O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Nos grandes momentos costumam emergir grandes personalidades.

 

Todos nos lembramos de um Churchill, de um Adenauer, de um Jacques Delors ou, entre nós, de um Mário Soares, de um Ramalho Eanes, de um Freitas do Amaral, de um Ernâni Lopes.

 

Cada um a seu modo, marcaram as suas épocas pela determinação, pela seriedade, pela capacidade de agregar vontades.

 

Quem emerge agora?

 

A televisão está a ouvir personalidades que se destacaram no passado. Mas já não estão no activo. Ou por falta de vontade ou porque os caminhos estão tapados. Ou, pura e simplesmente, porque o ar do tempo favorece estilos mais vaporosos.

 

Faltam lideranças fortes, que apontem caminhos, que antecipem cenários e, sobretudo, que puxem pela população. 

 

Estamos carentes de ideias e órfãos de líderes.

 

E é assim que, à força de tanta reportagem, já não falta muito para nos habituarmos à ideia de que Paul Thomson, delegado do FMI, é quem está à frente dos nossos destinos.

 

É por ele que tudo parece passar. Na pasta que o acompanha está o nosso futuro mais próximo.

publicado por Theosfera às 21:27

Um trabalhador português trabalha, em média, mais que qualquer outro trabalhador europeu e ganha, em média, metade do que este ganha.

 

Já um gestor público português chega a ganhar, em média, 30%, 40% ou até 50% mais que um gestor público americano, finlandês ou espanhol.

 

Os decisores internacionais, que vão tomar medidas para nós cumprirmos, deviam fazer o que os decisores nacionais não têm feito: cortar em quem ganha mais e aumentar a quem ganha menos. Não se vê outro modo de encurtar distâncias e anular assimetrias.

 

Mas o que se anuncia difere só em grau (não em substância) do que tem sido realizado: cortes para todos. Sendo assim (e se for assim), quem mais sofre é quem já mais tem sofrido.

 

Não admira que as pessoas tendam a desfrutar dos feriados e que até queiram acrescentar ainda mais tolerâncias de ponto. O impacto do real é demasiado doloroso. Este descanso não será tanto para repor energias, mas para esquecer (por instantes) a ditadura do real.

 

É por isso que temos dificuldade em ouvir quem nos alerta. E quando ficámos estupefactos com aquela senhora que defendeu a suspensão da democracia por seis meses, mal imaginávamos que ela estava a pecar por defeito.

 

É claro que um bastonário da Ordem dos Advogados não deve fazer exortações à abstenção. Só que, ganhe quem ganhar as eleições, o nosso futuro já está decidido. E não será decidido por nós.

 

Um dos partidos até já disse que o seu programa era o do FMI. Se isto não é uma capitulação...

 

A democracia ficará suspensa não por seis meses, mas por alguns anos.

 

Apesar de o resultado estar decidido, é importante participar.

 

A democracia pode não funcionar. Mas é fundamental que a não deixemos extinguir.

 

A voz do povo pode não contar. Mas é bom que, mesmo assim, ela se faça ouvir.

 

A democracia pode desistir de nós. Mas nós não podemos desistir da democracia. 

publicado por Theosfera às 16:22

A fé não é só o lugar das respostas. Também pode ser o espaço das perguntas.

 

Ela acolhe não tanto quem sabe, mas quem procura, quem não desiste de procurar.

 

Mesmo quando nos capacitamos de que é pouco (ou quase nada) o que sabemos, a percepção continua a ser estimulante.

 

É que o não-saber é o primeiro saber. É o saber árquico, primordial. É ele que nos permite ter acesso a todo o outro tipo de saber. Sem o não-saber não há qualquer outro saber.

 

Os últimos tempos têm feito chover, em catadupa, perguntas sobre Jesus.

 

Onde terá estado nos 17 anos da vida privada? Em Nazaré? No Egipto? Na Índia? No Tibete? O relatório de Nicolas Notovitch, a partir de uma investigação no mosteiro budista de Himis, é muito insinuante.

 

Santo Issah (o nome dado a Jesus) era uma figura venerada pelos budistas. Como o era pelos muçulmanos.

 

Os manuscritos de Qumran, os textos de Nag Hammadi e outros vieram levantar muitas interrogações. Mostram que, desde sempre, houve uma curiosidade imensa em torno de Jesus.

 

Mesmo esta discussão em torno da data da Última Ceia não deixa de ser interpelante. Trata-se de um físico que se lança neste esforço.

 

O mais importante é a profundidade da mensagem e o alcance dos gestos.

 

De todos os pontos é possível ver Jesus. Nenhum nos desaponta.

publicado por Theosfera às 13:55

«Laico é quem não é religioso», diz o articulista de um conhecido jornal.

 

É a definição mais vulgar. Será a mais genuína?

 

Laico vem de laos e laos significa povo.

 

Trata-se, por isso, de uma noção abrangente.

 

Laico é quem faz parte de uma comunidade. É quem assume e expressa a sua identidade e aceita a expressão da identidade dos outros.

 

A laicidade é, neste sentido, o sintoma da maturidade de um povo. É a capacidade de conjugarmos as nossas diferenças sem nelas vermos antagonismos.

 

Não são as diferenças que afastam. Para Unamuno, até reforçam a união.

 

As diferenças são uma escola. Aprender é abrirmo-nos ao que não sabemos, é integrarmos a diferença.

 

Na vida, não aderimos a tudo. Mas não podemos excluir a manifestação de nada. O único limite é a perturbação da paz e da convivência.

 

Numa correcta laicidade ninguém se sobrepõe. Todos se irmanam.

 

O sinal da laicidade não é quando alguns apontam o dedo. É quando todos dão as mãos.

 

publicado por Theosfera às 10:54

Faz, hoje, cem anos que foi promulgada a célebre Lei da Separação entre a Igreja e o Estado.

 

A República marcava, assim, o seu espaço e definia um alvo bem preciso.

 

O ambiente era tudo menos pacífico.

 

Os bispos tiveram de sair das dioceses. As paróquias eram dirigidas por comissões nomeadas pelo poder local (as famosas cultuais). Os bens da Igreja foram expropriados. Roma reagiu e a tensão cresceu.

 

Houve, em tudo isto, muita dor, muita divisão, mas também muita purificação.

 

A reacção, de um lado e de outro, não foi uniforme.

 

Apesar da crispação, a prática religiosa manteve-se e, em alguns sectores, até se intensificou.

 

Houve, nos últimos dias, quem aventasse a hipótese de um pedido de perdão por parte do Estado.

 

Creio que o mais importante é o clima de pacificação. Hoje, há novos problemas que precisam de ser equacionados.

 

O pedido de perdão pressupõe uma vontade de mudança. Ora, a mudança, em relação a 1910, está consubstanciada.

 

Mais difícil é pedir perdão por aquilo que ainda está em curso.

 

A própria Igreja já pediu perdão pela Inquisição, pelas Cruzadas. Foi há cerca de dez anos. Os factos em apreço sucederam há séculos.

 

Mais vale tarde que nunca. Desejável é não chegar tão tarde à avaliação dos acontecimentos.

 

Basta que haja mais Evangelho e menos apego ao poder.

publicado por Theosfera às 10:44

Em tempos, esta era a Quarta-Feira de Trevas.

 

E, de facto, o ambiente está a condizer.

 

As negociações com a troika prosseguem e os sinais são pouco encorajadores.

 

A austeridade vai atingir toda a gente, mas irá doer mais a quem já tem menos.

 

Fala-se na redução do subsídio do desemprego, em alterações ao mercado laboral. Será inevitável. Mas é também o mais fácil.

 

Difícil seria moralizar os gastos públicos, rever algumas parcerias público-privadas, retirar o Estado da televisão e da rádio, etc.

 

Só que isto não vai apenas com medidas. E temos de convir que quem nos vem ajudar terá difículdade em lidar com certas situações.

 

Num momento tão aflitivo e em que vamos ter dois feriados seguidos (sexta e segunda), como entender mais meio feriado na tarde de amanhã?

 

Se temos de produzir mais, como perceber que, nos próximos dias, produzamos ainda menos?

 

O povo precisa de descomprimir, mas o trabalho não deixa de ser uma prioridade.

 

E nem sequer está em causa a participação nas celebrações destes dias. Elas, na maior parte dos sítios, já estão agendadas para o fim do dia.

 

Nesta altura, este não é o sinal mais positivo que podemos dar.

 

Precisamos de esperança. Mas esta só germina no colo da responsabilidade.

 

Já agora, outro dado que os nossos parceiros não compreenderão é que como é que estamos a contratar médicos quando muitos dos nossos estudantes de medicina têm de ir lá para fora?

 

Como produzir se nem conseguimos planificar?

publicado por Theosfera às 10:33

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