O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Sabe qual é?

 

Ele há cada estudo!

 

Veja aqui.

publicado por Theosfera às 23:06

Foi um homem de Deus que nunca virou costas aos seus semelhantes.

 

Samuel Ruiz, Bispo de Chiapas, morreu hoje.

 

Mas o seu exemplo vive para sempre. Veja aqui.

publicado por Theosfera às 20:47

1. Os resultados estão lidos. As leituras apresentam-se feitas. E as ilações parecem tiradas. Não faltará dizer mais nada acerca das eleições?

 

Creio que valerá a pena alinhar uma breve reflexão acerca de um tópico que, uma vez mais, pairou em diversas instâncias. Trata-se daquilo a que (impropriamente) se chama voto católico.

 

Esta é, desde logo, uma expressão equívoca. Sugere uma frente unitária, homogénea quando é sabido que encontramos católicos em todos os quadrantes incluindo abstencionistas, militantes do voto em branco e do voto nulo.

 

Temos de partir do princípio de que tais opções são ditadas pela consciência. Algum estigma poderá ser lançado?

 

 

2. Ouvimos apelos à isenção dos responsáveis eclesiásticos. Em que consistirá tal isenção? Acima de tudo, na não intervenção pública em favor de um partido ou candidato.

 

Para lá disso, ninguém negará a um padre ou um bispo os mesmos direitos e deveres de um cidadão.

 

Como cidadão, fará as suas escolhas. Apenas se espera que não as publicite.

 

Penso que, mais que um preceito, estamos em presença de uma pura questão de bom senso.

 

As sociedades atingiram, felizmente, um patamar de autonomia e maturidade que dispensam pressões tutelares.

 

O problema ocorre quando, invocando uma isenção formal, se fazem apelos ao denominado voto católico.

 

Como já foi dito, é difícil (para não dizer impossível) tipificar cabalmente um voto católico. Tão complexo é o acto de votar e tão vasta é a condição de católico!

 

 

 3. Não falta, porém, quem tente influenciar, monitorizar. Se, para lá das linhas, olharmos para a entrelinhas de alguns textos, dá para perceber que, subrepticiamente, a campanha  é feita.

 

Neste caso, mais valia que as posições fossem tomadas às claras e não de modo enviesado.

 

Não se falando directamente em partidos nem em candidatos, apresentam-se uma série de considerandos cujo teor e objectivo qualquer pessoa entende.

 

Desta vez, não faltou até quem se abalançasse na defesa do voto em branco ou da abstenção. O pretexto é que não haveria nenhum candidato que defendesse os princípios católicos!

 

É claro que o ser católico nunca se suspende. Nem tampouco na mesa de voto.

 

Mas o discernimento pertence a cada um. Alguém poderá erigir-se em dono das opiniões ou em proprietário das consciências?

 

Acresce que tendo católico a ver com universal, não é curial que se parcialize essa identidade.

 

Habitualmente, existe uma sensibilidade para com os temas da moral. É certo que há doutrina clara quanto a ela. Mas porque é que não se verifica igual atenção à doutrina social?

 

Não falta quem lembre a doutrina da Igreja no que toca ao aborto ou ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas quem alerta para a doutrina da mesma Igreja no que respeita à justiça e à opção preferencial pelos pobres? Porque é que uma é tão lembrada e a outra tão esquecida?

 

 

4. É importante que os católicos conheçam o pensamento da Igreja sobre cada tema.

 

Mas é igualmente fundamental que se respeite a consciência de cada um no seu discernimento e na sua decisão.

 

Aliás, é doutrina conhecida que ninguém pode reclamar para si o exclusivo da mensagem de Cristo.

 

Podemos não estar de acordo com determinada visão. Podemos até achar que ela não está em consonância com o Evangelho.

 

Mas temos de aceitar que, por muito que nos custe, outros poderão pensar de modo diferente.

 

A liberdade não é unívoca e há que respeitar as decisões de cada um. Não é a liberdade a grande oferta de Jesus Cristo?

 

E, depois, há que ter presente que as opções não são isentas de dramas.

 

Uma decisão tem mais de oblíquo do que de linear. Não pode haver complexos de superioridade nem presunções de tutela.

 

A consciência de cada um é (mesmo) um património sagrado.

publicado por Theosfera às 16:11

«Educar é introduzir na realidade total».  

 

Assim escreveu Jungmann e assim recorda Luigi Giussani num livro cuja versão portuguesa tem como título Educar é um risco.

 

Mas como introduzir na realidade se se renuncia, cada vez mais, a uma hipótese explicativa dessa mesma realidade? Se o apelo à tradição é cada vez mais esbatido?

 

E como introduzir na realidade total se a fragmentação é a linha dominante dos programas e dos conteúdos sem haver, muitas vezes, um fio condutor entre eles?

 

A importância da unidade no projecto educativo ressalta como fundamental, determinante, decisiva.

 

A escola padece, hoje em dia, de bastos focos de heterogeneidade e contrariedade. Isto cria nos estudantes uma atmosfera de cepticismo e desmotivação muito perigosa. «As pessoas lamentam-se, com frequência, que os jovens não constroem: mas o que construir e sobre que base?»

 

Vamos assumir: estamos a falhar na educação.

 

Vamos decidir: urge apostar num novo rumo para a educação.

 

Vamos deixar de ter medo de falar dos valores, de marcar um rumo, de propor normas éticas.

 

Vamos deixar de ter medo de educar os sentimentos.

 

Vamos deixar de ter medo de corrigir, de chamar a atenção.

publicado por Theosfera às 11:38

 

É uma tendência que vem de há muito e teima em persistir: nós sabemos sempre mais o que não queremos do que aquilo que queremos. 

 

É o mal para o qual já Manuel Antunes nos alertava: somos mais dominados pelo negativo do que pelo positivo. 

 

Este é o nosso mal. Será também a nossa identidade? 

 

Para Walter Kasper, o mal não é tanto carência de bem. É sobretudo transtorno do ser. 

 

Somos assim. Seremos capazes de ser diferentes?

publicado por Theosfera às 11:36

Às vezes, dou comigo a pensar no seguinte. A principal diferença entre a teologia portuguesa e a teologia espanhola é que a teologia espanhola existe.

 

É, naturalmente, com mágoa que colho este registo. Nem sequer se trata de uma tomada de posição. Trata-se tão-somente de uma simples aferição.

 

Uma obra como a que acaba de aparecer na Espanha seria impossível de surgir no nosso país.

 

Olegario González de Cardedal publicou um livro que condensa o percurso da teologia epanhola nos últimos cinquenta anos.

 

Entre nós, a Teologia, muitas vezes, oscila entre a repetição e a paráfrase.

 

Há condicionantes de vária ordem que, no conjunto, concorrem para o empobrecimento da vida eclesial e da presença cristã na sociedade.

 

Não há estímulos à investigação nem apoios para a publicação.

 

A Teologia, entre nós, limita-se, praticamente, à docência e aos manuais.

 

É claro que há excepções (muito estimáveis, aliás) que acabam por confirmar a regra.

 

A vitalidade da fé também se afere pela revitalizção da Teologia.

 

É necessária uma leitura da nossa realidade à luz da fé e da fé a partir da nossa realidade.

 

Precisamos, por isso, de uma teologia que não se fique pela robustez do conceito, mas que seja, acima de tudo, existencialmente interpelante.

 

A Espanha está tão perto. Mas a sua pujança parece, por vezes, demasiado longe.

publicado por Theosfera às 11:07

O Evangelho apresenta-nos Jesus preocupado com as pessoas.

 

Tem para elas palavras de esperança e tem junto delas atitudes de alento.

 

Não é em vão que a mesma palavra (sozo) significa curar e salvar.

 

A actividade taumatúrgica de Jesus é uma realidade e funciona, acima de tudo, como um sinal. Ele é o grande libertador e o maior curador da enfermidade humana.

 

Jesus oferece uma poderosa terapia diante do egoísmo que desfigura a existência e macula a convivência.

 

O Seu amor, como sagazmente notara Agostinho da Silva, é desegoízador.

 

Só por duas vezes, de acordo com os Evangelhos, fala da instituição que haveria de prosseguir a Sua obra.

 

A Igreja é importante, mas não um absoluto nem se constitui como uma meta.

 

O essencial é o que aparece designado como Evangelho do Reino.

 

Reino, como é óbvio, nada tem que ver com uma magnitude política. Trata-se de uma grandeza de ordem diversa. É a presença de Deus no meio das pessoas.

 

Daí o apelo à mudança e o convite a segui-Lo.

 

A Igreja, como assinala Paulo, existe para assegurar a presença de Cristo no tempo.

 

Não pode, por isso, desagregar-Se de Cristo.

 

Cristo não quis separar-Se da Igreja. A Igreja não pode separar-se de Cristo.

 

Só que há quem veja distância: não de Cristo em relação à Igreja, mas da Igreja em relação a Cristo.

 

É neste sentido que não é muito curial apontar à sociedade a responsabilidade pela crise da Igreja.

 

A crise da Igreja (vale a pena ler o texto de José António Saraiva na Tabu) vem de dentro para fora e de cima para baixo.

 

O caminho há-de ser, pois, acolher o que nos chega de fora para dentro e de baixo para cima.

 

Não foi por acaso que Jesus enviou os discípulos para fora, advertindo que o Reino é como uma semente lançada à terra.

 

É, portanto, por baixo que se deve começar.

 

É claro que a linguagem é sempre um instrumento inapropriado. É que, relativamente a Cristo, não há fora, nem baixo. Ele está dentro de tudo e de todos. E todos estão dentro d'Ele.

 

Perceber isto é fundamental.

publicado por Theosfera às 10:47

Um ar resignado percorre o esgar das pessoas, nesta manhã fria, ao regressar ao trabalho.

 

Quase ninguém fala das eleições.

 

Não se fala dos vencedores e todos parecem ter um ar de vencidos.

 

As dificuldades são muitas.

 

O divórcio do povo em relação à política (sinalizado na elevada abstenção) parece ser a consequência do divórcio, que a montante se verifica, da política em relação ao povo.

 

Mas este é um caminho perigoso e nada sadio.

 

É preciso encontrar um novo paradigma de fazer política e de exercer a cidadania.

 

E, antes de mais, é urgente injectar ânimo na (depauperada) alma das pessoas.

publicado por Theosfera às 10:38

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