O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Impressionante não é só a falta de soluções.

 

É também esta ausência de grandeza, de elevação.

 

Há uma crise antes (e, talvez, depois) da crise: a crise de valores.

 

Sem resolvermos esta crise, venceremos alguma crise?

publicado por Theosfera às 23:35

Os actos não entusiasmam. As palavras não ajudam.

 

As medidas anunciadas insistem no mesmo: vida mais difícil para o povo.

 

As palavras sobem de tom e a temperatura do descontentamento já vai alta.

 

Toda a gente pensa em eleições, mas ninguém quer assumir a iniciativa.

 

O Governo não se demite. A Oposição não chumba. O Presidente não dissolve.

 

Já houve dissoluções da Assembleia da República com governos maioritários. É natural que, em presença de um Governo minoritário, a dissolução esteja na cabeça de muitos.

 

Todos sabem, portanto, o que estará na iminência de acontecer. Mas ninguém parece querer desencadear o acontecimento.

 

Todos esticam a corda. Uns apresentam propostas que sabem que outros não vão aprovar.

 

Uns e outros sabem quais poderão ser as consequências.

 

Todos parecem querer as eleições, mas ninguém parece ficar com o ónus de as provocar.

 

É que, pelos sinais que emite, o povo não parece querer eleições. Prefere (e quase exige) que os partidos se entendam.

 

Nesta tempestade de palavras, o ambiente está longe de desanuviar. Perspectiva-se uma verdadeira trovoada de sacrifícios.

 

O essencial aparenta estar afastado: um entendimento alargado entre os partidos.

 

É lamentável que, numa altura destas, as instituições não funcionem.

 

Em 2009, o povo foi chamado a eleger um parlamento por quatro anos.

 

Dois anos depois, pede-se ao povo que se volte a pronunciar?

 

Ao não dar a maioria absoluta a nenhum partido, o que o povo disse foi que deveria haver um acordo entre vários partidos.

 

Um Governo minoritário não deixa de ser legítimo, mas é reconhecidamente mais frágil.

 

O mais preocupante é a sensação de que não existe rumo.

 

No sábado, as ruas encheram-se. Hoje, as estradas foram bloqueadas.

 

O país está deprimido. O povo está revoltado.

 

Há uma prolongada anemia na cidadania. Mas existe igualmente um endémico défice de qualidade na classe política.

 

Há quem veja o abismo muito perto. Não iremos cair nele. Mas quando nos afastaremos, definitivamente, dele?

publicado por Theosfera às 23:00

1. Estou certo de que nenhum de nós deixaria sem resposta a pergunta de Pilatos. Quem não sabe o que é a verdade (cf. Jo 18, 38)?

 

De uma forma ou de outra, todos nós nos sentimos visitados pela verdade. E sobretudo vemo-nos cheios de verdade e carregados de verdades.

 

Eis, pois, um domínio em que teríamos muito para falar. Como é que se entende, então, que Jesus nada tenha para dizer?

 

Porque é que Jesus ficou em silêncio se, imediatamente antes, tinha assumido que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (cf. Jo 18, 37)?

 

À primeira vista, trata-se de um silêncio muito estranho, diria mesmo enigmático. Nietzsche considerou esta como sendo a página mais intrigante de toda a Bíblia.

 

Como é que o mestre da palavra, que arrastava multidões e somava adeptos, desperdiça uma oportunidade destas?

 

Acontece que Jesus responde. Não responde com os lábios porque já respondera com a vida.

 

O silêncio diante de Pilatos certifica uma profundidade e uma subtileza que jamais deveríamos esquecer.

 

Toda a Sua vida fora um permanente testemunho da verdade.

 

Para Jesus, a verdade não é tanto para dizer. É sobretudo para viver.

 

Ele não diz verdades. Vive a verdade.

 

A verdade não se apresenta de modo parcial. Não é apenas o intelecto que a filtra. Não é somente a lei que a impõe.

 

A verdade oferece-se de modo totalizante, pelo testemunho da vida.

 

 

2. É interessante notar que, na hora decisiva, Jesus apela não para o Seu discurso, mas para o Seu testemunho.

 

Não é por isso em vão que Jesus Se coloca como sendo luz para o mundo (cf. Jo 8, 12).

 

A verdade é iluminação que pressupõe uma procura e anela por uma descoberta.

 

A verdade não é o que cada um cria, o que cada um inventa e o que cada um impõe. A verdade é sobretudo o que cada um encontra.

 

Daí que o decisivo para o apuramento da verdade seja a consciência pessoal e não qualquer poder ou maioria.

 

 Sendo assim, como perceber que haja tantos conflitos em nome da verdade?

 

Se nada nos move tanto como a verdade, também nada nos atemorizará tanto como a verdade.

 

É bom não esquecer que foi por causa da verdade que se cometeram alguns dos maiores crimes da humanidade.

 

Para combater o erro, alguns não se eximiram a recorrer aos mais hediondos métodos. A história está repleta de perseguições, condenações e mortes em nome da verdade!

 

 

3. Há, em tudo isto, um equívoco de base, que Xavier Zubiri sintetizou muito bem. Trata-se da pretensão de possuir verdades, em vez de se deixar possuir pela verdade.

 

Quando se condensou a mensagem de Jesus em dogmas, doutrinas e cânones, a questão da verdade sofreu um novo deslocamento.

 

Se Pilatos repetisse a mesma pergunta à maioria dos cristãos, dificilmente obteria uma resposta semelhante à de Jesus.

 

Quase ninguém ficaria calado. Ou seja, quase toda a gente sabe dizer a verdade. Mas será que todos estaremos em condições de mostrar a verdade?

 

O nosso termo de referência, para apurar a verdade, é mais o discurso sobre Jesus do que a pessoa de Jesus.

 

A história da Igreja assemelha-se, por vezes, a um catálogo de verdades. E, não obstante, nem sempre, na Igreja, se respira a verdade.

 

As palavras de Jesus são reproduzidas. Mas a presença de Jesus parece ofuscada.

 

Em suma, temos repetido verdades com insistência. Mas não temos conseguido mostrar a verdade com transparência.

 

É por isso que não falta até quem alegue distanciar-se da Igreja para melhor se aproximar de Jesus.

 

Isto pode parecer-nos um absurdo, mas devia, acima de tudo, servir-nos de alerta.

 

 

4. Percebe-se, por conseguinte, que Joseph Ratzinger/Bento XVI dedique uma longa apreciação ao tema da verdade no recente volume sobre Jesus.

 

Muitas vezes, a verdade está submetida ao poder. E, para sermos justos, temos de reconhecer que nem o poder eclesiástico é imune à tentação de tutelar a questão da verdade.

 

Quando a Igreja se reclama depositária da verdade de Jesus, é bom que nela resplandeça a compaixão, o despojamento, a simplicidade, a pobreza e o amor pelos pobres.

 

Nenhuma verdade é credível se não for transparente. Não basta repetir o que Jesus disse.

 

Fundamental é mostrar o que Jesus foi. E o que, no fundo, Jesus quer que sejamos.

publicado por Theosfera às 21:07

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