O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Quando os salários dos funcionários têm de baixar, o problema é a crise.

 

Quando os vencimentos dos gestores têm de se manter, a justificação são os objectivos e os resultados.

 

Será que esta justificação não se aplica aos funcionários? Se os que ganham muito precisam de muito para atingir objectivos e alcançar resultados, os que ganham (muito) menos não necessitarão de um pouco de reforço?

 

Ou a crise não chega para sensibilizar os mais abastados? 

 

Como entender isto? Como viver assim?

 

Já estamos em recessão.

publicado por Theosfera às 22:07

Naquele tempo, quando éramos crianças, recordo que o nosso sonho era termos idade, muita idade.

 

Motivo? Os idosos eram respeitados, admirados. Eram as referências do saber. Era-lhes reconhecida a autoridade da experiência.

 

Toda a gente lhes pedia conselhos. As suas recomendações eram tidas por preciosidades imperecíveis.

 

Ser idoso não era só estar mais perto da eternidade. Era, acima de tudo, estar mais próximo da verdade do tempo.

 

Quando se vê, hoje em dia, como se descartam as pessoas com idade, como as deixamos envelhecer na solidão, como nem damos conta da sua morte, não é preciso mais nada para aferirmos o estado da nossa sociedade.

 

Estamos em recessão.

 

Para quê negar as evidências?

publicado por Theosfera às 20:46

Não se acredita em ninguém, hoje em dia.

 

Acredita-se em tudo, hoje em dia.

 

A facilidade com que se acredita em tudo quanto é veiculado é directamente proporcional à facilidade com não se acredita em ninguém.

 

É uma contradição insanante.

 

Tornámo-nos demasiado crédulos em relação aos rumores e excessivamente cépticos em relação às pessoas.

 

Nem sequer reparamos que os boatos são veiculados por pessoas.

 

Que se passa, então?

 

Os rumores atingem pessoas. Muitas vezes, denigrem o seu carácter e fazem implodir a sua honra.

 

Ao darmos crédito ao rumor, estamos a dar crédito ao seu autor e a colaborar na desestruturação de muitas vidas.

 

Facilmente, fazemos o papel de juízes implacáveis e dizemos não acreditar em ninguém.

 

Só que, por incrível que pareça, estamos a acreditar em quem levanta os rumores.

 

Afinal, ao dizer que não acreditamos em ninguém, estamos a acreditar em alguém. Em alguém que fez com deixássemos de acreditar em alguém.

 

Tudo isto é deveras estranho e desolador.

 

É por isso que tem razão quem asseverou que os insultos dizem pouco de quem é insultado e dizem muito de quem insulta.

 

Há factos que, a serem verdadeiros, deviam ser tratados com decoro e pruridos de discreção.

 

Nota: Esta reflexão foi suscitada por algo que os meus olhos viram à hora de almoço na tv. Uma associação que acolhe crianças foi acusada por alguns dos seus funcionários. A informação pode ser dada. Com sobriedade. Bastava dizer algo do género: há uma acusação a decorrer relativamente a determinada colectividade. Parece-me que julgar é para os juízes. Não é para mais ninguém. Nem para jornalistas. Não sei onde está a verdade. Alguém terá de averiguar. Mas trazer tudo isto para a praça pública não resolve nada e pode complicar muito.

publicado por Theosfera às 15:08

Sporting e Benfica não são apenas dois clubes. São também dois perfis, dois retratos, duas formas distintas de lidar com a adversidade.

 

A imagem do país espelha-se nestes dois emblemas.

 

Há uns anos, falava-se das dívidas destas duas entidades.

 

O modo de resolver o problema foi diferente.

 

O Benfica optou pelo crescimento desportivo. Gerou receitas. Porventura, as dívidas existem, mas as perspectivas são animadoras. O risco foi compensado.

 

Já o Sporting enveredou pela via do cuidado. Não entrou em grandes gastos. O prioritário era ir diminuindo o défice.

 

Não houve investimento na equipa de futebol. O orçamento foi sendo reduzido, mas as dívidas mantêm-se. O receio acaba por penalizar.

 

Os resultados não surgem. Os adeptos não aparecem. Os gastos, ainda que menores, continuam a alimentar o défice.

 

Portugal precisava de uma solução à Benfica, de apostar no crescimento e de não ficar apenas com medo do défice. É que, daqui a pouco, já não há como sobrecarregar mais os contribuintes.

 

Só o estímulo ao crescimento pode superar as dificuldades.

 

O perigo é grande. Mas a experiência é feita disso mesmo: de perigo e de perícia.

 

Já só falta a perícia.

publicado por Theosfera às 11:42

Confesso alguma perplexidade por determinadas reacções ante a situação que se desenha no mundo árabe.

 

Parece haver quem esteja mais preocupado agora, com a instauração da liberdade, do que com o que se passava antes, sob o domínio da ditadura e da opressão.

 

Há quem esteja dominado por um determinismo pouco menos que assolapado. E não falta mesmo quem decrete que as coisas só podem piorar.

 

É certo que pior é sempre possível. E, a propósito, não fica mal citar esta história deliciosa da antiguidade: «Em Siracusa, no tempo em que toda a gente desejava a morte de Dionísio, uma certa velhinha constantemente rezava para que não lhe acontecesse mal e ele vivesse mais tempo do que ela. Quando o tirano soube disto, perguntou-lhe a razão. E ela respondeu: “Quando eu era rapariga nós tínhamos um tirano muito cruel e eu desejava a sua morte. Quando ele foi morto, sucedeu-lhe um que era um pouco mais cruel que ele. Eu também estava ansiosa por ver o fim do seu domínio, mas então tivemos um terceiro tirano, ainda mais cruel. Este és tu. Por isso, se tu fores levado, um pior vai suceder-te no teu lugar».

 

Muitas vezes, é assim. Só que há um limite. E, segundo o povo, tão verdade é «não há bem que nunca acabe» como «não há mal que sempre dure».

 

Estaline foi pior que Lenine. A ditadura soviética parecia invencível. Mas já terminou.

 

A desordem em Portugal deu origem a um regime autoritário que aparentava ser interminável. Mas também foi vencido.

 

Nenhum regime é eterno. O importante é que se caminhe no sentido da justiça e da paz.

 

Uma vez mais, verto o meu humilde apelo. Deixemos, primeiro, falar os factos. Depois, então, falemos nós.

publicado por Theosfera às 11:02

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