgaridade.

 

A democracia não é incompatível com a excelência. E o exercício de funções públicas merece que os mais capazes não se sintam inibidos.

 

Se os tempos são novos, que tudo seja novo.

publicado por Theosfera às 20:27

Primeiro, o reconhecimento

 

Se o país tivesse pedido assistência financeira externa há mais tempo talvez alguns aspectos do programa de ajustamento agora negociado tivessem sido mais brandos, disse Jürgen Kröger, o responsável da Comissão Europeia que está no país para negociar a ajuda externa.

 

«Talvez na área orçamental, se o pedido tivesse sido feito mais cedo, o plano podeia ter sido mais suave», disse Kröger em resposta a uma pergunta durante a conferência de imprensa que a troika Comissão Europeia-BCE-FMI deu em Lisboa sobre o Memorando de Entendimento que negociou com o Governo em contrapartida pela ajuda ao país.

Por seu lado, o representante do FMI, o dinamarquês Poul Thomsen, acrescentou que «o atraso torna sempre as coisas mais dolorosas. Teria sido melhor não ter sido atrasado o pedido».

 

Depois, o aviso

Em relação à possibilidade de o futuro Governo que sair das eleições de 5 de Junho poder adoptar medidas diferentes para alcançar os objectivos agora decididos, Kröger que disse: «Se houver questões a acertar ou as circunstâncias mudarem, nós estaremos cá de três em três meses para acertar» essas coisas.

publicado por Theosfera às 14:11

Nesta hora, o pior que nos pode acontecer, a par da desesperança, é a indiferença.

 

Por muito menos, há quem indigne muito mais.

 

Stéphane Hessel publicou um livro onde convida à indignação. O prefácio pertence a Mário Soares, famoso por ter defendido, em tempos, o «direito à indignação».

 

A bem dizer, trata-se de um opúsculo, o que prova que não é preciso a um livro ser grande para se tornar um grande livro.

 

Em vários países, tem sido um êxito editorial estrondoso, tanto mais que o autor já leva 93 anos de vida.

 

Começa por questionar a ideia de que «o Estado já não consegue suportar os custos das medidas sociais. Mas como é possível que, actualmente, não tenha verbas para manter e prolongar estas conquistas, quando a produção de riquezas aumentou consideravelmente» desde o fim da segunda grande guerra, «quando a Europa estava arruinada»?

 

A resposta vem pronta: «Porque o poder do capital nunca foi tão grande, insolente, egoísta, com servidores próprios até nas mais altas esferas do Estado».

 

Ou seja, enquanto, primeiro, se procurava colocar o capital ao serviço das pessoas, agora a tendência é para posicionar as pessoas ao serviço do capital.

 

No primeiro caso, o dinheiro é um instrumento. No segundo, o lucro é um fim. O fim supremo?

 

A história não muda quando as pessoas se deixam subjugar pelos seus receios. A história pode mudar quando as pessoas se deixam guiar pela indignação.

 

Não é preciso que toda a gente se manifeste. Basta que «uma minoria activa se insurja». Teremos, então, «o fermento necessário para levedar a massa».

 

A indiferença é a pior das atitudes. Não podemos presumir que as decisões são com os outros. O tempo é da política. Mas é sobretudo da cidadania.

 

Tudo isto tem de ser feito de modo não violento. É preciso aprender a conjugar a indignação com a paz.

 

Será possível?

publicado por Theosfera às 11:43

O que distingue o líder do comum dos cidadãos é a visão e a decisão. O líder é o que vê antes e decide cedo.

 

Bom líder é o que vê a árvore a partir da raiz e não apenas quando surgem os frutos.

 

Bom líder é que não só o que conhece a realidade, mas também o que intervém na realidade.

 

Percebemos, agora, por que vivemos, acima de tudo, uma crise de liderança.

 

A crise internacional é um factor com que todos contávamos, mas há países que se aguentaram melhor.

 

Está visto que o apoio exterior vai exigir contrapartidas de peso. As penalizações no trabalho não são tão fortes como se temia. Mas o agravamento do custo do consumo é mais duro do que se previa.

 

É preciso falar verdade e olhar em frente. Não precisamos de encenações de pendor ilusionista.

 

Aliás, se o rosto é, como defendia Emmanuel Levinas, o espelho da alma, a expressão de Teixeira dos Santos na terça à noite dizia tudo.

 

Ele sabia que, a seu lado, alguém falava verdade, mas tratava-se de uma verdade coberta pela verdade que faltava.

 

Hoje, os seus lábios deram voz à preocupação que se desprendia da sua face. O programa da troika, garante, «não é portador de boas notícias». 

 

Aliás, qualquer medicamento, que cura, tem contra-indicações, muitas vezes, dolorosas.

 

Estas contra-indicações podem, de caminho, bloquear o efeito das terapias.

 

Já pensaram nas mais de 600 que vão ficar sem abono de família?

 

 

publicado por Theosfera às 11:28

Mais impostos, menos prestações sociais, mais facilidade em despedir e menos indemnizações a pagar são as ordens da troika.

 

Às 11 horas, tudo será esclarecido. Mas, a esta hora, os dados já começam a ser ventilados.

 

Podia ser pior, sem dúvida. Mas os próximos anos não vão ser bons.

 

Acresce que os mais ricos, em Portugal, ganham 18 vezes mais que os mais pobres.

 

A justiça não quer nada connosco. Ou somos nós que não queremos nada com a justiça?

publicado por Theosfera às 06:22

Os estados de espírito são cada vez mais vaporosos.

 

Ontem, predominava o alívio. Hoje, parece sobrevir alguma apreensão.

 

Afinal, vai haver aumento de impostos. Provavelmente, a electricidade e o gás ficarão mais caros. Isto para não falar da redução das deduções fiscais, do eventual aumento do IVA, etc.

 

Mas não percamos a esperança. Não desistamos de nós.

 

O desalento não há-de prevalecer.

 

Um povo não é solidário quando é rico. É rico quando é solidário.

 

O auxílio exterior está para vir. Mas o auxílio interior já cá está. No fundo da nossa alma.

 

Uma boa noite! 

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 04 de Maio de 2011

Há momentos em que há mais certezas quanto às dúvidas e mais dúvidas quanto às certezas. Em que as dúvidas parecem mais certas do que as certezas e as certezas mais duvidosas do que as dúvidas.

publicado por Theosfera às 21:01

publicado por Theosfera às 19:07

 Bento XVI citou Sócrates e Platão para falar da importância da oração desde a antiguidade, iniciando um novo ciclo de reflexões semanais.

 

Perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa disse que rezar é falar com Deus e apresentou alguns exemplos de oração presentes nas culturas antigas.

 

Nesse contexto, falou da religião da Grécia antiga, na qual identificou uma evolução muito significativa, em que se deixam de pedir ajudas para todas as circunstâncias da vida quotidiana e se passa a destacar o aprofundamento da relação com Deus.

 

«Por exemplo, o grande filósofo Platão relata uma oração do seu mestre, Sócrates, tido justamente como um dos fundadores do pensamento ocidental: "Faz com que seja belo por dentro. Que eu retenha o que é sábio e que só tenha o dinheiro que o sábio pode possuir e levar. Não peço mais"», acrescentou.

 

Bento XVI falou também das variadas orações presentes nas antigas culturas do Egipto, Mesopotâmia e Roma, nas quais «ressalta a consciência que o ser humano tem da sua condição de criatura e da sua dependência de outrem que está acima dele e é a fonte de todo o seu bem».

publicado por Theosfera às 16:32

Nem sempre se deve esperar que nos afastem. Às vezes, é importante tomar a iniciativa de sair.

 

A vontade dos outros é um elemento estimável. Mas o respeito por nós mesmos é um factor decisivo.

 

Aqui, o discernimento é fundamental. Há combinações impossíveis, que simplesmente não resultam. O próprio Jesus o atesta. Ele é para todos. Mas não é para tudo. Donde há hipocrisia, mentira e corrupção Ele é o primeiro a sair.

 

O exemplo que a seguir se reproduz revela uma elevada dose de lucidez e um enorme índice de coragem.

 

Em 2009, o Ministério Público de São Paulo (Brasil) mandou retirar as imagens religiosas das repartições públicas.
 
No diário “Folha de São Paulo” de 9.08.2009 foi publicada uma carta muito corajosa de um padre católico – Demetrius dos Santos Silva – que apresenta curiosas razões por que concorda com essa legislação.
 
Diz assim: “Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde as sentenças são barganhadas, vendidas e compradas. Não quero ver mais a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte. Não quero ver também a Cruz em delegacias e cadeias, onde os mais pequenos são constrangidos e torturados. Não quero ver a Cruz em hospitais onde pessoas pobres morrem sem atendimento. É preciso retirar a Cruz das Finanças públicas, porque Cristo não abençoa o tratamento dado a quem paga impostos e mantém a máquina pública, e a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos”.
 
Valente coragem! Mas esta coragem anda bastante longe de Portugal.
 
Falta por cá a coragem de denunciar a injustiça, a corrupção, as fraudes, a morosidade dos tribunais, etc. Talvez esta carta ousada de frei Demetrius possa despertar muita gente para a missão de “anunciar a Boa Nova aos pobres”: aos desprotegidos e injustiçados… Talvez a força desta crise faça despertar o olhar para os problemas das pessoas em carência física e moral…
 
Mário Salgueirinho, in Voz Portucalense, via O Banquete da Palavra
 

 

publicado por Theosfera às 16:24

Uma visão não é só o que se vê. É também (e bastante) donde se vê.

 

Daí a pluralidade de visões acerca da mesma realidade.

 

Napoleão, homens de poucas falas, terá dito, um dia, aos seus soldados: «Todos olham para onde eu olho e ninguém vê o que eu vejo».

 

Quando falamos de Jesus, pensamos naqueles que nos falam d'Ele: os Evangelhos, os Papas, os Teólogos, os Historiadores, etc.

 

Cada perspectiva oferece-nos uma faceta, destaca um aspecto, salienta uma particularidade.

 

Por vezes, somos compelidos a notar diferenças de vulto conforme o olhar que nos é proposto.

 

O Jesus apresentado nos compêndios parece-nos deveras diferente do Jesus vivido por um iletrado.

 

Não raramente, a nossa relação com Jesus está condicionada pelos meios de acesso.

 

Tanto se inspira em Jesus o Código de Direito Canónico como a assistência aos mais pobres da terra.

 

Tanto se reclama de Jesus o que dita sentenças e impõe castigos como o que tolera, ama e perdoa.

 

Há coisas que são mais para mostrar do que para dizer.

 

González-Faus notava que Jesus, quando anunciava Deus, não Se preocupava em falar de Deus, mas em deixá-Lo transparecer.

 

Jesus, o universal concreto, pode ser encontrado em toda a parte. Mas é sobretudo para baixo que temos de olhar se não O queremos perder.

 

O que nos deve preocupar, por isso, não é que se pretenda calar a Igreja. É que se queira silenciar Jesus.

 

E dessa tentação nem na Igreja estamos totalmente livres.

 

A este respeito, valerá sempre a pena reler Dostoiévsky e o seu inquisidor em Os Irmãos Karamazov. 

  

publicado por Theosfera às 11:36

Pouco se fala disso, mas a crise tem afectado bastante a imprensa escrita.

 

Os principais jornais têm vindo a descer nas suas vendas.

 

Era bom que se meditasse nisto.

 

O mais fácil é dizer que é um sinal dos tempos (há a televisão e a net) ou que se trata de um dos sintomas da crise.

 

Importante seria que os jornais fizessem um sério exame e que reconsiderassem o alarmismo em que se deixam, muitas vezes, enredar. Ou a especulação sobre a vida das pessoas. Ou a atenção desmesurada a futilidades.

 

Dir-se-á que é aquilo que as pessoas consomem mais. Mas, pelos vistos, são cada vez menos os consumidores.

 

Pelas páginas de um jornal tem de fluir o curso da realidade. Mas não será possível que, a partir delas, se reabram algumas janelas de esperança?

publicado por Theosfera às 11:16

A interdependência é o dado mais intenso da globalização. E Portugal parece que não se dá muito mal com isso.

 

Quando os objectivos para o nosso país são fixados (impostos?) a partir de fora, a resposta costuma ser positiva.

 

O FMI já impôs dois programas de austeridade e Portugal cumpriu.

 

A Europa impôs um programa para a adesão e, depois, para a entrada na moeda única e Portugal cumpriu.

 

Parecemos aquelas pessoas que nunca acordam a horas por si mesmas. É preciso que apareça sempre alguém a despertá-las.

 

Somos assim. Não poderemos, alguma vez, ser diferentes? 

publicado por Theosfera às 11:11

Quando o melhor que nos ocorre é que podia ser pior, o entusiasmo não será muito, mas o alívio é grande.

 

E talvez por isso as eleições de 5 de Junho poderão ter ficado decididas na terça-feira à noite.

 

José Sócrates pode não ser um bom governante nem uma figura simpática. Mas que se trata de um excelente profissional, disso não restam dúvidas.

 

Nesta hora, o que as pessoas esperavam não era especiais efusões de ânimo. Era que alguém afastasse os piores receios.

 

O primeiro-ministro foi o primeiro a fazê-lo. A política é uma corrida de fundo, mas não se pode esquecer o sprint final.

 

As massas começam a olhar para o Governo não em função do que aconteceu nos últimos anos, mas em função do que sucedeu nos últimos dias. A última imagem acaba por ser a mais impressiva.

 

O povo estava preocupado sobretudo com os salários e com as pensões. Sócrates assegurou que aqueles não vão baixar e que estas não irão diminuir.

 

Fazer uma bandeira com o que não vai acontecer é um sinal preocupante. Mas na era do vazio, pode ser un trunfo. Um trunfo decisivo para o triunfo?

 

Aguardemos.
 

publicado por Theosfera às 11:05

Terça-feira, 03 de Maio de 2011

O 13º mês e o subsídio de Natal não vão ser afectados.

 

As pensões mais baixas poderão não vão crescer, mas também não vão diminuir.

 

O salário mínimo não sofrerá reduções.

 

Os despedimentos não serão facilitados.

 

Por isso, os portugueses estarão um pouco aliviados.

 

Podia ser pior. Esta expressão, tipicamente portuguesa, terá assomado ao pensamento de muitos.

 

O primeiro-ministro parecia feliz. Já o ministro das finanças exibia alguma apreensão. E o representante do PSD mostrava-se um pouco tenso.

 

Governo, PSD e CDS aparentam disputar a autoria do acordo com a troika

 

Foi pena que a apresentação das linhas gerais do acordo não tenha sido feita em conjunto. Teria sido um sinal de maturidade.

 

Assim, cada um procura demonstrar que o auxílio, mais que uma vitória para o país, é uma derrota dos outros. Preocupante!

 

O auxílio, de 78 mil milhões de euros, é por três anos, mas o pensamento está voltado para daqui a um mês. Já agora, que dirão as próximas sondagens?

 

O senhor primeiro-ministro foi muito profissional, ao realçar, cirurgicamente, as medidas menos gravosas desmontando as expectativas mais pessimistas que se vinham desenhando.

 

Mas ainda não foi dito tudo. Amanhã, será apresentado o resto. Provavelmente, a factura que teremos de pagar.

 

Já nem as ajudas são de graça.

publicado por Theosfera às 21:25

«O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos. E todos somos mortais».
Assim escreveu (pertinente e magnificamente) John Kennedy.
publicado por Theosfera às 21:10

No rescaldo de toda a operação que pretendeu decapitar o comando da Al-Qaeda, a nossa consciência segreda-nos. Osama nunca pode ser um modelo, mas nem sempre Obama pode ser uma referência.

 

Osama jamais pode ser aprovado. Mas Obama também não pode ser aplaudido.

 

O envolvimento da fé, em toda esta trama, só adensa a carga de tragédia.

 

Nunca percebi a preocupação da Igreja em, proclamando a paz, demarcar-se do pacifismo. Este que, como atesta a História, foi a prática corrente da Igreja até Constantino.

 

O problema, que aliás tem sido estudado, radica aqui: a mensagem de Jesus, que supera a Lei de Talião, foi sendo monitorizada pelo Direito Romano, que retoma a Lei de Talião sob a égide de uma pretensa justiça retributiva.

 

Esta, no fundo, limita-se a aplicar ao criminoso o que o criminoso fez. Se o criminoso mata dve ser morto.

 

A bem dizer, esta justiça não passa de uma vingança oficializada.

 

Foi, de resto, o que se ouviu na Casa Branca: «Foi feita justiça». Foi?

publicado por Theosfera às 20:23

O mundo das religiões é um poço de contradições. É capaz do melhor e do pior.

 

Tudo depende do encaminhamento que damos ao absoluto de Deus. As vias são o amor, o poder e a violência.

 

Amor absoluto é uma bênção. Poder absoluto é um tormento. Violência absoluta é um perigo e pode ser a destruição.

publicado por Theosfera às 19:55

Aquando do 11 de Setembro, falava-se, com arrepiante estupor, daqueles que amam mais a morte do que nós a vida.

 

Agora, quando é eliminado um dos principais mentores do terror planetário, assinala-se que o seu ódio pelos inimigos era superior ao amor pelos filhos.

 

Parece algo inimaginável, mas está aí, à prova dos factos.

 

Se o amor não tem limites, o ódio também parece não conhecer fronteiras.

 

Há quem encare o ódio como uma espécie de prova de vida: «Odio, ergo sum» (odeio, logo existo).

 

Já Empédocles, um dos sábios pré-socráticos, admitia que, a par do amor, o ódio era uma das forças mais poderosas do mundo.

 

Acresce que muitos dos que se esmeram na arte de odiar gostam de se apresentar como devotos. Trazem a palavra Deus nos lábios, mas parecem ignorá-Lo com as suas acções.

 

Há certos posicionamentos teológico-espirituais que aparentam desconfiar mais do amor que do ódio.

 

Está tudo invertido. O amor é a palavra mais usada, mas o ódio parece ser a prática mais frequente. O que se faz, o que se diz e o que escreve aí está para o certificar.

 

Olhemos para os perseguidos de todas as épocas. Descobriremos algum motivo consistente para tantas perseguições?

 

Se descontarmos o ódio, encontraremos o vazio.

publicado por Theosfera às 10:57

É provável que esteja morta. Mas não é impossível que esteja viva.

 

Uma coisa é certa: Maddie McCann continua presente...desde que ficou ausente!

publicado por Theosfera às 10:30

Façamos o que nos compete.

 

Julgar não nos compete.

 

O juízo é de Deus (cf. Deut 1, 17).

publicado por Theosfera às 10:30

3 de Maio é dia de dois apóstolos, S. Filipe e S. Tiago. Dia também para recordar, gratamente, uma figura apostólica que muito me marcou. O senhor D. António de Castro Xavier Monteiro foi ordenado bispo nesta data.

 

Jamais poderei esquecer a sua estatura eclesial, espiritual, humana e intelectual. Também é impossível olvidar o carinho com que nos tratava.

 

A sua delicadeza sempre o distinguiu e nobilitou. Uma prece sentida. Uma recordação entremeada de saudades. Profundas. Imensas.

publicado por Theosfera às 10:29

Causou estranheza a muita gente que Barack Obama tivesse invocado o nome de Deus, por mais de uma vez, na comunicação onde anunciou a morte de Ben Laden.

 

O presidente do Peru foi mesmo ao ponto de considerar este o primeiro milagre obtido pela intercessão no novo Beato João Paulo II!

 

Como todos se lembram, o nome de Deus era também utilizado por Ben Laden e por outros terroristas.

 

Ora, isto reconduz-nos ao que José Saramago denunciara com a sua acidez impenitente. Parece que um deus andou a semear ventos e outro deus andou a colher tempestades.

 

Dir-se-ia que se a verdade é a primeira vítima da guerra, Deus não é a última.

 

Quando ouvimos mais depressa recorrer a Deus para a guerra do que para a paz, estamos a prestar um péssimo serviço Àquele a quem, supostamente, queremos louvar.

 

No fundo, dizemo-nos religiosos e nem sequer percebemos o básico do religioso: ligar e não desligar, muito menos eliminar.

 

A história religiosa está cheia de instrumentalizações que nos deviam fazer corar.

 

Enquanto não tolerarmos o discrepante, enquanto não avançarmos para o consensuante (estou a socorrer-me de fecundas expressões de Pedro Laín Entralgo), continuaremos longe do essencial.

 

O inquisidor de Dostoiésvsky censurava Jesus por ter colocado a liberdade à cabeça de tudo. Só que teimamos em não aprender com Ele.

 

Eliminar o diferente é uma tentação muito grande. De parte a parte.

 

Hoje, muitos vão deitar-se aliviados. Será que, amanhã, irão despertar sem medo?

 

Precisamos de algum tempo para saber se, com a morte de Ben Laden, o 11 de Setembro ficou liquidado ou se, pelo contrário, não continuará a ter penosas réplicas.

 

As trevas persistem em não nos deixar.

 

Sobre tudo isto, mantenho no essencial o que assumi aqui.

publicado por Theosfera às 00:01

O processo educativo não é o que nos convence daquilo que sabemos. É o que nos mobiliza para aquilo que podemos vir a saber.

 

Vladimir Nabokov estava certo quando defendeu que «a medida de uma educação é que adquirimos alguma noção da extensão da nossa ignorância».

 

Por isso é que a educação nos capacita para o primeiro (e fundamental) saber, sem o qual nenhum outro existe: o não saber.

 

Receio, pois, aqueles que estão sempre prontos a ensinar sem manifestarem qualquer disponibilidade para aprender.

 

Ser convincente é muito diferente de ser convencido.

 

Quanto mais se avança na aprendizagem, tanto mais se cresce na percepção de que é pouco o que se sabe, de que é muito o que há para saber.

 

Só a humildade espevita a procura e permite saciar a fome. A fome de saber, a fome de viver, a fome de ser...

publicado por Theosfera às 00:00

Segunda-feira, 02 de Maio de 2011

Enquanto todos clamam por justiça, cada um vai promovendo a sua vingança.

 

Violência+violência=paz?

 

O que a experiência mostra é que violência+violência=mais violência.

 

Como sair daqui?

 

Não sei qual será a solução. Só sei que este não é o caminho.

 

publicado por Theosfera às 16:06

Alguns suspiram de alívio. Outros ardem de raiva.

 

Será preciso imitar o vencido para se tornar um vencedor?

 

O que viveu matando acabou morto.

 

O mundo perdeu uma ameaça. Mas será que ganhou tranquilidade?

 

Alguém reclamará vitória. Não é, porém, a paz que se prepara para vencer.

publicado por Theosfera às 14:05

1. Já que, nesta conjuntura difícil, minguam as ideias, que, ao menos, não definhe a esperança.

 

Não se trata apenas de encontrar uma solução para a crise. Trata-se, antes de mais, de vislumbrar um sentido que nos permita lidar com a crise.

 

Vaclav Havel disse o essencial quando sustentou que «a esperança não é a convicção de que alguma coisa acabará bem, mas a certeza de que alguma coisa tem sentido, independentemente do modo como acabará».

 

Como referiu Eduardo Lourenço, Portugal assemelha-se a «um milagre contínuo». Estamos sempre a vacilar, mas ainda não caímos.

 

Na hora que passa, carecemos, sem dúvida, de ajuda exterior. Mas do que precisamos mesmo é de estímulo interior.

 

O auxílio mais precioso não é o que virá de fora. É o que partirá de dentro, o que arrancará do fundo. Do fundo da nossa história. Do fundo da nossa alma. Do fundo da nossa identidade.

 

 

2. O cenário que nos criaram obriga-nos a criar um novo espírito.

 

Cada um de nós sabe que vai contar menos com o Estado. Tem de passar a contar mais consigo e com os outros.

 

Temos, por conseguinte, de aumentar os índices de corresponsabilidade e de justiça.

 

Enquanto houver pessoas que não disponham do mínimo, a nossa consciência não nos pode deixar aspirar ao supérfluo.

 

Não é somente o Estado que tem o dever de acudir aos mais necessitados. Esse dever impende sobre todos os cidadãos.

 

 

3. Da classe política espera-se, acima de tudo, verdade e elevação.

 

Não é admissível que se passe o tempo a construir um discurso que se sobrepõe à realidade, ocultando-a.

 

A propaganda pode ajudar a vencer eleições, mas não contribui para resolver problemas. Só os agrava.

 

O discurso tem de mostrar aquilo que acontece sem estar à espera que a realidade se torne insustentável.

 

Depois, é preciso entender que nenhum cidadão pode ser apontado como adversário de outro cidadão.

 

Da diferença tem de vir sempre a pluralidade e nunca a animosidade.

 

Hoje em dia, é praticamente impossível encontrar plataformas de convergência entre os principais agentes políticos.

 

Numa altura em que o entendimento é mais necessário é que as clivagens parecem ser mais intransponíveis.

 

Sucede que uma diferença não é, necessariamente, um entrave à colaboração.

 

Raymond Aaron estabeleceu o princípio nuclear a este respeito: «A democracia é obra comum de partidos rivais».

 

 

4. É certo que o nosso país já passou por muitas fases complicadas.

 

Não é sequer a primeira vez que se fazem os diagnósticos mais pessimistas. E não será a última onde a nossa sobrevivência aparenta estar em risco.

 

Só que isto não pode ser visto como pretexto para descansar. Tem de ser encarado como motivo para mudar.

 

Porque sempre foi assim não quer dizer que sempre assim tenha de ser. Há que aprender com o passado e não desaprender com o presente.

 

Uma crise é sempre um alerta. A opção que, hoje, se coloca é se queremos acabar com ela ou se nos resignamos a acabar nela.

 

Estou certo de que, uma vez mais, iremos reassumir o nosso desígnio.

 

Embora Steiner avise que «já não temos começos», a experiência mostra que não estamos impedidos de recomeçar.

 

Aos nossos dirigentes só pedimos que não insistam em destruir pontes e em cavar muros. O futuro é uma construção demasiado grande para ser feita só por alguns.

 

A 5 de Junho, vamos escolher. Não vamos excluir. É importante que se assinalem as diferenças. Mas esta é a hora de juntar esforços.

 

Não ocultem, pois, as propostas que eventualmente vos separam. Mas, por favor, coloquem acima de tudo o país que nos une.

publicado por Theosfera às 11:42

Ben Laden era uma ameaça em vida. Ben Laden continuará a ser um perigo depois de morto.

 

O recurso à morte leva a que todas as vitórias sejam efémeras. Foram muitos os que morreram às ordens de Ben Laden. Quantos não irão morrer, agora, na sequência da sua morte?

 

O grave é que muitos inocentes serão imolados nesta luta sem quartel.

 

Ben Laden fez muito mal a muita gente. Mas, por uma questão de princípio, nenhuma morte nos pode alegrar. Até porque não é a morte de um assassino que devolve à vida os assassinados. Nem tampouco evita que outros assassínios se cometam.

 

Não deixa de ser curioso notar o seguinte. Um presidente considerado belicoso não conseguiu eliminar Ben Laden. Foi com um presidente visto como pacifista (e até galardoado com o Nobel da Paz) que esta morte se consumou.

 

Não sou estratego. Não me perguntem, pois, como travar as acções de Ben Laden.

 

O caminho para a paz não é linear. De uma coisa estou seguro. O terrorismo não vai terminar. A esta hora, a sede de vingança deve ser enorme.

 

Para nos defendermos, não podemos falhar nunca. Mas para nos matarem, basta que não falhem uma vez.

 

Neste dia de sol, o mundo continua sombrio. De quanto tempo precisaremos até percebermos que não há caminho para a paz a não ser a paz?

 

Desde o dia 11 de Setembro até hoje, é a violência que tem triunfado. Até quando? 

publicado por Theosfera às 09:32

Domingo, 01 de Maio de 2011
«Das grandes crises surgem grandes homens e feitos grandiosos e corajosos».
Assim ecreveu (notável e magnificamente) John Kennedy.

 

publicado por Theosfera às 18:58

João Paulo II foi, sem dúvida, um homem forte, determinado, com um sentido muito apurado da sua missão.

 

Nele transparecia uma energia muito grande, que lhe advinha de uma espiritualidade muito funda.

 

Tinha um olhar penetrante, uma voz cadenciada, uma atitude envolvente.

 

Nunca perdeu o jeito para representar, não só como actor, mas também como pastor.

 

Se representar é tornar presente, Wojtyla foi alguém que, em novo, tornou presente personagens e que, depois, se sentiu chamado a tornar presente o mistério santo de Deus.

 

Antes de subir aos altares, João Paulo II já tinha descido aos corações.

 

Muitos foram os que aderiram a Jesus Cristo por causa dele. E isso é que conta.

 

O centro é Jesus Cristo. Há sempre o perigo de alguma hagiolatria. Nenhum santo quer ocupar o centro que só a Jesus é devido.

 

A santidade não é a ausência de imperfeições. Pelo contrário, é a consciência de uma obscuridade que só a luz de Deus pode suprir.

 

Óscar Wilde tinha uma percepção muito aguda acerca disto ao sentenciar que «não há santo sem passado nem pecador sem futuro. E An Suu Ki estava certa quando disse que o «santo é o pecador que não desiste».

 

O santo considera-se, muitas vezes, o maior adversário de si mesmo. Daí o sacrifício e todo o percurso de ascese.

 

Não há nenhum santo que nos mostre a totalidade de Deus. Cada um deles constitui, a seu modo, um vislumbre da santidade. Em Wojtyla resplandece, acima de tudo, a coerência, a intensidade, a persistência.

 

Noutros, como em João XXIII, sobressai, antes de mais, a bondade, a confiança, a paternidade serena e não autoritária.

 

Um dia, também Paulo VI será beatificado já que nele avulta, em grau heróico, o sofrimento ante a decisão e o pudor que tinha em magoar alguém. Admirável esta delicadeza de ânimo.

 

E não há-de tardar o reconhecimento da santidade de Óscar Romero, que arriscou tudo (mesmo tudo) pelos mais pobres, onde ele via esculpida a imagem do próprio Jesus.

 

Nestes dias, temos ouvido falar muito de João Paulo II. Importante é procurar viver a mensagem de Jesus em cada dia.

 

E há tantos anónimos que nunca serão beatificados e que, sob o ornamento da humildade, incorporaram o Evangelho de Jesus em forma de bondade, mansidão, amor e paz.

publicado por Theosfera às 13:29

Como não agradecer-te, mãe,
se é tanto o que és,
o que ofereces
e o que semeias no meu ser?

 

Mas como agradecer-te, mãe,
se é tão pouco o que tenho
para dizer, para te bendizer?

 

O que o coração sente
os lábios não são capazes de balbuciar.

Trémulos, hesitam e gaguejam,
incapazes de soltar uma palavra
ou de articular um som.

 

Mas será que existe alguma palavra
que consiga dizer o que o coração sente?

 

Dizer «obrigado» é pouco,
mas dizer-te «obrigado» é tudo o que resta
quando tudo já tiver sido dito.

 

Obrigado, mãe,
pela vida que nunca recusaste dar-me.

 

Obrigado pelo amor
que nunca hesitaste oferecer-me.

 

Obrigado pelo sacrifício
a que nunca te furtaste.

 

Obrigado pela fé
com que sempre me inundaste.

 

Obrigado
por seres sempre berço a que volto
e fonte a que regresso.

 

Obrigado
pelo testemunho e pela fidelidade.

 

Obrigado
me teres dado a vida
e por seres vida para mim.

 

Obrigado
por não me eliminares quando habitei teu ventre.

 

Obrigado
por me amares desde o primeiro instante.

 

Obrigado
por nunca seres túmulo
e por sempre seres regaço.

 

Obrigado
por nunca pensares em ti
e por sempre pensares em mim.

 

Eu não mereço.
Eu não te mereço.
Mas agradeço.

 

Porque sei
que amar assim,
como tu amas,
é algo que só está ao alcance de ti, mãe!

 

Na pobreza dos gestos
e na fragilidade das palavras,
nada mais me ocorre
que este «obrigado».

 

Entrego-o no colo da Mãe das mães,
Maria, Mãe de Jesus.

 

Que ela te abençoe
e proteja.

 

Que ela te conforte
e compense por tudo quanto fazes,
por tudo quanto és,
mãe!

 

publicado por Theosfera às 13:26

Podia ser a 8 de Dezembro, podia ser a 2 ou a 3 de Maio. Qualquer dia é bom para ser dia da mãe.

 

Não é um dia para ser comprimido em 24 horas ou entalado em rituais que a sociedade vai impondo.

 

É bonito que os cumpramos. Que levemos uma flor e que elevemos uma prece.

 

É sempre pouco o que se dá a uma mãe em comparação com o que ela está sempre a dar-nos.

 

O dia da mãe é um dia esticado, uma manhã dilatada, uma primavera interminável.

 

Este é o dia em que o sol nunca se põe.

 

Este é o dia que nunca anoitece.

 

Mãe nunca adormece. Mesmo a dormir, ela dorme como mãe.

 

Ela é a mais pura guardiã do amor, o santuário onde a vida nunca deixa de palpitar.

 

Uma mãe antecipa-se sempre. Este dia só consegue postecipar.

 

É sempre um mínimo diante de um máximo.

 

Mãe nunca deixa de ser mãe. Nem a morte mata a mãe.

 

Mãe sobrevive sempre.

 

Há muitos títulos e condecorações que se impõem em muitos peitos.

 

Mas o mais belo ornamento é o que mora no coração.

 

Esse ornamento tem o nome de mãe.

 

Ninguém seria nada sem a Mãe.

 

Mãe é o que fica, mesmo quando tudo passa.

 

Este, a bem dizer, não é o dia da mãe. É, possivelmente, o dia em que muitos se lembram de que existe mãe.

 

Dia da mãe é cada instante. Porque só uma mãe consegue transformar o átomo mais ínfimo da existência num vendaval de eternidade.

 

Basta haver amor, para existir eternidade.

 

O coração de mãe é eterno. Alguém duvida?

publicado por Theosfera às 13:24

Hoje é um dia em que não se trabalha para que melhor se possa pensar na situação de quem trabalha.

 

Nos últimos séculos, o perfil do trabalho alterou-se completamente. Já não há trabalho de subsistência, mas também não parece haver trabalho de consistência. Ou seja, o trabalho agrícola foi cedendo o lugar predominante ao trabalho operário e ao trabalho de serviços. Só que, também aqui, as expectativas estão longe de se realizar.

 

O operariado degenerou num precariado. O trabalho, mesmo se definitivo, só existe enquanto dura. O desemprego não pára de crescer. A escravatura dá sinais de aumentar. A fome ameaça. A violência tende a imperar.

 

Neste dia de S. José Operário, peçamos pela justiça no universo do trabalho.

publicado por Theosfera às 13:23

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