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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

1. Cresce, a olhos vistos, o encantamento de muitos cristãos pelas religiões orientais, sobretudo pelo Budismo.

 

Mas o mais curioso é que o seu objectivo não será tanto tornarem-se budistas, mas serem melhores cristãos.

 

Pode parecer estranho, mas não falta quem reencontre na tradição budista o que não consegue encontrar em muitas instituições cristãs: a vivência da mensagem de Jesus.

 

Há, sobretudo, dois valores que Jesus propõe e que o Budismo deixa transparecer com especial luminosidade: a paz e a compaixão.

 

Ali vão, pois, cultivar a paz no interior e, ao mesmo tempo, crescer na compaixão para com os outros.

 

 

2. Não falta, aliás, quem defenda que esta interacção entre o Cristianismo e o Budismo vem das origens.

 

Alguns alegam mesmo que o próprio Jesus terá tido contacto com a sabedoria budista.

 

 É possível que, antes de começar a Sua vida pública, tenha conhecido vários povos.

 

Em finais do século XIX, o investigador Nicolas Notovitch andou pelo Tibete e por lá ouviu falar de um Santo Issah.

 

Sucede que Issah seria o correspondente oriental de Jesus. No mosteiro budista de Himis, há documentos que falam da passagem desta figura por lá.

 

E o certo é que Santo Issah era uma figura venerada pelos budistas.

 

 

3. Já no século VI, mais ou menos quando Maomé iniciava o Islão, um pequeno grupo de monges cristãos percorreu a rota da seda desde a Pérsia até à China.

 

Acolhidos pelo imperador, traduziram para mandarim os textos sagrados que tinham transportado ao longo de cinco mil quilómetros.

 

 Ao traduzir, procuraram integrar e foi assim que involucraram os ensinamentos de Jesus em princípios do pensamento oriental, de pendor budista.

 

 Tendo mudado o ambiente, que passou a perseguir cristãos e budistas, muitos desses manuscritos (a que deram o nome de sutras, do sânscrito fio) foram escondidos numa gruta.

 

 Foi aí que, em 1900, um monge taoísta os redescobriu. Ray Riegert e Thomas Moore compilaram parte desses ensinamentos num volume a que deram o (apelativo) título de Os sutras perdidos de Jesus.

 

 Aqui palpita uma harmonia que, muitas vezes, se perdeu confirmando a percepção, vertida no livro, de que «quem conhece apenas uma religião não conhece nenhuma religião».

 

 Também nestes textos ressoam algumas das mensagens principais de Jesus: a compaixão, a misericórdia, a bondade e o amor.

 

 Diz Jesus nesta tradução sútrica: «Com respeito por todas as outras criaturas vivas, ajam sempre com bondade e nunca tenham pensamentos cruéis».

 

 Um dos preceitos do Sermão da Montanha recebe uma curiosa reformulação: «Procurem o que é puro. A pureza é como um espaço vazio, produz a luz do amor cujo brilho ilumina tudo».

 

 

4. Tudo isto revela um potencial enorme, mas que, por vezes, teima em continuar inexplorado pela vertigem descaracterizadora em que, não raramente, nos deixamos atolar.

 

Estará lá fora o paradigma que perdemos cá dentro?

 

Por outro lado, esta osmose inter-religiosa atesta que no diferente poderemos redescobrir a nossa identidade: como pessoas e como crentes.

 

 No fundo, é sempre possível aprender com os outros a sermos nós próprios.

 

Não há problema nenhum em mudar. Se todo o mundo é composto de mudança, a religião não deixará de mudar. 

 

O mais importante é a profundidade da mensagem e o alcance dos gestos. De todos os pontos é possível ver Jesus. Nenhum nos desaponta.

 

Jesus é mesmo o universal concreto. Ele está em tudo.

 

E, às vezes, os que consideramos mais distantes em relação a Ele até podem ser os que estão mais perto d’Ele: da Sua mensagem, da Sua vivência, do Seu amor, da Sua paz. 

 

publicado por Theosfera às 20:41

Eu percebo que as imagens da campanha reforcem a tendência para a abstenção.

 

Não se nota uma ideia. Não se extrai um projecto. Não avulta uma esperança.

 

Predominam os ataques e as encenações.

 

Falam uns com os outros, uns para os outros, uns contra os outros. Fazem de nós espectadores e comensais.

 

Neste contexto, vir pedir o nosso voto parece uma provocação.

 

Mas, mesmo assim, votemos. Não por causa deles. Mas por causa de nós, do país.

 

Sei que não é fácil. O esforço terá de ser hercúleo. Mas Portugal precisa de todos.

 

O cidadão não pode dar a entender que a pátria é propriedade de quem a dirige.

 

Clamemos por qualidade na política. Mas não deixemos que a cidadania adormeça.

publicado por Theosfera às 10:59

Paradoxal, a nossa época.

 

O trabalho serve para sustentar a vida.

 

Mas, muitas vezes, acaba por conduzir à morte.

 

Parece que, na França, o suicídio nos locais de trabalho está a aumentar.

publicado por Theosfera às 10:56

Não foi notícia, mas não deixou de ser acontecimento.

 

Cerca de quatro mil pessoas desfilaram ontem e angariaram quase 50 mil euros para ajudar a combater a fome no mundo.

 

É assim que se cresce no essencial: mobilizar o melhor das pessoas em favor das pessoas.

 

O números são são tudo. Mas podem ser bastante se tiverem repercussão na vida.

 

A única coisa que é legítimo matar (além das saudades) é a fome!

 

publicado por Theosfera às 10:52

Pode parecer estranho que um homem da imagem se recuse a apresentar a sua.

 

Mas o realizador Terrence Malick tem uma explicação: a sua obra já fala por ele, não é necessário que ele fale.

 

Em Cannes voltou a não aparecer apesar de ter vencido o prémio de realização.

 

Diz quem o conhece que é um tímido incorrigível e que se trata de alguém genuinamente humilde.

 

Eu sou tentado a dizer que este é um acontecimento mais relevante que o próprio festival.

 

Estamos num tempo e vivemos num mundo em que muitos se atropelam para aparecer.

 

Entre nós, temos alguém semelhante a Malick.

 

Herberto Hélder (para alguns, o maior poeta português vivo) recusa-se não só a aparecer, como tem recusado todos os prémios que lhe atribuem, inclusive o célebre Prémio Pessoa.

 

António Ramos Rosa, outro nome importante, também sempre se destacou por uma obscuridade voluntária que acaba por melhor fazer sobressair a sua obra.

 

Sto. António de Lisboa, mestre da oratória, apelava ao silêncio das palavras e à eloquência das obras: «Cessem as palavras e falem as obras, de palavras estamos cheios e de obras vazios».

 

Não diabolizo a informação e a publicitação dos acontecimentos. Mas entedia-me o frenesim mediático em que, actualmente, se vive.

 

E não há dúvida de que a melhor palavra não é a que sai dos lábios. É a que brota da vida. 

publicado por Theosfera às 10:36

«Cada um acredita, facilmente, no que teme e no que deseja».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Jean de La Fontaine.

publicado por Theosfera às 10:27

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