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Sábado, 26 de Março de 2011

«A missão da Igreja é identificar-se com os pobres.  É assim que a Igreja encontra a sua salvação».

Assim escreveu (martirial e magnificamente) D. Óscar Romero. 

publicado por Theosfera às 13:55

Nesta época do ano, fala-se muito do Baptismo.

 

Aliás, a celebração anual da Páscoa, que apareceu depois da celebração semanal da Páscoa, surgiu por causa do Baptismo.

 

Durante séculos, o Baptismo era celebrado na Vigília Pascal. Sto. Agostinho, por exemplo, relata o que foi o seu Baptismo, aos 33 anos, na noite de 24 para 25 de Abril de 387 na catedral de Milão por Sto. Ambrósio.

 

Actualmente, serve a Quaresma não apenas para preparar a celebração do Baptismo, mas também para ajudar a revitalizar o Baptismo já recebido.

 

Para a Igreja, o Baptismo (juntamente com o Crisma e a Ordem) é um sacramento que imprime carácter, isto é, afecta o ser da pessoa. É por isso que não é reiterável.

 

Por conseguinte, quem é baptizado torna-se cristão e cristão para sempre.

 

Isso não impede, porém, que muitos (sobretudo os que são baptizados na infância) tomem outras opções ao longo da vida. A liberdade não fica afectada.

 

Há, porém, quem queira mais. Pelos vistos, há um movimento a promover o Desbaptismo. Trata-se de pessoas que, tendo optado pelo ateísmo ou sentindo-se pura e simplesmente afastados da Igreja, pretendem que a Igreja como que apague o seu nome nos livros de registos do Baptismo.

 

Se não são católicos, entendem que não faz sentido que os seus nomes constem como baptizados.

 

Parece que há casos em que tais pretensões foram atendidas, recebendo as pessoas uma notificação do género: «Abandonou a Igreja por um acto formal».

 

É claro que o problema, para a Igreja, levanta algum melindre. Se ela entende que o Baptismo é para sempre, não poderá anulá-lo.

 

O mais prático será, quanto a mim, desburocratizar a situação.

 

A Igreja não obriga ninguém a baptizar-se. Quem baptiza os filhos, sabe quais são as implicações.

 

As convicções devem ser respeitadas. Tanto as das pessoas como as das instituições.

 

Simplificar pode ser, pois, o mais sensato. Quem, em consciência, tomar opções diferentes, é livre de o fazer. Se entender comunicá-lo à paróquia onde foi baptizado, também não haverá problema. Se tiver vontade de ficar com uma resposta, esta deverá ser dada. Mas creio que não valerá a pena insistir muito nas formalidades.

 

O que deveríamos era reflectir nos sinais. Olhando para os testemunhos, uma coisa avulta: a vítima é Deus, mas o contencioso é com a Igreja.

 

Com serenidade, abertura e muita humildade, é urgente apostar num prolongado exame de consciência.

publicado por Theosfera às 13:09

Ainda não há razão para alarme, mas começa a haver razões para uma certa cautela.

 

Como se viu nos últimos dias, a Europa está mais atenta a Portugal do que Portugal à Europa.

 

Um dos motivos que leva a Europa a impor medidas tão dolorosas como contrapartida para o apoio é que os governos de muitos países estão a ser acossados pelos cidadãos e por algumas forças políticas.

 

O consenso em torno do ideal europeu está a esbater-se perigosamente. E, para nosso pesar, nos países mais prósperos, a extrema-direita cresce a olhos vistos.

 

Ora, a extrema-direita não pretende cooperar, acolher, integrar. O seu propósito é romper, afastar, excluir.

 

A França já teve um Le Pen na segunda volta das presidenciais. Agora, arrisca-se a ter uma Le Pen na presidência. Para já, as sondagens são muito favoráveis a Marine Le Pen.

 

Pode acontecer que o poder suavize alguns impulsos e leve alguns actores mais radicais a moderarem os seus projectos.

 

Mas não alimentemos grandes ilusões. A ascensão destas forças corporiza uma saturação e uma vontade de dar uma guinada no rumo que tem vindo a ser seguido.

 

Com este discurso a obter repercussão, a vida de um país como Portugal fica ainda mais difícil.

publicado por Theosfera às 12:08

Andamos todos sobressaltados com a realidade e ainda há quem persista nas (encantatórias) teias da ilusão.

 

Aliás, já não falta até quem substitua a esperança por ilusão.

 

Nunca percamos a esperança, mas não alimentemos ilusões.

 

Nas próximas eleições, não vamos eleger quem decide; vamos escolher quem executa.

 

Quem decide, como bem previu Frank Vibert, não são os eleitos (elected). São os não eleitos (unelected). E, de entre estes, os mais decisivos nem sequer estão em Portugal. Estão em Bruxelas. Estão sobretudo na Alemanha. E estão, como se tem visto, nos famosos mercados.

 

Qualquer propaganda será, pois, uma perda de tempo e um passeio de ilusões para algum espírito que ainda permaneça incauto.

 

É por isso que as eleições podiam ser já para a semana. O legislador devia ter em conta a aceleração das mudanças. Mais de 50 dias entre a dissolução e as eleições porquê?

 

O nosso voto conta cada vez menos. O dinheiro da Europa é que conta cada vez mais.

 

Este hiato temporal só vai servir para alimentar ilusões e para acrescentar ataques e insinuações.

 

O que vai ser dito pouca relevância terá. Qualquer compromisso facilmente cairá por terra diante dos ditames de quem verdadeiramente manda.

 

A crispação, que inevitavelmente crescerá, vai dificultar ainda mais o que importava assegurar: entendimento.

 

Já não estamos nos anos 80 nem nos anos 90, em que a alternância configurava uma autêntica diferença.

 

Agora, o termo de comparação não é a esquerda frente à direita nem a direita frente à esquerda.

 

 

Alguém descortina uma diferença substancial entre o que o actual Governo fez e o que o próximo Governo terá de fazer?

 

Em causa não está o PS, o PSD, o BE, o CDS ou a CDU. Em causa está o país diante da Europa. E, ante as imposições da Europa, todos no país são necessários.

 

«O que tens a fazer, fá-lo depressa», disse o Mestre a quem O ia entregar. Se as eleições são inevitáveis, que sejam rápidas.

 

As decisões estão tomadas. Mais sacrifícios estão à nossa espera. Os que não elegemos já se pronunciaram.

 

Os que vamos eleger não têm saída. Não vão dar voz aos nossos sonhos. Vão ter de dar cumprimento às ordens do maior soberano: os donos do dinheiro. 

 

Que, ao menos, não nos tirem a verdade.

 

Falem a verdade.

publicado por Theosfera às 11:41

Um tempo pré-eleitoral não ser visto como um intermezzo na actividade política.

 

O Governo, quando entrar em gestão, estará inibido de tomar medidas de fundo, mas não está impedido de apostar na resolução dos problemas do país.

 

Pelos vistos, este continua a ser o tempo da catarse. E, ainda por cima, andam lá por fora a distribuir as culpas pelo que se passa cá dentro.

 

Mas é também do exterior que vem o apelo a que se faça o que tem de ser feito.

 

O acordo, agora desconseguido, tem de ser reconseguido.

 

O espectro das eleições não nos pode desviar do essencial.

 

Entendam-se, pois. Ou, pelo menos, entendam-nos.

 

É o país que clama por um entendimento entre todos.

 

Este não é, decididamente, o tempo de cavar mais fracturas.

 

Já chega de fracturas. E já basta de facturas. 

publicado por Theosfera às 00:00

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