O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

O contraste pauta a nossa vida e domina, completamente, estes dias.

 

É suposto ser a Nato uma organização que promove a segurança. Porém, nunca os portugueses se sentiram tão inseguros (e até tão ameaçados) como nestes dias.

 

O aparato policial é impressionante, quase tremebundo. Fontes da polícia assumiram, aliás, uma alta probabilidade de haver um atentado. Não há-de haver, se Deus quiser, mas não deixa de pairar no ar uma sensação desconfortável.

 

Depois, temos as manifestações pela paz, em que o tom não é muito pacífico. Há uma certa agressividade no ar.

 

Confesso que também de mim a Nato não colhe especial simpatia, embora respeite a sua existência e, porventura, a sua necessidade.

 

Preferia, como é óbvio, que estes chefes de estado se juntassem para combater a fome e a desigualdade.

 

Só que as manifestações pela paz destilam um espírito pouco pacificante.

 

Admiro, por exemplo, a inteligência fulgurante de Francisco Louçã. Inteligente ele é. Mas pacificante podia ser bem mais. 

publicado por Theosfera às 10:00

Não é texto de escritor. É palavra, ia escrever profecia, de ministro.

 

Anteontem, ao ouvir Teixeira dos Santos, lembrei-me de Vergílio Ferreira.

 

Para sempre é o título de uma das obras do escritor. Para sempre foi o teor da resposta ministerial, com sabor a oráculo.

 

A redução dos salários não é só por um ano como José Sócrates sugeriu a 29 de Setembro, sendo, já aí, corrigido pelo seu colaborador. Na altura, pairou a percepção de que seria por alguns anos. Agora, é para sempre.

 

Mas para sempre é o quê? Cem anos, mil anos, a eternidade?

 

Será que o ministro tem dotes divinatórios e pensa que Portugal nunca mais recuperará? E, no seu íntimo, pretenderá ele condicionar a vida pública para todo o sempre?

 

A expressão teve uma clara pretensão performativa, mas todos nós sabemos que as coisas são definitivas enquanto duram.

 

O que Teixeira dos Santos visou foi, certamente, cortar cerce qualquer ilusão e fazer freio a todo o sonho de uma vida mais desafogada para muitos cidadãos.

 

Os tempos não correm fagueiros para a esperança. Mas, volto a Vergílio Ferreira, «quando a situação é mais dura, a esperança tem de ser mais forte».

 

O senhor ministro tem interferência no presente. Mas não é dono do futuro.

 

Para sempre é algo que lhe escapa. E há-de ter um rosto bem mais ridente que as suas (tenebrosas) previsões.

publicado por Theosfera às 05:53

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

Numa altura em que todos temos temos de abdicar de muito (alguns de tudo), é espantoso que o Estado aparente manter a sua agenda e até acolha eventos dispendiosos.

 

A cimeira da Nato, que já estão a apelidar de histórica antes do seu início, podia decorrer em muitos países.

 

Portugal quis acolher o acontecimento. Mas numa altura destas, a despesa não poderia ser encaminhada para as situações aflitivas que estamos a viver?

 

Já se fala em 11 milhões de euros de investimento. E, depois, ao cidadão comum é difícil perceber a necessidade de uma organização com este aparato.

 

A melhor defesa da sociedade é a promoção da justiça.

 

publicado por Theosfera às 23:03

O que faz a grandeza não é a altura nem a exposição. É a sua alma, a sua credibilidade, a sua acutilância.

 

Nélson Mandela é um dos homens em que até a voz parece imortal, eterna.

 

No ano em que completou o 90º aniversário, abundam trabalhos biográficos sobre esta personalidade de primeira grandeza.

 

As suas palavras foram amassadas em dor e tornaram-se, por isso, oráculos imperdíveis: «A bondade humana é uma chama que pode ser escondida, mas jamais extinta».

publicado por Theosfera às 22:45

A política é filha da moral, dizia Kant.

 

Enquanto a política não for comandada pela moral, será descomandada pelos interesses.

 

Como a satisfação dos interesses é insaciável, a ansiedade apodera-se dos espíritos e mingua o bom senso.

 

Há quem defenda, a todo o custo, a convocação de novas eleições.

 

Ou seja, para muitos, a alternativa ao caos é o espectáculo.

 

Será que estão esgotadas todas as possibilidades no actual quadro parlamentar?

 

Há quem diga que um novo primeiro-ministro só tem legitimidade com eleições.

 

Isso não é bem assim.

 

As eleições são, formalmente, para a escolha não do prmeiro-ministro, mas dos deputados.

 

Se os deputados são eleitos por quatro anos, não poderão, ao longo deste tempo, perscrutar as melhores propostas para o país?

 

Creio que precisamos muito de maturidade na nossa vida cívica e na nossa vida política.

 

Seria ler bom não apenas relatórios nem panfletos. Era bom ler sobretudo Platão, Tomas Morus, Kant, Antero de Quental e António Sérgio entre outros.

 

Há muita técnica. Mas há muito pouca sabedoria. 

publicado por Theosfera às 13:56

Quem quiser seguir seriamente Jesus Cristo sabe que tem de contar com dois tipos de adversidade: com ataques e com seduções.

 

Aqueles são duros, mas são facilmente identificáveis. Estes tornam-se, aparentemente, aliciantes, mas, no fundo, são mais perigosos.

 

 Isto, aliás, vem desde sempre. O Apocalipse fala da mulher que se prepara para ser mãe e, logo a seguir, do dragão que se prepara para devorar o filho assim que nasça.

 

 S. Gregório Magno, nos célebres Comentários sobre o livro de Job, alude a isso mesmo. E recomenda: em relação aos ataques, «e preciso responder com o escudo da paciência; relativamente às seduções, urge responder com os dardos da verdade».

 

 Urge, pois, estar de atalaia à guisa da sentinela. Os ataques provêm de todo o lado: de fora e, não poucas vezes, de dentro.

 

 Quanto às seduções, elas têm o íman do veneno: atraem, mas matam. Muitas vezes, surgem, esplendorosas, sob a forma de elogios. Excelsa-se, por exemplo, a discrição (o que, em si, é bom porque o protagonismo é de Deus) como (pouco) subtil convite a não incomodar, a não perturbar.

 

 Temos, sem dúvida, de acolher, de escutar. Mas cabe-nos também falar. E o mesmo S. Gregório Magno tanto se penitenciava das vezes em que devia ficar calado e falou como das vezes em que devia falar e ficou falado.

 

 É claro que, em tudo isto, as fronteiras são ténues. Mas, deixando-nos conduzir por Cristo, tudo se conseguirá!

publicado por Theosfera às 10:26

A Espanha é a melhor equipa do mundo. Portugal venceu a Espanha. Logo, Portugal é a melhor equipa do mundo.

 

Eis como uma apressada lógica silogística está a atravessar o inconsciente lusitano, oferecendo lampejos de felicidade nesta manhã de outono a inclinar-se já para a inclemência invernosa.

 

Os portugueses bem precisam de injecções de ânimo e vitaminas de auto-estima.

 

Talento e capacidade sobram por cá. Mas o que leva ao êxito não é o brilho de uma noite. É a persistência de uma vida.

 

Uma adenda: Vicente del Bosque é mesmo um senhor, uma excelente pessoa. Alguém que sabe perder com esta dignidade saberá sempre ganhar. Por isso é que a Espanha ganha tanto. Malgré ontem à noite...

 

 

publicado por Theosfera às 10:16

Afinal, ainda há epopeias. Não já com caravelas pelo mar, mas com uma bola a desfilar por um estádio em transe.

 

O que faz uma bola! Ou, melhor, o que determinadas pessoas sabem fazer com uma bola!

 

Há dias, ou noites, em que a bola é manuseada à guisa de um pincel. E dos pés dos jogadores saem verdadeiras obras de arte.

 

É sabido que a Espanha pratica um futebol sedutor. A bola não é chutada. É acarinhada, oleada de pé para pé com uma cadência que galvaniza a equipa e como que adormece os adversários.

 

Ontem, Portugal, que também possui bons executantes, não se esqueceu da arte. Mas resolveu imprimir velocidade.

 

Resultado. A Espanha jogou como (quase) sempre. Portugal actuou como (quase) nunca.

 

O nosso problema, e não é só no futebol, é precisamente a inconstância.

 

Não nos falta capacidade, nem engenho. Mas temos sempre um pequeno contencioso com a perseverança.

 

Ontem foi uma noite de sonho e ninguém dormiu.

 

O problema é que, daqui a umas horas, a realidade dar-nos-á um forte abanão.

 

Ontem, Portugal foi melhor. Hoje, a Espanha está melhor.

 

Um jogo ajuda a esquecer. Mas há sempre a realidade que se encarrega de nos lembrar.

 

Aprendamos com o jogo de ontem. Apareçam líderes que motivem. Capacidade e talento é coisa que não falta por cá.

 

E, afinal, até não será impossível melhorar em pouco tempo. Ontem, viu-se que depressa e bem ainda há quem...

publicado por Theosfera às 00:00

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

Se há quem se diga ateu, Nietzsche terá levado o seu ateísmo a um grau supino de ferocidade nihilista.

 

Mas nem Nietzsche deixou de falar com Aquele que combatia. No fundo, Torga é que estava certo ao confessar: «Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força para O esquecer».

 

 Eis, então, a oração composta por Nietzsche:

 

 Antes de prosseguir o meu caminho e de lançar o meu olhar para a frente, elevo as minhas mãos na direcção de Quem fujo.

 Teu sou, embora, até ao presente, me tenha associado aos sacrílegos.

Teu sou, não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servir-Te.

Eu quero conhecer-Te, Desconhecido..

 Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

 Tu, o Incompreensível, mas meu semelhante, quero conhecer-Te, quero servir-Te.

Só a Ti!

publicado por Theosfera às 12:02

A tendência é crescente.

 

Hoje em dia, quando alguém quer triunfar, não se limita a definir um objectivo. Aponta também um alvo.

 

Quando se escreve, quando se fala e quando se age, repararmos bem, o alvo está sempre presente.

 

Mais do que trilhar um caminho, o que se pretende é atingir o alvo.

 

É por isso que as pessoas se mobilizam, acima de tudo, contra alguém.

 

Só que isto é um perigo.

 

Na hora que passa, é necessário juntar vozes e agregar esforços.

 

O país precisa de todos.

 

A grande coligação pode ser mesmo a solução. Não para tudo. Mas, pelo menos, para já.

publicado por Theosfera às 11:58

Respeito, mas, com o máximo respeito, não posso concordar.

 

Tem, nos últimos dias, revivescido o discurso, por parte de altas figuras eclesiásticas, da sociedade sem Deus.

 

Desde logo, não se pode confundir Deus com a Igreja. O problema de muitos, a montante de qualquer razoabilidade da sua posição, não é com Deus; é com a Igreja.

 

Ainda recentemente, Mário Soares assumiu ter passado do ateísmo para o agnosticismo. E o motivo por não ter aderido à fé foi, na sua sua óptica, a proximidade da Igreja com o Estado Novo.

 

Porventura, este juízo nem é justo. Houve muita gente na Igreja que se demarcou e pagou um preço elevado por isso. O próprio Cardeal Cerejeira, amigo de Salazar, muitas vezes dissentiu dele. Discretamente, sem dúvida, mas dissentiu.

 

Releve-se, porém, a base. O juízo pode não ser justo, mas é um sinal.

 

As pessoas mantêm uma profunda ligação a Deus. O recente livro de John Micklethwait e Adrian Wooldrige aí está para o demonstrar. Aqui se documenta, por exemplo, que o domínio da China não é só no plano económico e comercial. Começa a ser também no plano religioso.

 

Só que há um indicador a que não se pode desatender. O crescimento do Cristianismo na China não ocorre apenas pelas igrejas. Verifica-se também à margem das igrejas. Há um número cada vez maior de cristãos a reunir-se em casas particulares.

 

Agora, vir dizer que vivemos numa sociedade sem Deus é mesmo sinal de que não estamos atentos nem a Deus nem á sociedade.

 

A procura até aumentou. E nem o ateísmo está completamente à margem. Zubiri anotava que o ateísmo acaba por ser uma relação com Deus pela via da negação. Negação, mas relação.

 

O que acontece é que a relação com Deus está a fazer-se, crescentemente, longe das igrejas. Sobretudo na Europa.

 

Isto não será um sinal a ter em conta?

publicado por Theosfera às 11:46

A história é tecida de contradições.

 

Veneramos o consenso, mas a experiência mostra que o mundo avança por rupturas.

 

Algum país nasceu na sequência de uma negociação pacífica?

 

Talvez fosse por isso que Agostinho da Silva se declarava avesso à ortodoxia e à heterodoxia. Para ele, só o paradoxo.

 

António José Saraiva era ainda mais contundente, afirmando-se totalmente a-doxo.

 

Como sair então do impasse? Como conjugar o que parece estar a milhas de qualquer conjugação?

 

Só há um caminho: a firmeza serena.

 

Jesus é aquele que pega no chicote e expulsa os vendilhões. E repare-se que Hitler, oportunisticamente, aproveitou logo para elogiar esta página do Evangelho. Só que em nenhum lado se diz que Jesus tenha acertado em alguém.

 

Mas Jesus é também aquele que, mesmo em legítima defesa, não aprova Pedro quando este agride um dos soldados que O prendeu.

 

No primeiro caso, está em causa um valor supremo: a relação com Deus. No segundo caso, está em causa um valor fundamental: o respeito pela dignidade humana. Mesmo pela daqueles que não a honram.

 

Há, pois, uma terceira via. E Gandhi ilustra-a belamente. É possível lutar pela mudança sem recorrer à violência.

 

Os maiores revolucionários são os não violentos, os pacíficos.

publicado por Theosfera às 11:11

Talvez esta seja uma notícia que não passe de um rodapé.

 

No elenco das doenças é possível que não figure o abandono.

 

Mas o abandono pode ser uma doença. E doença letal.

 

Ontem, em Tondela, um idoso morreu em sua casa. Queimado. Só.

publicado por Theosfera às 11:09

Se calhar, não há palavras a mais na vida política portuguesa. Se calhar, até há palavras a menos.

 

O problema é que há um ruído excessivo em torno das mesmas palavras. Como crise. Como dívida. Como recessão. Como interesses.

 

Há palavras que fazem falta. Muita falta. Como a palavra esperança. Como a palavra alento. Como a palavra coragem. Como a palavra serenidade. Como a palavra luz.

publicado por Theosfera às 11:07

«Os homens sábios falam porque têm alguma coisa para dizer; os tontos falam porque têm que dizer alguma coisa».

Assim escreveu (notável e magnificamente) Platão.

publicado por Theosfera às 11:04

Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

«A arte de viver é simplesmente a arte de conviver. Simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!».

Assim escreveu (espantosa e magnificamente) Mário Quintana.

publicado por Theosfera às 12:07

Falar, hoje em dia, não é um acto inócuo nem gratuito.

 

Falar leva, cada vez mais, a ganhar e a perder dinheiro.

 

As declarações dos nossos responsáveis governativos e dos líderes da oposição repercutem-se lá fora e os mercados reagem. Quase sempre, negativamente.

 

Há que ter cuidado com o que se diz. Há sobretudo que não perder a convicção, a clareza e, já agora, também algum pudor.

publicado por Theosfera às 11:11

O maior é uma obsessão para muitos. Fazem tudo e pisam quase todos para o conseguir. Ou, pelo menos, para o presumir.

 

Como se sabe, Jesus verbera tal comportamento. E o Evangelho fala, curiosamente, sobre o maior. Só que em causa está o maior mandamento.

 

 Este, sim, é a prioridade. O maior mandamento é o amor: a o amor a Deus e o amor ao próximo.

publicado por Theosfera às 10:44

Faz hoje vinte e um anos que o reitor da Universidade Centro-Americana foi assassinado juntamente com outros colegas.

 

O Padre Ignacio Ellacuría foi um dos discípulos dilectos de Zubiri e o primeiro a fazer uma tese de doutoramento sobre a sua obra.

 

Deixando uma carreira descansada na Europa, foi para a América Latina pugnar pela justiça em nome do Evangelho.

 

Vidas assim sobrevivem, mesmo depois da morte.

publicado por Theosfera às 10:39

De facto, parece mesmo haver palavras a mais na vida pública em Portugal.

 

E o problema é que as palavras não sabem a palavras, mas a mero som e a (im)puro ruído.

 

As palavras que são reproduzidas não infundem segurança. Antes difundem incerteza e abalam a esperança, já por si abatida.

 

Há que ter ponderação. Há que dosear as intervenções.

 

O problema não é tanto o ruído. O problema é serem sempre os mesmos a falar, a falar uns para os outros, uns dos outros, uns contra os outros.

 

É deprimente.

 

Só que a alternativa não é melhor. O que a televisão, por exemplo, nos oferece degrada o mais insensível. É depressivo.

 

Precismos de palavras que saibam a esperança, a confiança e a verdade. Precisamos de palavras que não nos cansem das palavras.

publicado por Theosfera às 10:29

O Evangelho inclui uma frase que, certamente, causa alguma perplexidade. É quando Jesus diz: «O Pai é maior do que Eu» (Jo 14, 28).

 

É que sempre nos ensinaram que nenhuma pessoa da Santíssima Trindade é mais divina que as outras. O subordinacionismo sempre foi combatido pela Igreja.

 

O primeiro concílio ecuménico, ocorrido em Niceia (325), trata precisamente de deixar bem claro que o Filho é da mesma substância que o Pai.

 

Como entender, então, esta afirmação? Não haverá uma contradição?

 

 Houve quem falasse do Filho como um segundo Deus ou como uma espécie de Deus de segunda ordem. Foi o caso de Ario.

 

Como entender, então, esta afirmação? Será que o Pai é mesmo maior que o Filho? Como articular esta frase com uma outra: «Eu e o Pai somos um só» (Jo 10, 30)? 

 
 Haverá contraste? O Filho é menor ou é igual ao Pai? Digamos que ambas as afirmações estão certas, como é óbvio.
 
 Segundo M.A.Fernando, as «relações entre o Pai e Jesus não podem expressar-se em termos de uma igualdade absoluta, sem qualquer resíduo de diferença. Também não se podem expressar dizendo que o Pai é 'melhor' que o Filho; ou vive-versa, que o Filho é 'melhor' que o Pai, porque carregou sobre as Suas costas com a parte mais dura da redenção; de facto, são muitos hoje os que vêem com mais simpatia a Jesus que o Pai, cuja maneira de tratar o Seu Filho e de governar o mundo os escandaliza.
 
João não hesitou em dizer na primeira página do seu evangelho que Jesus Cristo é a Palavra que 'já existia no princípio junto do Pai e na qualidade de Deus', mas também não titubeia quando põe na boca de Jesus esta afirmação: 'o Pai é maior que Eu'.
 
 É impensável que o evangelista se tenha esquecido do prólogo quando escrevia 14, 28. Logo não há contradição entre ambas as expressões. Isso quer dizer que o leitor deverá esquecer as conotações de superioridade e inferioridade qualitativa, que acarreta o termo 'maior' na linguagem comum.
 
Assim, pois a expressão o Pai é maior que Eu significa, antes de tudo, que na origem do mundo e da salvação dos homens há uma pessoa concreta: o Deus que é Pai, por impulsos de amor, comunica a  Sua vida eterna aos homens, por Seu Filho, que é também uma pessoa concreta: Jesus de Nazaré, distinto do Pai mas participante da Sua própria vida divina».
 
 
Em síntese e de acordo com Mateus-Barreto, o Pai é maior não porque seja mais divino, mas porque «n'Ele Jesus tem a Sua origem (1, 32; 3, 13.31; 6, 51), o Pai O consagrou e enviou (10, 36) e tudo o que tem procede do Pai (3, 35; 5, 26s; 17, 1)».
 
publicado por Theosfera às 10:21

«Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar».

Assim escreveu (pertinente e magnificamente) Nietzsche.

publicado por Theosfera às 10:19

Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Senhor Jesus, ajuda-me no meu trabalho.

Sê o meu Mestre e a minha Luz.

 

Eu dou o meu esforço,

dá-me a Tua inspiração.

Ajuda-me a estar atento e a ser concentrado.

 

Não Te peço para ser o melhor,

só Te peço que me ajudes a dar o meu melhor,

a trabalhar todos os dias.

 

Que eu não queira competir com ninguém

e que esteja disponível para ajudar os que mais precisam. 

  

 

Que eu seja humilde, que nunca me envaideça,

que nunca me deslumbre no êxito,

nem me deixe abater na adversidade.

 

Que eu nunca desista.

Que eu acredite sempre.

 

Que eu aprenda a ciência e a técnica,

mas que não esqueça que o mais importante é a bondade, a solidariedade e o amor.

 Que eu seja sempre uma pessoa de bem.

 

Ilumina, Senhor, o meu entendimento

e transforma o meu coração.

 

Dá-me um entendimento para compreender o mundo

e um coração capaz de amar os que nele vivem!

publicado por Theosfera às 23:19

1. Habituámo-nos a ver o material e o espiritual em oposição mútua e bloqueio recíproco.

 

Para muitos, o material é o contrário do espiritual e o espiritual é o contrário do material.

 

Esta é a situação. Mas este é também o problema. É que, nesta contradição, o material impõe-se e asfixia. E, desse modo, em vez de ser o espiritual a iluminar o material, acaba por ser o material a obscurecer o espiritual.

 

Em não poucos ambientes, o dualismo foi ao ponto de dar lugar a um monismo.

 

A única realidade que muitos conhecem é a material. O único capital em que a maioria aposta é o capital material.

 

Está, aliás, convencionado que dizer capital é dizer material, sobretudo dinheiro.

 

É sob este padrão que a riqueza se afere pelo capital material. Nem sequer damos conta, porém, de que aquilo que supostamente nos enriquece é o que mais nos empobrece.

 

Pobre de quem só tem dinheiro, costuma dizer-se. A maior riqueza vem do capital, mas do capital espiritual. Aquele em que, afinal, menos investimos.

 

O mal, de resto, não está no material em si. Está na subjugação perante ele.

 

 Quando possuímos, não conseguimos poupar nem sabemos repartir. Presumimos que ele dura para sempre. Quando as posses diminuem, entramos em depressão. E só aí nos lembramos dos que nunca possuem. 

 

2. Temos canalizado tudo para o capital material.

 

A matéria é o preço da matéria. Quem tem mais material (dinheiro) acede, de modo privilegiado, ao material (produtos).

 

A justiça parece não contar muito. Uma minoria concentra praticamente tudo enquanto a grande maioria suspira por quase tudo.

 

Sucede que o material é finito, esgota-se. Esgota-se o produto e, mesmo que este não se esgote completamente, vai-se esgotando o dinheiro para o adquirir.

 

Como as relações são de poder e dominação, quem detém a gestão dos produtos e do dinheiro dita as condições.

 

Em síntese, aos mais pobres são impostas restrições pouco menos que insuportáveis.

 

 

3. É, por isso, chegada a hora de fazermos o que ainda não foi feito.

 

Antes de fundarmos uma organização, um partido ou um outro qualquer movimento, é fundamental criar um espírito.

 

Precisamos, sem dúvida, de um espírito que transforme as instituições incluindo as próprias igrejas.

 

Já há mais de três décadas que Roger Garaudy entrevê esta necessidade como uma urgência.

 

É, aliás, no mesmo sentido que Leonardo Boff preconiza a passagem do capital material ao capital

espiritual.

 

Desde logo, porque o capital material tem limites enquanto o capital espiritual é ilimitado. «Não há limites para o amor, a compaixão, o cuidado, a criatividade».

 

Não se trata, como é óbvio, de pôr de lado a ciência, a técnica e a economia. Trata-se, antes, de as ver de uma nova forma e de lhes apontar uma outra direcção.

 

O capital material está, no momento presente, adulterado pelo lucro. É preciso reabilitá-lo pela justiça.

 

 

4. O capital espiritual pode ser, assim, a alavanca e o motor do capital material.

 

Os dois podem conviver harmoniosamente. O espírito tem ser a base, a alma. É preciso «redescobrir o capital espiritual e começar a reorganizar a vida, a produção e o quotidiano a partir dele».

 

Só assim a economia estará ao serviço da vida e da pessoa enquanto pessoa.

 

Só que este passo não ocorre por inércia nem por efeito de magia. Tem de ser fruto da nossa opção.

 

Como recorda Roger Garaudy, o acolhimento do espírito é uma tarefa de todos e de cada um.

 

Aqui, nem sequer é a religião que está em causa. É algo interior, que — assinala Leonardo Boff — «emerge das virtualidades da evolução consciente»

 

É por isso que a crise actual pode não significar apenas o prenúncio do fim de uma civilização moribunda. Ela pode configurar «os sinais de parto de um novo modo de viver e de habitar a Terra».

 

 

5. No fundo, no fundo, o capital material criou em nós o deslumbramento de sermos deuses.

 

Já o capital espiritual, abrindo-nos à dimensão de Deus, leva-nos a agir como homens e sermos humanos.

 

Não estará aqui uma enorme oportunidade? «Quando desistirmos de ser deuses — lembra Rose Muraro —, poderemos ser plenamente humanos, algo que, a bem dizer, ainda não sabemos o que é».

 

publicado por Theosfera às 14:23

Hoje não só se paga o mal com o mal, mas até se paga o bem com…o mal.

 

Neste comércio em que se transformou a vida, a moeda que mais usamos é o mal, a vingança.

 

É preciso mudar. É urgente inflectir o rumo. É fundamental alterar o percurso.

 

Temos de nos habituar a recorrer ao bem, à verdade, ao perdão, ao amor.

 

Só ele salva. Só ele liberta. Só ele redime.

publicado por Theosfera às 10:24

A democracia testa-se, sobretudo, na convivência com o diferente e no acolhimento do contrário.

 

Estigmatizar, pois, o próximo só porque não pensa como nós é algo que não honra a democracia.

 

A crescente crispação que se vive certifica que há um longo caminho a percorrer.

 

A democracia é um fieri, nunca um factum.

 

Ela está em costrução. Nunca pode dar-se como totalmente adquirida.

 

E, aqui e ali, começa a sentir-se medo.

 

O cidadão vê-se controlado. O rumor prospera. O anonimato campeia.

 

Refundemos a democracia. Refaçamos a revolução. Não nas ruas. Mas no interior de cada um de nós.

publicado por Theosfera às 10:18

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.
 

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.

Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.

Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.

Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.

Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os de toda a EU.

Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.

Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.

Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.

Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.

Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.

Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.

Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.

 

publicado por Theosfera às 10:15

«Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se!: se escolher o mundo, ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo!»

Assim escreveu (primorosa e magnificamente) Albert Einstein.

publicado por Theosfera às 10:11

Domingo, 14 de Novembro de 2010

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. 
 
Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

 Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.


A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos «ricos».


Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem ...
 

publicado por Theosfera às 21:13

Jesus tem, neste Domingo, uma mensagem de alento num contexto de adversidade.

 

Fala de guerras, de terramotos. E é nesse cambiente que entrevê uma oportunidade. Uma oportunidade de libertação. Uma oportunidade para o testemunho.

 

Nem tudo está perdido quando muito se perde.

 

Já estamos nos últimos tempos desde há muito.

 

Cristo é o último, o total, o definitivo, o perene.

publicado por Theosfera às 16:27

Finalmente, houve um consenso global no mundo do futebol. Se há tanto dinheiro para o futebol, ele será reencaminhado para o grande combate do momento: o combate contra a fome.

 

Nem mais uma contratação milionária enquanto houver uma única pessoa com fome. E o problema é que não há só uma. Há mil milhões.

 

 Todos aceitaram ter menos, esbanjar menos. E, por incrível que pareça, todos se sentiram felizes. Há, na verdade, muito mais alegria em dar do que em receber.

 

 O mundo acordou. Ainda bem. Estamos no limiar da era da justiça.

 

 Foi, então, que os meus olhos se abriram e passearam, manhã cedo, pelos jornais. A realidade era bem diferente. Os milhões para os mesmos. E a fome para os de sempre. Até quando?

publicado por Theosfera às 14:00

Tudo pode estar bem quando todos nos condenam. E tudo pode estar (muito) mal quando todos nos elogiam.

 

Cristo altera tudo. Ele não condena. Só salva e liberta.

 

Porquê hesitar então em aderir à Sua mensagem?

 

A Palavra que Ele pregou está aí, à nossa disposição.

 

O Senhor é liberdade, uma liberdade com sentido e horizonte.

 

N'Ele todas as correntes caem, todas as cadeias tombam.

 

Com Ele a salvação está em ti.

publicado por Theosfera às 13:55

Se a administração central tem de ser reformada, a administração local não pode deixar de ser reestruturada.

 

É estranho que, desde há mais de 150 anos, ela permaneça praticamente inamovível, apesar das revoluções.

 

Num país com tantas vias de comunicação e a viver tamanhas dificuldades, será que precisamos de um tão elevado número de estruturas: governos civis, direcções regionais, câmaras com pouco mais de mil munícipes, juntas para escassas dezenas de fregueses?

 

Ainda por cima, há coisas que fazem pensar. Nem com esta proliferação de órgãos locais foi possível manter as escolas nas freguesias ou serviços fundamentais nos municípios.

 

É, pois, importante que se reflicta com serenidade e racionalidade, apontando sempre para o vértice de toda a discussão: o bem comum.

 

Toda a gente sabe que, na hora da mudança, haverá protestos. Mas será sempre assim.

 

Porque é que não se vai pensando, de modo sereno e equilibrado, num novo reordenamento?

 

Há instâncias que se sobrepõem. Por vezes, o cidadão não sabe a quem recorrer. As atribuições chegam a ser muito vagas. E as verbas lá se vão (des)gastando...

publicado por Theosfera às 13:44

Do que mais precisamos é de confiança, de criatividade e de inovação.

 

Como compreender, por exemplo, que, sendo Portugal um país com uma zona marítima muito superior à sua zona terrestre, não se aproveite mais (e melhor) as potencialidades do mar? Parece que, ultimamente, a sensibilidade está a aumentar. Eis, pois, um filão a explorar e um potencial a optimzar.

 

Depois, não deslustra aprender com os melhores. E propunha que atendêssemos a quatro casos concretos: Brasil, Noruega, Béligca e Espanha.

 

Desde há uns anos, Portugal fez da sua geografia uma fatalidade mais que uma opção. Portugal está na Europa, mas porque é que há-de circunscrever-se à Europa?

 

O Brasil (juntamente com toda a América Latina) estava em crise há bem pouco tempo. Foi possível, não obstante, superar a situação em pouco tempo. Porque não estudar bem o caso do Brasil?

 

Falo, depois, da Noruega porque é um país da nossa dimensão e com uma população muito menor. Mantém uma economia pujante e uma ética inatacável. Relacionada com todo o mundo, optou por ser soberana nas suas escolhas. Não pertence à União Europeia nem aderiu ao euro. Há um caminho, uma direcção, um rumo.

 

Mas a Bélgica também merece a nossa atenção. Como é que um país que está há sete meses à espera de um governo e que ameaça desintegrar-se apresenta indicadores económicos saudáveis? Não será um sinal de vitalidade da sociedade civil?

 

Por fim, a Espanha. Não está bem. Mas aguenta-se melhor que nós. Como é o país que está mais perto, a interacção é mais fácil. Basta, pois, olhar para o lado.

 

Entretando, lá vamos estendendo a mão. Agora, até a Timor-Leste fomos pedir que compre títulos ds nossa vida pública. E, uma vez mais, os pobres são os primeiros a ajudar os que para a pobreza caminham...

publicado por Theosfera às 13:31

Quem pede sacrifícios tem de dar o exemplo. Numa altura em que os nossos governantes nos pedem tantas restrições e em que tantas empresas fecham, como entender a contratação, nos últimos tempos, de um tão elevado número de assessores?

 

Não quero entrar pelo moralismo fácil nem por uma demagogia primária, mas a investigação do DN dá que pensar.

 

Desde que foram anunciadas as medidas de austeridade, o Governo já fez 270 nomeações para cargos no Governo e na administração directa e indirecta do Estado.

 

O anúncio do PEC III - que apela à contenção da despesa pública - foi há cerca de mês e meio, o que dá uma média de 180 nomeações/mês, um valor muito superior aos primeiros anos de José Sócrates à frente do País, período em que foram nomeados mensalmente cerca de 100 funcionários.

 

Apesar de, entre 2005 e 2007, a situação económica não ter sido tão complicada como neste último mês e meio, o Executivo tem feito, em termos proporcionais, mais nomeações desde 29 de Setembro do que no início do seu primeiro mandato.

 

Na altura, 2373 pessoas foram contratadas em 24 meses.

 

A causa deste elevado volume de nomeações, publicadas em Diário da República desde que foram anunciadas as medidas de austeridade, são contratações para os mais variados organismos públicos tutelados pelos 15 ministérios.

 

Desde inspecções e direcções-gerais, passando por institutos públicos, não há um único ministério que nestes últimos tempos não tenha feito pelo menos uma nomeação.

 

Das 270 nomeações, 19 delas foram mesmo para gabinetes do Governo.

 

No entanto, contactados pelo DN, os ministérios em causa justificaram a maioria destas contratações (que incluem assessores, adjuntos e até um motorista) com a saída dos quadros que antes ocupavam os cargos.

 

Há, porém, casos que significam mesmo um aumento do encargo com pessoal dos gabinetes. Exemplo disso é uma das explicações dadas por fonte oficial do Ministério das Obras Públicas, que justificou a contratação de mais um trabalhador para o gabinete do secretário de Estado dos Transportes com a «necessidade de reforçar a equipa de assessores face ao volume e complexidade do trabalho específico a desenvolver».

 

Os resultados desta contagem feita pelo DN parecem contrariar o emagrecimento do Estado: nos últimos 30 dias úteis, foram nomeadas nove pessoas por dia. Ou seja: 45 por semana.

 

Isto dá que pensar.

publicado por Theosfera às 13:19

Sábado, 13 de Novembro de 2010

Não é só a crise que é preocupante. É-o também a falta de rumo perante a crise, a falta de confiança que é transmitida aos cidadãos.

 

E já não é só o presente que está comprometido. É também o futuro que já aparece ameaçado.

 

O orçamento foi aprovado, mas todos alvitram dificuldades na sua execução.

 

Há, em suma, uma sensação de impotência na classe política.

 

Estamos, portanto, numa situação de excepção. E situações de excepção requerem soluções de excepção.

 

É sobretudo em alturas como esta que há que esquecer interesses de partido e de grupo, para priorizar, de uma vez para sempre, o interesse nacional.

 

Já chega de instabilidade. Precisamos de estabilidade económica, de estabilidade social e de estabilidade política.

 

O interesse nacional reclama que os partidos se entendam. É impressionante como, numa hora tão crítica, não falta quem assuma esperar por novas eleições. Mas quem garante que de tal acto eleitoral saia uma solução consistente?

 

Nenhuma sondagem indica tal possibilidade. Nenhum partido se aproxima da maioria absoluta. E, depois, a poucos parece que o PSD seja substancialmente diferente do PS. Será uma alternância, mas não uma autêntica alternativa.

 

Penso que, na actual composição parlamentar, ainda é possível vislumbrar um caminho e tentar uma possibilidade. Mas, para isso, é fundamental um acto de humildade dos líderes.

 

Deviam pedir a personalidades que se destacassem pela maturidade, pela seriedade e pela sensatez que dessem um derradeiro contributo ao país neste momento crítico.

 

Como, em princípio, o PCP e o BE não pretenderão entrar num acordo de governo, o PS, o PSD e o CDS deviam ser chamados a abrir espaço a uma solução estável.

 

Antes de mais, deveriam entender-se quanto ao nome do primeiro-ministro. Tendo em conta a sua trajectória e as ligações aos três partidos (foi fundador do CDS, candidato presidencial apoiado pelo CDS e PSD e ministro de um governo PS), o Prof. Freitas do Amaral seria uma possibilidade a ter em conta.

 

Estou convencido de que esta é a última hora dos fundadores do regime. E Freitas do Amaral é o único sobrevivente, à excepção de Mário Soares, que aliás já desempenhou o cargo de presidente da república.

 

Recorde-se que Freitas do Amaral seria um nome respeitado lá fora até porque desempenhou, com êxito, o cargo de presidente da mesa da assembleia geral das Nações Unidas.

 

Fundamental seria, como é óbvio, a escolha do ministro das finanças. Os mercados estão agitados e, pelos vistos, desconfiados em relação a Portugal. É neste sentido que dois nomes me ocorrem: António Borges (que acaba de ser nomeado para a delegação europeia do FMI) e Carlos Horta-Osório (que acaba também de ser nomeado para o Lloyds Bank).

 

Numa fase em que a credibilidade é tão importante, o sinal que seria dado com qualquer um destes nomes está acima de todo o questionamento.

 

Se, entretanto, as finanças são importantes, a solidariedade social é decisiva. Num tempo em que tanta gente não tem o necessário para comer, precisamos de alguém com pensamento e dinamismo nesta área. O nome que, imediatamente, me salta à lembrança é o de Alfredo Bruto da Costa. Mas Eugénio da Fonseca também seria alguém a equacionar.  

 

A educação precisa não só de uma acção no curto prazo, mas de uma profunda reforma de médio e longo alcance. Aliás, aqui reside um dos problemas vitais do nosso país.

 

A educação, sem desdouro por quem tem dado o seu melhor, tem regredido enormemente. Há um excesso de intervencionismo e de controlo, uma insistência desmedida no conhecimento instrumental e um desguarnecimento confrangedor nas humanidades. Ninguém está contente: nem professores, nem alunos, nem famílias.

 

Nesta área, há dois nomes que fariam certamente um bom lugar. Têm pensamento estruturado e experiência acumulada: António Nóvoa e Nuno Crato.

 

O ministério da educação devia abranger igualmente a cultura e a investigação, até porque uma das prioridades de um governo em tempo de crise deveria ser a redução do número de ministérios.

 

Um governo mais pequeno, de resto, poderá ser um governo mais coeso e não menos eficaz.

 

A economia poderia, neste espírito, envolver a indústria e a agricultura. Julgo que Daniel Bessa não ficaria mal.

 

Para a saúde, João Lobo Antunes seria uma opção acertada.

 

No que toca à justiça, António Pinto Leite, um homem íntegro e uma personalidade consistente, poderia espoletar as reformas necessárias.

 

Já agora, Mota Amaral poderia figurar nos Negócios Estrangeiros, dada a sua reconhecida ponderação. Mas Luís Amado poderia continuar. Um verdadeiro senhor e uma agradável surpresa neste tempo imponderado. 

 

Estes e outros nomes, pela força que têm, estariam em condições de racionalizar a administração central e local, tão heterogénea, ineficaz e dispendiosa.

 

Tenho, porém, noção de que tudo isto não passa de ficção. Dificilmente os partidos se porão de acordo. E, mesmo que se ponham, as lideranças não quererão ficar de fora.

 

Com todo o respeito, não creio que as actuais lideranças do PS (a actual e as que já se perfilam), do PSD e do CDS disponham de maturidade suficiente para fazer o que tem de ser feito.

 

Prestariam um serviço de enorme relevância se abrissem caminho a alguns dos nossos senadores.

 

Aqueles terão, no futuro, novas oportunidades de mostrar o que valem. Estes dispõem, talvez, do derradeiro ensejo de servir o país. Será derradeiro para eles. Será decisivo para todos nós.

 

Se soubermos aliar a humildade à inteligência, poderemos ser capazes. Mas receio, sinceramente, que, uma vez mais, falte esse ingrediente: a humildade. A única que nos torna verdadeiramente grandes. «Mais alta que a grandeza - dizia Levinas - é a humildade».  

publicado por Theosfera às 20:03

Em tempos de lideranças frágeis, é de saudar os exemplos que resplandecem pela coerência, pela dedicação e pela persistência.

 

Hoje chegou ao fim mais um longo período de cativeiro de Aung San Suu Kyi, líder da oposição na Birmânia.

 

Prsioneira em sua própria casa, não teve qualquer contacto com o exterior: nem televisão, nem internet, nem visitas.

 

Refira-se que, em 1990, ela venceu as eleições legislativas, mas a ditadura não permitiu que exercesse a missão para que foi escolhida.

 

São pessoas como Suu Kyi que nos levam a acreditar que, afinal, melhor (ainda) é possível.

publicado por Theosfera às 19:56

Mourinho é competente e parece ter um toque de Midas em tudo quanto faz. Onde quer que esteja, o êxito não está longe.

 

Mas confesso que preferia que, sem tanto sucesso, ele fosse um pouco mais comedido no porte.

 

É certo que um jogo de futebol faz subir a adrenalina e o autodomínio tende a decair.

 

Mas um líder afere-se também por essa capacidade de autocontrolo e de humildade.

 

Mourinho tem dificuldade em lidar com a contrariedade.

 

Tem um feeling na preparação das partidas e na leitura dos jogos que o torna praticamente imbatível.

 

Num certo sentido, precisávamos de alguém assim na política. Alguém que soubesse ver antes do tempo e conseguisse intervir a tempo.

 

Um líder, de facto, é o que vai mais além do comum dos cidadãos na capacidade de visão e na arte da decisão.

 

Mourinho destaca-se de todos. A maior parte dos políticos reproduz o que se vê em todos. Falta um golpe de asa na nobre missão de governar.

 

Ainda recentemente, o golo decisivo do Real Madrid foi fabricado e marcado por dois jogadores que ele tinha mandado entrar pouco tempo antes.

 

É por isso que Mourinho nem tem necessidade de ser agressivo ou de exibir uma arrogância que, porventura, não corresponde à sua natureza.

publicado por Theosfera às 19:40

Quisera compor-te um poema, o mais belo. Quisera obsequiar-te com uma flor, a mais deslumbrante. Quisera oferecer-te um presente, o melhor.

 

Mas como tudo isto é pouco para o que mereces, deixo-te o meu amor, a minha gratidão, a minha prece. Devolvo-te o meu coração, o coração que me deste, que moldaste.

 

Parabéns, querida Mãe, pelos teus 81 anos. Obrigado por permaneceres a meu lado. Preciso cada vez mais de ti. Sinto-te cada vez mais forte. E vejo-te sempre linda, sempre pura, sempre jovem, sempre tu, sempre Mãe!

publicado por Theosfera às 00:00

Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

O momento que estamos a viver surge-nos tingido de dificuldades. Mas quem sabe se ele não estará cheio de imensas oportunidades?

 

O que mais me impressiona é que, desde os governantes aos cidadãos, todos parecemos tolhidos pelo desânimo e manietados pela angústia.

 

Há uma crise, sem dúvida, e não é só (nem principalmente) económica. Mas não são as crises que fazem o mundo avançar?

 

Viver é ultrapassar-se e os obstáculos têm o condão de espicaçar o engenho.

 

Não podemos é insistir no mesmo e temer o diferente.

 

Esta é a hora de nos abrirmos ao novo.

 

O Estado parece esgotado. A sociedade não pode ficar adormecida.

 

Precisamos de caminhos novos. É fundamental arriscar. Arriscando podemos perder (mas perder mais do que aquilo que já perdemos é difícil). Mas se não arriscamos, estamos perdidos.

 

O novo perturba. George Bernard Shaw reconhecia que «todas as grandes verdades começam como blasfémias».

 

Jesus, aliás, foi condenado praticamente como um blasfemo.

 

Schopenhauer e William James afirmaram, em jeito de síntese, que «toda a verdade passa por três etapas: primeiro, é ridicularizada; depois, é violentamente contrariada; por último, é aceite universalmente como auto-evidente».

 

Portugal, que descobriu o mundo, será capaz de se redescobrir a si próprio? 

publicado por Theosfera às 23:25

«A vida só pode ser compreendida olhando para trás; mas só pode ser vivida olhando para a frente».

Assim escreveu (luminosa e magnificamente) Kierkegaard.

publicado por Theosfera às 23:23

Mark Baker apresenta-O como o maior psicólogo de todos os tempos.

 

Lauro Trevisan considera-O um grande psicanalista.

 

Jesus confirma ser mesmo o universal concreto.

 

Não há dúvida de que ninguém como Ele penetrou no fundo da alma humano.

 

O acolhimento e a compaixão foram sempre as atitudes que se destacaram no Seu ministério.

 

Daí a atracção, inclusive entre aqueles que não frequentam a Igreja, pela figura de Jesus.

 

Ele é o nosso grande perscrutador. Revela-nos a nós mesmos. Como dizia Rahner, «Ele é a resposta total à pergunta total».

publicado por Theosfera às 23:17

O Brasil merece ser estudado. E Lula da Silva justifica a nossa melhor atenção.

 

De forma desapaixonada e ideologicamente imparcial, importa olhar para o que a realidade nos mostra.

 

Este país e este homem certificam à saciedade que o principal capital de um povo são as suas pessoas. É preciso dar-lhes confiança, fazendo-as acreditar que é possível vencer as dificuldades.

 

Não é preciso propor muita coisa de cada vez. É fundamental definir prioridades e mobilizar toda a comunidade em função delas.

 

Recorde-se que Lula da Silva (e o seu vice José Alencar) não têm diplomas universitários. No entanto, cônscios da importância da educação, foram eles que construíram o maior número de universidades federais em toda a história do Brasil.

 

A prioridade do seu governo foi combater a fome. Criou, por isso, o programa Fome Zero, um projecto baseado nas origens de Lula, o único presidente brasileiro que nasceu na miséria, não na pobreza.

 

Pobreza, como dizia D. Hélder Câmara, é viver do indispensável. Miséria é carecer do indispensável.

 

E a experiência da fome, na sua infância, terá marcado definitivamente o carácter do actual presidente. 

 

Quando Lula da Silva tomou posse, um terço da população brasileira passava fome. O Brasil era, nesse momento, um dos países com mais desigualdades de rendas e flagelado pela fome, não obstante ser, na altura, o quatro maior exportador mundial de alimentos.

 

O que faltava aos brasileiros não eram alimentos, era o dinheiro para a aquisição desses alimentos para o consumo.

 

O Fome Zero visou o combate à fome e a garantia de segurança alimentar, atacando as causas estruturais da pobreza, através de um modelo de desenvolvimento económico, que criou condições para a superação de pobreza.

 

Os  municípios passaram a desempanhar um papel estratégico no diagnóstico de problemas da população e a esboçar as propostas de soluções criativas, incluindo a sua materialização.

 

Os dados mostram que alguns estados brasileiros, como o Paraná, poderão exterminar a pobreza até 2013. O Brasil, no geral, poderá eliminar a pobreza em 20 anos.

 

Desde 2003, a população abaixo da linha de pobreza está em forte queda.

 

Tendo como base as pessoas que ganham meio salário mínimo (o equivalente a 232 reais, em 2009), a pobreza caiu 64%, quando comparada à de 1995.

 

Nem tudo terá sido perfeito na governação de Lula, mas só por este desígnio vale a pena dispensar uma cuidadosa atenção ao seu legado.

 

E é indiscutível que o Brasil deu um grande salto para a frente. Não deixa de ser sintomático que Portugal esteja a dar um passo para trás. Entre nós, a fome está a aumentar.

 

Estudemos (melhor) o Brasil.

publicado por Theosfera às 21:57

Há tempos vi na tv um documentário sobre o fundador do PS, Tito de Morais, que muito me impressionou.
 
Tito de Morais fora convidado para presidente do conselho de administração de uma grande empresa pública, depois do 25 de Abril.
 
Perguntou quanto era o vencimento. E quando lhe revelaram o montante exorbitante da remuneração recusou liminarmente o cargo, dizendo que não era capaz de ir auferir uma remuneração tão elevada, comparada com o montante do salário mínimo nacional.
 
Com estes exemplos, raros,o mundo fica mais rico em grandeza humana.
 
Obrigado, Manuel Tito de Morais. Deus te abençoe como bem mereces...
 
Faço meu este texto que António enviou para a caixa de comentários. Aliás, também vi o programa e confesso que fiquei deveras impressionado.
 
Será que gente desta envergadura moral desapareceu? Quero crer que não.
 
E recordo que Tito de Morais até vivia com dificuldades. Tinha vários filhos. As justificações eram fáceis. A situação tornava-se tentadora.
 
A experiência mostra que os grandes homens não são muitos. Mas também é verdade que o chão que produziu homens desta estirpe não deixou de ser fecundo.
publicado por Theosfera às 18:57

Na política, como no resto da vida, não basta ter razão nem chega ter força. É fundamental ter autoridade, credibilidade e também paciência.

 

Um dia, D. Caio caiu. Mas nem ninguém lhe ligou, porque habituara-se a enganar os outros com o grito eu caio!

 

A autoridade conquista-se com o exemplo. Em horas de crise, precisamos mais de caminhos do que de lições.

 

Caminhos todos podemos trilhar. Mas quem pode dar lições?

 

Recordo o que, há cerca de dois decénios, disse um ministro no parlamento: «Aceito conselhos não de quem saiba mais, mas de quem tenha feito melhor»!

 

Mais do que enveredar por uma leitura casuística de quem pode baixar mais os salários e as pensões de reforma, o fundamental é assentar num novo padrão de participação na vida pública.

 

Quem está nos lugares de administração (seja no governo, seja em empresas públicas) deve ser habitado por um espírito de missão. Isto já vem de Platão.

 

Não se pede que se prive de uma vida digna. Mas deve evitar-se um padrão excessivamente acima do comum dos cidadãos.

 

Penso que um indicador poderia ser o salário do presidente da república. Nenhum administrador público devia ter um salário maior.

 

Os melhores (se o forem desde dentro) não se negarão a prestar a sua colaboração. Afinal, os direitos de todos não são deveres para cada um?

 

Sei que estamos longe desta cultura cívica, onde o serviço ainda se encontra bastante obscurecido pelo poder. É por isso que se impõe alguma paciência.

 

Insisto na paciência porque, à partida, parece estar nos antípodas da razão e da força. Quem se acha na posse da razão e com força para a assumir, tende a ter pouca paciência diante dos obstáculos que se erguem.

 

Na imprensa (e, particularmente, na blogosfera) deparamos com textos carregados de razão e cheios de energia, mas que denotam uma tremenda falta de paciência.

 

 O tom é demasiado azedo e a atitude parece excessivamente agreste. Vistas as coisas, ninguém pode contestar o acerto das posições.

 

 É verdade que há coisas que não podem esperar. Mas há que apelar para a paciência. Deus é a referência. Ele tem desígnios que nós não conhecemos e um modo de actuar que não nos cabe decifrar.

 

 Se Ele conseguiu afirmar a vida na morte do próprio Filho (maior impedimento não pode haver), como não conseguirá, hoje, superar as mil e uma oposições que se levantam?

 

 Como referiu o Santo Padre, a paciência de Deus salvará o mundo; só a impaciência do Homem o pode estragar.

publicado por Theosfera às 11:37

É a violência um dos traços dominantes da vida contemporânea. Nem a religião, como documentam os estudos de René Girard,  fica de fora.

 

Às vezes, é mesmo donde se espera maior paz que destilam os mais arrepiantes factores de agressividade. Porque inesperados.

 

A violência, hoje em dia, é particularmente avassaladora.

 

A escola está invadida pelo fenómeno. O Estado tem de intervir. A legislação começa a ser implementada.

 

Este dado significa que, em vez de ser a sociedade a subir ao nível da escola, é a escola que está a descer ao nível da sociedade.

 

Daí que todas as ajudas sejam bem-vindas. Acaba de sair um livro com o título Bullying, agressividade em meio escolar.

 

Um instrumento útil acerca de uma situação preocupante. Diria mesmo aflitiva. 

publicado por Theosfera às 11:29

Na hora que passa, faz falta intuição.

 

Numa linguagem pascaliana, diria que ainda estamos muito dominados pelo espírito de geometria. Precisamos do espírito de finesse.

 

Povos houve que, nas alturas mais críticas, souberam dar a volta de forma inopinada.

 

O Brasil é um caso típico, embora nem sempre exemplar.

 

Ainda agora, se disputam por lá lugares no novo governo. Ainda por cima, na praça pública, às claras.

 

O espectáculo não é edificante. Os partidos que apoiaram Dilma Rousseff estão a fazer pressão.

 

Mesmo assim, o país cresce embora a justiça esteja longe de estar consolidada.

 

Mas com Lula (sem qualquer curso superior) o país conseguiu um desígnio e, apesar das dificuldades, exibe um olhar feliz.

 

Richard Layard afirma que uma sociedade só cresce se tiver o sentimento de um desígnio comum. Não basta a realização individual para tornar as sociedades felizes. E nem sequer é necessária muita riqueza para aumentar a felicidade.

 

Para o economista inglês, há passos concretos que podem ser dados: flexibilizar horários, apoiar casais em crise, melhorar cuidados para com as crianças e redobrar a atenção diante das perturbações mentais.

 

O que não basta é o deslumbramento com o poder. O fundamental é que cada um pondere sobre o que pode fazer pelos outros.

 

A felicidade não pode ficar amarrada no eu. 

publicado por Theosfera às 11:15

Há um fundo de verdade na afirmação do autor que, ainda por cima, se chama Justo.

 

Justo Gallego sustenta que, «para estarmos livres, temos de estar sós».

 

É à sua solidão que ele deve a sua obra. À sua solidão e, já agora, à sua persistência.

 

Gallego está, há 50 anos, a construir uma catedral.

 

No início, ainda teve a ajuda de cinco sobrinhos. Hoje, apenas conta com dois ajudantes.

 

Mas nem assim desiste. Aos 85 anos, Gallego não quer morrer sem concluir a sua obra.

 

Se desse ouvidos aos conselhos, porventura nem teria começado.

 

As regras, por vezes, têm de ser desafiadas.

 

Nem sempre a solidão é infecunda.

 

Antes (e depois) de arrastarem multidões, os grandes homens ficaram sós.

 

Não terá sido também esse o caso de Jesus?

publicado por Theosfera às 11:09

Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

Não se pode pedir ao Estado que assegure todos os bens. Mas deve-se exigir ao Estado que não corte as oportunidades de aceder aos bens.

 

Sucede que este mínimo encontra-se longe de estar garantido.

 

O desemprego é a consequência de muitas restrições.

 

O desemprego acarreta a fome.

 

Não sou político, nem economista, mas enquanto houver pessoas com fome e se gastar dinheiro noutras actividades, há qualquer coisa de arrepiante que não pode ser tolerada.

 

Podem dizer que se trata de demagogia. Mas a experiência mostra que a acusação de demagogia é um pretexto para macular aquilo que muitos sentem e a alguns incomoda.

 

De resto, é o economista César das Neves que diz:   «Há várias décadas que, com custo de milhões, os sucessivos governos nos asseguraram que a sua política eliminaria a pobreza. Proclamaram o sucesso várias vezes. Agora, quando é mesmo preciso, tudo se desmorona. Parece que nos 80 mil milhões de euros do Orçamento de Estado não há dinheiro suficiente para alimentar crianças. Compreende-se, é preciso acorrer ao TGV e outras prioridades.

    

Os políticos estão presos de si mesmos. Felizmente ainda restam as escolas, paróquias, IPSS, serviços camarários, ou simplesmente os vizinhos e colegas. Esta é a grandeza de Portugal e enquanto existir a crise dos políticos não nos vence».

 

Não é preciso ser marxista para concordar com Marx neste ponto. De cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo as suas necessidades.

 

Se não pudermos fazer tudo ao mesmo tempo, comecemos pelo mais importante: por dar pão a quem tem fome.

publicado por Theosfera às 11:52

Muitas vezes, não somos o que somos. Acabamos por ser o que os outros fazem de nós.

 

As conotações sobrepõem-se, frequentemente, à realidade.

 

Ninguém escapa a esta tendência. Nem sequer os santos.

 

S. Martinho, celebrado neste dia, é associado às castanhas e ao vinho.

 

 Mas ele é, sobretudo, o homem da solidariedade, da caridade, do amor. Não tanto do amor em forma de palavra. Mas da palavra em forma de amor. O amor é mesmo o maior discurso.

 

Eis, pois, alguém que soube captar exemplarmente o núcleo do Evangelho: a presença de Cristo no Irmão, no Irmão Pobre.

 

S. Martinho era pobre e humilde e é como pobre e humilde que entra no reino dos Céus.

publicado por Theosfera às 10:58

Um pouco de comedimento é o que se exige a quem (co)manda.

 

Na hora que passa, em que até o norte se perde, é preciso comunicar. Mas é fundamental não confundir comunicação com mero ruído.

 

E a palavra desacredita-se quando se teima em não sair do palco, quando se pretende estar a toda a hora diante dos holofotes.

 

É necessário dosear a intervenção pública. É urgente não desgastar a palavra. 

 

É neste sentido que me vem à mente uma história do Santo Cura d'Ars.

 

Uma pessoa fazia questão de manter conversas intermináveis. Um dia, o Santo Cura d'Ars perguntou-lhe:  «Minha filha, qual o mês do ano em que fala menos?»

 

«Não sei», respondeu-lhe.

 

«Deve ser Fevereiro»!

publicado por Theosfera às 10:47

Sinal preocupante. É manhã. O sol não brilha, mas o dia nasce e o cidadão levanta-se já cansado.

 

Sai a caminho do trabalho e cruza-se com muitos que já nem trabalho têm.

 

Dirige o olhar, abatido, em redor e palpita-lhe que até a esperança migrou. Tenta lobrigá-la no infinito, mas até o céu lhe aparece tingido pelo cinzento.

 

Começa então a dialogar consigo mesmo.

 

Que país é este e que terra é a minha, onde os serviços fecham, onde os empregos minguam, e não sobra uma palavra, não se vislumbra uma denúncia, não se intui uma alternativa nem tão-pouco se enxerga uma mudança?

 

Persistem os lamentos. Em tempos de penúria, acumulamos um único capital. Um enorme capital de queixa.

 

O eco da lamúria invade as ruas e aloja-se nas almas.

 

O presente está tolhido. O futuro parece bloqueado.

 

Nem tudo estará, porém, perdido. Este é o tempo em que as nuvens obscurecem o sol. Virá o tempo em que o sol vencerá a barreira das nuvens.

 

Neste mundo, nada é eterno. Nem sequer a crise.

 

Não desistamos da esperança. Ela pode ter migrado. Mas acabará por voltar.

publicado por Theosfera às 10:37

Sabemos que o poder deslumbra, enfeitiça e, pior, corrompe.

 

A arrogância é o pecado maior de quem transforma o serviço aos outros na manutenção, a todo o transe, de um poder (presumidamente) seu.

 

Os homens do poder não deviam perceber apenas de gestão. Deviam ler mais. Sobretudo poesia.

 

O conselho vem de Kennedy: «Quando o poder conduz o homem para a arrogância, a poesia lembra-o das suas limitações. Quando o poder corrompe, a poesia limpa».

publicado por Theosfera às 10:25

Um dos sinais de decadência não está tanto na crise (quando é que, a bem dizer, não estivemos em crise?), mas na falta de ânimo perante a crise.

 

Insistimos no mesmo, na sobrecarga das pessoas que já sobrecarregadas se encontram.

 

Precisamos de uma cidadania mais desperta e de lideranças mais criativas.

 

O líder não é o que segue a percepção geral. O líder é, sobretudo, o que vê antes e actua a tempo.

 

Foi neste contexto que me lembrei de dois nomes.

 

O primeiro é Pedro Abrunhosa. Impõe-se, de facto, «fazer o que ainda não foi feito».

 

E o segundo é John Kennedy. Deixo aqui o seu alerta: «Precisamos de homens que consigam sonhar com coisas que nunca foram feitas».

 

Ele falava a propósito da ida à Lua. Nós pensamos nos problemas que persistem na Terra, em toda a Terra e também na nossa terra. 

publicado por Theosfera às 10:18

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Não acredito numa sabedoria vaidosa, exibicionista, presunçosa.

 

O saber não está do lado da posse. Está, sim, do lado da procura.

 

Zubiri já nos prevenira. O importante não é possuir a verdade, mas deixar-se possuir pela verdade.

 

A sabedoria é, portanto, irmã gémea da humildade.

 

Só o verdadeiramente humilde é autenticamente sábio.

 

Impressiona ver como, hoje em dia, se recorre tão pouco ao não sei.

 

O pensamento tende a ser cada vez mais instantâneo. Pretende-se dizer primeiro e sobrepor-se aos outros.

 

Ora, o não sei é um documento de saber e um certificado de procura.

 

Um dos maiores sábios da humanidade exarou uma sentença que ficou célebre: «Quanto mais sei, mais sei que nada sei».

 

Descontando o exagero (pelo menos, sabe-se que não se sabe), late aqui uma profunda sapiência.

 

O caminho da sabedoria parte da percepção de que ainda há muito para descobrir, para encontrar.

 

Por isso é que verdade em grego se diz aletheia, aquilo que se vai desvelando, aquilo que vai tirando o véu e se deixa ver.

 

Sócrates ajudava a tomar consciência do não saber e, maieuticamente, apoiava o germinar do saber no íntimo das pessoas.

 

É para este saber que devemos tender. Ele vai muito para lá do que figura nas pautas de uma escola e que, muitas vezes, decorre de uma noite mal dormida.

 

Há uma tendência para dar ao saber uma dimensão apenas instrumental como sendo um meio que nos permite triunfar na vida.

 

Daí a ansiedade e a mentalidade doentiamente competitiva que se gera desde cedo.

 

Há que redescobrir o sabor do saber.

 

Há que nunca desistir de aprender a sabedoria.

 

Nunca se sabe tanto como quando temos consciência de que sabemos pouco. Esse é o sinal que nos impele a continuar, a nunca desistir, a jamais deixar de procurar.

 

Não acredito numa sabedoria ruidosa, palavrosa.

 

Acredito cada vez mais numa sabedoria persistente, delicada, bondosa.

 

Quando vejo uma pessoa humilde, a minha atenção desperta. Está ali uma pessoa sábia. Mesmo que o não pareça.

 

Não é a sabedoria que nos ensina que o que parece raramente é?

publicado por Theosfera às 10:20

A pergunta decisiva, hoje, não é já a de Pilatos: «Que é a Verdade?» (Jo 18, 38). É, sobretudo, estoutra: «Onde está a Verdade?».

 

Para muitos, a verdade está na conveniência. Daí que alguns mudem de verdade conforme o fluxo das conveniências.

 

 Só que a verdade raramente é conveniente. Ela é, quase sempre, inconveniente e, em alguns casos, muito inconveniente.

 

 A conveniência, regra geral, não é assumida. É por isso que exaltamos mais a verdade do que a conveniência, mas acabamos por viver mais na conveniência do que na verdade.

 

 A verdade não está na conveniência. Nem tão-pouco na aparência. Está, sim, na transparência. A conveniência ilude. A aparência esconde. Só a transparência revela.

 

 Verdade nem sempre é aquilo que aparece cá fora. É, acima de tudo, o que transparece a partir de dentro. Não nos chega, por isso, pela via da duplicidade, mas pela única via da autenticidade, da sinceridade.

 

Estar na verdade é, frequentemente, remar em sentido contrário ao da corrente. A verdade não tem de estar na maioria. A maioria (como, de resto, a minoria) é que deve estar na verdade.

 

 A verdade tem algo de único e, ao mesmo tempo, de universal. Ela pode vir através de um único e, simultaneamente, desabrochar em todos.

 

 Cada ser humano é depositário da Verdade. Não apenas da sua verdade. Mas da Verdade. Não cessemos de a procurar. Nem nos cansemos de a viver.

publicado por Theosfera às 10:18

Terça-feira, 09 de Novembro de 2010

Parece estranho, mas é verdade.

 

Apesar de sermos portugueses, temos maior facilidade em nomear os primeiros-ministros da Espanha do que os chefes de governo de Portugal. Por uma razão, afinal, bem prosaica. São muito menos.

 

Nos mesmos anos de democracia (a diferença é mínima), a Espanha teve à frente dos seus governos Adolfo Suárez, Leopoldo Calvo Sotelo, Felipe González, José María Aznar e Rodriguez Zapatero.

 

Portugal teve: Palma Carlos, Vasco Gonçalves, Pinheiro de Azevedo, Mário Soares, Nobre da Costa, Mota Pinto, Lourdes Pintasilgo, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates.

 

14-5, ganha a Espanha.

 

Este será o caso em que menos é sinónimo de mais. Mais estabilidade constitui uma alavanca para mais desenvolvimento.

 

É por isso que, estando tão perto, nos sentimos tão longe da Espanha.

 

A nossa vizinhança é apenas geográfica.

 

E não se diga que é mais fácil constituir consensos na Espanha. Zapatero também não dispõe de maioria absoluta. As sondagens dão o seu partido muito atrás do PP. Há o caso, permanente, dos nacionalismos. E, tanto quanto se sabe, não se anda a agitar o fantasma de eleições antecipadas.

 

Que ganhamos com toda esta agitação?

 

O país não está bem. Mas que lucramos em colocar incerteza em cima da instabilidade?

 

Será que a maioria absoluta tem de ser de um só partido? E que garantias há de que as eleições antecipadas a ofereçam?

 

Porque é que não criamos, de uma vez para sempre, uma cultura do diálogo?

 

Um momento como é este não pedirá a todos que ofereçam as diferenças para a edificação do bem comum?

 

 

É nas horas difíceis que os gestos de grandeza se tornam imprescindíveis...

publicado por Theosfera às 23:21

Nos momentos mais difíceis, o mais necessário acaba por ser também o mais raro: sensatez e serenidade.

 

Está à vista que nada ganhamos com posições extremadas e tons de voz exaltados.

 

A experiência ensina que quando o tom de voz é alto, a razão é baixa.

 

Percebe-se a desesperança que assola em muitos rostos sem ânimo.

 

Mas o que se espera dos líderes é um acréscimo de calma.

 

O líder destaca-se pela diferença.

 

Infelizmente, não é o que se tem visto, com evidentes prejuízos para todos. É que, como agora se diz, os mercados (que, pelos vistos, tudo decidem) estão atentos.

 

Já basta a crise económica e social. Para quê acenar constantemente com a iminência de uma crise política?

 

Salta à vista que os interesses prevalecem sobre os imperativos e as necessidades.

 

Mesmo de instituições e de pessoas de quem se espera serenidade aparecem declarações intempestivas que nada contribuem para lubrificar os espíritos e rasgar horizontes.

 

Daí o conforto que constituiu ouvir há pouco um dos nossos senadores. Na RTP2, Rui Machete explanou a sua visão sobre a presente situação.

 

A clarividência da sua análise releva de uma leitura inteligente da realidade. O alerta que faz é de enorme pertinência e pode resumir-se deste modo: a situação está mal, mas não a agravemos mais.

 

Há palavras que incendeiam. E há interesses de alguns que estão a obscurecer o interesse de todos.

 

Recorde-se que Rui Machete pertenceu a um governo que conseguiu congraçar os dois maiores partidos. Foi possível, nos idos de 80, ultrapassar divergências. A grandeza de certos homens é sempre capaz de sobrepujar a grandiosidade dos problemas.

 

O tom de voz pausado é uma lição. Que falta fazem líderes deste jaez e com esta seriedade!

 

Ao ouvir Rui Machete, não senti recuar no tempo. Senti que há modos de ser e agir que não passam de moda. Corrijo: que não deviam passar de moda...

 

 

publicado por Theosfera às 22:50

O futebol é muito mais que uma bola envolvida por vinte e dois homens e comentada por milhares de pessoas.

 

Ele é um repositório de emoções e um espelho da vida.

 

Nestes dias, muito se tem comentado os jogos do Dragão e de Alvalade.

 

FC Porto e Guimarães venceram porque marcaram mais golos. Este é o ângulo mais óbvio. Mas há outros.

 

O Benfica começou a perder quando perdeu a identidade. Quando se muda tanto uma equipa em função da outra revela-se medo. O desastre começa aí.

 

O Sporting perdeu porque não soube reagir a uma adversidade. Pareceu aqueles alunos que se preparam bem, mas que, perante uma contrariedade, entram em pânico.

 

O Sporting estava a fazer um jogo cheio, controlado. Sucede que o jogador mais experiente foi expulso. A descompensação psicológica tornou-se demasiado visível.

 

Em pouco mais de dez minutos, o Guimarães marcou três golos. Há que saudar o empenho dos minhotos.

 

Foi, porém, visível a quebra do Sporting.

 

Nas horas difíceis, a calma é ainda mais necessária. 

publicado por Theosfera às 20:30

A vida dos povos, como a das pessoas, dá muitas voltas. E, neste caminhar labiríntico, há ocorrências que despertam a nossa atenção.

 

Estiveram, entre nós, dois chefes de Estado. Ambos afirmaram estar dispostos a ajudar Portugal nesta hora difícil.

 

Quem diria que países outrora considerados subdesenvolvidos vinham em ajuda de um país que é suposto pertencer ao mundo desenvolvido?

 

E quem achava possível que regimes que se ergueram contra o capitalismo apareçam a dominar, com uma mestria chocante, o referido sistema capitalista?

 

Hugo Chávez comprou um estaleiro e casas pré-fabricadas. Já tinha comprado uma série de Magalhães.

 

Por sua vez, o Presidente da China, que adquiriu mais de cem aviões na França, mostrou-se disponível para comprar parte signaficativa da nossa dívida pública.

 

É claro que há a questão dos direitos humanos. Mas, acerca disso, silêncio total.

 

O capital fala mais alto.

publicado por Theosfera às 11:56

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