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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Ganhar um debate ajuda a ganhar eleições? E ganhar eleições ajuda a ganhar o país?

 

A primeira pergunta pode parecer excitante. Mas a segunda é a mais pertinente.

 

A resposta à primeira pergunta é, obviamente, muito subjectiva.

 

A resposta à segunda devia ser o objectivo.

 

Aferir o futuro pela lógica de um confronto verbal não será o critério mais indicado.

 

Nesta noite, procuraram-se os temas onde as clivagens parecem ser mais notórias.

 

Falou-se de saúde, sobretudo por causa dos seus custos.

 

Remexeu-se a questão da dívida e do auxílio externo.

 

A única discussão sobre o futuro foi em torno de cenários pós-eleitorais e de (im)possíveis coligações.

 

Os dois intervenientes mostraram-se muito preocupados consigo e bastante focados um no outro.

 

O país parece distante de tudo isto.

 

Como é possível que, num debate destes, não se fale da pobreza e não se aborde a educação?

 

Combater a pobreza é o mais urgente. Apostar na educação tem de ser o mais importante.

 

Marcaram-se muitas diferenças. Comprometeram-se possibilidades de cooperação.

 

A moderação não saiu a ganhar. A esperança ainda não despertou.

 

Pelo que dizem as sondagens, tudo vai ser muito disputado até ao fim.

 

A incerteza vai durar até às 19 horas do dia 5 p.f.

publicado por Theosfera às 23:14

Dizia-se, outrora, que a cantiga era uma arma. Hoje, pode dizer-se que a palavra parece uma armadilha.

 

O debate que está a decorrer entre José Sócrates e Passos Coelho assemelha-se a um julgamento mútuo.

 

É natural que se questione a governação do PS e as atitudes do PSD.

 

Mas era mais necessário apresentar as propostas em ordem ao futuro.

 

Ora, até agora, ainda não se falou do futuro.

 

E, ao insistir no passado, os dois interlocutores estarão a fazer com que muitos se desmobilizem.

 

O importante seria haver um ânimo, uma esperança.

 

Sente-se, porém, animosidade, crispação.

 

O debate está a decorrer de modo civilizado, mas a tensão é notória. Nos lábios e no ambiente.

 

É pouco. Para tanto.

publicado por Theosfera às 21:31

Numa altura em que a cooperação é mais necessária, é espantoso que surjam sinais de uma incompatibilidade aparentemente intransponível.

 

É importante que se estabeleçam as diferenças actuais. Mas será obrigatório que se fechem as portas a um entendimento futuro?

 

Será que não ser socialista é o mesmo que ser anti-socialista? Será que não ser PSD é igual a ser anti-PSD? Será que não ser CDS, CDU ou BE é equivalente a ser anti-CDS, anti-CDU ou anti-BE? 

 

Será que ser PS é ser anti-PSD? Será que ser PSD é ser anti-PS? Será que ser PSD é ser anti-CDS ou vice-versa?

 

Porquê, então, ser tão apodítico na antecipação de que qualquer aproximação é impossível?

 

É pena que um país a viver uma hora tão difíicil veja os seus principais representantes de costas voltadas.

 

Até no âmbito dos dois grandes quadrantes ideológicos, está a ser complicado chegar a acordo. O PSD e o CDS, que já se coligaram no passado, mostram-se bastante desunidos no presente.

 

Poderão pensar que é um sonho inverificável, mas como seria bom que, neste momento grave, todos se juntassem, todos dessem as mãos, todos olhassem em frente.

 

Urge ultrapassar a cultura do contra. É preciso apostar tudo no com.

publicado por Theosfera às 20:45

O texto do professor aposentado (aparecido mum jornal desta sexta-feira) faz-se eco da sensação de muitos dos seus coetâneos.

 

Os bons alunos são uma raridade cada vez maior.

 

É cada vez mais difícil motivar os discentes para o essencial da aprendizagem: a atenção.

 

O domínio da língua pátria é pobre. A relação com os números é pouco menos que tumultuosa.

 

Os índices de iliteracia e inumeracia são, de faco, preocupantes.

 

E, no entanto, quem for compulsar as pautas das notas fica, no mínimo, surpreendido.

 

Nunca as classificações foram tão elevadas como actualmente.

 

É natural que os mais idosos se mostrem um pouco sobressaltados.

 

Há tempos, o Prof. Manuel Antunes, reputado cirurgião, confessava que, pelas regras actuais, não teria entrado em Medicina. E, mais recentemente, o Prof. José Mattoso confidenciou que, nos tempos do secundário, era um aluno de 12, 13.

 

O mais curioso é que, porventura, eram alunos que dedicavam mais horas por dia ao estudo do que hoje.

 

Será que, presentemente, o reconhecimento (fornecido pelos professores) é superior ao conhecimento (patenteado pelos alunos)? Haverrá uma sobre-avaliação para um subaproveitamento?

 

É claro que os critérios são diferentes. E é preciso dizer que continua a haver alunos de excepção. Só que estes não se distinguem muito de outros que apresentam os mesmos níveis.

 

As formas de avaliação também vão evoluindo, procurando concentrar-se, hoje, na identificação de situações e não tanto na construção de textos, na elaboração de um pensamento ou na resolução de problemas complexos.

 

Outrora, o bom aluno era quase uma singularidade que sobressaía.

 

Percebo, por isso, alguma perplexidade que anda no ar.

 

E penso que a qualidade deve ser fomentada e distinguida.

publicado por Theosfera às 20:26

As atitudes são mais reveladoras que os actos.

 

É muito desolador saber que um responsável governativo se mostra mais preocupado com o número de consultas do que com a saúde dos cidadãos.

 

Terá sido um deslize comunicacional da parte de alguém que até costuma destacar-se pela sua ponderação.

 

Mas não deixa de ser um sintoma do desnorte em que nos encontramos.

 

Afinal, as pessoas estão subordinadas ao dinheiro e não o contrário.

 

Às vezes, penso que o melhor serviço que um governo podia prestar ao país era afastar-se da gestão de muitas áreas. Tanto mais que, na sociedade civil, há quem dê mostras de maior competência e sensibilidade.

 

Não se entende que, com tantas pessoas carentes de necessidades de vária ordem, haja cada vez menos médicos. E que em vez de estimular o estudo da Medicina, se opte por contratar médicos estrangeiros.

 

É tudo muito labiríntico, quase non-sense.

 

Nesta altura, há quem ponha o enfoque na existência de determinados ministérios.

 

Haver um ministério da agricultura é sinal da importância da agricultura. Haver um ministério da cultura é sinal da importância da cultura. Haver um ministério da saúde é sinal da importância da saúde. 

 

Mas, na prática, que efeitos tem essa importância institucional?

 

Parece que tudo se resume a uma vontade infrene que tudo controlar, de sufocar as energias que vão resistindo.

publicado por Theosfera às 11:38

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