O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Ainda a viver a euforia da libertação, o Egipto está a passar pelo risco de um novo cativeiro. De um duplo cativeiro, aliás.

 

A revolução egípcia, com efeito, está a ser cativada, na hora que passa, pela questão do poder e pela questão da interpretação.

 

Tudo previsível, diga-se.

 

Afastado Mubarak, o país e o mundo querem saber quem manda. Devia ser quem serve, mas o poder como serviço ainda está longe em toda a parte.

 

Já houve quem notasse que, nesta epopeia, ainda não emergiu um líder incontestado.

 

ElBaradei tem sido, argutamente, modesto e a Irmandade Muçulmana procura (deliberadamente?) exorcizar qualquer protagonismo liderante.

 

Isto até pode ser positivo. É sinal de que a situação não está resolvida e de que o futuro permanece em aberto.

 

A transição será um teste fundamental. Há alguma impaciência. O presidente saiu, mas a estrutura permanece.

 

De certa forma, é compreensível. Mas há quem anele por mais celeridade. A constituição foi suspensa, o parlamento foi dissolvido e o processo eleitoral parece garantido.

 

Hoje, houve indicadores preocupantes com a troca de tiros entre o exército e a polícia. Esperamos que não haja continuidade e que a normalidade seja restabelecida.

 

Alguém tem de assegurar a transição e, em princípio, o exército parece gozar de boa reputação entre o povo.

 

Mas não é só do poder que se querem apropriar. É também da interpretação dos factos.

 

As reacções de regozijo envolvem sectores ideologicamente contrários. Tão contentes parecem estar os Estados Unidos como o Irão.

 

Os acontecimentos aparentam estar a ser capturados por alguns preconceitos, esquecendo que algo novo terá emergido.

 

Não falta quem esteja à espera (uns com entusiasmo, outros com receio) de uma revolução islâmica do género da do Irão de 1979.

 

Sendo um país onde o Islão é dominante, muitos estavam à espera de um maior radicalismo.

 

É preciso dizer que o Islão está longe de ser um fenómeno uniforme e que, na sua génese, propugna a sã convivência.

 

Basta ler os textos e olhar para vários períodos do passado. A forma, por exemplo, como respeitaram os cristãos ao chegarem e Jerusalém é elucidativa.

 

Tudo isto só mostra que a história não é um sistema fechado. Ela está em aberto. E nem sempre as surpresas são más.

 

Tentemos calar os preconceitos. Não consintamos que eles capturem a realidade.

 

Deixemos falar os factos. Depois, falemos nós.

 

 

publicado por Theosfera às 23:55

Está visto que Portugal depende muito da Alemanha, o motor da Europa.

 

Foi assim já, aliás, quando entrámos na então CEE. E assim continua a ser hoje.

 

Há, porém, uma sensação diferente. Outrora, prevalecia a sensação de parceria. Actualmente, tende a predominar a sensação de (quase) submissão.

 

Portugal estará diferente, embora se mantenha dependente. Mas a Alemanha também não é igual, ainda que permaneça liderante.

 

Com Helmut Kohl, tínhamos uma Alemanha europeia.

 

Angela Merkel parece querer modelar uma Europa alemã.

 

Há coisas do passado que não ficavam nada mal no presente...

publicado por Theosfera às 23:53

... não olhes apenas para as alturas. Deus não está só no alto.

 

Olha também para baixo. Olha para o lado. Olha para o fundo.

 

Entra na profundidade do teu ser. E está atento à profundidade do teu semelhante.

 

Deus está aí. Em forma de paz.

publicado por Theosfera às 22:48

Fica, por vezes, no ar a impressão de que a humildade é um ornamento retórico que fica sempre bem em qualquer discurso. E fica. Mas fica muito melhor na vida.

 

As pessoas têm uma ânsia muito grande (e muito legítima) de proximidade.

 

As pessoas querem ver sinais de humildade.

 

É que, como lembrava Paulo VI, o mundo acredita muito mais em testemunhas do que em mestres.

 

Testemunhas da humildade são, cada vez mais, necessárias.

 

É bom falar da humildade. É fundamental ver a humildade de que (tanto e tão bem) se fala.

publicado por Theosfera às 19:12

Há quem fique preocupado com a discordância, quando o mais preocupante é o afastamento.

 

A discordância dentro da Igreja não é, em si mesma, um problema. Até pode ser sinal de vitalidade. Mas há uma tremenda dificuldade, dentro da Igreja, em conviver com a discordância, com a sã pluralidade.

 

Problema grave é o afastamento. É o afastamento em relação a Jesus. E este afastamento pode envolver a própria Igreja, designadamente as suas estruturas.

 

Habitualmente, olhamos para as palavras, para os conceitos. Era bom que olhássemos também (e sobretudo) para os sinais, para o estilo de vida.

 

Confesso que despertou a minha atenção a perplexidade do poeta José Miguel Silva diante de uma certa iconografia: «Vês (nas igrejas) os santos vestidos como príncipes, quando toda a mensagem cristã defende o oposto».

 

Pois é. Jesus foi pobre. Convida a um estilo de vida pautado pela pobreza e sobriedade.

 

Muitas vezes, andamos empenhados em apontar a Sua doutrina. Esta é importante. Mas o decisivo é a Sua conduta. É viver como Ele viveu.

 

Não critico ninguém. Mas há coisas (como esta) que ferem um pouco.

 

É certo que Jesus está em toda a parte. Mas não era propriamente em palácios que costumava ser visto.

 

Não propugno um miserabilismo eclesiástico. Mas penso nas palavras de Paulo para quem Jesus nos enriqueceu com a Sua...pobreza!

 

Entre a ostentação e Jesus o casamento não é feliz, a relação não é estreita.

 

Se há dinheiro para investimentos destes (e 2 milhões e 400 mil euros é, sem dúvida, muito dinheiro), quem nega que seria mais bem aplicado na coroa da missão que é alimentar quem tem fome?

 

Porventura, isso até será feito. Mas poderia ser intensificado. E, além dos actos, os sinais são eloquentes.

 

A Igreja é chamada não apenas a estar junto dos pobres, mas também a fazer-se pobre.

 

E se, para um cristão, Jesus é a lei, então há qualquer coisa (muita coisa) que é preciso mudar. Com serenidade. Mas também com alguma urgência.

publicado por Theosfera às 18:44

As notícias têm este efeito multiplicador.

 

O caso da senhora que esteve morta nove anos destapou a sensibilidade para este tipo de ocorrências.

 

Mas dois idosos foram descobertos sem vida.

 

Há cerca de 390 mil idosos sós. No nosso país. Na nossa aldeia. No nosso mundo.

 

Eis uma prioridade para o Estado. Eis um imperativo para nós.

publicado por Theosfera às 18:42

Jesus não é a destruição do já realizado, mas também não é a mera continuidade do já feito.

 

Ele é a renovação perene e a novidade total.

 

O Sermão da Montanha apresenta-nos várias antíteses em que ressalta, com supina clareza, a superação da Lei. Mesmo da Lei que se presumia de inspiração divina como era o caso da Torah.

 

É por isso que a fidelidade a Jesus não é fossilizável. Em Jesus ninguém estagna.

 

A Sua presença acompanha-nos em cada momento.

 

A história, numa perspectiva jesuânica e numa ambiência crística, não é apenas uma ciência. É, acima de tudo, uma construção.

 

A preocupação do cristão não pode ser, pois, manter a ordem instituída. O imperativo do cristão tem de ser sempre transformar.

 

Há um certo conservadorismo que não se coaduna com o espírito de Jesus.

 

Se Jesus fosse um conservador, os fariseus deixavam-No seguramente tranquilo.

 

É por tudo isto que Jesus não é somente a resposta às nossas perguntas. Ele é, sobretudo, a pergunta que desinstala as nossas respostas.

 

Jesus não está no previsível. Ele pulveriza os nossos arquétipos.

 

Ele é o critério para nós. Nenhum de nós é critério para Ele.

 

As Igrejas procuram ser o eco de Jesus? Ou resignam-se a ser a ressonância da ordem vigente?

publicado por Theosfera às 12:50

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