O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 05 de Abril de 2011

São tempos de excessos, estes. A qualquer coisa que nos ocupe antepomos facilmente (excessivamente?) o prefixo hiper.

 

Mesmo em tempo de crise, continuamos presos ao hiperconsumo e é por isso que não dispensamos o hipermercado.

 

Seduzidos pela hipertecnologia, tanto somos marcados pelo hipertexto como fascinados pelo hipercorpo.

 

Sentimo-nos ora hiperfelizes, ora hiperdesiludidos. Em suma, é tudo hiper, inclusive a decepção. Hiperdecepcionados é como nos encontramos muitas vezes.

 

Estamos, pois, não na pós-modernidade, mas em plena hipermodernidade.

 

A modernidade não chegou ao seu termo, mesmo que, em muitos sectores, provoque saturação. Há aspectos da modernidade (decorrentes sobretudo da revolução tecnológica) que estão a ser radicalizados.

 

Daí que Gilles Lipovetsky tenha proposto o conceito de hipermodernidade não como contestação da modernidade, mas como radicalização dos seus princípios designadamente o progresso técnico, a industrialização e a valorização do indivíduo.

 

O quadro da hipermodernidade, para o sociólogo de Grenoble, é «uma sociedade liberal, caracterizada pelo movimento, pela fluidez, pela flexibilidade; indiferente, como nunca antes se foi, aos grandes princípios estruturantes, que tiveram de se adaptar ao ritmo hipermoderno para não desaparecer».

 

Trata-se, portanto, de um ambiente que tende para a exacerbação e para o descontrolo. O consumo continua em alta bem como o desperdício.

 

Este afã é também pilotado pela quebra das referências. Escasseiam referências na política, na cultura e até na religião. «As pessoas não têm referenciais e, ao primeiro choque, caem num abismo de desamparo e frustrações».

 

Eis, assim, os principais ingredientes da sociedade da decepção, título de mais um livro de Lipovetsky. E tópico para percebermos o nosso estado de espírito perante o mundo e a vida.

 

Decepcionados, portanto. Que, apesar disso, a história não nos encontre tolhidos nem desmobilizados.

 

Uma decepção não é impedimento para uma transformação.  

publicado por Theosfera às 14:24

«O talento vem de Deus. Tem humildade. A fama vem dos homens. Tem gratidão. A arrogância vem de ti. Tem cuidado».

Assim escreveu (certeira e magnificamente) John Wooden.

publicado por Theosfera às 11:52

Às vezes, precisamos de sair para melhor reentrar. Temos necessidade de um longe que nos mostre aquilo que está mais perto.

 

Concretamente, há intuições no Budismo que nos presenteiam com o que de melhor existe no Cristianismo. Só que, não raramente, esse melhor está esquecido, subjugado, soterrado.

 

Pensemos na verdade. Tendemos a aferi-la pela autoridade ou, então, a extraí-la a partir da pura racionalidade.

 

E, depois, passamos o tempo a litigar por causa dela. Nem damos conta de que fazemos obscurecer a bondade.

 

Se pegarmos numa súmula de ensinamentos budistas, é natural que nos sintamos transportados para os antípodas daquilo a que estamos habituados.

 

Enquanto oferente de um olhar sobre a verdade, Buda não fez assentar a verdade nos sentidos nem tão-pouco na racionalidade.

 

«Os sentidos são o primeiro passo da verdade, mas não há aí espaço para a verdade, apesar de os sentidos poderem brilhar com um halo de beleza e de vida».

 

Já a racionalidade «é uma espada de dois gumes, que serve o propósito do amor, mas também o propósito do ódio. A racionalidade é a plataforma sobre a qual está a verdade. Nenhuma verdade é atingida sem a razão. Porém, na mera racionalidade não há espaço para a verdade, apesar de ser o instrumento que domina as coisas do mundo».

 

Então? Para o Budismo, «o trono da verdade é a rectidão; e o amor, a justiça e a boa vontade são os seus ornamentos. A rectidão é o local onde a verdade reside e aqui, no coração da humanidade que aspira à realização da rectidão, há um amplo espaço para uma riquíssima revelação da verdade».

 

Jesus não teria dificuldade em subscrever. Uma vida recta é o maior (a bem dizer, o único) esplendor da verdade.

publicado por Theosfera às 11:16

O compasso de espera, que o país está a viver, afoga as pessoas no torpor e no desânimo.

 

Ao que nos dizem, há uma prioridade iminente: solicitar auxílio ao estrangeiro.

 

Sucede que, não obstante tal iminência, ninguém quer dar tal passo.

 

A confiança, que é sempre o capital mais precioso, vai-se degradando.

 

Poderia vir alguma luz das palavras que circulam. Mas, dada a turbulência que as acompanha, só a obscuridade dá sinais de crescer.

 

Estamos perto de cair? Prefiro pensar que estamos perto de nos reeguermos.

 

Depois da queda, acredito que não ficaremos eternamente caídos.

 

Só morrreremos se pararmos. Se avançarmos, sobreviveremos.

 

Mesmo que não saibamos o que nos espera, é, pelo menos, alentador vislumbrar o inesperado.

publicado por Theosfera às 10:29

«Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado».

Assim escreveu (subtil e magnificamente) Sófocles.

publicado por Theosfera às 10:23

A vida é feita de muitas ausências. É tecida de muitos desencontros. É condimentada com muitos mistérios.

 

Só tarde, habitualmente muito tarde, é que nos apercebemos da falta que nos fazem as presenças rejeitadas, os encontros desaproveitados e os mistérios não acolhidos.

 

O sentido está à nossa espera quando captamos a subtileza da mensagem. Muitas vezes, escapamos quando ela nos visita.

 

Mas há sempre uma possibilidade de recomeçar.

publicado por Theosfera às 00:00

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