O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

... são a amizade e (pasme-se!) a filosofia.

 

Zubiri entrevia estas como as duas grandes prioridades já na distante década de 1930.

 

Vale a pena reflectir.

 

Estamos diante de duas fortes carências. E, nessa medida, de duas monumentais urgências.

 

Há um enorme défice no relacionamento e no pensamento.

 

publicado por Theosfera às 22:57

1. Parece que é na África que se encontra o nosso berço. E tudo indica que é na África que estamos a reencontrar o nosso destino.

 

Haverá, no que se está a passar sobretudo na Tunísia e no Egipto, muito de incerto, de perigoso e até de temerário. Mas reconheçamos que, em tudo o que os nossos olhares avistam, há também muito de belo, de heróico, de comovente e de puro.

 

Até há poucos dias, seríamos levados a pensar que já não se faziam revoluções assim.

 

E eis que, de repente, nos sentimos revisitados pelas imagens (imperecíveis) da Checoslováquia de 1968, da Praça de Tianamnen e da queda do Muro de Berlim.

 

É claro que nenhum êxito está assegurado à partida. O Muro caiu. Mas, antes da queda do Muro, a revolta de Praga foi esmagada e muitos manifestantes de Tianamnen foram mortos.

 

 

2. Pensávamos, entretanto, nomeadamente neste ocidente adormecido, que tudo isto estaria arrumado nos anais da história e nos baús das recordações.

 

Desde a década de 90, deixámos de nos manifestar por ideais. Apenas nos mobilizamos por interesses.

 

E, mesmo aqui, é por interesses pessoais ou de grupo que saímos para a rua. Daí que as manifestações nos coloquem não tanto ao lado uns dos outros, mas uns contra os outros.

 

Habitualmente, só nos manifestamos quando as nossas coisas estão em risco. Porque é que não nos manifestamos pelos outros?

 

Olhemos para a Tunísia e para o Egipto. As imagens de violência deixam-nos, certamente, destroçados, mas há uma lição que avulta.

 

 Aquele povo levantou-se, praticamente em uníssono. É caso para dizer que, ali, se cumpre ainda a máxima do um por todos e todos por um.

 

 

3. Vamos, por isso, notando que há qualquer coisa que fomos perdendo na Europa e que estamos a reencontrar, agora, na África.

 

Na Tunísia e no Egipto, é todo um povo que se levanta, é toda uma voz que se ergue e é toda uma onda que se cria em torno de um desígnio comum: recuperar a liberdade, pôr fim à opressão.

 

Afinal, ainda há quem lute por ideais, quem não se subjugue à ordem instituída.

 

Ainda há quem, por uma causa, esteja disposto a sacrificar não apenas o descanso, não apenas o lugar, mas a própria vida.

 

O gesto de Mohamed ElBaradei é bastante raro. Quantos arriscariam uma reconfortante carreira diplomática, aureolada com um Prémio Nobel, para desafiar um poder impiedoso?

 

Mas a reacção quase unânime à atitude de Mohamed Boauzizi é simplesmente espantosa.

 

Este jovem tunisino, que ganhava o sustento para a família, era constantemente incomodado e agredido pelas autoridades. A certa altura, não aguentou e imolou-se com gasolina.

 

A sua morte desencadeou uma vaga de estremecimento e de revolta incontida. Muitas pessoas se juntaram na sua cidade. Outras vieram de muitas cidades. Até que praticamente todo o povo se congregou.

 

 

4. Ninguém pode antecipar o futuro. Às vezes, as revoluções degeneram em amargas desilusões.

 

Tudo pode até ficar pior. Mas nada continuará igual. E só por isso já terá valido a pena sair, gritar, chorar, persistir.

 

É com esta África que podemos aprender. A Europa foi perdendo o rumo da vida, a bússola do sentido, o horizonte da esperança.

 

Uma depressão endémica abateu-se sobre o ocidente. Só nos levantamos quando um direito é perdido, quando um hábito é alterado.

 

 É por isso que há qualquer coisa de épico na porfia que o povo tunisino e egípcio está a manter pela sua dignidade.

 

Já há mártires e a vida humana é demasiado preciosa para que um só ser humano seja imolado. Como sempre, a esperança está a ser regada com sangue.

 

Por aqui, continuamos atomizados, deslaçados. Sobram aspirações corporativas. Falta um desígnio nacional, um rumo colectivo, um sentido comum.

 

Ainda estaremos a tempo de nos reencontrarmos como povo, como comunidade, como família?

publicado por Theosfera às 11:51

Às vezes, é preciso acontecer o pior para despertar em nós o melhor.

 

É sobretudo nos dramas, nas contrariedades e nas tragédias que mostramos que, afinal, ainda somos humanidade, ainda temos coração, ainda somos capazes de nos condoer, de abraçar, de partilhar, de estender a mão, de gerar calor, de semear esperança.

 

Estranho (mas, apesar de tudo, belo) paradoxo este: é preciso que alguns percam tudo para percebermos que, afinal, nem tudo está perdido!

publicado por Theosfera às 00:09

Tudo o que tem princípio tem fim.

 

Até o que parece invencível acaba por ser vencido.

 

Acabam organizações, acabam clubes, acabam partidos, acabam regimes, acabam ideologias, até acabam países.

 

Portugal tinha uma monarquia que durava há séculos. Parecia consolidada. Nunca nenhum rei tinha sido assassinado. Isto descansava D. Carlos, que acabou por ser alvejado faz amanhã 103 anos.

 

Hoje, aliás, faz 120 anos que houve uma revolta no Porto, a primeira grande revolta republicana.

 

O povo ficou melhor com a república? Os dados são incontroversos. Não houve mais paz. Não houve sequer mais democracia. Nem sequer houve mais desenvolvimento.

 

A experiência ensina que é sempre mais um regime que cai do que outro que entra.

 

A monarquia estava em decadência em finais de novecentos. E a democracia não o estará hoje? 

 

Não é a inércia que nos há-de orientar. É a vontade e, acima de tudo, o sentido de justiça.

 

Seja como for, nenhum regime é eterno. E, apesar de eu mesmo me rever no significado último da democracia,  é preciso ter presente que nem a democracia perdurará por todo o sempre. Basta ler a volumosa obra de John Keane com o acutilante título Vida e morte da democracia.

 

S. Paulo chama a nossa atenção para a caducidade de tudo. Tudo acaba. Até a fé e a esperança. Depois de tudo vermos, já não precisamos da fé. Depois de tudo alcançarmos, já não carecemos da esperança.

 

O que nunca termina é o amor, a doação, a entrega.

 

Façamos da vida uma semente de amor. Se não houver amor, vale a pena viver?

publicado por Theosfera às 00:08

Em tempos de invernia do espírito, não deixe de tomar duas preciosas vitaminas: a vitamina E e a vitamina C.

 

Do que mais carecemos é de Esperança. Onde encontrá-la? Em Cristo!

publicado por Theosfera às 00:06

Miguel Esteves Cardoso tem razão. A regra de ouro de todas as religiões acaba por ser também «a lição desobedecida de todas elas: não trates os outros como não gostarias que os outros te tratassem a ti».

 

Urge inverter a tendência. É hora de alterar o sentido.

publicado por Theosfera às 00:05

Mais uma semana de trabalho nos espera.

 

A temperatura está bastante baixa, o ânimo parece deveras reduzido.

 

Há sempre, porém, uma nesga de luz a rasgar a escuridão mais espessa.

 

Há muitas adversidades à volta.

 

Olha, meu Irmão, para a riqueza que Deus semeou no teu coração.

 

Segue a tua consciência.

 

Ela é o eco epifânico do Eterno dentro de ti.

 

Uma feliz semana. Muita paz.

publicado por Theosfera às 00:00

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