O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2010

Acabou de nascer e já era idoso.

 

Como sempre, o rosto não enganava. Mas, naquele caso, não era doença, a progéria que tanto aflige os pais e prenuncia um fim precoce.

 

Parecia que aquela vida começara de modo diferente: do depois para o antes, do fim para o princípio.

 

A tormenta inicial dos pais foi cedendo lugar ao mais puro espanto.

 

À medida que o menino crescia, o rosto rejuvenescia.

 

E, para pasmo de todos, o processo não se alterou. Cada dia que passava, tornava-se mais novo.

 

Com o passar dos anos, a juventude aparecia e a infância espreitava.

 

Crescer era, assim, um caminho para ser criança.

 

A maturidade atingia-se com a chegada da infância.

 

Os anos corriam e o encanto alastrava.

 

A beleza do rosto era acompanhada pela ternura dos gestos, pelo brilho do olhar, pela candura da alma.

 

Toda a gente admirava e comentava. Que pena não sermos todos assim! Porque é que o crescimento há-de consistir no afastamento da infância?

 

Porque é que perdemos a capacidade de nos espantar com a vida, com as pessoas?

 

Tantas vezes se confunde maturidade com mero calculismo e forte desconfiança...

 

Porque é que esquecemos a criança que, um dia, morou em nós?

 

Então todos decidiram nunca envelhecer por dentro, mesmo quando os anos avançavam por fora.

 

E, a pouco e pouco, os risos eram de criança.

 

O céu podia estar cinzento. Mas as estrelas não paravam de brilhar. Os olhos das pessoas eram constelações de esperança.

 

publicado por Theosfera às 19:23

Tudo o que é precioso acaba por ser raro e, ao mesmo tempo, desejado.

 

Os valores pertencem, consabidamente, ao que há de mais precioso e também ao que há de mais raro.

 

À partida, esta parece uma causa perdida e um combate arrumado.

 

Os apelos aos valores são sempre pregões de esperança, mas que, por vezes, assumem a forma de gritos de desespero.

 

O valor tem que ver com o durável. Sucede que, naquela que Lipovetsky descreve como a era do efémero, tudo tem uma duração muito reduzida.

 

Nem os valores escapam a esta erosão. Os comportamentos alteram-se e a referência aos valores mantém-se.

 

É curioso notar que Paul Valadier, num estudo já com alguns anos, afirma que a evocação dos valores é uma espécie de socorro quando tudo o resto se esfuma no campo da ética e da moral.

 

Retenha-se que crise de valores é uma expressão recorrente, embora tenha redobrado de intensidade nos últimos tempos.

 

A questão é que, ao longo de séculos, os valores, embora mudando, provinham, geralmente, de um único princípio. Este era de natureza religiosa ou filosófica ou política.

 

Hoje em dia, os princípios inspiradores são múltiplos. Os próprios ídolos desencadeiam comportamentos que muitos reproduzem.

 

A manutenção de um quadro de valores consensuais remete, cada vez mais, para a importância das referências. Sem referências credíveis, os valores ficam ao arbítrio das afinidades mais fúteis.

 

Que referências credíveis oferecem os adultos aos mais jovens?

 

No mundo da pluralidade, é preciso não esquecer a importância do discernimento. Este, como sustentava Zubiri, é a alavanca da sabedoria.

 

Para isso, importa oferecer um conjunto de critérios que, no fundo, não andarão longe dos universais, ou seja, daquilo que acaba por estar em tudo: o bom, o belo e o verdadeiro.

 

Discutir os valores é pedagógico, mas, na hora que passa, urgente é propugnar a sua (absoluta) necessidade.

 

Deixemos que os mais novos tomem contacto com pessoas que se distinguiram pela rectidão, pela autenticidade, pela justiça, pela coragem, pela humildade, pela paz.

 

São elas que melhor transportam os valores. Certificam que é possível vivê-los e que, apesar de tudo, não é impossível sobreviver com eles.

 

Mesmo que não desfrutem de fama, dispõem do melhor capital: a decência.

publicado por Theosfera às 11:29

Hoje, 9 de Dezembro, assinala-se o Dia Internacional contra a Corrupção.

 

Este tem sido um combate inglório, acima de tudo porque não há legislação que consiga o fundamental: mudar-nos por dentro.

 

O primeiro (e decisivo) passo seria não transigir na mínima cedência. O problema é que praticamente todos nós contemporizamos com as máximas prevaricações.

 

É por isso que até um sábio como Tomás de Aquino é visto como um ingénuo porque acreditou em quem o chamou para ver um boi a voar.

 

Para ele, inadmissível era que um frade pudesse mentir... 

publicado por Theosfera às 11:08

Se (ou quando) perderes tudo, não percas a esperança. Porque hás-de dizer que há tantas nuvens debaixo do sol em vez de reconheceres que há tanto sol por cima das nuvens?

 

É verdade que as nuvens estão mais perto e, segundo dizes, duram há mais tempo. Mas quem te garante que, ainda hoje, o sol não vai romper?

 

Não acreditas? Espera. Olha que — dizia Charles Péguy — «a esperança espanta o próprio Deus»!

publicado por Theosfera às 10:48

Que comovente é a Tua pureza, a Tua lisura e transparência, a candura do Teu sim e a persistência da Tua dádiva, Mãe!

 

Tu és grande na humildade, imensa na disponibilidade, insuperável na simplicidade e na capacidade de entrega.

 

Que belo ter uma Mãe assim, como Tu, Maria!

 

Mãe da escuta, eleva-me conTigo para junto de Teu Filho.

 

Acompanha os meus passos, abre caminhos para eu percorrer ao encontro de Jesus!

 

Às vezes, existe a tentação de olhar para Maria ao arrepio do que Ela é e do que Ela quis ser.

 

Ela é serva, voluntariamente serva.

 

Ela não é dominadora, mas servidora. Por isso é aclamada como senhora, como Nossa Senhor. Senhora porque servidora.

 

Será que ainda não aprendemos?

publicado por Theosfera às 10:46

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