O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Eis um dia que devia pretextar alguma meditação e muito encantamento.

 

Deus entra na nossa história não pela via da opulência, mas pela via da humildade.

 

O sinal de Deus não está num palácio. Está numa manjedoura.

 

Eis a lição jamais devidamente apreendida. É tão frequente, nestes dois mil anos, ouvir falar do presépio num ambiente de pompa, com vestes sumptuosas.

 

Divino (eis a permanente interpelação) não é o grande caber no grande. Isso qualquer humano consegue. Divino é o infinitamente grande caber no infinitamente pequeno.

 

Vale a pena recordar, a este propósito, o aforismo de Hölderlin: «Non coerceri maximo, contineri tamen a minimo, divinum est» («Não ser abarcado pelo máximo, mas deixar-se abarcar pelo mínimo, isso é que é divino»).

 

Há, aqui, uma inversão de valores, reconhecida, aliás, por Maria no Magnificat: humilhação dos soberbos e exaltação dos humildes (cf. Lc 1, 52).

 

De facto, Deus inverte o máximo e o mínimo, o maior e o menor, o grande e o pequeno.

 

O máximo é o que parece mínimo. O maior é o que se apresenta como menor. O verdadeiramente grande é o que nos surge como pequeno.

 

Quando aprenderemos a lição da manjedoura? 

publicado por Theosfera às 00:06

1. Dizer que o Natal é uma portentosa lição de humanidade pode soar a trivialidade. Não é por isso, porém, que deixa de ser uma grande verdade.
 
O Natal mostra-nos que Deus aparece no Homem, que Deus também assume forma humana. Aparece não a partir do topo, mas a partir da base. Aparece não como rei poderoso, mas como criança indefesa.
 
Eis um dos principais motivos do ateísmo: porque uns se recusam a fazer o movimento de Deus até ao Homem, não falta quem se recuse a percorrer o caminho do Homem até Deus.
 
A tragédia do nosso tempo é a desumanidade entre os homens. E para esse pecado concorrem não somente os não crentes. Nem os crentes lhe são imunes. Não são capazes de ver Deus no Homem. Não se mostram disponíveis para ver o Homem no Homem. 
 
Às vezes, chego a pensar que muitos de nós, crentes, conseguem a proeza de serem menos humanos que o próprio Deus. Basta olhar para Jesus. Basta olhar para nós. Quem é mais humano?
 
Em Jesus, Deus humaniza-Se. Ele não nos retira humanidade. Pelo contrário, acrescenta-nos humanidade. Faz-Se o que nós somos. E, como adverte Ireneu, oferece-nos a possibilidade de sermos o que Ele é.
 
 
2. Reconduzir, por conseguinte, o Natal a Jesus não nos leva a perder nada. Só nos leva a ganhar, a ganhar-nos.
 
Não tenhamos medo de dizer que o Natal é o nascimento de Jesus. Isso não nos desvia de nós. Jesus é a revelação da humanidade renovada. Ele encarna o humano na sua pureza, na simplicidade, na humildade, no amor, na proximidade, na alegria, na paz.
 
Importante é projectar o espírito do Natal a todo o ano, a toda a vida. Há muita gente que se deprime (ainda) mais pelo Natal. E não é só pela recordação dos familiares e amigos que faleceram. É sobretudo pela certificação de que se fica pela superfície, pela fachada, pela aparência.
 
Damos muita coisa, mas não nos queremos dar a nós. Há pessoas que estão cada vez mais sozinhas, abandonadas. Os pobres estão cada vez mais pobres. As injustiças aumentam. A desesperança dispara.
 
Praticamos alguma caridade nesta altura para massajar o ego e preencher algum currículo. No resto do ano, avulta a atitude de sempre: indiferença.
 
 
3. Dói, de facto, ver tanta hipocrisia e tamanha ligeireza por estes dias. Falta parar. Falta contemplar. Falta olhar. Falta cumprimentar. Falta abraçar.
 
Há um défice espiritual muito entranhado na nossa cultura. É preciso reaprender o que nos chega de Belém e, mais profundamente, do seio de Deus. Crentes ou não crentes, todos os seres humanos são o que estão destinados a ser: imagem de Deus.
 
Porque é tão difícil ver como Deus? Se não conseguimos ver como Deus, peçamos os olhos de Deus. Vejamos com os Seus olhos.
 
O presépio ensina-nos que Ele está em todo o ser humano. Até os que se pensam longe d'Ele ostentam traços da Sua presença.
 
Ao contrário do que ainda se insinua, Deus não é inimigo do Homem nem o travão das suas esperanças. Deus é aliado do Homem. Como sublinhava Ruiz de la Peña, «é paixão pelo humano». Não sufraga acriticamente a ordem social vigente. Antes a questiona e transforma. «Deus faz dos últimos primeiros, dos pequenos grandes, dos pecadores justos e dos que choram bem-aventurados».
 
 
4. O Natal mostra que nos podemos reencantar incessantemente. Deus, quando veio até nós, não foi correr atrás dos poderosos. Mandou dizer aos trabalhadores (no caso, aos pastores) que já Se encontrava no nosso meio.
 
Está disponível para todos, mas não alimenta dúvidas acerca de quem está mais próximo: dos pequenos. Tudo o que for feito a eles é feito a Ele (cf. Mt 25, 40).
 
A Igreja só pode estar onde Cristo esteve, onde Cristo está. Aberta a todos, mas ao lado dos pobres.
 
Há uma nova ordem que se inaugura. Na base não está o poder, está o amor. Não está o mando, está o serviço.
 
Que haja Natal em toda a humanidade. Que nunca deixe de haver humanidade em cada Natal! 
publicado por Theosfera às 00:04

Nesta véspera de Natal, penso em todos: nos crentes e nos não crentes.

 

Deus veio e continua a vir para todos.

 

Que esta seja uma noite de reconciliação e de bonança, de verdade e de luz, de fé e de festa, de amor e de esperança, de alento e de paz.

 

Que ninguém se sinta só. Que o amor impere.

 

Deixemos que o Menino nasça. Deixemos que o Menino tome conta de nós!

 

Que a Paz de Deus a todos visite e em todos se instale.

 

Que a Paz de Deus não seja afastada de nenhum coração.

 

Que seja Natal esta noite, amanhã, todos os dias.

  

Um abraço muito grande para todos.

 

Mas, nesta noite santa, permite que me dirija particularmente a ti, Irmão.

 

 Nesta noite santa, sinto-me particularmente perto de Deus Criança, perto de Deus Pequeno, perto de Deus Pobre, perto de Deus Amor. Ou seja, sinto-me muito perto de ti. Perto de ti porque vejo Deus reluzindo na tua vida, transparecendo nos teus gestos.

 

Penso nas dificuldades da tua vida.  Penso nas injustiças que tens recebido. Penso nos contratempos que tens encontrado. Penso nas amarguras que tens coleccionado.

 

Nesta noite santa, estou (ainda mais) contigo. Não tenho palavras para te dizer. Tenho tão-somente uma comunhão para te assegurar.

 

Nesta época, acumulamos muitas lembranças. Mas somamos também bastantes esquecimentos.

 

Não trago soluções. Partilho a esperança que irradia do presépio.

 

 Queria dizer-te que, esta noite, vou celebrar a chamada Missa do Galo a pensar especialmente em ti que sofres.

 

 Sei que esta noite, para ti, ainda é mais sofrida, mais chorada. Sinto muito. Não leves a mal que pegue num dos pregões do Maio de 68 (evento que não me é especialmente benquisto) e te faça uma proposta: «Sejamos realistas; peçamos o impossível»!

 

 Sim, peçamos o impossível. Sei que, nesta hora, não lobrigas luz, Sei que, nesta hora, só te pesam trevas como breu.

 

 Mas o dia há-de chegar. E o sol brilhará. Crê-me muito a teu lado. Aliás, é meu estrito dever.

publicado por Theosfera às 00:03

Parabéns a Jesus

nesta data querida,

muitas felicidades,

muito amor sem medida.

 

Hoje é dia de festa,

dentro das nossas almas,

para Vós, Deus Menino,

uma salva de palmas!

publicado por Theosfera às 00:02

Sente-se paz, hoje.

 

Respira-se paz, hoje.

 

Se, amanhã, chover justiça, a mudança acontecerá.

publicado por Theosfera às 00:01

A tarefa está concluída. A lista está pronta. As entregas estão feitas. As prendas estão dadas.
 
Mas…já me dei a mim? Já me entreguei a Ti? A Ti, que vieste — e continuas a vir sempre — até mim?
publicado por Theosfera às 00:00

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