O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 04 de Dezembro de 2010

As campanhas de solidariedade desta altura mostram como há um sentido do outro que não se apagou.

 

Não é tudo.

 

Estas campanhas não alteram as causas da crise. Mas ajudam a minorar muitas das suas consequências.

 

E, pelo menos, há dramas que, nem que seja por instantes, se tornam menos dramáticos.

 

Uma palavra de admiração a todos estes artífices da solidariedade e do desprendimento.

publicado por Theosfera às 14:39

Este poderão vir a ser tempos históricos. Mas, na hora que passa, parecem sobretudo tempos histéricos.

 

São, de facto, tempos em que, como anteviu Huxley em 1942, a falsidade domina, o sentido da honra escasseia, o bem e o mal se equivalem.

 

É certo que os tempos que hoje nos parecem dourados já chegaram a surgir devoradamente sombrios.

 

Perturba sentir que só a distância purifica e acrisola.

 

É bom manter o sentido crítico, mas o reconhecimento do valor devia chegar na hora própria.

 

O mundo parece desassossegado e apenas se empolga com futilidades.

 

Há que apostar no fundo da pessoa. Temos de regressar ao íntimo de cada um.

 

Só quando voltarmos a acreditar, estaremos em condições de esperar o melhor.

 

Na voragem do que vai passando, é preciso não perder de vista o que nunca passa: a verdade, a autenticidade, a justiça, a honestidade e a bondade. 

publicado por Theosfera às 14:32

Há datas que expõem com clareza a extrema velocidade do tempo.

 

Trinta são os anos que já passaram sobre a morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa e parece que foi apenas ontem.

 

A comunicação social tem procurado reconstituir os passos da vida e o caminho da morte destes dois estadistas.

 

Há muita coisa que tem vindo à superfície e que, então, estava vedado ao cidadão comum.

 

Nem sequer falta o exercício de história virtual (ou contrafactual) de tentar reconstituir o que seria Portugal se estes homens não tivessem morrido.

 

O constrangimento ideológico ainda se faz sentir com muito vigor.

 

A sensação é que estamos perante vidas interrompidas (como sugere a recente biografia de Amaro da Costa) e diante de um termo antes do fim (como escreve José Manuel dos Santos em mais uma magnífica prosa).

 

Independentemente da valorização das decisões que tomaram, é indiscutível que estamos diante de pessoas que acreditavam no que faziam e que davam a vida por aquilo que diziam.

 

Com quase toda a certeza, não se reveriam na trajectória de muitos que invocam os seus nomes.

 

E é curioso notar a unanimidade laudatória perante as suas figuras quando toda a gente sabe que, no ano em que morreram, sofreram ataques muito para lá do plano político.

 

Acerca de Sá Carneiro, o que ressalta é uma pressa enorme com que gere a sua vida. As contradições foram muitas (entrava e saía do partido, virava-se tanto para o PS como para o CDS), mas sempre com um ardor imenso e uma convicção firme.

 

A contradição, afinal, é um sumo que vem da profundidade da vida. Ninguém lhe escapa. Só nas contradições, as surpresas aparecem.

 

Houve muito do nosso futuro que caiu com aquela avioneta.

 

Nesta hora, o que importa é desejar paz às almas dos que tombaram e honrar as suas memórias. 

publicado por Theosfera às 11:42

Em Deus, tudo é dádiva. Em Cristo, a face de Deus para nós, tudo é entrega. Na Igreja, corpo de Cristo, tudo é dom.

 

Ela está, por isso, marcada pelo dom, pelo dom em excesso, pelo excesso do dom.

 

 Recusar o dom e rejeitar ser dom é atentar, por conseguinte, contra a identidade cristã.

 

 Sabemos, porém, que, por natureza própria, é difícil dar e ser dom. E quanto mais é precisar dar, maiores são as dificuldades em dar.

 

 O perdão insere-se na lógica do dom. É dom através de, através de Cristo, através da Igreja, para todos.

 

 É sabido, no entanto, que nem sempre o entendimento, aqui, está em total sintonia com a vontade. Às vezes, estão até em colisão.

 

 É nossa convicção que é preciso perdoar. Mas, muitas vezes, a vontade resiste.

 

 Noutros casos, é a vontade que está disposta a perdoar. Mas lá vem a memória recordar a ofensa. O perdão existe, mas a recordação persiste. Há sinceridade, sem dúvida, mas continua a haver dor. Como fazer?

 

 O caminho para perdoar pode implicar, antes de mais, reconstituição de tudo o que aconteceu. De facto, só após a conclusão de uma obra, nos conseguimos concentrar noutra obra.

 

 Depois, importa haver algum distanciamento. A proximidade em relação a quem ofende pode levar, ainda que involuntariamente, à continuação da dominação da ofensa sobre o ofendido e à eventual persistência da mágoa, quiçá da raiva.

 

 Em qualquer caso, nunca pode haver rancor, nem desejo de vingança. O grande acto de perdoar consiste em desejar, do fundo do coração, e em fazer o bem mesmo a quem faz mal. Para que, entretanto, isso possa acontecer, algum distanciamento pode ajudar.

 

 Para que a ofensa possa ser superada, a distância em relação à ofensa (e aos ofensores) é um bom caminho.

 

 A excessiva proximidade da situação pode, mesmo contra a vontade, conduzir à indesejada proximidade da ofensa.

 

 O dom tem de prevalecer. O dom do perdão deve subsistir. Há que fazer tudo para que ele se possa alojar no nosso coração. E dele emergir para todos. E para sempre.

publicado por Theosfera às 11:40

Está na moda falar de único. É um conceito que vale a pena reter.

 

Único é cada ser humano. Única é cada entidade. Único é cada momento. Única é cada vida. Daí a aparente contradição: tudo é único.

 

Pode haver semelhanças, mas nunca igualdade total. Não há duas pessoas iguais. Não há dois instantes iguais. Não há duas palavras iguais. 

 

Único é o selo da identidade de cada coisa, de cada pessoa, de cada instante. 

 

No mundo do desporto, está na ordem do dia dizer que o F.C.Porto é a única equipa sem derrotas em toda a Europa.

 

Que este clube é único eis uma verdade. Mas cada clube é único, outra evidência que salta à vista.

 

Quanto a ser o único emblema sem derrotas, depende do termo de comparação.

 

Se se disser que é o único clube da Europa sem derrotas tendo em conta as principais competições, acredito que seja verdade.

 

Mas, só entre nós, lembro que o Vila Real e o Infesta também ainda não perderam esta época.

 

É claro que são clubes dos distritais. Mas nem por isso deixam de pertencer à Europa.

 

De qualquer modo, parabéns ao F.C.Porto pela magnífica época que está a realizar.

publicado por Theosfera às 11:32

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