O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 28 de Março de 2011

Para os mais idosos arranjamos mais espaço que tempo.

 

Foram eles que colocaram as raízes do que somos.

 

O ritmo da vida impede que lhes demos o que merecem.

 

Mas um mínimo de reconhecimento e decoro devia ser a última barreira contra a violência.

 

Não é fácil ser idoso, hoje.

 

Há notícias de abandono. E (o que jamais imaginava) há casos de agressões, algumas delas perpretadas pelos próprios filhos!

 

Nem sei que diga.

 

Vivemos, desde há muito, num mundo doente. Estaremos a entrar numa sociedade demente?

publicado por Theosfera às 18:57

«Quanto mais vejo uma palavra de perto, mais ela me responde de longe».

Assim escreveu (inspirada e magnificamente) Karl Krauss.

publicado por Theosfera às 18:48

1. As palavras têm uma origem, percorrem um caminho e constroem uma história.

 

Sucede que, não raramente e como notou Ludwig Wittgenstein, o seu significado é tomado não a partir da sua génese, mas a partir do uso que lhe é dado ao longo do tempo.

 

 Católico tornou-se indicador de parcela. Designa uma parte dos crentes e dos cristãos: aqueles que seguem o Bispo de Roma.

 

 Sucede que, etimologicamente, católico evoca não uma parte mas o todo.

 

 O primeiro a empregar este conceito terá sido Aristóteles, na sua célebre Metafísica.

 

 Aí defende que a verdade é católica. Está na totalidade. Hegel e von Balthasar repetiram este ensinamento nas suas obras.

 

 Decompondo a palavra, verificamos que católico vem de kath olon, isto é, segundo o todo.

 

 

2. Importa ter presente que esta totalidade não pode ser vista apenas a partir da presença. Ela tem de incluir também (e cada vez mais) a participação e a abertura.

 

Concretizando, isto significa que a Igreja é católica não somente quando está em toda a terra.

 

Ela torna-se católica quando acolhe todas as perspectivas, todas as preocupações e todos os contributos.

 

Neste sentido, ser católico é mais do que pertencer a uma comunidade. É, acima de tudo, contribuir para uma fundamental unidade de todo o género humano.

 

Não se trata do nós diante do eles. Trata-se, no fundo, de uma consciência activa de pertença à comum humanidade.

 

Não está em risco a identidade. Ser católico é aceitar uma identificação. Mas, como bem adverte Timothy Radcliffe, não é uma identificação com base na exclusão.

 

Como pode defender a exclusão quem se apregoa discípulo de alguém que deu a vida por todos?

 

 

3. É preciso voltar às origens. Não para nelas estacionar, mas para delas voltar a partir.

Não basta uma alteração nas formas de agir. É necessária uma mudança de paradigma.

 

A Igreja tende a ver-se a partir de um centro (Roma). É importante que ela se reveja a partir da sua fonte (Jerusalém).

 

 Na fonte, encontra-se o serviço, não o poder. A Igreja, como destaca Santos Sabugal, assenta num modelo fontal (Jesus, o Servo) e num modelo paradigmático (Maria, a Serva).

 

Na hora que passa, o serviço à paz desponta como a maior prioridade.

 

Daí a necessidade de um encontro verdadeiramente católico em Jerusalém.

 

 

4. Poderia começar por um encontro de católicos, de representantes de todas as comunidades, de todas as tendências, de todas as sensibilidades.

 

Deveria alargar-se, num segundo momento, a todos os cristãos, desbravando caminho para uma unidade sem uniformidade.

 

E, finalmente, tal encontro haveria de congregar todas as religiões.

 

A paz do mundo, como incansavelmente tem recordado Hans Küng, não se obtém sem a paz entre todas as religiões.

 

Ainda subsistem muitas clivagens entre os credos. Grande parte das guerras tem uma fractura de índole religiosa.

 

A cidade que o profeta entrevia como agregadora de todos os povos (cf. Is 2, 2-5) pode oferecer uma perspectiva holística que integre os pontos de vista demasiado atomísticos que teimam em cavar divisões.

 

Até agora, temos olhado o todo a partir das partes. Impõe-se que nos habituemos, a partir de agora, a contemplar as partes a partir do todo.

 

A verdade é integradora e, por isso, conciliadora e pacificante.

 

É no todo (e em todos) que a verdade nos visita. Insistir nos pontos de vista parciais, quando em causa está a totalidade, é perder tempo e desperdiçar oportunidades.

 

Para tal, é urgente acentuar as convergências e saber conviver com as diferenças.

 

Respeitando as diversas tradições, é bom que haja uma sobriedade no apelo a leis, normas e cânones.

 

Basta um mandamento, aquele que Jesus nos legou: «Amai-vos uns aos outros» (Jo 13, 14).

 

Haverá algo mais totalizante, mais universal e, portanto, mais católico que o amor?

publicado por Theosfera às 14:30

Quando a situação se complica, é importante saber que, afinal, tudo tende para o cume.

 

É certo que esta convicção de Maurice Blondel parece desmentida a cada instante.

 

Acontece que, parafraseando Agostinho de Tagaste, também é possível subir descendo.

 

Uma vez que estamos perto do fundo, é possível que nos encontremos também próximos do topo.

 

O paradoxo tem sempre a sua pertinência.

 

Se dermos as mãos, o sonho não será impossível. 

publicado por Theosfera às 11:05

Num tempo em que tudo é apressado, a lucidez mingua a cada passo.

 

Nem sequer esperamos pela realidade que se perfila. Preferimos as palavras que, supostamente, a determinam.

 

Prever é um exercício arriscado. Compromete quem prevê e quem lê as previsões.

 

Não falta, porém, quem inverta tudo. Há quem pretenda que a realidade seja como as previsões e não aceite que as previsões sejam superadas pela realidade.

 

Se assim fosse, não seria necessário, por exemplo, votar. Bastava ler os estudos de opinião.

 

É normal que haja previsões. Mas é fundamental que se esteja atento à realidade.

 

O que se passou na noite eleitoral do Sporting é quase surreal.

 

As previsões apontavam um vencedor. Quando os resultados foram anunciados, houve quem não aceitasse.

 

Há quem invista contra a realidade. Há quem não perceba que o mundo não acaba nas previsões.

 

A este propósito, talvez não fosse despropositado reler um livro que apareceu pouco antes do ano 2000. Anunciava previsões para o mundo até 2012.

 

Estamos quase na recta final. E basta conferir.

 

O que parecia estar escrito nos astros (o autor é astrólogo) ou foi mal lido ou, então, está a ser fortemente contraditado.

 

O Vaticano ainda dura (era para acabar entre 2002 e 2004) e o comunismo na China ainda persiste (era para terminar por volta de 2000).

publicado por Theosfera às 10:59

Nenhum lamento com a queda do Governo. Nenhum entusiasmo ante a perspectiva de eleições.

 

Eis uma síntese possível do estado anímico em que o país se encontra.

 

Parece que tudo está adiado e comprometido.

 

É fundamental que, nesta hora grave, não falte a sindérese, esta faculdade de julgar com rectidão e bom senso. É dela que precisamos para ponderar o que é em comparação com o que devia ser.

 

O afã do poder não deve obscurecer a percepção da realidade e o primado da justiça.

publicado por Theosfera às 10:41

Um teólogo, diz Olegario González de Cardedal, tem de aliar a complexidade da inteligência à simplicidade do coração.

 

Soube que acaba de morrer um pensador profundo, adornado por um coração sensível.

 

Morreu, enfim, uma voz livre e um coração bom.

 

Joseph Comblin nasceu na Bélgica, em 1923, e, após a ordenação sacerdotal, foi para o Brasil.

 

Não se limitou a esmolar os pobres. Identificou-se com eles.

 

Foi assessor de D. Hélder Câmara e sistematizou um pensamento teológico articulado em torno da libertação.

 

Não pairava sobre a realidade. Envolvia-se nela e optava.

 

Morreu ontem, de repente, quando estava a dar um curso.

 

É com pena que vemos partir mais uma referência de alto gabarito numa altura em que também a Teologia parece ferida por algum conformismo.

 

O medo ameaça bloquear alguns intentos renovadores.

 

Que o exemplo do Padre Comblin faça florescer uma nova primavera na Teologia.

 

Que ela nunca se demita de ser saudavelmente crítica e profeticamente incómoda.

 

Só assim será uma Teologia cristã.

publicado por Theosfera às 10:31

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