O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Disseram-nos que o rejeitado PEC IV era mau.

 

Asseguram-nos que com o agora negociado resgaste vai ser muito pior.

 

A nossa atracção pelo abismo parece incorrigível.

 

Será que um temporal forte será preferível a muitos dias de chuva?

 

O certo é que, com tudo isto, estamos a desconseguir melhorar o país.

publicado por Theosfera às 22:18

A palavra é um direito, mas o silêncio não deixa de ser um dever.

 

É sabido que os direitos só estão assegurados quando os deveres são cumpridos.

 

Na hora que passa, a turbulência das palavras é tal que um pouco de silêncio teria o sabor de um oásis. E o efeito de um bálsamo.

 

A realidade reclama o maior cuidado, mas as atenções concentram-se nas palavras. Nas palavras que todos dizem, mas que ninguém parece querer ouvir.

 

O frenesim é de tal ordem que a vontade de ser conhecido supera a necessidade de conhecer.

 

As palavras, sem o tempero que lhe advém de um pouco de silêncio, correm o risco de se sobrepor ao real, criando uma espécie de carapaça.

 

Há palavras que ferem. E não apenas os ouvidos. Há palavras que massacram o espírito, porque escondem em em vez de revelar. Porque desviam em vez de encaminhar. Porque obscurecem em vez de iluminar.

 

O silêncio pode ser, pois, uma forma de higiene. E uma terapia urgente.

 

A alma já não aguenta esta tempestade de palavras.

 

Umberto Eco põe-nos de sobreaviso ao alertar para o poder perverso da linguagem. Esta tanto serve «para dizer a verdade como para criar coisas que não existem, fazendo crer que têm existência real».

 

A força da falsificação - exorta o sábio - é muito grande e deveras tentadora. No princípio, desconfia-se. Mas, à força da insistência, acolhe-se.

 

Estes são tempos em que a imprevidência nos tenta e nos arrebata. Tudo entra em nossa casa sem filtro, sem critério e sem selecção. Damos crédito a qualquer coisa. Os vendedores de ilusões e os pregadores de catástrofes sabem disso.

 

Um pedido, por isso, aos que nos aparecem, a cada passo, com declarações, réplicas e tréplicas. Se não nos podem oferecer a verdade nas palavras, não nos privem, ao menos, da serenidade do silêncio.

 

É em alturas como esta que mais razão dou a Kahlil Gibran: «O silêncio dos homens está mais próximo da verdade do que as suas palavras».

 

Senhores governantes, políticos, economistas e comentadores: moderem as vossas palavras e oiçam o eco do nosso silêncio.

 

No que não é dito jaz muita dor. E subjaz muita desesperança.

 

Não deixem de ouvir quem já só espera nada esperar.

 

(a última expressão é adaptada de José Régio)

publicado por Theosfera às 21:00

Ao país é dada ajuda.

 

Mas ao povo só são pedidos sacrifícios.

publicado por Theosfera às 20:21

A linguagem que nos servem tem o condão de, quase sempre, nos esconder (ou maquilhar) a realidade.

 

Então no universo da Economia, a linguagem surge-nos cifrada, como se de uma cabala se tratasse.

 

Falam-nos de mercados que ninguém conhece, de resgate que ninguém sente, de agências de rating que ninguém sabe para que servem e, desde há tempos, de défault que ninguém entende.

 

A única coisa que se nota é o custo de vida a aumentar.

 

Viver está a tornar-se uma missão difícil.

publicado por Theosfera às 19:12

À primeira vista, parece que o non-sense se apoderou, definitivamente, da nossa vida, tal é a intensidade com o absurdo nos visita.

 

Na Alemanha, vai ser interposta uma providência cautelar que visa impedir a ajuda a Portugal.

 

Tentando descodificar o cenário, o cidadão comum encontra o seguinte: os que ajudam não querem ser prejudicados; o problema é que os que vão ser ajudados não serão muito beneficiados.

 

Entre nós, prepara-se, ao que dizem, um conjunto de medidas de austeridade como contrapartida ao apoio(?) recebido.

 

É a única forma de, usando palavras de Luís Amado, sairmos da situação de «humilhação e vergonha» em que nos encontramos.

 

Paradoxal tudo isto: uma ajuda que, pelos vistos, só traz prejuízos.

 

São estes que pertencem ao visível. Se houver vantagens, elas pairarão no invisível.

publicado por Theosfera às 16:42

A aceitação da realidade é um sintoma de bom senso e maturidade, mas sonhar é conatural ao ser humano.

 

Ultimamente, têm sido intentados vários ensaios da chamada história virtual. Tais ensaios começam pela pergunta:E se determinadas coisas tivessem sido diferentes?

 

Não adiantará muito especular, mas não custa nada perguntar.

 

A História da Igreja tem oferecido grandes rasgos e proporcionado enormes santos, mas não custa (e, aliás, isso tem sido feito) conjecturar um pouco.

 

Queria acontecido se S. Pedro não tivesse saído de Jerusalém?

 

Que teria acontecido, mais proximamente, se João XXIII tivesse vivido mais alguns anos?

 

Que teria acontecido se João Paulo I não tivesse morrido um mês após a eleição?

 

Que teria acontecido se o Cardeal Martini tivesse sido eleito papa?

 

Nunca saberemos. O corpo da Igreja seria o mesmo. O seu rosto, provavelmente, poderia ser um pouco diferente.

 

Não quer dizer que o que tem sido feito não seja bom.  Mas o que poderia ser realizado não seria menos inspirador.

 

A fidelidade ao passado é meritória, mas sente-se alguma falta do perfume das origens.

 

Há ciclos que se completam por inteiro. Mas nem por isso deixamos de olhar para o brilho que depressa se apagou. Nem deixamos de pensar no vislumbre da promessa do que nem chegou a começar.

 

Tudo segue o seu curso. Há manhãs que nunca passarão pelo entardecer. Ficarão como promessas de uma história por acontecer?

publicado por Theosfera às 11:59

Para Jesus, a Lei é para cumprir, mas está longe de ser um pretexto para condenar.

 

Quando respeitáveis figuras do Seu tempo Lhe apresentaram uma mulher caída em adultério, Jesus não respondeu o esperado; agiu de modo inesperado.

 

Sem contestar abertamente a Lei, perguntou se havia alguém que se sentisse com autoridade para condenar quem não a cumpria.

 

Se quem infringe tivesse de ser apedrejado, é caso para perguntar onde estariam os apedrejadores.

 

Jesus não aprovou a conduta da mulher, mas também não a condenou.

 

A função da justiça, para Jesus, é convidar à prática do bem e não penalizar quem cede ao mal.

 

Por vezes, mesmo em ambientes eclesiásticos, tendemos a manter uma concepção vindicativa da justiça. Esta é vista como uma espécie de vingança oficializada.

 

Não deixa de ser curioso notar as enormes dificuldades em seguir a reforma introduzida pelo próprio Jesus.

 

A chamada Lei de Talião integrava o famoso Código de Hamurabi, o mais antigo sistema legal descoberto pelo homem. De entre os seus 282 artigos, o mais célebre refere-se à punição para os crimes graves. O princípio estipulado era o da reciprocidade: o castigo devia ser proporcional ao crime.

 

A justificação da pena de morte estriba neste pressuposto.

 

É claro que há pessoas que, pela sua prática, não podem conviver de modo normal com a sociedade. Se são um perigo, têm de estar num lugar reservado.

 

Mas uma coisa é preservar a sociedade de quem a ameaça, outra coisa, bem diferente, é condenar quem erra.

 

A revolução instaurada por Jesus continua por cumprir. Mantém-se incumprida.

publicado por Theosfera às 11:42

Eis o acabado exemplo de como o gato acabará por apanhar o rato, por muito que este fuja.

 

A necessidade de aumentar as receitas tem levado o Estado a recorrer a todos os estratagemas.

 

Uma delas foi portajar as antigas SCUT.

 

A estimativa de dinheiro apurado tinha por base o volume de automóveis que costumavam usar tais vias.

 

Acontece que o número de veículos começou a diminuir.

 

Os recursos são cada vez menores. Outras estradas têm sido usadas.

 

Só que o Estado não desarma. Se as portagens não estão a render o esperado, deitará mão a outros expedientes.

 

Impostos mais altos, preços mais elevados, salários mais reduzidos são alguns dos ingredientes que continuarão a servir-nos.

 

Até quando?

publicado por Theosfera às 11:24

«As crianças aprendem mais a partir do que somos do que daquilo que lhes ensinamos».

Assim escreveu (sapiente e magnificamente) William du Bois.

publicado por Theosfera às 10:42

Hoje faz cinquenta anos que o primeiro ser humano viajou pelo espaço.

 

Depois de amanhã faz noventa e nove anos que o Titanic se afundou.

 

Dois acontecimentos, um duplo sinal: a peregrinação da humanidade pelo tempo vai baloiçando entre as alturas e as profundezas.

 

Os nossos sonhos fazem-nos chegar aos sítios mais altos.

 

Mas, muitas vezes, a realidade atira-nos para a profundidade mais funda.

 

Mas sempre é mais fácil cair quando se sobe do que subir quando se cai. Sobretudo quando se cai nas profundezas.

publicado por Theosfera às 10:40

«A dor só é verdadeiramente insuportável quando vivida em solidão».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Rita Jonet.

publicado por Theosfera às 10:29

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