O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 04 de Abril de 2011

Não é necessária uma reclusão tão grande como a do imperador do Japão. Mas uma verborreia constante como a da nossa classe política começa a ser saturante e, por isso, contraproducente.

 

Independentemente do nome do senhor Primeiro-Ministro, o país precisa de uma atitude genuinamente socrática.

 

É fundamental dar à luz à verdade através da escuta e de um diálogo substantivo.

 

Ironia ainda vamos tendo, embora a um nível muito rudimentar. Mas precisávamos de uma grande dose de maiêutica

 

Mas isso está longe de acontecer. Neste tempo soalheiro, estamos a assistir a uma prolongada tempestade. De palavras.

publicado por Theosfera às 21:25

1. Pode parecer estranho, mas um dos maiores seguidores de Jesus jamais pertenceu à Igreja.

 

Nasceu hindu, nunca foi baptizado e até dizia que não gostava dos cristãos. E, no entanto, poucos como ele terão posto em prática os ensinamentos de Jesus.

 

Se olharmos para os últimos cem anos, não é fácil encontrar alguém tão parecido com Jesus no modo de encarar a vida.

 

«Quando penso em Gandhi, penso em Jesus Cristo», disse, em 1921, o pastor John Heynes Holmes, que acrescentava: Gandhi «vive a sua vida, prega a sua palavra, sofre, luta e, um dia, vai morrer pelo Seu Reino na terra».

 

Palavras premonitórias estas, que seriam concretizadas a 30 de Janeiro de 1948, quando Gandhi foi assassinado.

 

Se Jesus é único, não há dúvida de que Gandhi tem também muito de singular. Como bem referiu Albert Einstein, «as gerações futuras vão ter dificuldade em acreditar que, alguma vez neste mundo, viveu uma pessoa em carne e osso como ele».

 

 

2. A grandeza de Gandhi não estava tanto na sua palavra ou nas suas acções. No que dizia e no que fazia, adivinhava-se, sim, a grandeza da sua alma.

 

Oportuna foi, por isso, a designação que lhe foi atribuída por outra grande figura da civilização indiana. Rabindranath Tagore, Prémio Nobel da Literatura em 1913, chamou a Gandhi alma grande, em hindu Mahatma.

 

Foi este o título que começou a introduzir o seu nome: Mahatma Gandhi.

 

Não precisou de abandonar a cultura do seu povo para se abrir a outras influências.

 

Quando estudava em Londres, comprou uma Bíblia. Como se compreende, o Antigo Testamento desapontou-o, mas o Novo Testamento convenceu-o e seduziu-o.

 

E foi assim que a má impressão que lhe tinha deixado o contacto com alguns missionários na Índia se alterou.

 

O Sermão da Montanha «agradou-lhe particularmente». Ficou completamente fascinado com algumas passagens que articulava com textos da sabedoria hindu.

 

Em coerência com os princípios que professava, assumiu a promoção da independência da Índia, mas sem recorrer a meios violentos.

 

 

3. Gandhi venerava Deus «apenas como verdade». Achava que, em cada pessoa, encontra-se uma centelha da verdade divina e esta manifesta-se através «daquilo que a voz do interior diz a cada um».

 

Por conseguinte, Gandhi seguia muito mais essa voz interior do que quaisquer afirmações de amigos, livros ou doutrinas.

 

Aceitava existirem «inúmeras definições de Deus, pois as Suas manifestações são infinitas». É só pela não-violência (ahimsa) que se obtém a intuição recta e se trilha o caminho certo.

 

O esforço por chegar a Deus, que dura toda a vida, é inseparável do «serviço a todas as pessoas». É que «a única via para encontrar Deus consiste em reconhecê-Lo na Sua criação e em ser um só com Ele».

 

Esta percepção reclama uma abertura total: «Se me convencesse de que Deus estava numa gruta dos Himalaias, dirigir-me-ia imediatamente para lá. Mas sei que não O posso encontrar noutro sítio que não seja na Humanidade».

 

Como Jesus, Gandhi apostou a sua vida nos valores em que acreditava. Mas, também como Jesus, nunca pôs em risco a vida dos outros para os defender.

 

 

4. O caso de Gandhi ilustra bem como Jesus vai muito mais além das fronteiras de uma instituição.

 

A Igreja é certamente um meio importante para chegar a Jesus, mas não é o veículo exclusivo para aderir a Ele.

 

Mais do que o alicerce de uma religião em particular, Jesus surge como inspirador de uma conduta de alcance universal.

 

A história da Igreja atesta que, relativamente a Jesus, há muitas sombras dentro dela e imensas clareiras fora dela.

 

É sobretudo no ser humano que a mensagem de Jesus resplandece.

 

E não há dúvida de que, quanto a isto, Gandhi captou como poucos o essencial da proposta de Jesus.

 

Não é só pelos rituais que nos afirmamos como cristãos. É, acima de tudo, pela construção de uma humanidade nova, alicerçada na não-violência, no respeito por todos e na defesa da dignidade de cada um.  

 

Gandhi documenta à saciedade que, em relação a Jesus, há quem esteja longe parecendo estar perto. E há quem esteja perto aparentando estar longe.

 

Aqui, não é a doutrina que determina; é o testemunho de vida que decide.

 

publicado por Theosfera às 14:28

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