O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Desengane-se quem pense que as pessoas estão a afastar-se de Deus.

 

Não podemos deduzir a relação com Deus unicamente a partir da militância numa religião.

 

O critério é que vai mudando. As pessoas orientam-se, cada vez mais, pelos ditames da sua consciência e cada vez menos pelos ditames da autoridade.

 

Independentemente de qualquer valoração teologal, este é um dado com que temos de contar crescentemente.

publicado por Theosfera às 23:33

Outra das palavras que urge reinventar é a palavra liberdade.

 

Não falta quem saiba pronunciá-la, mas falta quem consiga testemunhá-la.

 

Para alguns, a liberdade é absoluta para si e muito condicionada para os outros.

 

Para muitos, a liberdade é a capacidade de todos fazerem o que eles mandam.

 

Não escasseia quem só saiba conjugar o verbo mandar. No modo imperativo.

 

Precisamos de quem olhe para a liberdade dos outros como o espaço da sua própria liberdade.

 

O outro não é uma adversidade. O outro tem de ser visto como uma oportunidade.

publicado por Theosfera às 15:54

Dividocracria.

 

É o título de um documentário. Será o conteúdo do regime em que vivemos?

 

Uma coisa é certa. A nossa vida, pessoal e colectiva, está cada vez mais condicionada pela dívida.

 

 

publicado por Theosfera às 11:24

Quem acompanha minimamente a campanha eleitoral nota como se desmorona, uma vez mais, a esperança de ver ubiquar o sonho de Platão na política portuguesa.

 

Defendia o filósofo grego que o governo da cidade devia ser assegurado pela razão. E a razão seria corporizada na pessoa do rei-filósofo. Ou seja, o governante devia ser, fundamentalmente, sábio.

 

Muitos séculos depois, porém, Immanuel Kant desfazia qualquer ilusão a este respeito: «Não é de esperar que os reis filosofem ou que os filósofos se tornem reis, pois a posse do poder corrompe, inevitavelmente, o livre juízo da razão».

 

Hoje em dia, os sábios já não se candidatam à governação. E, pelos vistos, os governantes já não aspiram à sabedoria.

 

É uma lacuna grave. Não só política. Mas também cívica.

 

Na hora que passa, tudo se resume ao dinheiro. Ele é a solução. Só que também é o problema. Estranho?

 

Reparem.

 

Vamos receber 78 mil milhões de euros. Parece ser a solução. Mas, só de juros, vamos pagar quatro mil milhões de euros por ano. Não será um grande problema?

 

Precisamos de competência para gerir esta conjuntura. Mas do que necessitamos verdadeiramente é de sabedoria para vislumbrar um desígnio comum, um rumo alternativo, uma esperança mobilizadora.

 

Estamos apreensivos quanto ao futuro, mas não queremos aprender com o passado.

 

E já Alexis de Tocqueville alertava: «Desde que o passado deixou de projectar a sua luz sobre o futuro, a mente humana vagueia nas trevas».

 

Tudo vai vagueando no espaço mediático com grande espectacularidade. Uma aurea mediocritas parece ser o passaporte mais viável para o êxito imediato.

 

A sabedoria fica à porta, escondida. Pagaremos um preço cada vez mais elevado pela conivência, que todos acabamos por manifestar, para com o desfilar da propaganda com muito ruído e nula substância.

publicado por Theosfera às 00:01

Ainda será preciso inventar palavras?

 

Haverá quem pense que sim e o faça. A cada passo, surgem neologismos. Uns oportunos. Alguns reveladores e fecundos. Outros talvez dispensáveis.

 

Em qualquer caso, parece-me que mais importante que inventar palavras é perceber o sentido fundo das palavras.

 

Vem-me à mente um pensamento célebre de Almada Negreiros: «Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas».

 

De facto, é preciso recuperar as palavras inventadas. É que há palavras que se perdem, mesmo quando as pronunciamos.

 

Atendamos, por exemplo, à palavra verdade. Para a maioria, ela estriba no interesse. Tem uma geometria variável. Oscila conforme a conveniência.

 

Estacionemos, a seguir, na palavra humildade. Não falta quem a veja como submissão e conformismo. É sempre aos humildes que se pede que se humilhem ainda mais. Neste entendimento, Jesus não seria reconhecido como humilde, apesar de Se ter apresentado como tal. Há certos apelos à humildade que funcionam como convites à anulação da pessoa. Esquece-se, pois, que só há humildade na verdade, na autenticidade, na simplicidade. Humildade tem que ver com humus, com ligação à terra. O humilde escolhe sempre o último lugar. Será humilde o que avilta a sua consciência só para agradar ao poder?

 

E não deixemos de atentar na palavra palavra. A raiz hebraica dbr tanto dá para palavra como para peste. E o que abundam são palavras que empestam a convivência. A palavra é um elo, um laço. Mas há quem faça dela uma seta, uma tempestade. Há quem se sirva dela para esconder, quando ela existe para revelar. E existe quem não hesita em recorrer a ela para julgar, para condenar.

 

Não inventemos mais palavras. Procuremos redescobrir as palavras já inventadas.

 

E, antes de as usarmos, pensemos se o seu uso não irá ferir alguém. Para feridas, já bastam as da vida.

publicado por Theosfera às 00:00

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