O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Afinal, Mubarak não se demitiu.

 

Está, no fundo, a adiar o inadiável.

 

Ele sabe que tem de sair. Só não percebeu que quanto mais depressa melhor.

 

Os radicalismos podem explodir e as vítimas arriscam-se a aumentar.

 

A saída de Mubarak não é tudo. Mas é o fim do princípio.

 

Há que salvaguardar a dignidade das pessoas e devolver a decisão ao povo.

publicado por Theosfera às 21:49

Parece que o Egipto está à beira de fazer história.

 

Mubarak apresta-se para deixar o poder.

 

Não é um golpe. É o clamor do povo.

 

Atenção ao que se está a passar.

 

Que a paz prevaleça.

publicado por Theosfera às 19:06

Todo o ponto de vista acaba por ser a vista de um ponto.

 

Esta percepção alicerça uma verdade elementar: é praticamente impossível haver imparcialidade.

 

O jornalismo não é excepção. Por muito esforço que haja, a parte por que se toma partido assoma sempre à superfície.

 

É, por isso, com pesar que se vêem certos escrúpulos acerca da forma como a comunicação social está a acompanhar a situação do Egipto.

 

As situações excepcionais tratam-se excepcionalmente.

 

Como é que se pode ser isento perante uma luta pela liberdade?

publicado por Theosfera às 18:59

O Egipto pode ficar sem presidente, ainda hoje. Portugal pode ficar sem governo daqui a pouco mais de um mês.

 

Os jornais dizem que Hosni Mubarak pode demitir-se ainda esta noite. A esperança escorre na alma das pessoas. No entanto, o que virá?

 

O Bloco de Esquerda acaba de anunciar uma moção de censura ao Governo para dia 10 de Março, o primeiro dia em que tal pode ser feito. É que o Presidente da República toma posse no dia anterior.

 

A incerteza paira. A instabilidade ameaça. O presente não é brilhante. Mas será que o futuro será melhor? Ou não será que, com outros, continuaremos a ter mais do mesmo?

 

Aguardemos. Só pedimos serenidade, moderação e sentido do interesse comum.

publicado por Theosfera às 16:40

Os livros tendem a ser lidos conforme são escritos. A autobiografia de Tony Blair lê-se de um fôlego porque foi escrita de um fôlego.

 

Tratando-se do percurso de um político, é interessante notar como lhe subjaz o factor humano no mais ínfimo pormenor.

 

Há, ali, vibração, intensidade, mas também rivalidades, invejas e competições.

 

Aliás, de certa forma, estamos perante uma espécie de dois em um.

 

O livro fala de Blair e, quase a par, de Gordon Brown, o grande rival, que se tornou seu sucessor.

 

De resto, várias vezes aparece a expressão TB/GB.

 

Há uma marcação mútua entre os dois homens. O partido e o país pareciam demasiado pequenos para os dois.

 

No entanto e apesar de todas as peripécias, os dois homens conseguiram coexistir no mesmo governo.

 

 

Com a autobiografia de Hans Kung parece ocorrer o mesmo. Fala-se quase tanto de Ratzinger como do próprio.

 

Eis uma grande lição: o mesmo não é nada sem o diferente; o eu não sobrevive sem o tu.

 

Voltando a Blair, há expressões de grandeza na explanação dos grandes dramas vividos, nomeadamente no que toca à intervenção militar no Iraque.

 

Este facto haveria de marcar (irremediavelmente) a trajectória de Blair.

 

Dá para ver como os partidos, na ânsia de sobreviver, são capazes de descartar as pessoas a quem, um dia, juraram fidelidade.

 

A partir de certa altura, o Labour queria desfazer-se de Blair para continuar no poder. Sucede que a estratégia saiu gorada, pois, com Gordon Brown, veio a derrota.

 

Blair intuiu o ar do tempo e renovou o discurso e a prática. Ainda hoje, há quem, na esquerda, não se reveja na famosa terceira via.

 

Parece heresia um político trabalhista criticar Keynes e ser defensor da iniciativa privada em todos os segmentos da vida.

 

As ideologias são um caldo cada vez mais insosso e híbrido, onde as contradições mais insanáveis aparentam caber.

 

Há muitas confidências interessantes, como a de ficarmos a saber que foi ele, Tony Blair, o responsável pela canditatura de Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia. Um trabalhista apoia, portanto, alguém de pendor mais conservador.

 

Acresce que faz várias referências elogiosas a políticos de quadrantes opostos ao seu. São óptimas as relações que cultiva com George Bush, com Sarkozy, com Angela Merkel.

 

Quanto aos Estados Unidos, sublinha a inteligência de Bill Clinton. E, para espanto geral, afirma que o político mais inteligente que conheceu foi o presidente de Singapura.

 

Fala da vida privada com afecto embevecido. O filho mais novo nasceu-lhe em Downing Street. Mostra-se reconhecido à esposa e reconhece-lhe o espírito independente.

 

A família real mereceu-lhe o maior respeito e ficou muito marcado pela morte inopinada da princesa Diana. Foi ele o divulgador da expressão que se tornou célebre: a princesa do povo!

 

Não esconde a delicadeza na relação com a imprensa e a apetência desta para escândalos. Teve de sacrificar vários colaboradores (incluindo ministros) por causa de notícias vindas a público.

 

Não falta sequer uma menção à relação, nem sempre fácil, com o vinho. Da sua parte, houve sempre comedimento, mas reconhece que há uma tendência para abusos. Afinal, «ser humano é ser frágil».

 

A saída da política não foi linear e deixou feridas. Sente-se que foi uma decisão tomada a contragosto. Via-se com energia para continuar até porque ainda era novo. «As coisas nunca estão acabadas».

 

Confesso que esperava que falasse da sua opção pela Igreja Católica. Mas sobre isso nada diz. Fala bastante, contudo, da importância da fé na sua vida.

 

Aliás, criou mesmo uma Fundação para a Fé, a que continua a presidir.

 

Diz sentir-se bem na sua nova vida. Até porque (para espanto geral), assume «a felicidade de der uma paixão maior do que a política, que é a religião».

 

Inesperada, esta confidência.

 

Para um homem que crê, o maior poder não consiste em mandar, mas em libertar. Nem sempre Blair terá sido coerente. Os extremismos que diz ter combatido no Iraque foram exacerbados.

 

Fique, entretanto, a lucidez das suas últimas palavras: «Não é o poder da política que liberta as pessoas; o poder das pessoas é que é necessário para libertar a política».

 

Mas quem está disposto a reconhecer o primado da pessoa e da decisão pessoal?

publicado por Theosfera às 14:15

As pessoas preparam-se, qualificam-se e algumas até trabalham. Só que é tudo precário.

 

Mas há também muita gente que se resigna, que não arrisca, que fica à espera de que as coisas aconteçam.

 

Há muitos que rejeitam trabalho. Na expectativa do emprego desejável, não aceitam o emprego possível.

 

 A geração sem remuneração parece ser, assim, a geração sem esperança. E sem este capital, nenhum ganho se obterá.

publicado por Theosfera às 11:19

Sempre pensei que o aborto não se limita à eliminação da vida no ventre materno. Há tantos abortos depois do nascimento!...

 

Ontem, tomámos conhecimento de um caso arrepiante.

 

Uma senhora foi encontrada sem vida na cozinha da sua casa. O problema é que já terá morrido há nove anos!

 

Ali esteve. Abandonada em vida. Abandonada na morte.

 

Alguns vizinhos terão alertado a família e as autoridades, mas, por fas ou por nefas, nunca chegaram a arrombar a porta.

 

Terão chegado à conclusão de que desapareceu.

 

As autoridades perderam o rasto da pessoa, mas não se esqueceram da contribuinte. Deram conta de havia uma dívida.

 

As finanças levaram a casa a leilão. Quando, finalmente, entraram, deram conta de que a porta custava a abrir.

 

Só nessa altura repararam no que tinha acontecido. O corpo da infausta senhora estava depositado na cozinha.

 

O gato e os pássaros, que lhe faziam companhia, também jaziam mortos junto à janela.

 

Quantos não serão os idosos que correm risco semelhante?

publicado por Theosfera às 11:14

Peguemos, então, no argumento da liberdade.

 

Dizem que quem for contra o aborto que seja. Mas alegam também que quem quiser praticar o aborto não deverá ser impedido.

 

O problema é que este acto é praticado com o dinheiro dos outros, inclusive dos que não aprovam o aborto.

 

Acresce que, numa altura em que o dinheiro escasseia, é difícil perceber que, em apenas quatro anos, tenham sido gastos cem milhões de euros em mais de 63 mil abortos.

 

Segundo dizem, o aborto tem mais apoio monetário que a criação de uma criança!

 

Não quero fazer moralismo e não me passa pela cabeça julgar quem quer que seja. Só Deus sabe o drama interior de tanta gente atirada para as malhas do aborto.

 

Mas daí até subsidiar a prática do aborto vai uma grande distância.

publicado por Theosfera às 11:07

É a força que nos estimula, mas é a fragilidade que mais nos expõe.

 

Se repararmos bem, é nos momentos de fragilidade que melhor nos conhecemos e conhecemos os outros.

 

Quem nunca bateu no fundo não chegou à verdade de si mesmo.

 

Pertinente, por isso, é a afirmação de Tony Blair, na sua recente autobiografia, quando assinala que «ser humano é ser frágil».

 

Jesus revelou-nos a verdade definitiva de Deus na fraqueza suprema da Cruz. Aí Se deu inteiramente pela humanidade.

 

Um dos homens mais admirados do século XX (o teólogo Dietrich Bonhoeffer) revelou toda a sua energia na fragilidade do campo de concentração de Auschwitz. Foi nessa fragilidade que se mostrou maximamente coerente, luminosamente resistente e exemplarmente insubmisso.

 

Não é fácil lidar com a fragilidade. Às vezes, a força não passa de um disfarce.

 

Aliás, é na fraqueza que se manifesta quem é verdadeiramente forte.

 

Ser forte no êxito é quase redundante. Manter-se forte no fracasso é coisa que está ao alcance de poucos.

 

Somos tentados a passar grande parte do tempo a esconder as fraquezas, como se a nossa identidade pudesse ser ameaçada.

 

A fragilidade não nos apouca. Ela é o nosso maior (porventura, o único) retrato.

 

Ter medo da fragilidade seria ter medo de nós mesmos.

publicado por Theosfera às 00:00

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