O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 12 de Dezembro de 2010
Por esta altura é já grande a fadiga e incontrolável a ansiedade.
 
Até as crianças já perderam o encantamento da surpresa e a fantasia da expectativa do que poderão receber naquela noite santa. Agora fazem exigências, ainda por cima dispendiosas. Nas lojas acotovelam os pais: «Quero isto. E mais isto. E mais isto»
 
Aos idosos, levamos apressadamente uma peça de roupa ou um bolo. E lá continuam eles na cama. Tantas vezes sozinhos. Quando muito, são convidados para a «consoada». Só que, na manhã de Natal, são reconduzidos ao abandono de há muito. À solidão de sempre.
 
Urge pois desmaterializar as ofertas de Natal. É preciso recordar que o maior presente é a presença.
 
É a companhia. É o afecto. É o apoio. É a certeza de que alguém pode contar connosco.
 
Não nos esqueçamos de que, para muitos, a noite de 24 para 25 deste mês vai ser uma noite triste. Uma noite sofrida. Uma noite chorada.
 
A casa até pode estar repleta de coisas. E a alma também poderá estar cheia. Mas de mágoas. De dores. De ingratidões sem fim…
publicado por Theosfera às 11:03

O senhor presidente da república confessou-se envergonhado pela fome que existe em Portugal.

 

Quem não se sente constrangido diante desta situação?

 

O problema é que uns têm mais responsabilidades que outros.

 

E a sociedade civil, como mostram todas estas campanhas, até corresponde, até se mobiliza.

 

O problema estriba, invariavelmente, na classe dirigente que vai degolando o que resta de esperança.

 

É, de facto, a classe que nos vem dirigindo desde há muito que vai asfixiando os cidadãos. Exige cada vez mais. Oferece cada vez menos.

 

E quando digo que oferece cada vez menos, não me reporto apenas a apoios. Refiro-me sobretudo às oportunidades.

 

Precisamos de pensar numa nova forma de fazer política. Só pode haver política com prioridades claras. E a grande prioridade tem de ser atender às grandes necessidades.

 

É que, mesmo em crise, há quem prospere. Só os pobres não descolam. Porque há quem não deixe. É injusto.

 

É nesta altura que a voz da Igreja tem de ser erguida. Na linha de Jesus e de João. Clamando por justiça e mostrando, sem rodeios, de que lado está. 

publicado por Theosfera às 11:02

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
 
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
 
- Está bem, eu sei!
 
- E as garrafas de vinho?
 
- Já vão a caminho!
 
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
 
- Não sei, não sei...
 
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
 
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
 
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
 
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
 
- Foi este o Natal de Jesus?!!!
 
 
(João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar - 1996)
publicado por Theosfera às 11:01

O religioso não pertence às religiões; pertence à humanidade.

 

É como fenómeno humano (e não apenas religioso) que tem de ser tratado. Já é tempo.

 

Tudo o que seja para enquistar será também para empobrecer.

 

Daí que o religioso deva ser discutido não apenas nas igrejas e nos salões paroquiais.

 

O religioso é para ser debatido na praça pública.

 

Onde está o homem, aí está (também) a religião.

 

Inversamente, nada do que é humano pode ser visto como extra-religião.

 

Qualquer questão humana é, ipso facto, uma questão religiosa.

 

Na vida, não há compartimentos estanques.

 

Se alguma coisa a globalização nos tem ensinado é a interacção, a interdependência.

 

Tudo tem que ver com tudo.

 

Deus é (obviamente) uma questão teológica. Mas o homem não o é menos. Disse-o Hannah Arendt e a experiência confirma-o a cada instante.

 

A política, a cultura, a economia e o desporto não são, por isso, campos delimitados, magnitudes fechadas.

 

São áreas abertas. São questões (igualmente) teológicas.

 

Onde está o humano, aí tem de estar também o divino .

A única coisa que não se deve tolerar a uma religião é a indiferença e a desumanidade.

publicado por Theosfera às 11:00

mais sobre mim
pesquisar
 
Dezembro 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9


22



Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro