O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Estranha forma de vida, a nossa.

 

Temos chão. Temos sol. Temos pão. Temos gente. Temos alma.

 

Só não temos direcção. Só não temos rumo.

 

Temos tudo para tocar o céu. E, no entanto, estamos a espreitar o abismo.

 

Se não sabem tira-nos dele, que, ao menos, não nos empurrem para ele.

 

Dizia Eça que este é um lugar bonito para fazer um país.

 

Não deixemos de insistir. Contra todas as evidências e apesar de todos os PEC, havemos de conseguir.

publicado por Theosfera às 10:31

Numa altura em que os nervos estão em franja e a tampa salta à mais pequena contrariedade, vale a pena olhar para a reacção do povo japonês à tragédia de que foi vítima.

 

Ali temos a adversidade máxima. Houve quem perdesse familiares, haveres, casas, tudo.

 

E eis que uma calma exasperante sela as imagens que correm mundo.

 

O jornalista perguntava, há dias, se não havia pilhagens.

 

Nem pilhagens, nem buzinadelas, nem sequer a impaciência que, no mínimo, seria de esperar.

 

Por muito menos, nós explodimos muito mais.

 

Pois com a terra a tremer, vemos, lívidos de espanto, o japonês que deixa a fila do autocarro e vai à farmácia comprar almofadas eléctricas para aquecer as outras pessoas que aguardavam transporte e que estavam geladas.

 

As estradas de Tóquio ficaram empilhadas de carros e, durante longos minutos, o trânsito fica completamente parado. Nada de exaltação, porém. Nem uma buzinadela. Ou, melhor, apenas uma. Era alguém que agradecia a outra pessoa por esta lhe dar dado prioridade num cruzamento.

 

Nos hipermercados, os clientes ajudam a apanhar os produtos que tombaram das prateleiras. Cada um só leva aquilo de que precisa para o dia. Cada um pensa nos outros. Na fila, todos esperam ordeiramente.

 

No primeiro comboio após o sismo, ninguém passou à frente de ninguém. Apesar de enorme, a a fila foi respeitada. E houve até um idoso que cedeu o seu lugar a uma grávida.

 

Uma velhinha abriu a padaria para dar pão. Um jovem ofereceu transporte na sua bicicleta.

 

Na central nuclear de Fukushima, cinquenta trabalhadores expõem-se à morte para salvar a vida dos seus concidadãos.

 

Se a adversidade é o grande teste, o povo japonês está a passá-lo com suma distinção.

 

Sabem manter maior compostura na desventura do que muitos na euforia.

 

O povo japonês merece o Nobel. Da paz, sem dúvida. E também da determinação, seguramente. 

publicado por Theosfera às 00:00

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