O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Vou tentar cultivar mais o silêncio, a solidão, o recolhimento, a interioridade.

 

E vou tentar pensar mais na (sapiente) recomendação de Raul Brandão: «É por dentro que as coisas são!».

publicado por Theosfera às 21:47

Pensava eu, Senhor,

que o Teu nascimento era uma questão do passado,

arrumado nas arcas bafientas da História

e remetido para as estantes quilométricas das bibliotecas.


Pensava eu, Senhor,

que tudo estava conhecido,

que tudo era sabido,

que tudo estava finalizado.


Pensava eu, Senhor,

que Tu já tinhas sido e nascido

e que nada mais restava que uma piedosa evocação

da Tua passagem por este nosso mundo.


Esqueci, Senhor,

que Tu não Te limitaste a nascer há dois mil anos.

Esqueci, Senhor,

que Tu continuas a nascer e a renascer hoje também.


Nós vemos-Te nascer

na criança linda,

no jovem viçoso,

no adulto pujante,

no idoso caído

e até no moribundo sofrente.


Nós vemos-Te, Senhor,

neste campo infindo que é o mundo,

nesta pátria imensa que é o tempo

e neste território enorme que é o coração da cada homem.


Semeia, Senhor, em nós

o Teu permanente advento e o Teu perene Natal

nas vidas que Tu chamas a serem eco da Tua vida.



Inunda cada ser humano com o fogo da Tua paixão

e com o manto da Tua humildade e mansidão.


Que a Tua bondade a todos chegue

e em todos penetre.


Humaniza os nossos corações

e fraterniza os nossos sentimentos.


Torna-nos parecidos conTigo

e faz de nós mensageiros

da tua infinita paz.

publicado por Theosfera às 21:35

O Natal é belo quando é sonhado.

O Natal é lindo quando é cantado.

O Natal é encantador quando é tingido de frio e regado de neve.

O Natal é importante quando não é esquecido.

O Natal é bom quando é celebrado.

Mas o Natal é melhor quando é vivido,
partilhado,
abraçado,
chorado,
humanizado,
fraternizado,
assumido
e projectado no mundo inteiro.

publicado por Theosfera às 21:34

Ele veio por causa do amor. E nós, tantas vezes em Seu nome, lutamos pelo poder.

 

Ele deixou-nos um mandamento. E nós, em vez de nos ocuparmos com o conteúdo do mandamento (o amor), ficamo-nos pela forma: pelo acto de mandar!

 

É triste. É pouco.

 

Sim, Deus é todo-poderoso, mas todo-poderoso no amor.

 

Como dizia sapientemente Paul Ricoeur, Deus é o todo-amoroso.

publicado por Theosfera às 21:33

1. A nossa época não é (seguramente) a primeira nem será (provavelmente) a última da História. Pelo menos, não é a primeira que pensou ser a última.

 

Não se justificam, por isso, os alarmismos que costumam pontuar as passagens de ano e que ecoaram com particular incidência na recente transição de milénio.

 

As teses de Francis Fukuyama sobre o fim da História e o último Homem pecam por precipitadas e, aliás, o próprio autor já procedeu à respectiva correcção.

Mas um voltar de página na contagem do tempo também não é um acidente, um registo cronológico totalmente inócuo. Costuma ser tingido de alegria e vir carregado de esperança.

 

É essa alegria que importa prolongar e é essa esperança que nos cabe esticar e estender ao longo do ano.

 

 

2. A humanidade sempre foi marcada pela «nostalgia do futuro» de que fala Raymond Ruyer.

 

A História do Mundo também pode ser descrita como sendo a História do Fim. As perguntas acerca do para onde? e do para quê? ocuparam mentes e encheram páginas no decurso dos séculos.

 

O ser humano sempre teve o seu olhar dirigido para a frente, para o futuro, para o fim. É natural que, na proximidade do fim do ano, esse olhar se intensifique, embora nem sempre venha emoldurado com o desejado entusiasmo.

 

Usando duas conhecidas expressões de Jacques Séguy, dá a impressão de que os «paraísos encontrados» pelo coração facilmente se transformam em «paraísos perdidos» na realidade quotidiana.

 

É por isso que o pensamento do fim assusta um pouco o comum das pessoas. O terreno em que aparece o amanhã surge demasiado movediço. O fim desponta mais como destruição do que como plenitude.

 

Como sintetiza Jean Delumeau, há um contraste entre «dois sentimentos que se opõem. Por um lado, assistimos aos progressos contínuos da ciência e da técnica e apreciamos o conforto que nos trazem. Por outro, constatamos com melancolia que a ciência e a técnica não deram os resultados com que muitos dos nossos antepassados contavam. A verdade é que a felicidade continua a fugir diante de nós e de nada parece servir corrermos cada vez mais velozmente atrás dela».

 

 

3. Dir-se-ia que ao encanto da utopia sucedeu o impacto da contra-utopia.

 

A «invasão do pessimismo», a que alude Jean Delumeau, teve em Karl Krauss uma das mais arrepiantes formulações: «A cultura já não tem qualquer possibilidade de respirar. Há uma humanidade morta deitada ao lado das suas obras, que lhe custaram tanto espírito a inventar que já não lhe resta nenhum para se servir delas. Fomos complicados quanto baste para construirmos a máquina e somos demasiado primitivos para a pormos ao nosso serviço».

 

Também Oswald Spengler considera que «os mundos científicos são mundos superficiais, práticos, sem alma, meramente extensivos». Jacques Bouveresse entende que este é o preço que temos de pagar pelo progresso: «O que perdemos em sonho ganhámos em realidade; a nossa época é uma época de realizações e as realizações são sempre decepções»!

 

Nem sempre, responderemos. Mas é um facto que a decepção é o sentimento dominante em muitos espíritos.

 

2010 não fugiu à regra. Houve instabilidade, manteve-se a incerteza, prosperou a insegurança. O país não está bem. O resto do mundo não se sente melhor.

 

A justiça está longe. A paz permanece distante. As perspectivas não são muito animadoras.

 

 

4. É nestas alturas que temos de convocar as energias da esperança.

 

Não podemos descrer nem capitular. Os problemas existem não para nos vencerem mas para serem vencidos por nós.

 

Há que empreender na busca da nossa verdadeira vocação: enquanto pessoas e enquanto humanidade. «A humanidade inteira — escreve Jean Delumeau — tem

uma vocação e cada um de nós é chamado a um destino que deve levá-lo até Deus».

 

No fundo, trata-se, na linha do que defendia Teilhard de Chardin, de «pancristianizar o universo». É esta, como recomenda John Eccles, a nossa autêntica natureza: «Procurar a esperança na busca do amor, da verdade e da beleza».

 

Feliz ano novo!

publicado por Theosfera às 21:32

Um ida ao cemitério da nossa terra natal começa a ser, a partir de certa altura, mais que uma romagem de saudade.

 

É, cada vez mais, uma amostra do nosso percurso e uma antecipação do nosso futuro. No fundo, vou descobrindo que já comecei a morrer há muito.

 

Muitas das pessoas que estimei (e que me estimaram) já desceram á terra. Como podia não ter descido com elas?

 

Lá se encontram sepultados tantos corpos. Lá acabam por estar também muitas das nossas confidências, muitos dos nossos sonhos.

 

As pessoas que já estão depositadas na terra abriram-nos portas e acenderam-nos luzes.

 

Outros foram fechando o que eles abriram e apagando o que eles acenderam.

 

É possível que seja nostalgia, mas é uma sensação muito forte: o melhor que conheci já desceu à terra. Voltará a ressurgir?

 

Não se descortinam ideias mobilizadores, afogam-se os ideais de esperança, estigmatizam-se e aprisionam-se as alvoradas ridentes.

 

Tudo parece soturno neste fim de ano.

 

Os dias estão tristes, como a alma.

 

As pessoas de bem não ocultam a preocupação diante do futuro.

 

O calculismo e a ambição tomam conta do palco e pautam a agenda.

 

A inveja alia-se à mediocridade e asfixia toda e qualquer tentativa de diferença.

 

Não sei como nem quando, mas sei que uma aurora feliz há-de irromper dos escombros.

 

Acredito na réstia de pureza e autenticidade que povoam vidas de excepção.

 

Não há manhã sem haver noite.

 

Ainda não vemos a alvorada, mas o melhor acabará por (re)surgir.

 

Perdoemos aos que destroem e demos as mãos aos que estão a (re)construir.

 

Acredito num futuro melhor. Sobretudo porque o parto, a partir do presente, é doloroso.

 

Mas haverá algo de bom e de belo que sobrevenha sem dor?

 

Afinal, até as rosas têm espinhos. E não são os espinhos que ofuscam a beleza das rosas...

publicado por Theosfera às 15:21

Chamava-se Isaura. Era minha Avó, Mãe da minha Mãe. A única Avó que conheci.

 

 

Tinha eu 9 anos e ela 74 quando, a 1 de Novembro de 1974 (já Portugal se tinha reencontrado com a liberdade e a democracia), fomos ao cemitério. Fomos, não. Foram meus Pais e meu Irmão. Eu fiquei no carro com a minha Avó.

 

 

Nunca mais esqueço o que ela me disse a certa altura: Olha, meu neto, se calhar daqui a um ano também já me vens visitar aqui, ao cemitério! Não liguei, mas não esqueci.

 

 

A 30 de Dezembro daquele ano, manhã cedo, andava com meus Pais a apanhar azeitona, quando alguém vem dizer que minha Avó tinha tido uma trombose.

 

Imediatamente se chamou o Médico, que prontamente apareceu. Mas não houve nada a fazer. Minha querida Avó partiu para Deus, após uma vida sacrificada.

 

 

Todos a conheciam por Isaurinha de Porto de Rei, o lugar onde viveu. Aliás, na minha terra havia quem me identificasse a mim e ao meu Irmão como os netos da Isaurinha de Porto de Rei.

 

 

Sei que chorei bastante com as saudades. Foi a primeira vez que senti a morte de muito perto. Há 36 anos. Completam-se hoje.

 

 

Nunca deixei de rezar por ela. Sei que está junto de Deus. E conservo a imagem de uma pessoa de bem no meu coração.

publicado por Theosfera às 15:20

Tornou-se uma frase feita, um cliché: a família está em crise.

 

Mas o importante não é tanto o diagnóstico. É a terapia, a alternativa, a vontade.

 

Que queremos fazer para revitalizar a família?

 

Uma coisa é certa: o mundo será o que for a família.

 

A família é um pequeno mundo. O mundo deve ser uma grande família.

 

A família reproduz o que se passa no mundo. O mundo amplifica o que se passa na família.

 

Família tornou-se uma palavra polissémica.

 

Nela cabe o mais desencontrado.

 

É bom realçar a sua pluralidade. Mas é importante destacar também a sua singularidade.

 

Explico-me.

 

Família deve ser tudo: a família de sangue, a família de fé, a família do local de trabalho, a família humana.

 

Só que é necessário fazer sentir que a família tem algo de único e muito de irrepetível.

 

Defender a estabilidade do conceito de família é fundamental para estabilizar.

 

Apostemos na família. O mundo sentirá a diferença.

publicado por Theosfera às 10:27

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