O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Um dos dualismos não totalmente superados é o que presume que o padrão da inteligência dispensa o coração.

 

É vulgar ouvir dizer de alguém que reputamos intelectualmente dotado tratar-se de um cerebral. E ser cerebral é, para muitos, o mesmo que frio, distante, sem emoções.

 

É bom ter presente que, parafraseando Olegario González de Cardedal, a sabedoria resulta da aliança entre a complexidade da inteligência e a simplicidade do coração.

 

Já Pascal, aliás, apelava para as razões do coração. Ele apercebeu-se de que o coração tem razões que nem a razão conhece.

 

Mas creio ter sido Hölderlin quem elevou esta ideia a alturas mais sublimes: «Ser de coração puro é o mais alto que os sábios pensaram e que os mais sábios fizeram».

publicado por Theosfera às 11:47

Uma disputa se perfila, nesta época do ano, entre duas figuras: o Menino Jesus e o Pai Natal.

 

No imaginário dos mais pequenos, nos espaços comerciais e nos órgãos de comunicação, é indesmentível que o Pai Natal está a ganhar terreno.

 

É claro que se trata de uma figura simpática, acolhedora e que não traz mal nenhum. Pelo contrário, até oferece presentes.

 

Mas é aqui, porém, que entra em cena algum capital de problematicidade.

 

Desde logo, é preciso não perder de vista que o Natal, queiramo-lo ou não, assinala o nascimento (natal) de Jesus.

 

Em segundo lugar, verificamos que o paradigma de actuação do Pai Natal é o consumo.

 

As crianças encantam-se com ele porque é aquele que dá, é aquele que traz o que se pede, o que se exige.

 

Ora, o Menino Jesus era muito mais comedido. Os seus presentes eram bastante sóbrios. Mas, quase sempre, surpreendentes.

 

Por outro lado, é uma figura que aponta para valores totalmente distintos. O Menino, com a sua singeleza, incorpora uma cultura da sobriedade, da partilha, do encanto.

 

Nunca é demais insistir neste ponto. Se queremos inculcar valores, precisamos de apontar referências.

 

Haverá, independentemente da opção religiosa de cada um, maior referência ética que Jesus?

 

Não removamos o Pai Natal. Mas, acima de tudo, não eliminemos o Menino Jesus.  

publicado por Theosfera às 10:40

O caso WikiLeaks é uma poderosa certificação de um cultura (ou anticultura, conforme o ponto de vista) em que as competências subjugam por completo a sabedoria. Isto para já não falar da ética, completamente sufocada.

 

O ponto de partida é que aquilo que, tecnicamente, é possível fazer é feito. A comunicação social vive da informação. Quanto maior for a informação para veicular, melhor.

 

É neste preciso ponto que a sabedoria entra em jogo. Ou, melhor, devia entrar.

 

É que a sabedoria, como lembra Zubiri, consiste sobretudo em discernir. E, neste particular, o que mais se nota é a falta de discernimento.

 

De facto, o que nos é apresentado como informação não passa de devassa, de intriga, de rumor, de coscuvilhice, de deslocação do contexto: o que se passa em privado é colocado na praça pública sem o menor controlo.

 

É certo que foi por este modo que se puseram cobro a ocorrências de corrupção. O caso Watergate é, talvez, o mais apelativo. Mas, como sempre, a excepção confirma a regra. Transformar a excepção em regra será um bom princípio?

 

Acresce que esta não é uma questão exclusiva da comunicação social. Este tipo de informação tem presença porque tem consumo.

 

A ética não está apenas em causa na comunicação social. A cidadania vai-se também afastando dos padrões mais elevados de conduta.

 

Afinal, num tempo em que tudo é público, porque é que os segredos deviam ser privados?

 

Só que, por este (des)caminho, a convivência torna-se praticamente irrespirável.  

 

Confesso que estes tempos me deixam interiormente abalado.

 

Como reinstaurar um mínimo de decência?

publicado por Theosfera às 10:27

 É uma das conjugações mais difíceis de obter: entre a justiça e a misericórdia.

  

Há quem defenda uma justiça pouco misericordiosa. E há quem considere que a misericórdia é pouca justa.

 

Faz bem lembrar uma das primeiras encíclicas de João Paulo II (a Dives in Misericordia), onde se diz claramente que «a misericórdia faz parte da justiça». Nem poderia ser doutra maneira.

 

Basta pensar em Deus. Ninguém é mais justo que Ele. E todos sentimos como, na Sua infinita justiça, resplandece uma imensa misericórdia.

 

De resto, em Deus, tudo é imenso: a justiça e também a misericórdia.

 

Na nossa finitude, é natural que nem sempre atinjamos esta articulação.

 

Quando exercemos a justiça, parece que a misericórdia se obscurece.

 

E, quando apelamos à misericórdia, dá a impressão que não queremos nada com a justiça.

 

Entendemos, amiúde, a justiça como sinónima de desresponsabilização. Em síntese, não pomos misericórdia na justiça nem justiça na misericórdia.

 

Não temos presente que a justiça e a misericórdia são duas irmãs gémeas. As duas procedem de uma única fonte: o amor.

 

Urge, pois, na Igreja e na sociedade, colocar uma afinidade onde tende a existir um antagonismo.

 

A justiça com misericórdia não se inibe obviamente de repreender, de exortar. Mas nunca afasta; nunca condena; nunca exclui.

 

Devemos ser claros quanto a princípios. Mas sempre misericordiosos para com as pessoas.

 

Nunca nos apressemos a julgar ninguém. Tanto mais que, como diz a Bíblia, o juízo pertence a Deus. Só a Deus (Deut 1, 17).

 

Fiquemos com a sábia recomendação de Santo Agostinho: no certo unidade, no incerto liberdade; em tudo caridade.

 

O amor é a palavra última, a palavra definitiva.

 

O amor é divino! E Deus é amor!

publicado por Theosfera às 10:17

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